quinta-feira, 2 de março de 2017

Facebook: rede social, ou tribunal popular?

"Provavelmente o problema é meu, mas sinto uma histeria reinante no FB que me deixa desconfortável. 
João Braga emitiu a sua opinião sobre o vencedor do Óscar e a turba caiu-lhe em cima. Para mim, João Braga é apenas um fadista e, como tal, tem direito à sua opinião. Não concordo com ela? Passo adiante, mas não vou perder tempo com um tipo que me é indiferente, não faz parte do meu círculo de amigos e,que eu saiba, não tem qualquer influência política.
Na onda de histeria e indignação que encontrei no FB, após uns dias de ausência, está também uma fulana do staff de Trump que se ajoelhou num sofá na sala Oval. Qual é o escândalo? Não me consta que a Monica Lewinski estivesse de pé naquele momento que todos sabemos.
E para terminar: justifica-se tanto barulho por causa de uns tipos que se piraram da prisão de Caxias? Nunca ninguém se tinha evadido de uma prisão em Portugal? 
Bem, o FB está a ficar um local perigoso. Quem der uma opinião "fora do politicamente correcto" ou, pura e simplesmente, der a sua opinião, corre o risco de ser linchado. A intolerância conduz ao totalitarismo, o pensamento único à estagnação. 
O mais curioso é que há por aí muita gente de esquerda que pensa exactamente o mesmo que João Braga ,mas não o assume. E que se bate contra a violência doméstica, mas só fora da sua casa.
E que critica a xenofobia e o racismo, mas explora a empregada doméstica caboverdiana ou guineense. E...e...e..."
Escrevi este texto ontem à noite no FB e decidi partilhá-lo convosco. 
É que eu admito - e considero salutar. a crítica política (  pratico-a, por vezes de forma desabrida, não tenho problema em reconhecê-lo) mas  detesto os julgamentos populares por delito de opinião. O FB está a tornar-se um tribunal popular e isso, além de preocupante, é demasiado mesquinho para o meu gosto.

2 comentários:

  1. Nada sei de facebook ou de que por lá se passa. Mas todos temos direito à nossa opinião, até se errada ou contra a corrente e se a soubermos justificar, até posso não concordar mas tirar-lhe formalmente o chapéu.
    Mas o mundo, na pessoa de cada um, anda apostado em formular juízos acerca dos outros. E como cada eu é também um outro o tribunal popular já não pára par pensar, ajuíza, opina, retalha.

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  2. Está-se a dar uma importância ao facto e à pessoa que ambos não merecem, Carlos.

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