quarta-feira, 15 de março de 2017

Consumo e ética

Assinala-se hoje o Dia Mundial dos Direitos dos Consumidores. 
Muito teria a dizer sobre a vacuidade desta data, cuja única serventia é dar oportunidade a alguns governantes ( sejam eles europeus ou nacionais) de aparecerem a fazer uns discursos e evocar Kennedy.
Para não vos maçar, recordo apenas que, em nome da globalização, espezinharam-se os direitos dos consumidores e reduziu-se a defesa do consumidor a uma amálgama de articulados jurídicos centrados em questões de índole financeira.
O nosso futuro depende, em boa parte, dos padrões de consumo que adoptamos. Desde a educação alimentar, à educação financeira, passando pela segurança e pelo direito à reparação de danos, a defesa do consumidor assenta em dois pilares fundamentais: sustentabilidade  e ética.
Não haverá futuro se não forem garantidos padrões de consumo sustentáveis e  não haverá sustentabilidade se não houver padrões éticos que pautem as relações entre consumidores, produtores e prestadores de serviços.
Há duas décadas, a ética no consumo passava por rejeitar produtos e serviços de empresas que recorressem ao trabalho infantil ou escravo  e não respeitassem as regras e padrões de sustentabilidade ambiental.
Hoje em dia, a ética no consumo também passa pela área financeira. E esta  tem variadas vertentes. Uma delas passa por rejeitar produtos de empresas (portuguesas ou com actividade principal em Portugal) que se deslocalizam para outros países, para pagarem impostos mais baixos, escapando assim aos seus deveres fiscais com o país de origem.
Pois,pois, estou a lembrar-me do Pingo Doce, mas não é a única.
E não me venham com histórias da Carochinha, falar da Fundação Manuel dos Santos ou de actividades de solidariedade que várias empresas promovem, como mais valias para os portugueses.  Somos nós que estamos a pagar essas actividades. 

5 comentários:

  1. Eu hoje já como só para matar a fome. Não acredito em nada nem em rótulos nem no raio que os parta. Por alguma razão os merceeiros são dos homens mais ricos deste país. Com os produtos que vendem quase não têm custos. A político de marketing dum supermercado é das coisas eticamente mais nojentas. Eles têm mais dinheiro do que um banco. Recebem a pronto e pagam quando lhes apetece. e realmente como diz são até bem mais negras que a história da carochinha. Os dados são-lhe fornecidos por terceiros com acordos de cooperação de borla que só servem para dar mais trabalho a quem os dá. Eles só pagam a principescamente a seres amigos que vão buscar onde lhes apetece. depois fogem aos impostos. Estou também a lembrar-me daquela fundação alentejana que é uma das maiores empresas e que vende os vinhos mais caros, a FEA. è melhor calar.me porque blogue é do Carlos, mas eu fico a ferver quando leio certas coisas e a Única coisa que posso fazer é refilar, além das minhas pequenas vinganças pessoais, porque as pessoas estão-se mesmo nas tintas.

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  2. Por acaso encontrei esta notícia, que desconhecia e achei piada. Quase que apetece dizer "ladrão que rouba ladrão te cem anos de perdão". Isto porque os enólogos não querem dizer que se enganaram e quem comprou como novo rico, só para fachada, não quer que se saiba que foi ludibriado. bem feita!http://www.dn.pt/sociedade/interior/pera-manca-picasso--dos-vinhos-era-falsificado-e-vendido-para-angola-5307165.html

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    1. Conheço vários casos como esse e é exactamente como diz. A maioria das vezes quem foi enganado tem vergonha de o confessar e assim o infractor sai beneficiado

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  3. Há aqui um Conselho de Consumidores.
    O que e que faz?
    Em quase de 22 anos de permanência em Macau ainda não percebi muito bem.
    E acho que não é defeito meu.

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    1. Foi criado quando eu estava aí, pelo Alexandre Ho. Ainda lá dei uma perninha, mas depressa me cansei, porque comecei a fazer exactamente essa pergunta. E quando obtive a resposta, pisguei-me!

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