quarta-feira, 8 de março de 2017

Como combater a violência doméstica?


Minhas queridas leitoras:

Há décadas que, neste dia,  dirijo palavras amáveis e incentivos às mulheres para que prossigam na sua luta, até que deixe de fazer sentido celebrar-se este dia. 
Ainda antes do 25 de Abril e talvez até final da década de 70, quando o Código Civil teve a amabilidade de me retirar o estatuto de chefe de família ( foi em 1977) que nunca tive intenções de exercer, dirigia algumas missivas individuais e oferecia uma flor a amigas e colegas de trabalho.
Já nos anos 80, quando algumas mulheres tinham a amabilidade de me convidar para conferências e/ou tertúlias, eu expunha-vos, de peito aberto, as minhas ideias sobre a luta das mulheres. Ao longo dos anos fui tendo oportunidade de escrever textos em jornais e revistas sobre os direitos das mulheres, de me insurgir contra a exploração do corpo da mulher na publicidade ( Fui ingénuo, admito. Há cada vez mais mulheres nas agências de casting a disponibilizarem-se para esse papel, sem qualquer problema) ou de me insurgir contra as sentenças de alguns juízes em matéria de violência doméstica.
Cheguei mesmo a escrever num jornal uma carta aberta à mulher portuguesa, que há anos reproduzi aqui no Crónicas do Rochedo. 
Aliás, na última década, tem sido este o veículo privilegiado para comunicar com as mulheres portuguesas. Não só no DIM, mas durante todo o mês de Março.
( Se quiserem dar-se ao trabalho de ver os posts que escrevi no mês de Março desde 2008, poderão encontrar tudo o que fui escrevendo aqui e na imprensa escrita sobre direitos das mulheres).
Tenho de admitir que me decepcionei com a chegada das mulheres ao Poder e foi essa a razão de ter escrito o post anterior. Não foi porém esse motivo que me levou a ser mais comedido nas celebrações este ano. É mesmo o cansaço que me começa a afastar dessa luta e o facto de ver cada vez mais mulheres a assumirem posições contra as mulheres que alguns homens não teriam coragem de assumir. 
Resta-me por isso desejar-vos, uma vez mais, que chegue rapidamente o tempo em que este dia deixe de ter sentido. A verdade, porém, é que as mulheres podem chegar às administrações de empresas públicas e privadas ou a deputadas por força de uma quota, mas a sua grande luta continuará a ser contra a violência doméstica. Porque não se extingue por decreto, nem a justiça ( face a aberrantes sentenças que vamos lendo) parece totalmente empenhada em erradicar.
Assim sendo, resta-me recuar a tempos de antanho e recomendar-vos este produto ( provavelmente percursor do Redbull) para um eficaz combate a esse flagelo que todos os anos vitima dezenas de mulheres em Portugal


ic

3 comentários:

  1. Penso que a violência doméstica só se combate através da própria mulher. É ela que como mãe e primeira educadora, tem que inculcar no filho desde o berço, o respeito pela mulher. Uma criança que cresce com esses princípios não vai violentar a mulher quando cresce.

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  2. Sou um privilegiado, carlos.
    Vivo desde menino rodeado de mulheres.
    Até hoje.
    Em casa e no local de trabalho.

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  3. Há mulheres espancadas que pensam que não tiveram a capacidade para compreender os maridos.

    Claro que a sociedade é cúmplice com esta violência sexista
    ao aceitar que este estado de coisas se mantenha, negando-lhe o seu verdadeiro significado social e politico.

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