quinta-feira, 16 de março de 2017

2017: o ano de todos os perigos


Depois de meses à frente nas sondagens, a extrema direita holandesa acabou por ser derrotada nas urnas pelo partido de direita que já governava a Holanda.
Li por aí pessoas a congratularem-se e suspirarem de alívio com a vitória da direita. Abstenho-me  de comentar. Relembro apenas o livro de Houellebecq (Submissão).
Quanto aos resultados na Holanda  poderão ser um indicador sobre o futuro da Europa, mas não mais do que isso.
Os verdadeiros testes são as eleições  em França e na Alemanha. Vitórias de Macron e Schulz darão um novo impulso à construção europeia.
Se Le Pen vencer em França e  o Alternativ  de Petry subir muito na Alemanha, então teremos um problema grave na Europa.
Mas, para além dos actos eleitorais, convém estar atento ao desenrolar do processo do Brexit. Não só pelos impactos que terá na UE, mas também no próprio reino unido que pode desagregar-se, no caso de Sturgeon conseguir avançar com o novo referendo.  Um não ao Brexit implica a saída da Escócia do Reino Unido e, muito provavelmente, também da Irlanda que poderá aproximar-se da sua congénere republicana. Como reagiriam a UE, Sua Majestade e o povo inglês a um cenário destes?
Um ano muito interessante, sem dúvida,mas também de muitos perigos.
Sejam quais forem os resultados das eleições na Holanda, em França ou na Alemanha, será importante não esquecer que os resultados se começaram a construir há mais de uma década.
Primeiro com a criação do euro e, mais recentemente, com as medidas desastrosas tomadas pela UE durante a crise das dívidas soberanas, atirando deliberadamente para a miséria milhões de pessoas, enquanto protegia escandalosamente a corrupção no sistema financeiro, engordando os mais ricos e poderosos à custa de  quem trabalha.

8 comentários:

  1. Muito complicado , Carlos e as pessoas não ligam.

    Eu estou agora a pôr os pés na terra , pois tive um final de ano terrivél e vou ter um ano muito mau.
    Abraço

    ResponderEliminar
  2. O Carlos lembra-se de um dos melhores romances que li ultimanente: "Submissāo", e vive em Portugal, mas eu vivo da ALEMANHA e tenho medo dos fanáticos que apoiam o sultão turco.

    O partido da Frauke Petry desceu nas sondagens desde a chegada do Martin Schulz. Le Pen vai a caminho da vitória.

    ResponderEliminar
  3. Em numerologia 2017 é um ano um. Começo de um novo ciclo. E não se adivinha muito prometedor.

    ResponderEliminar
  4. Apesar de tudo, quero acreditar que 2017 vai ter aspetos positivos. Apesar de dizerem que a economia dos EU está a melhor, as últimas sondagens indicam que o índice de aprovação de Trump continua a descer. Não que pense que Pence seja a melhor escolha para o substituir, mas é o “next in line”. Entretanto, como se não tivesse mais nada que fazer ou pensar, acordo todas as manhãs e pergunto: quais serão as “parvoices” que Trump já fez hoje? Que tweets já terá publicado de madrugada? Que outras confusões terão acontecido na Casa Branca desde ontem à noite?
    Detestando reality shows, tenho uma especial fascinação por este... vamos lá entender!! : ))

    ResponderEliminar
  5. eu, de política percebo e vejo muito pouco, confesso. Vou lendo uma notícia ou outra, leio opiniões de gente atenta, como aqui no Rochedo, mas tenho dificuldade em compreender toda a dimensão dos acontecimentos... Penso só que os erros do passado são esquecidos com facilidade.

    ResponderEliminar
  6. Talvez esta notícia seja interessante para quem ainda gosta de pensar. Eu acho que de exploração para pior já basta assim. Penso que muita coisa irá mudar e que as dores da mudança serão grandes. http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2017-03-16-Celebre-experiencia-sobre-obediencia-foi-repetida-e-os-resultados-sao-impressioantes

    ResponderEliminar
  7. Continuo a acreditar no sonho europeu, Carlos.
    Um projecto sem igual e que não pode ter assim um fim tão abrupto.
    Precisa de ser reformulado mas continua a ser muito válido.

    ResponderEliminar