sexta-feira, 31 de março de 2017

Memórias em vinil (95)

E depois de duas semanas a recordar música anglo-saxónica,  é altura de dedicar o fim de semana a sons mais lights e condizentes com a primavera.
Assim, decidi criar ambiente para um fim de semana romântico e deixar-vos com um " conjunto musical" que fez grande sucesso nos anos 60: Peppino di Capri. 
A canção escolhida também me parece adequada a um fim de semana primaveril, em que os passarinhos vão arrulhar e despertar  a Natureza com seus cânticos. Fiquem pois com " Io, te, un grande amore e niente più" e os meus votos de um fim de semana cheio de romantismo.
Para amanhã reservo-vos uma  surpresa...

O calvinista cobarde



O parvalhão holandês calvinista alegou a frontalidade típica do calvinismo, para justificar a  encomenda do badalhoco alemão para  insultar os países do sul.
Dijsselbloem tem muita fanfarronice, mas não passa de um cobardolas de caca

Caderneta de Cromos (59)



Meu caro Rentes de Carvalho. Você tem a honra de ser o primeiro escritor a entrar para esta caderneta. Aviso-o, no entanto, que a sua admissão não se deve ao facto de você ser um crápula, mas sim por ter despertado uma gigantesca onda de indignação nas redes sociais.
Não sei se era essa a sua intenção quando, numa entrevista, disse que ia votar na extrema direita holandesa, porque eles nunca poderiam formar governo e era preciso agitar as águas para  sair do marasmo em que a Europa está mergulhada.
Eu percebo o seu ponto de vista, mas permita-me dizer-lhe que considerei essa afirmação deplorável e muito naif. 
Não alinho com os que insinuam ser a sua afirmação fruto da senilidade. Pelo contrário, acredito que sabia muito bem a alhada em que se iria meter. Não sei se conseguiu o efeito pretendido mas devo dizer-lhe que não tinha necessidade de ser tão radical. Pôs-se a jeito e a turba não lhe perdoou
Numa coisa, porém, estou consigo. A onda de impropérios que lhe dirigiram nas redes sociais, o rasgar de vestes e a quase unanimidade sobre a falta de qualidade dos seus livros ( aposto que muitos nem sequer sabem o título de um dos seus livros, quanto mais lê-los...) demonstra que a esquerda tuga usa consigo exactamente os mesmos critérios de "saneamento"  com que a direita colocou Saramago no Index.
Quero dizer-lhe que o descobri apenas há meia dúzia de anos e só li quatro dos seus livros. Bastava no entanto ter lido "Ernestina" para  nunca o colocar no Index dos escritores proscritos. Já passei a idade dos radicalismos ideológicos e sinto-me bem assim. Então por que raio o coloco nesta caderneta? perguntarão os leitores.
Porque um escritor consagrado  ( mesmo que seja de direita, mas não extremista) nunca pode proferir publicamente o seu apoio a um grupo fascista, nem esquecer a sua condição de emigrante. Logo, que é um alvo da extrema-direita.
Por outro lado, devia saber que o país onde vive é, juntamente com a Alemanha, um dos que mais detesta Portugal e não admite sequer a ideia de que os portugueses possam ser um povo feliz.
Os seus leitores portugueses mereciam um pouco de solidariedade.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Memórias em vinil (94)


A banda "The Who" foi uma das mais controversas, mas também das mais emblemáticas e revolucionárias bandas rock dos anos 60.
Uma das suas "especialidades" era destruir todo o material no final dos seus concertos, como poderão constatar na introdução de "My Generation" ( clip acima)
Mas Peter Townshend que juntamente com Roger Daltry ( viria a seguir uma carreira a solo num estilo bastante diferente)  formou a banda inicial, era um rebelde eternamente insatisfeito e com projectos de ruptura no rock dos anos 60. 
Se um dos  maiores sucessos dos "The Who"  foi  o album "Live at Leeds" ( eu prefiro "Quadrophenia", mas gostos não se discutem)  considerado o melhor álbum ao vivo de todos os tempos, a ópera rock "Tommy" terá sido o seu projecto mais emblemático.
Não tenho o LP, mas tive ensejo de ver a ópera ao vivo e de comprar a cassette que, durante muitos anos, foi minha companheira de viagem.
Porque se trata de um trabalho uno e indivisível, deixo aqui o trabalho completo gravado durante um concerto nos EUA, para que os amantes da banda possam desfrutar dele na plenitude.

Those were the days (42)

 A propósito disto, lembrei-me que  foi lá que tirei a Carta de Marinheiro em 1965!
Para quem não saiba, agora é possível visitar o interior nas manhãs de domingo. Se ainda não foi, aproveite!




Abelha Maia 2.0



Já há muito sabemos que as abelhas são essenciais à vida e que o número de  colónias de abelhas está a diminuir de forma drástica, por causa do uso excessivo de pesticidas.
Só que nos dias de hoje a tecnologia teima em dar razão a Trump e esforça-se por provar que não nos devemos preocupar com as alterações climáticas, nem com os problemas ambientais, nem mesmo com a extinção de numerosas espécies. A tecnologia tudo resolve. Da indústria alimentar à robótica, a tecnologia substitui-se às leis da Natureza, recriando-a em laboratórios mais ou menos sofisticados.
Foi com este espírito que li a notícia da criação de abelhas de plástico electrónicas que, no prazo de dois anos, irão fazer o trabalho das abelhas com que nos habituamos a conviver ( tantas vezes mal).
As Abelhas Maia 2.0 são uns pequenos drones de plástico, do tamanho de uma mão, em forma de abelha, que substituem as abelhas na polinização e em plantações de grande dimensão.
Tanto quanto julgo saber, estas abelhas drone não produzem mel, mas suspeito que os ferrões das abelhas naturais, neste drones, sejam substituídos por outros ferrões. Quiçá indolores, mas muito mais devastadores do que os das abelhas tradicionais.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Memórias em vinil (93)

E continuamos no ambiente de Woodstock e a sonoridade dos blues,
Esta noite trago-vos outro nome incontornável. Janis Joplin (1943-1970) foi outro nome que desapareceu precocemente da cena musical. 
Tal como Jimi Hendrix. que aqui vos trouxe na segunda feira, a sua morte  terá sido consequência de uma overdose.
Para aqueles menos familiarizados com esta texana, deixo aqui três memórias em dois registos diferentes.
"Me and Bobby Mc Gee" ( acima)  este mais intimista "Ball and Chain", cantado ao vivo num outro festival que ficou célebre, em Monterey

E, para terminar em beleza, uma magnífica interpretação de "May be"



Boa noite!

O que é preciso é calma...

Há anos que denuncio a situação: 
em alguns organismos de Estado não é respeitada a racio chefias/trabalhadores. Entre vários, apontei o caso de um organismo onde havia uma chefia que não tinha ninguém para chefiar. 
Os anos foram passand. Até que... a IGF detectou uma dessas situações na Segurança Social. Um organismo onde, aliás, os trabalhadores têm mais 12 dias de folgas anuais do que os restantes. A justificação dada pelo gabinete do ministro, para que a racio chefias/trabalhadores seja de 1 para 4,5 é esta:
"A tutela justifica a evolução do rácio dirigente/trabalhador com o "emagrecimento radical" do quadro de pessoal. Em 2009, tinha 125 trabalhadores e, em 2015, tinha apenas 73 trabalhadores, o que representa uma redução de 42% no espaço de seis anos, sendo que, no mesmo período, o número de dirigentes diminuiu de 18 para 16.
O gabinete do ministro garante que irá ser feita, "em sede da oportuna revisão do mapa de pessoal, a adequação da estrutura organizacional, sem prejuízo do reforço em recursos humanos que seja viável efetuar mediante recrutamentos e mobilidades internas"
Abstenho-me de comentar o regabofe. Limito-me a destacar dois pontos:
1-O nº de trabalhadores desceu de 125 para 73 (-52), mas só foram eliminadas  duas chefias, passando a ser "apenas 16".
2- É garantida a regularização. Quando? "Em sede da oportuna revisão do mapa de pessoal". Pois... 

Povo que lavas no rio...

Num  jogo de futebol infantil, os pais invadiram o campo, insultaram e ameaçaram o árbitro.
Noutro jogo entre jovens, um árbitro de 14 anos foi agredido por...adultos!
É este o povo que temos, por isso, não se queixem mas, com exemplos destes, que se estão a multiplicar, começo a duvidar que o futuro de Portugal esteja nos jovens...

terça-feira, 28 de março de 2017

Memórias em vinil ( 92)



Melanie Safka é um dos "produtos" de Woodstock. Embora o seu primeiro grande sucesso tenha sido "Beautiful People", foi com  o single "Lay Down" ( "I believe" na face B) que começou a fazer sucesso na Europa.
Envolvida politicamente na luta contra a guerra no Vietname nunca se deixou engajar politicamente e costumava dizer que não era socialista, nem republicana, nem democrata. Apenas Libertária

Mas se "Lay Down" ( clip acima ) é uma canção colada à pele de Melanie, seria imperdoável não trazer às memórias em vinil  este "Beautiful People"


Boa noite!

Bombinhas de mau cheiro


A noite já tinha caído quando entrei no Metro. Estação de Telheiras, onde começa a Linha Verde. Já é noite cerrada.
Abro o livro que trago comigo e me fará companhia no percurso até ao Cais do Sodré e a partir dali no comboio que me levará ao Estoril. 
Tinha lido apenas meia dúzia de linhas, quando três jovens bonitas e bem aperaltadas entram e se  sentam ao pé de mim. Duas ficam no banco em frente, outra senta-se ao meu lado. É quinta-feira e pela toilette e ar festivo, deduzo que vão jantar fora e depois "curtir" a noite. 
Por breves instantes faço rewind ao tempo em que preparava as noites com mil cuidados e muita excitação à mistura, por isso, não estranhei as vozes alteradas, debitando um volume de decibéis acima da média.
Recuperei de novo a leitura  de "A Rapariga que Roubava Livros". 
O comboio iniciara o seu percurso vagaroso, debitando um ruído intenso, provocado pela fricção de ferros em conflito. As jovens  tiveram de elevar ainda mais o tom de voz, para encurtarem a distância sonora entre os bancos que as separavam. Foi então que fui obrigado a distrair-me da leitura e ouvir a conversa. A jovem ao meu lado era a mais faladora e animada. Tinha uma voz delicada e doce, mas conspurcava o ar com as palavras que lhe saíam da boca. Em cada cinco palavras que dizia uma tinha de ser a conjugação do verbo "cagar".
Outras duas eram  palavrões mais elaborados e coloridos, relacionados com a genitália masculina. 
Quando não era ela que se "c...." era uma terceira pessoa. O pai, por exemplo, para cujos conselhos ela declarava estar-se c......, também se "c....." se ela não dormia em casa. A cota da Mãe é que era a má da fita ( anotei com espanto este caso raro)
Ainda pensei sugerir à minha companheira de viagem que em vez de utilizar verbo tão escatológico, recorresse às expressões similares da minha juventude. Nesse tempo "estávamos nas tintas" ou "borrifando", expressões mais  coloridas e higiénicas do que "estar-se a c...."
Não o fiz, porque já sabia a resposta, por isso esforcei-me por me concentrar na leitura. Debalde. Até ao Chiado- onde as jovens saíram sorridentes e me desejaram boa noite educadamente- continuei a ser inundado por palavras de m.... 
O mais curioso é que, apesar de o vocabulário ser escatológico e a roçar o hardcore, a conversa não era de m..... Bem pelo contrário. Falavam de telenovelas e da alucinação que provocam nos adultos. Percebi que detestavam telenovelas para jovens, como " Morangos com Açúcar" que carinhosamente rotulavam de "punh.... ideológicas".
Foi fraco o consolo por essa constatação, embora compensado com o facto de ter registado a posteriori que aquelas três jovens não pegaram nos seus telemóveis durante o percurso. Reconfortante.
Não sou  avesso ao palavrão contextualizado e por vezes também o utilizo, normalmente como catarse para as minhas fúrias. Detesto, porém, o palavrão gratuito.
Pousar numa esplanada para ler um livro tranquilamente e ter um grupo de jovens por perto é, hoje em dia, uma actividade de risco.
Quando era jovem também tinha conversas acaloradas  em esplanadas, onde o vernáculo entrava com frequência mas, assim que se aproximavam  adultos, o tom da conversa baixava de tom e se alguém largava um palavrão, fazia-o sempre num sussurro, de modo a que os decibéis não ultrapassassem o perímetro das nossas mesas.
Hoje em dia, o palavrão tornou-se democrático e, porque não admiti-lo, um instrumento de coesão social.
Nas conversas entre jovens, em cada três palavras entra um palavrão. Os jovens parecem gostar de o exibir como prova de maturidade. Pior do que isso, quem o profere faz gala nisso.
 Não estou a generalizar. Há jovens educados e respeitadores mas seja em Camarate, na Picheleira, no Parque das Nações ou na marina de Cascais, o palavrão não escolhe lugares nem classes sociais.
Pelo contrário. Se noutros tempos foi  estigmatizante e vinculado a pessoas rudes das classes sociais  mais baixas, hoje em dia o palavrão é integrador.
De qualquer modo, não é preciso democratizá-lo ao ponto de se tornar linguagem de salão...

Caramelos Vaquinha (17)




A frase:
"Há um conjunto de snobes que acha que devemos dar sempre os nomes dos aeroportos a mortos. É o choradinho à portuguesa, mas a malta nova não está para isso"
( Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira)

Desculpará a franqueza, Miguel, mas  você já não vai para novo e quanto a snobeira, prefiro a genuína àquela que você professa.
Dar o nome de Cristiano Ronaldo ao aeroporto do Funchal não  é  só piroseira inaudita. É mesmo terceiro mundista.
Se quer dar um nome ao aeroporto ( eu sou de opinião que os aeroportos devem ter os nomes das cidades que servem), porque não chamar-lhe João Gonçalves Zarco, ou Tristão Vaz Teixeira? 
Qualquer destes nomes terá a vantagem de promover a  História da Madeira, porque despertará a curiosidade dos turistas que a visitam.
Pense nisso, Miguel.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Memórias em vinil (91)


É provável que muitos dos leitores do CR não tenham conhecido Jimi Hendrix (1942-1970) em vida, mas é bastante improvável que não o tenham ouvido e ficado extasiados com os seus solos de guitarra.
Foi muito curta a vida de Hendrix, mas foi enorme o seu legado. Quem não se lembra de  "Hey Joe", "Voodoo Child", ou  "American Woman", apenas três dos muitos temas com que Jimi Hendrix continua a deixar muitos jovens em transe.
Entre os três, optei pelo primeiro, mas foi uma escolha aleatória, porque no imenso reportório daquele que foi, provavelmente, o melhor guitarrista de sempre, não é possível escolher o tema ideal.

 Tenham uma boa noite e BOA SEMANA!

Uma semana nas quintas



A minha madrinha vivia na Avenida 5 de Outubro em Lisboa, mas tinha uma casa no Lumiar para onde ia nas férias. Fui lá apenas umas duas ou três vezes, porque no Verão as minhas paragens eram outras, mas recordo-me da imensidão de verde  que a rodeava.
Quando vim viver para Lisboa, o Campo Grande ainda era uma fronteira de Lisboa e o  Lumiar era uma zona limítrofe onde apenas ia para passar uma noite no Caruncho ( quantas noites percorremos a pé a Alameda das Linhas de Torres depois de o Caruncho encerrar, por volta das 2 da manhã), para estudar com uma colega de Direito que vivia num lar ali para as bandas da Rainha D. Amélia ou para ir a umas festas a casa de uma prima do meu melhor amigo de infância.
Tal como a minha madrinha, ela vivia num casarão enorme e as festas eram muitas vezes animadas com sessões fadistas, pois a Teresa Tarouca era da família e levava muitas vezes amigos que, com ela, cantavam o fado. Era uma maneira de entreter os adultos e permitir que a malta nova se divertisse em paz, mas eu e mais alguns amigos com frequência abandonávamos a "malta" e íamos para junto dos "velhotes" ouvir cantar o fado.
Em 1974, o Lumiar seria a minha residência durante os três meses em que estive a cumprir serviço militar na EPAM,  mas foi por mero acaso que um dia comprei aí casa. 
Nada tinha que lá me ligasse nos anos 80, mas razões profissionais obrigaram-me a arrendar uma casa em Lisboa ( quem se lembra das greves de comboios nos idos de 70 e 80 perceberá porquê) e a oportunidade  mais célere e económica foi na Quinta de Santa Clara, perto do Caruncho, já então em declínio. Mais tarde viria a comprar a casa num "negócio de ocasião" a que se sucedeu um outro anos mais tarde. E embora a viver  fora do país a maior parte do tempo, por lá fui ficando. De quando em vez lembro-me da quinta da minha madrinha ( hoje transformada em condomínio privado) e das famosas festas em casa da Amália ( não a fadista, mas sim a prima do meu amigo de infância)

Vem isto a propósito da Lisbon Week que está a decorrer desde sábado e até 2 de Abril na freguesia do Lumiar.
É uma oportunidade excelente para conhecer melhor um bairro que mantém algumas características de urbanização periférica e onde o betão em altura  substituiu muitas  quintas e palacetes da zona. Continua, no entanto, a ser uma zona com história muito rica, que justifica as actividades e visitas culturais organizadas pela Junta de Freguesia em colaboração com a Gray Line.
Ficará certamente a saber muitas curiosidades. Como, por exemplo, que a origem do nome da contígua freguesia da Ameixoeira, nada tem a ver com ameixas, mas sim com amêijoas. É que em tempos o mar chegou ao Lumiar e o lugar onde as amêijoas  eram mais abundantes deu o nome à extinta freguesia da Ameixoeira. 


Visitar o Palácio Angeja (onde se alojam actualmente os museus do Traje e do Teatro), um passeio terapêutico pelos jardins, do Parque do Monteiro Mor, conhecer as obras de  Arte Urbana da autoria de Vhils, Ad Fuel ou  Felipe Pantone, entrar em igrejas e conventos centenários, ou ter a possibilidade de desfrutar de um fim de semana no templo hindu Radha Krishna, com visitas guiadas e actividades, são algumas das propostas desta Lisbon Week.


Para mim o prato forte será, porém, a visita às Quintas do Paço do Lumiar. Muito especialmente à Quinta dos Azulejos ( onde hoje está instalado o colégio Manuel Bernardes) que abrirá excepcionalmente ao público durante os dois fins de semana. Dizem-me que a azulejaria é fantástica mas, as histórias que as quintas encerram, não o são menos.
A Lisbon Week  inclui também uma exposição de fotografia, serões musicais e um ciclo de cinema. Espero ter despertado o vosso interesse, mas o melhor é visitarem o site da Lisbon Week para ficarem melhor informados sobre o que se irá passar no Lumiar durante esta semana e, se for caso disso, fazerem as vossas escolhas.

A alternativa europeia




Na véspera dos 60 anos do Tratado de Roma escrevi este post, cuja leitura sugiroo antes de avançarem mais na leitura  de hoje.
Eu gostaria muito que a UE tivesse salvação mas, sinceramente, receio que  tal seja impossível sem uma purga que extermine a trupe bafienta que governa a Europa a partir do Norte. No fundo são fascistas encapotados que se esforçam por disfarçar a sua ideologia. Mascarados de democratas defendem a integração de refugiados e a Europa multicultural, mas não tardará muito até que comecem a rejeitar os turcos, com a mesma veemência com que o seus súbditos o fazem diariamente.
No final de 2016, muitas vozes se levantaram a defender que a salvação da Europa estava em Merkel, Eu não consigo entender  que haja gente tão  crédula nessa possibilidade e expliquei então porquê.
Hoje, no rescaldo das comemorações do Tratado de Roma, reitero a opinião de que a Europa precisa de ser refundada e isso só é possível com outros protagonistas e outros modelos de governação que extirpem os vírus que o Centrão Europeu espalhou pela Europa.
Não sei se esse modelo será a implosão europeia proposta pela extrema-direita em cujas potencialidades  Rentes de Carvalho acredita e o levaram a explicar as razões de votar na extrema direita nas  vésperas das eleições holandesas.
Não sei se as eleições  deste ano em França, Itália e Alemanha  proporcionarão resultados que façam surgir um outro modelo ainda não ensaiado.
Não sei tampouco se o modelo salvador da Europa será uma espécie de geringonça, mas não deixa de ser esperançoso constatar que  o modelo português irá ser objecto de estudo em Harvard está a merecer grande curiosidade por toda a Europa, trazendo candidatos da esquerda espanhola, francesa e italiana a Portugal para perceberem melhor as razões de comunistas e extrema esquerda apoiarem  um governo de um partido social democrata.
Já ouvi dizer que se os europeus conhecessem o sofrimento  que o anterior governo infligiu aos portugueses, rapidamente perceberiam a razão do entendimento entre os partidos de esquerdas. Há alguma verdade nisso, mas não explica tudo. Se  o povo português estivesse  realmente farto de sofrer, não teria dado a vitória nas eleições ao PSD, confirmando a tendência  de povo resignado, habituado a reagir como um rebanho perante as circunstâncias.
O que realmente uniu os partidos de esquerda foi a consciência nacional. Era preciso salvar o país de um bando de retornados criminosos, sedentos de vingança, que além de vender a interesses estrangeiros a riqueza nacional , estava apostado  em  acabar com a nossa independência e transformar Portugal numa colónia europeia, em troca de alguns cargos de burocratas na Eurolândia.
O modelo português da Geringonça não é repetível noutros países europeus, mas pode ser inspirador para a criação de outros modelos inovadores, adaptados às realidade locais  que provoquem um abanão na Europa e a façam despertar da letargia em que mergulhou, por força da submissão aos interesses do mercado, mas também pelas tendências hegemónicas da Alemanha e de outros países calvinistas do Norte da Europa. 
É por isso que ver em Merkel  a salvadora da Europa, é acreditar que uma raposa é a melhor guardiã do galinheiro.

domingo, 26 de março de 2017

sábado, 25 de março de 2017

Chazinhos da Paróquia (10)



Esta semana começo os chazinhos com um aviso aos leitores que vivem em Portugal: não se esqueçam que na próxima madrugada devem adiantar os ponteiros do relógio 60 minutos. Apesar de o tempo continuar chuvoso, vai ser dia até mais tarde e isso já é uma boa razão para nos sentirmos felizes.
E é felizes e contentes que eu vos quero ver este fim de semana, por isso incentivo-vos  a começar o fim de semana em São João da Madeira.
Perguntarão porque vos sugiro um fim de semana numa terrinha "tão sem graça", mas podem crer que há pelo menos três boas razões para lá irem
1-  Visitar  o Museu do Calçado 

Instalado na Torre da Oliva,  o Museu do Calçado proporciona uma extraordinária viagem no túnel  do tempo, que nos transporta através  da História,  contando a evolução do calçado.
 Além disso, vai encontrar no museu   sapatos de famosos como os de Manuela Azevedo ou  "do" Feiticeiro de Oz e sapatos com história ( não se admire se à saída lhe perguntarem qual é a história dos sapatas que usa nesse dia).
Antes de deixar o museu visite a exposição de arte  temporária, onde pode ver obras de vários artistas, entre as quais Joana Vasconcelos
Mesmo ao lado, também na Torre Oliva, fica o Museu da Chapelaria, a segunda boa razão para visitar São João da Madeira. Todos nos lembramos da frase de Vasco Santana na "Canção de Lisboa" ( Chapéus há muitos, seu palerma!) mas asseguro-vos que não é nenhuma palermice visitar este Museu.
O chapéu  é uma peça de vestuário que durante muito tempo caiu em desuso, mas de que eu há muitos anos não prescindo. 
Nos dois ou três últimos anos, aumentou  consideravelmente o número de pessoas que usam chapéu, mas muitas não conhecerão as muitas histórias que o chapéu esconde. Mais uma oportunidade para revisitar a história e ver  os rostos ligados à sua concepção e confecção.

Visite a exposição "90 Anos, 90 Factos" e ajude o Museu da Chapelaria a eleger o ano mais importante da História do Chapéu na cidade
Vamos agora à terceira razão que justifica uma viagem a S. João da Madeira: a Oliva Creative Factory.  Instalada no interior da antiga Fábrica Oliva,  a OCF é um projecto mesclado, com uma forte componente empresarial, ligada à cultura e ao lazer.
Além de um business centre para empresas consolidadas e de uma incubadora de empresas da indústria criativa, na Oliva Creative Factory encontra um espaço destinado à Arte, onde cohabitam uma escola de dança, uma sala de ensaios  de artes performativas, uma oficina de restauro e espaços para "brainstorming", onde os empresários ( ou potenciais empresários) podem reunir-se para discutir projectos.
Eu sei que foi um dia cheio, provavelmente almoçou na Fábrica dos Sentidos ( restaurante do Museu da Chapelaria) mas, para rematar o dia faço-lhe uma proposta ousada. Vá jantar à casa  do meu avô,
onde eu cresci e passei momentos inesquecíveis.
Fica na Rua Oliveira Júnior, bem perto da zona dos museus. Apesar do nome pouco apelativo (Quinta dos Teixeiras siga o link para ver as fotos ), asseguro-lhe que come bem e o proprietário é muitíssimo simpático.
Se ainda estiver dia passeie pelos jardins ( infelizmente já não o posso convidar para uma louca corrida de bicicletas na vereda, nem para uma partida de ténis ou um banho na piscina, mas sugiro-lhe que tome um aperitivo no caramanchão ou junto ao lago) e no final do jantar pergunte se pode visitar a casa. Se tiver sorte, ainda vai conhecer o quarto onde eu dormia e ver a sala de jogo onde ainda há pouco tempo permaneciam algumas belíssimas fotos do meu avô .
Esta semana ficamos por aqui, pois escrever  estes chazinhos  num roteiro que me traz tantas recordações fragilizou-me.
Há ainda tempo, porém, para sugerir uma dormida tranquilizante em Espinho no hotel Solverde. Mas se pretende mesmo reboliço então vá até ao Porto, que fica apenas a 30 quilómetros e onde não faltam locais onde se divertir. Da Ribeira aos Clérigos, passando pela Foz, é só "movida.

O Livro: Na semana em que se assinalou o Dia da Felicidade, o livro do Hygge ( ou o segredo dinamarquês para ser  feliz) parece-me uma boa proposta


O Filme:  Aquarius é um filme brasileiro surpreendente. Oportunidade para rever Sónia Braga ( em grande forma) revisitar o Brasil e perceber a razão porque Temer decidiu  impedir que esta alegoria à política brasileira tenha sido candidata  ao Óscar para Melhor Filme estrangeiro. É certo que em determinadas alturas senti falta das legendas, mas o problema é meu, que não vejo telenovelas.
E pronto, tenham um bom fim de semana. Com emoções fortes,  mas não tanto como as que eu tive enquanto escrevia estes chazinhos.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Memórias em vinil (90)


Ainda se lembram destes espanholitos?
Boa noite!
Cá vos espero amanhã para o Chazinho semanal.

The Go-Between




Só uma vez escrevi aqui sobre Julian Assange. Foi para esclarecer os leitores que desconfiava das suas motivações. Condenei a actuação do governo inglês em relação ao Equador, por ser uma prepotência, mas sempre considerei Assange um fascista e nunca um democrata que quisesse desmascarar quaisquer desvios das democracias.
As investigações do FBI e as  últimas revelações sobre a influência da Rússia nas eleições americanas  tiraram-me quaisquer dúvidas. 
Resta agora saber quais as ligações entre Assange e Snowden e qual o papel deste ao serviço de Putin.

Sexagenária, mas nada sexy


Amanhã assinala-se o 60º aniversário do Tratado de Roma, fundador da União Europeia. Muito provavelmente iremos assistir a muitas celebrações nos gabinetes, mas muitas críticas nas manifestações populares.
  Os leitores que me acompanham sabem o que penso: sou adepto da UE, mas não lhe auguro grande futuro. A falta de solidariedade e a crescente hostilidade dos países do norte, em relação aos do sul, está a matar o projecto europeu. Acreditar que a Europa  pode manter-se solidária caminhando a várias velocidades é tão utópico como acreditar que o fim da UE e do Euro se pode fazer sem um conflito de grandes proporções. Acresce que a  Europa está doente e não falta quem deseje a sua morte. O crescimento do populismo e da extrema direita são prova disso.
Na semana passada, o professor Timothy Garton Ash escreveu um artigo no Financial Times, onde fazia o diagnóstico dos males que afectam a Europa:
" O mais recente exame médico revela que uma mão tem de ser amputada (gangraena brexitosa) um pé está terrivelmente inflamado ( putanismo ukrainico) uma doença de pele alastrou a várias partes do corpo e está a provocar perigosas reacções alérgicas (xenophobia populistica) uma úlcera está a corroer-lhe o estômago ( eurozonitis) além de padecer de logorreia e perda de memória".
O diagnóstico é  assertivo e preocupante. No entanto, estão a fazer-se  muitos estudos e testes a um medicamento que poderá curar a Europa. Sobre isso, escreverei na segunda-feira. 
.

Isto é uma vergonha!



Lamento voltar ao tema da justiça, mas  o livro de Sofia Pinto Coelho  sobre erros judiciais que levaram para a prisão inocentes (Condenados: a justiça também pode errar) em alguns casos por mera negligência dos agentes da justiça, noutros por teimosia e arrogância,  fez crescer ainda mais, dentro de mim, um sentimento de revolta face à impotência para lutar contra as injustiças de que a Justiça (quase) diariamente dá provas.
Preocupa-me a impunidade dos juizes, revolta-me a justiça selectiva, a indiferença com que se deixam prescrever prazos nuns casos e a celeridade com que se prende e acusa noutros. 
Já o escrevi várias vezes: a justiça em Portugal é uma roleta russa e quem tiver o azar de ser apanhado na sua perversa teia corre sérios riscos de ficar para sempre refém das suas contradições, vinganças e prepotências.
Não conheço os contornos deste caso mas - a ser verdade- é demasiado grave e envergonho-me com o silêncio da comunicação social e a indiferença das redes sociais. 
Uma justiça que manda para a prisão, durante 3 anos, uma cidadã por delito de opinião, mas frequentemente mostra a sua condescendência  com os autores de violência doméstica e nunca conseguiu prender um corrupto ( quando o fez não conseguiu encontrar provas ou "deixou" prescrever os prazos ) tem de levantar dúvidas nos cidadãos.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Memórias em vinil (89)


Palavras para quê? É  com "I wish you were here" (Pink Floyd) que vos dou as boas noites hoje.  Tenham bons sonhos!

Noor e a Felicidade

NOOR é uma jovem iraquiana que conheci aqui no Estoril no início do ano. 
No dia em que a conheci, explicou-me  que o seu nome  significa LUZ. Respondi-lhe que tinha uma prima que também se chamava LUZ e vi estampado no seu rosto uma alegria imensa, como se essa circunstância fosse um qualquer sinal que determinara o nosso relacionamento fortuito
 De uma simpatia ímpar  a Noor é, além de bonita,  muito comunicativa e conversadora. À segunda  conversa já sabia  que tinha nascido em Portugal, onde morava e  a razão da vinda dos pais para Portugal.
Há dias contei-lhe a minha paixão pela América Latina e em especial Argentina e ela respondeu-me:
- Compreendo que goste desses países. São países menos desenvolvidos, onde as pessoas dão mais valor às coisas e são mais felizes.
Concordei.
Hoje lembrei-lhe que há dias se tinha comemorado o Dia Internacional da Felicidade e que a ONU  elaborara um ranking dos países mais felizes do mundo.
Ela não sabia de uma coisa nem de outra, desvalorizou ambas e perguntou-me qual era o país mais feliz do mundo
Quando lhe disse que era a Noruega, ficou calada por uns momentos e perguntou-me: 
- Como é que as pessoas podem ser felizes sem sol?
Lembrei-lhe a conversa que tivéramos há umas semanas sobre a felicidade e acrescentei:
- Como os noruegueses não sabem o que é o sol nem a praia, não sentem a falta. Depois, contei-lhe a história de uma sueca, casada com um meu homólogo do PNUD. Viviam aqui no Estoril, mas ela estava horrorizada com a obsessão dos portugueses pela praia. Chegou mesmo a dizer que éramos um povo primitivo e ignorante, porque nos estendíamos ao sol "o ano inteiro" sem  cuidar das consequências para a saúde. Ainda hoje recordo o seu ar reprovador, quando um dia fomos ao Algarve e os levei a conhecer algumas praias. Foi durante uns feriados de Junho e as praias estavam a abarrotar. De portugueses, mas também de turistas. Muitos deles nórdicos. 
Inabalável, ela insistia:
- É de uma irresponsabilidade e de uma ignorância deprimente! 
Foi então que lhe respondi: 
- Somos ignorantes, mas somos felizes
A NOOR riu-se com a minha resposta  e  perguntou em que lugar estava Portugal nesse ranking.
89º- respondi
O quê? Há 88 países mais felizes do que Portugal? Não é possível. E o Iraque, em que lugar está?
- 117º, se não me engano
Encolheu os ombros e respondeu:
- Pois, a Felicidade é muito subjectiva. Não consigo perceber como é que se consegue medir.
Eu também não, NOOR, mas os tipos que fazem estes rankings devem andar felizes por terem trabalho e por pensarem que são úteis ao mundo. 
Mas devem ter uma técnica qualquer, não estabelecem o ranking à sorte...
Pois não, NOOR. Fazem  uma única pergunta a mil pessoas em mais de 150 países:

"Imagine uma escada, com degraus numerados de zero na base e dez no topo.O topo da escada representa a melhor vida possível e a base  a pior vida possível. Em que degrau você acredita que está?"
O resultado médio é a nota do país - que, neste ano, variou de 7.54 (Noruega) a 2.69 (República Centro-Africana).
NOOR sorriu uma vez mais e disse em tom irónico:
- Muito científico, sem dúvida. Vou medir o grau de felicidade da minha família. Palpita-me que devemos andar entre os 9 e os 10, porque todos nos sentimos muito  felizes por viver em Portugal e estarmos longe da guerra. Até eu e a minha irmã, que nascemos em Portugal e nunca fomos aos Iraque sentimos que somos mais felizes aqui.

Adenda:(O relatório também analisa as estatísticas para explicar por que um país é mais feliz do que o outro.
Entre os dados observados, estão o desempenho da economia (medido pelo PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

Um homem sem qualidades




Cada dia que passa, Cavaco tona-se um ser mais desprezível.
Cada vez que abre a boca exala um cheiro a podridão.
Cada vez que dá uma entrevista para promover o seu livro, enterra-se mais e mais no lodaçal do "Vamos Contar Mentiras".
A última entrevista ao Público é simplesmente asquerosa.
Na impossibilidade de a reproduzir, encaminho-vos para este texto muito esclarecedor, de um jornalista insuspeito de ser de esquerda...

quarta-feira, 22 de março de 2017

Memórias em vinil (88)


Porque hoje se assinalou o Dia Mundial da Água, mas também pelo tema que abordei no post anterior, hoje deixo-vos com esta canção dos Delfins ( Não faz parte da minha discoteca, mas faz parte das minhas memórias).
Boa noite!

Sou como um rio


Rio Whanganui (Nova Zelândia)

A Nova Zelândia não é apenas um país belíssimo. (Dos mais belos que já visitei) É também um país onde as pessoas respeitam a Natureza.
Hoje, Dia Mundial da Água, trago-vos um exemplo do que acabo de escrever. Há precisamente uma semana, no Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o Parlamento neo-zelandês reconheceu a personalidade jurídica ao rio Whanganui, que assim se torna o primeiro curso de água a ter, legalmente, os mesmos direitos dos seres humanos.
Com este reconhecimento, o governo materializa uma aspiração do povo Maori, que remonta ao século XIX.
A muita gente parecerá estranho que um rio tenha personalidade jurídica e direitos que poderão ser defendidos em tribunal. Lembro que há duas décadas ninguém  pensava ser possível que os animais fossem considerados seres vivos com  protecção jurídica, mas vários países já fizeram esse reconhecimento, entre os quais Portugal, onde a nova lei entra em vigor no dia 1 de Maio.
Se nos lembrarmos como os rios são importantes na vida das pessoas e como influenciaram diversas civilizações ao longo da História, compreenderemos melhor a pretensão do povo Maori agora reconhecida pelo governo da Nova Zelândia.
Neste Dia Mundial da Água- o ouro do século XXI que irá desencadear várias guerras nas próximas décadas- pareceu-me oportuno sublinhar este tributo a um curso de água venerado por um povo que durante mais de um século lutou para consagrar os seus direitos.
Não é uma bizarria. É apenas um primeiro passo para o reconhecimento da importância dos recursos naturais. É que sem água, meus caros amigos, não há vida e é bom que alguém nos lembre isso.

Caderneta de cromos (58)




Ficamos tão indignados com um cabresto holandês que deve apreciar rapazinhos e gosta de  fumar coisas esquisitas, que até nos esquecemos deste cromo tuga.
Constâncio, o homem que à frente do BdP não viu nada de anormal no BPN, encolheu os ombros a avisos de organismos do Estado que o alertavam para a bomba prestes a rebentar no banco de Oliveira e Costa e  meses antes do estouro financeiro mundial de 2007 considerava o nível de endividamento dos portugueses perfeitamente aceitável, vem agora defender a aplicação de sanções contra Portugal.
É por causa de pulhas como Constâncio, que sempre desconfiei do Partido Socialista. Há por lá muitos infiltrados que apenas querem tratar da vidinha e utilizam o partido para se promoverem.
Percebi que Constâncio era um deles em 1985, mas nunca pensei que um dia viesse a justificar o epíteto de TRAIDOR.
Vai para a caderneta de cromos, mas entra pela porta dos fundos, reservada aos merdosos. 

EM TEMPO: Afinal Vitor Constâncio nada terá tido a ver com a proposta do BCE, pelo que apresento as minhas desculpas ao visado e aos leitores por este lapso veiculado pela comunicação social, com base num COMUNICADO enviado às redacções pela Casa Civil da PR. 
Alguém meteu o pé na argola no Palácio de Belém

FY, mr Dijsselbloem!



Este aborto  holandês,  presidente do Eurogrupo,   disse numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine, que os povos do sul da Europa  gastam o dinheiro todo " em  copos e mulheres".
À primeira vista parece surpreendente  que o ministro das finanças do Red Light District, uma das maiores casas de putas da Europa, faça uma acusação destas para explicar porque não se deve emprestar dinheiro aos países do sul.
No entanto tem toda a lógica. Depois de o seu partido ter sido cilindrado nas eleições holandesas, o lugar deste calvinista à frente do Eurogrupo está em risco. Daí, nada melhor do que dar uma entrevista a um jornal alemão de modo a cair nas boas graças do fascista alemão Schaueble.
No entanto, salvo se dê o caso de o holandês preferir gastar o dinheiro a "abafar a palhinha", devia ter escolhido um melhor exemplo. Até porque vivendo numa das maiores casas de putas da Europa, tem grandes probabilidades de ser um  filho da puta. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Memórias em vinil (87)


Joni, uma das irmãs Sledge deixou-nos a semana passada.
Começaram por ser 4 irmãs ( em 1971) e assim se mantiveram até 1989, quando Katty abandonou a banda para seguir uma carreira a solo.
Com a morte de Joni,  as Sisters Sledge passam a ser apenas duas ( Debbie e Kim), mas ambas asseguraram que  o grupo vai continuar, agora como dueto.
Em memória de Joni aqui fica o maior sucesso de sempre das Sisters Sledge: "We are Family" (1979)

Querem mesmo saber?




A CGD vai encerrar entre 150 a 200 balcões. "Imposição de Bruxelas", dizem eles. 
Nem vou dissertar sobre a ignorância de quem decide em Bruxelas sobre o que é melhor para o banco público português. Isso implicaria que os decisores eurocratas conhecessem a realidade portuguesa e decidissem de acordo com ela, em vez de mandarem bitaites a partir dos seus gabinetes com base em folhas de cálculo. Não vou por aí. Atenho-me ao que se passa por cá, para  responder a uma pergunta que nos últimos dias  tem sido formulada à exaustão por portugueses  que deveriam conhecer o país: quem é que hoje ainda vai a um balcão?
Na maioria dos casos,  a pergunta tem sido feita por portugueses com assento nos programas de televisão e nas colunas opinativas da  imprensa, num tom que prenuncia resposta à Frei Luís de Sousa: (Quase) Ninguém.
Cumpre-me informar esses ilustres cidadãos portugueses que no interior do país só conhecem os hotéis de luxo onde se hospedam alguns  fins de semana por ano para poderem dizer que visitam o país que estão muito enganados e têm memória fraca. Se a tivessem saudável lembrar-se-iam, por exemplo, dos protestos da população de Abrantes  contra o encerramento da CGD. Foi só há um ano, meus caros desmemoriados!
Tenho ainda a penosa missão de lhes lembrar que desconhecem o que é a desertificação do interior e nem imaginam que haja gente a viver em locais sem acesso a qualquer serviço público, num raio de 50 ou mais quilómetros, como se estivessem no século XIX. E é gente que paga impostos, porque deles não sabe fugir, como alguns opinadores da nossa praça.
Descansem, no entanto, os entusiastas das medidas economicistas que estão a corroer a sociedade e a transformar os seres humanos em meras peças de um  tabuleiro de monopólio, porque não vou invocar o argumento dos velhinhos isolados em locais recônditos, para defender a existência de um balcão que atende cinco clientes duas vezes por ano. 
O exemplo que vou apresentar para responder à pergunta tantas vezes formulada nos últimos dias pelos adeptos do economês e  da modernidade tecnológica fica mesmo em Lisboa, outrora capital do Império e hoje cidade subalterna da UE, visitada por milhões de turistas embevecidos com tanto tipicismo ancestral.
Recomendo aos comentadores, analistas, colunistas e opinadores que visitem o balcão da CGD no Lumiar e se espantem com o movimento diário e as filas que por lá se formam em alguns dias do mês. Talvez depois deixem de fazer perguntas estúpidas e percebam que o país que eles conhecem não é o mesmo de que falam nas suas intervenções públicas.

Uma mulher de causas



Pedro Passos Coelho escolheu Teresa Leal Coelho para candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa.
A ex guarda redes de andebol do Benfica tem, como principais atributos, ser muito apreciada por Passos Coelho, ter sido nº2 de Vale e Azevedo na direcção benfiquista, ser mal educada ( mas isso, no PSD actual é a regra)  e ser uma vereadora extremamente dedicada a Lisboa.
O seu empenho e compromisso com Lisboa é tal, que em Setembro pediu para que as reuniões dos vereadores com o presidente da câmara passassem a ser às quintas-feiras, para poder estar presente. O pedido foi aceite. Desde então realizaram-se 27 reuniões e Teresa Leal Coelho compareceu a CINCO!
Antes da alteração tinham sido realizadas 153 reuniões, mas em 91 delas Teresa Leal Coelho não compareceu.
Uma candidata à medida do PSD, sem dúvida.
Num país com população minimamente interessada na vida política e na cidadania, Teresa Leal Coelho nem sequer se candidataria, mas em Portugal as pessoas votam com fervor clubista, pelo que não me espanta se ela tiver um resultado aceitável.