quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Violência doméstica, Justiça e Roleta Russa



Há umas semanas, um juiz de Évora sentenciou que  um homem apertar o pescoço a uma mulher não é violência doméstica. 
Não sei se é o mesmo juiz que há uns anos, também em Évora, sentenciou que  bater numa mulher, na medida certa, não é violência doméstica. 
Ou aqueloutro  que nos ensinou que  agredir uma  mulher com uma cadeira não pode ser considerado 
violência doméstica.
Sei, outrossim,  que um tipo que é insultado, cuspido, provocado e reage  enfiando uns sopapos  no provocador,arrisca-se a  apanhar uma pena de prisão efectiva
É certamente problema meu, mas não consigo entender  estas doutas sentenças e, neste momento, estou com um grave problema.
Há dias ia calmamente a entrar no metro, quando fui abalroado por uma mulher apressada. Só  por muita sorte não caí na linha, mas embati com a cabeça na carruagem e fiquei com um hematoma. Não era hora de ponta, mas a mulher desculpou-se dizendo que ia com muita pressa e não podia perder o metro.
Quando me levantei procurei a mulher e a  minha reacção inicial foi dar-lhe uma violenta murraça nas trombas. Depois pensei melhor e limitei-me  a mandar-lhe alguns piropos. 
Não foi  por educação, nem por seguir a máxima " numa mulher não se bate nem com uma flor" que me contive. Foi, simplesmente, porque percebi que o assunto acabaria em tribunal e, além de eu não querer perder tempo com a justiça, pensei logo nas consequências para a minha vida.
Se a mulher que me abalroou fosse casada comigo, era provável que  o juiz me absolvesse, por considerar que dar uma murraça a uma mulher que me podia ter matado não é violência doméstica. Mas, como não conhecia a mulher de lado nenhum, arriscava-me a encontrar pela frente um juiz inclemente e  levar três anos de prisão efectiva.
Foi pois por me lembrar que a justiça portuguesa é uma espécie de roleta russa, que  em vez de reagir violentamente, me limitei a mandá-la à merda. Mas lá que me soube a pouco, isso soube...

8 comentários:

  1. A pobre se calhar ia com pressa e o Carlos teve azar. Mas que a justiça defende quase sempre os homens nestes casos, é bem verdade. O Carlos safava-se mas olhe o que aconteceu a esta de acordo com esta notícia de hoje: http://rr.sapo.pt/noticia/75534/mulher_multada_por_chamar_animal_e_ordinario_a_ex_marido?utm_source=rss

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  2. Infelizmente o que não faltam são juizes mais obsoletos do que o meu avô, que consideram a mulher uma espécie de propriedade do marido.

    Também há mulheres muito estúpidas e brutas, que isso não é só apanágio dos homens... ;

    Beijocas

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    1. E até aposto que há mulheres que aplaudem algumas destas decisões, Teté
      Beijinhos

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  3. My blood is boiling!!!!

    Mandem esse fulano para Timbuktu imediatamente!

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    1. Acho melhor usar o plural, Catarina. É que a sentença do pescoço foi proferida por um Tribunal Colectivo!

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  4. Que merecia levar um tabefe, lá isso merecia.
    Acompanho Bill Burr - não se bate numa mulher. Mas não digam que não há razões para bater numa mulher.

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    1. Bem visto, Pedro. Mas qual a sua opinião sobre as sentenças?

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