terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Sócrates, a Geração S. Valentim e um toque de Al Capone

Hoje* encontrei no metropolitano um par de namorados sub-25 com QI abaixo dos 30.
Não conhecem o género? Então eu explico…
Ele veste jeans coçados e usa o cabelo em pontas, empastelado de gel. Quando se senta no metro, põe os ténis ( ou as botas da tropa do irmão mais velho) sujos de lama, no banco da frente, para desmotivar alguém que pretenda ocupar o lugar.
Ela usa collants de cor garrida e uma pequena tira de pano em volta da cintura a fingir de saia, coloca os pés em cima do colo dele e envolve-lhe o pescoço com os braços, para não o deixar fugir.
Ambos mascam chiclets enquanto falam. Ela começa as frases sempre com “Ó Môreeeee!” em tom de barítono e ele responde-lhe em contralto: “Fala mais baixo C……”
Agora que já identifiquei o género, passo ao relato.
Sentei-me em frente dela, desejando que não tivessem trocado de lugar antes de eu entrar e comecei a ler o Metro, sem prestar atenção à conversa deles. Pouco tempo depois , a voz dela eleva-se e pergunta:
“Ó Môreeee! Quantos SMS envias por dia?”
Percebi logo que estava a ler o meu jornal ( a noticia de capa era “ Cada jovem envia 235 SMS por dia” )e decidira comentá-lo em voz alta. Ele não parecia interessado na réplica, por isso respondeu com ar de enfado:
“Sei lá C……. Não faço contas a essas m….”
Ela mudou de assunto:
“Ó Môreeee!” os Xutos fizeram anos ónte…”
Percebi que tinha acabado de ler a primeira página  do meu jornal e suspirei de alívio. Na estação seguinte, ele saiu. Trocaram um Chuak sonoro e ela disse-lhe em tom de despedida:
“ Môreee, telefona-me quando chegares ao Cól Centre”
Ecoaram-me, sibilinas, as palavras de Sócrates na inauguração de um “call center “ em Santo Tirso: “Trabalhar num call center é um emprego de futuro”.
Pensei para os meus botões:
“Atão num é, Môreee!”

* Na verdade este episódio passou-se em 2009 mas, como não me ocorreu nada imaginativo para partilhar convosco neste dia, fui repescar esta cena. Espero que me perdoem.
 Aproveito também para recordar que apesar de  estarmos a pensar no Dia de S. Valentim e em amor, que foi neste dia, em 1929, que Al Capone matou um grupo de membros do seu rival num sangrento confronto ( para relembrar o episódio, vejam "O Rochedo das Memórias" nº 89)

6 comentários:

  1. Ahahahaha, adorei esse casal !!!
    Bom S.Valentim
    bjs

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  2. Desculpe, mas prefiro não pensar no Al Capone a esta hora. Mas a histórinha dos môres está bastante jeitosa e a condizer com a data. Vai-se a ver e têm um QI de 180, ai as aparências....

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  3. Mas olhe, Carlos: pouco depois de ter começado a ler lembrei-me de imediato do texto e garanto-lhe que não foi em 2009 que o li. Se não estou em erro, o Carlos publicou-o no "Crónicas on the rocks".
    Ainda tenho presente o comentário de uma sua leitora, que por sinal já abandonou a blogosfera, bastante azedo a defender os Call Centers. Imaginou ela que o Carlos estava a atacar as pessoas que lá trabalham.
    Bom, mas o que interessa é que gostei muito de reler e diverti-me imenso.
    Aliás, hoje, lá no meu estaminé, tem sido uma diversão pegada. :)
    Um abraço e bom resto de Dia de...;)

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    1. Fui ver o comentário. Já não me lembrava :-). Mas, como já lhe disse, Janita, esta crónica foi publicada aqui pela primeira vez. No on he rocks foi reprise :-)

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  4. Continua actualíssimo Sô Carlos :-))

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  5. Como eu gosto desses jovens inconscientes como dizia o Diácono Remédios.
    Não há traseiro que aguente!

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