terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Quem quer casar com a Carochinha?




Há menos de um mês escrevi um post sobre Inteligência Artificial (IA) onde levantei questões que me pareceram pertinentes sobre o futuro, nomeadamente a possibilidade de legalizar o casamento entre pessoas e humanóides 
O post era bastante extenso e, quiçá por esse motivo, não mereceu a atenção de muitos leitores. 
Hoje volto ao assunto porque há dias o Parlamento Europeu (PE)deu o primeiro passo para definir o enquadramento legal dos robôs. 
Estando vedada ao PE a iniciativa legislativa, a discussão que decorreu na última quinta-feira em Estrasburgo visava, essencialmente, sensibilizar a Comissão para as questões levantadas pela IA , a personalidade jurídica dos robôs, a sua responsabilidade civil ou criminal  e  a relação entre  pessoas e "máquinas".
À partida há uma questão que me preocupa muito mais do que a ideia de ver homens e mulheres a casarem-se com máquinas. É a bondade de quem acredita que a IA só será usada para o bem e nunca para o mal. 
Conhecimentos básicos de História seriam suficientes para ninguém ter a leviandade de acreditar que a IA nunca será utilizada para criar máquinas assassinas ou terroristas por controlo remoto. Para quê usar um camião para fazer um ataque a uma multidão, se a IA permite que esse ataque se faça com um drone ou um robô militar "disfarçado" de varredor de rua?
Não sei se é a velhice, ou influência do "Exterminador Impalcável", mas confesso que a evolução da robótica me causa cada vez mais apreensão e sinto algum desconforto, quando me apercebo que este é um tema que as pessoas continuam a enquadrar no campo da ficção. Não é,  e vai sendo tempo de o perceber e assumir a IA como uma realidade que irá transformar as nossas vidas num prazo muito curto.
De qualquer modo, como não quero ferir a susceptibilidade de leitores/as mais "up to date", termino com uma nota optimista.
Vamos todos acreditar que dentro de alguns anos,  apesar de as máquinas estarem a fazer o trabalho de mais de 60% da população, os homens ( e mulheres) serão  mais felizes e os males do mundo serão erradicados.  Felizmente continuará a haver Joãos Ratões e Carochinhas. A dificuldade será destrinçar se é uma máquina ou uma mulher que à janela pergunta  a quem passa: "Quem quer casar com a Carochinha?"

3 comentários:

  1. ...e não saber se o rato é telecomandado ou coisa que o valha. Também me parece que os casamentos com robots são o de menos, e que tudo mas mesmo tudo tem pelo menos dois lados. Mercê dos seus receios, estou em crer que somos bem capazes de morrer às mãos uns dos outros. Mas pode que não. Estão a faltar-me instrumentos para avaliar o mundo.

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  2. Já leu a visão do futuro de Martin Walker "GERMANY 2064"?

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  3. Só não fica preocupado e vigilante quem for irresponsável, Carlos.

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