sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O "Pintassilgo"



Quando andava no primeiro ciclo do liceu  ( actual 5º e 6º ano)  tinha um colega muito malandreco, danado para pregar partidas e fazer tropelias. 
Para evitar ser apanhado, tinha um estratagema que funcionou bem durante bastante tempo. Curiosamente, foi em sua casa que foi desmascarado.
Um dia, danado por provar a marmelada feita pela Mãe, "assaltou" a despensa. A coisa correu mal e, para além de partir a tigela que tinha "roubado", partiu duas garrafas de vinho de uma colheita que o pai guardava para servir aos amigos.
Como sempre fazia, o "Pintassilgo" ( era essa a sua alcunha) apressou-se a dizer à Mãe que tinha encontrado a tigela e as garrafas partidas quando ia à despensa, a pretexto de  satisfazer um pedido da avó. Claro que foi rapidamente descoberta a patranha.
Lembrei-me do Pintassilgo a propósito da demissão de Matos Correia  da comissão de inquérito à CGD.
Quando PSD e CDS começaram a perceber que no relatório final ficaria claro que tinham o rabo trilhado no caso, arranjaram um estratagema.  Começaram  por  se agarrar ao caso Centeno como cães raivosos.Quando perceberam que os portugueses estavam a ficar fartos da telenovela, desviaram o escopo da comissão da CGD para Mário Centeno. 
Como a esquerda não caiu na esparrela, Passos precisava de encontrar uma saída airosa, que lhe desse  oportunidade para  fazer aquilo em que é expert: vitimizar-se.
Mandou Matos Correia demitir-se  e acusar a esquerda de estar a boicotar a comissão e a colocar em risco o normal funcionamento das instituições.
O problema é que, apesar de contar com o apoio da comunicação social, a opinião pública não é parva e já não vai nas patranhas do coelho.

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