quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Homossexualidade e macaquinhos no sótão

A Europa é pioneira no reconhecimento dos direitos dos homossexuais. Nenhum dos 50 países europeus criminaliza as relações homossexuais e o casamento entre pessoas do mesmo sexo é reconhecido legalmente em 20, a maioria dos quais assegura aos membros de um casal homossexual os mesmos direitos civis dos cônjuges de um casamento heterossexual e proíbe qualquer  discriminação.
O direito à adopção plena por casais homossexuais é reconhecido  em oito países, entre os quais se incluem Portugal e França.
Face ao reconhecimento dos seus direitos em quase toda a Europa, seria de admitir que as opções  homossexuais fossem encaradas  socialmente de forma natural, mas na verdade não é isso que sucede. Veja-se, por exemplo, o que se está a passar em França em período pré-eleitoral.
Desde que Macron começou a subir nas sondagens, ameaçando derrotar Marine Le Pen e Fillon, começaram a circular rumores em França sobre a homossexualidade do candidato que congrega a esquerda, acusado de ter um amante. 
Tal como aconteceu em Portugal com José Sócrates, o boato foi posto a circular pela direita e o objectivo é, claramente, afectar a credibilidade de Macron. 
Chegado a este ponto, sou obrigado a concluir que apesar de a legislação garantir a não discriminação e lhes conceder os direitos anteriormente referidos, os homossexuais continuam a ser discriminados e a sua orientação sexual é usada como arma de arremesso por adversários políticos.
Concluindo: a legislação descriminalizou a homossexualidade, mas os homossexuais continuam a ser discriminados na cabeça de muita gente. Em França, em Portugal e em muitos outros países. Quantas gerações passarão até que a homossexualidade deixe de ser alvo de críticas e vista como “anormalidade ou aberração” na cabeça das pessoas?
Depende do que a escola fizer para limpar as cabeças cheias de macaquinhos no sótão.

6 comentários:

  1. A lei é bastante mais avançada que as mentalidades. E sim,concordo que a escola tem importância, que a discriminação começa no recreio com os meninos que não jogam à bola...

    Beijocas

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  2. Na Política vale tudo para se atingirem certos objectivos. Ainda terão de passar muitos anos para que as mentalidades mudem. Ou será por vagas? Na Grécia Antiga era comum. Este escarro (palavra de honra que é das palavras que me dá mais nojo escrever, o que não acontece com os ditos palavrões), quando o vejo tão elegante lembro-me sempre do António Borges. Há pessoas que são tão reles que não deviam existir. Embora os pais de hoje já tenham uma mentalidade diferente, tenho a certeza que uma criança criada por duas mães será uma pessoa bem formada. O meu mundo está cheio de recordações da minha avó paterna e da minha mãe que me formou o carácter. E a ela tudo devo.

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    1. "tenho a certeza que uma criança criada por duas mães será uma pessoa bem formada."

      Com estes temas vem sempre asneira da grossa.

      Perante uma tal manifestação de sexismo - se fosse dito acerca de homens chamava-se-lhe machismo - assume-se como bem formada. Olhe, no que toca a noções básicas de igualdade ficaram-lhe algumas barbas por aparar.

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  3. Ao falar da comunidade LGBT, lembro-me de Pence – um homem, cujo ar condescendente embirro! : )) – que em tempos (isso veio à superfície durante a campanha) se referiu a esta comunidade como sendo um “colapso social” e até se opôs, na altura, à lei que proibia a discriminação contra a LGBT. Ultimamente, ninguém fala no assunto. Suponho que tivesse mudado de ideias.
    Entre a lei e a aceitação ainda existe uma lacuna. É pena.
    Em 2005, o Canadá foi o quarto país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Apenas em 2005!!!

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  4. Não sou capaz de entender de que forma a sexualidade de alguém pode impedir ou viabilizar outras funções não relacionadas. A sexualidade é da esfera pessoal e íntima e por norma reúne muito pouca gente chegando a ser unipessoal. Neste caso a função política, que se materializa toda na acção exterior, é pública e parece-me exigir - e é muito - um sujeito inteligente e persuasivo, apto e íntegro. Não observo colisão de interesses.

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  5. Como me ensinou Castanheira Neves, a diferença entre the law in the books e the law in action, Carlos.

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