sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

As praxes do Casino

Durante o Verão os jardins do casino do Estoril foram palco de animadas caças aos Pokemons. 
Chegados ao Outono os Pokemons deram lugar a estudantes caloiros e a profissionais da praxe..Para surpresa minha, as praxes adentraram Dezembro afrontando os finais de tarde, que um sol  pálido e tímido não conseguia aquecer
Em vésperas de Natal, jovens em traje desportivo, penico na cabeça e garrafas na mão, dispunham-se em vários círculos, aguardando as sentenças ditadas pelos praxantes.
Quando as praxes se realizam na praia, não é perceptível o que dizem, mas nos jardins a tarefa torna-se mais fácil, pelo que decidi passar calmamente  e tentar captar, aqui e além, algumas frases com sentido.
Ao passar por um dos grupos reparei que os jovens caloiros estavam mais exuberantes do que os outros
 Aproximei-me para tentar perceber  o que lá se passava. 
Um tipo fininho, com voz de eunuco, manifestava a sua autoridade falando desmesuradamente alto.  Para dar ênfase a algumas palavras, pontuava-as com gestos teatrais.
Percebendo que os caloiros estavam na galhofa, gesticulavam, conversavam e não lhe prestavam atenção, o praxante afiambrou a voz, pigarreou e, no tom maís grave que conseguiu extrair das cordas vocais, asseverou: 
- Eu vejo muito bem o que vocês estão a dizer. Tenho olhos em todo o lado. Cuidado, porque eu até vejo pelo olho do cú!
Foi então que se ouviu uma voz saída do círculo de caloiros:
- E esse está bem aberto!

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