quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Those were the days (39)


                                               O Monumental de que tenho saudades é este



Nas vésperas de Natal, o Canal Q perguntou-me o que tinha a dizer sobre  o encerramento dos cinemas  Monumental.
Fui apanhado de surpresa com a notícia, mas a resposta veio-me fluida:
NADA!
- Não sente a falta de umas salas de cinema tão emblemáticas  no Saldanha?
Emblemáticas para quem?  Para mim, emblemático era o cine teatro Monumental que Nuno Abecassis substituiu por um mamarracho de vidro.
- Portanto as salas de cinema do Monumental não lhe fazem falta?
Absolutamente nenhuma. Falta fazem-me salas como o Londres, o King, o  S. Jorge, o Império ou o Quarteto. Salas de cinema em centros comerciais, com pipocas, coca cola, arrotos e gente que não se sabe comportar em público, dispenso. Prefiro ficar a ver um filme em casa.
E o centro comercial?
Chamar ao Monumental centro comercial é um upgrade natalício?- perguntei em tom irónico.
O ar descoroçoado e atónito do entrevistador fez-me sentir alguns remorsos mas, por outro lado, fiquei satisfeito por perceber  que o Monumental, embora por razões bens diversas das minhas, continua a ser uma referência para os jovens.
E ao pensar nisso, lembrei-me dos inúmeros pequenos centros comerciais que tiveram os seus anos de glória nos anos 70 e 80 e estão agora encerrados ou às moscas. Como o Monumental, que sempre se revelou um fiasco como centro comercial.
 Que bom seria se o Teatro Monumental ainda estivesse a funcionar. Talvez outros ícones da zona como o Monte Carlo e a Colombo não tivessem fechado portas, para serem invadidos por uma cadeia de fast food e uma multinacional de vestuário, que recorre ao trabalho escravo.
Mas isto sou eu a divagar...

3 comentários:

  1. Não é divagar. É dizer o que pensa e sente. Eu sinto exactamente o mesmo. Foi aí que vi grandes filmes, foi aí que vi a impagável Laura Alves, e muitos espectáculos com artistas vindos de outros Continentes. Um deles foi Alberto Cortez, que tinha um canção que me obrigava a acordar aos domingos de "madrugada", porque o Fernando Correia abria a Emissora Nacional com a música "Mónica" . Miúda tímida como era não me importei de ficar sozinha numa coxia da plateia, porque não havia mais lugares e assim tive o prazer de vê-lo perto de mim. Também veio a Silvie Vartan e tantos outros. Também vi no Satélite um pequenino estúdio que lá criaram, bons filmes como os do grande Jean Couteau. E vi Pela segunda vez "A Grande Farra", que já tinha visto em França, depois dum lauto jantar, só para me divertir com quem me acompanhava por causa das bocas que eu mandava. Lembro-me da estátua em bronze de Horácio Pimentel. Sustentar aquela obra era obra! Para mim há cinemas que estão ligados a filmes imperdíveis, tais como: "Os Cavalos Também se Abatem ", "Laranja Mecânica", Há Lodo no Cais", "The Heart is a Lonely Hunter", (não me lembro da tradução, foi numa sessão clássica e nunca mais esqueci este filme e as grandes interpretações de Alan Arkin e Sondra Locke) está ligado ao Império; ao Cine-Teatro Monumental estão ligados os que foram grandes produções, mas não me esqueço de "Dr. Jivago", "Um Violino no Telhado" e tantos tantos outros. Mas onde vi mais filmes foi no S. Jorge, Tivoli, no majestoso S. Luís e já agora no Chiado-Terrasse onde via as sessões clássicas do CCUL Sempre gostei de ver filmes só no cinema. Vou calar-me porque se começo a chamar pelas memórias, mesmo as mais recentes como o "Cinema Paraíso" (que é ele próprio a História do Cinema e não só). Acho que não vou voltar a escrever comentários tão grandes porque hoje passei um dia de cão.

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  2. Quantos são os exemplos semelhantes espalhados por Portugal... :(

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  3. Estou totalmente de acordo consigo, Carlos.
    Já agora ... e o Condes, o Éden, o Tivoli.

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