quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O lado B da eleição de Trump



É um dado adquirido que a eleição de Trump representa um perigo para o mundo.
A verdade, porém, é que desde sempre olhei para os EUA como um perigo para o mundo e a subserviência com que a Europa assimilava todos os tiques americanos deixava-me em fúria.
Recebemos Mc Donalds e toda a parafernália de fast food, com admiração  parola.  Consumimos  overdoses de  filmes e  séries de  televisão americanas e permitimos que elas se enraizassem de tal forma nos nossos hábitos de vida que,não raras vezes,  nos confundimos com as suas personagens. Tornámos as nossas vidas um "reality  show". 
Deixámos que a indústria cinematográfica europeia fosse colonizada pelo "american way of life", Que a indústria musical europeia fosse submergida pela sonoridade americana. Que os valores e a cultura europeias fossem  sublimados  pelos padrões americanos. Perdemos identidade europeia. A pretexto da globalização deixámos de questionar  a colonização americana e tornámo-nos americanos de segunda.  Cópias baratas de um  " american way of life" assente na máxima "mais vale parecê-lo do que sê-lo". 
Quando Donald Trump proclama " America First" sinto algum alívio. Sempre fui contra  o TIPP ( Acordo de Parceria Transatlântica que seria ruinoso para a Europa, mas que Berlim e Paris defendem, porque é do seu interesse nacional.) Se Donald Trump o quiser enterrar, ÓPTIMO!
Quando Trump põe em causa a NATO, penso que será uma boa oportunidade para a Europa repensar a sua política de defesa e terminar com a dependência dos EUA.
Quando Trump critica a Europa e vaticina o seu desmembramento agradeço-lhe, porque tenho esperança que a Europa se una  na defesa do interesse comum. E, se isso acontecer, as desigualdades entre os membros da UE podem atenuar-se bastante.
Quando Trump defende o proteccionismo e manifesta a sua arrogância em relação aos valores europeus, vislumbro a oportunidade de a Europa recuperar a sua identidade. 
Quiçá num assomo de optimismo exacerbado, vejo  a Europa a ser novamente protagonista e a recuperar o papel que já teve no mundo. Vejo, enfim, a Europa libertar-se do colonialismo americano.
Lamento é que, muito provavelmente, não passe de um devaneio. 


7 comentários:

  1. eh lá...nem todos são como diz. E há bons filmes e boas séries americanos. Como europeus. É verdade que o cinema europeu sofreu com a eclosão maciça e endinheirada dos USA, mas não está morto. Continua a dar cartas. E, sobretudo, manteve a sua identidade, preservou aquele seu ar de tratar de gente normal e quotidiana por oposição às perfeições imperfeitas dos americanos.

    E oxalá suceda o que diz. Podia ser. Mas sou mais pessimista, julgo que não haver força ou vontade para essa cambalhota. Mas, havendo, sou das primeiras a aplaudir e colaborar. Era bom viver numa Europa ela mesma, que existisse para além das fitas do cinema.

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  2. Puro devaneio, Carlos! O homem não vai ficar no poder o tempo suficiente para isso tudo acontecer. “America first”? Produtos fabricados apenas na América e feito apenas por americanos? Uma utopia. O custo vai ser tão grande que os próprios americanos não os poderão comprar/consumir. Muro? A um milhão de dólares por milha, vai-lhes custar biliões. Que o México os vai reembolsar. O homem está a sonhar alto.
    Até no Canadá temos um homem de negócios, estrela de Reality Shows – que nem domina a língua francesa – a candidatar-se a líder do Partido Conservador! Valha-nos Deus!
    Até usa uma das palavras preferidas de Trump: “disaster”.... “His (referindo-se a Trudeau) economic policy is going to be a disaster for this country…”


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    1. Gostava muito que tivesse razão e as suas previsões se confirmassem, Catarina.
      Infelizmente, por muito que tente ser optimista, não consigo mais do que o devaneio.Creio que estamos a caminhar rapidamente para o abismo, porque ninguém parece interessado em parar Trump. Temo que quando alguém o quiser fazer seja tarde demais...
      Acho que vou mesmo aceitar o convite da TAP e este Verão vou inaugurar a carreira Lisboa/Toronto, mas já desisti de dar um salto a Nova Iorque e Washington para matar saudades.

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  3. Oxalá tudo isso se realizasse! Uma crónica bem otimista - muito bem!

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  4. É isso mesmo

    Um único desacordo

    a Europa
    dificilmente
    se renova

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    1. Neste caso, até nesse desacordo estamos de acordo, Rogério.

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  5. Chapelada, Carlos.
    Pois é, se bem aproveitado, o tonto americano até pode fazer agitar algumas águas.
    Vamos aguardar e ver.

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