sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Na Alemanha também se fazem leis com os pés

No dia em que se ficou a saber que os trabalhadores colaboradores das empresas têm mais habilitações literárias que os patrões (apenas a confirmação do que já se sabia)  o  governo alemão aprovou uma lei que visa contribuir para a igualdade salarial entre homens e mulheres.
À partida parece uma excelente medida mas, depois de esmiuçada, percebe-se que a lei foi feita com os pés.
Ora vejamos:
 Determina o legislador que as empresas com 200 funcionários ou mais são obrigadas a divulgar aos trabalhadores colaboradores os critérios que determinam diferentes salários. Se a justificação não for plausível ( ou não agradar aos sindicatos?) as empresas podem ser processadas. (Por quem? Pelo governo, pelos sindicatos, ou pelas trabalhadoras  colaboradoras que se sintam lesadas?).
Esta medida implica duas consequências: os patrões de empresas com uma dimensão média, tentarão não empregar mais de 199 trabalhadores colaboradores, para não terem de justificar as discrepâncias salariais e as trabalhadoras tenderão a fugir de pequenas e médias empresas que não empreguem mais de 199  pessoas.
por outro lado, alguém me explica a razão de o legislador ter fixado em 200 o número de colaboradores a partir do qual se aplica a lei? Num restaurante, por exemplo, que empregue 20 pessoas quem serve à mesa pode receber de forma diferenciada, consoante o sexo?
Destaque-se ainda que, as empresas que empreguem 500 pessoas, ou mais, são obrigadas a justificar, regularmente, que estão a fazer esforços para igualar os salários entre homens e mulheres.
Defendo, obviamente, a igualdade salarial, mas temo que num futuro próximo, se os legisladores continuarem a produzir leis fora do contexto, nos estejamos a confrontar com o problema dos salários dos colaboradores transsexuais.
Isto para já não falar das máquinas e dos robôs, cuja luta pela igualdade salarial promete ser acesa ao longo do século XXI. É que esta malta da Inteligência Artificial não vai em cantigas...


1 comentário:

  1. Interessantes os seus comentários. Vemos que o tempo passou e o proletariado não se beneficiou das leis por completo em nenhum país. Aqui do outro lado do oceano generalizam a idéia de que no hemisfério norte é tudo melhor mas, para quem depende exclusivamente da força de trabalho, as dificuldades são contantes em todo lugar. Saudações.

    ResponderEliminar