quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Drones solidários



Há dias, o Miguel Esteves Cardoso escreveu uma crónica sobre a praga dos drones. Também eu aqui me insurgi contra os drones e a nova legislação imprecisa e permissiva.
Hoje, porém, venho aqui manifestar a minha satisfação por existirem drones. Vou tentar  explicar em  breves palavras.
Há algumas décadas  Podentinhos, aldeia próxima de Penela, tinha 600 habitantes. A falta de condições para uma vida digna obrigou muitos  habitantes a deixar a aldeia em busca de uma vida melhor. Outros morreram. Outros ainda foram viver com familiares, ou colocados em lares.
 Em 2015, a  aldeia de Podentinhos tinha apenas um habitante Com 79 anos e escassos recursos, o sr. Joaquim recebe apoio domiciliário  ( higiene pessoal, limpeza da casa, lavagem da roupa e assistência médica)da câmara de  Penela e da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra. 
Todos os dias uma carrinha lhe vai levar o almoço, mas o estado das estradas ( nomeadamente em dias de chuva) dificulta ou mesmo impossibilita a tarefa e, obviamente, quem mais sofre as consequências é o sr. Joaquim.
Ora, graças a um entendimento entre a Santa Casa e a Câmara de Penela e  o apoio técnico de uma start up do Porto, em Dezembro o almoço do  sr Joaquim começou  a ser entregue por um drone. A  ideia é boa. Poupa-se tempo e dinheiro. Mas, felizmente, só irá  ocorrer pontualmente, quando as condições não permitam alternativa. A Câmara de Penela e a Santa Casa de Coimbra (ainda) mantêm a lucidez e percebem que tão importante para o sr Joaquim, como receber a refeição diária, é manter contacto com as pessoas e receber o afecto de quem presta apoio domiciliário.
Entretanto, a startup que materializa o projecto, já imagina os seus drones a fazerem novas rotas para entregar refeições ao domicílio. E é aqui que a ideia começa a perder encanto. Ver os idosos cada vez mais isolados e carentes, não é nada bonito.
E, em termos práticos, se a prática se tornar habitual, colocam-se ainda e estes problemas

4 comentários:

  1. E o mais triste é que os media nem falam dos acidentes que estes objectos têm causado, para já não falar na privacidade que se perdeu. Agora por enquanto só servem para ataques cirúrgicos em guerras, como na Síria. Israel é o país mais avançado neste projecto. Já tem os chamados drones suicidas, que vão direitinhos ao ponto, rebentam com tudo e com eles também.

    ResponderEliminar
  2. Já tinha conhecimento deste caso.
    Coimbra é mesmo uma lição!

    ResponderEliminar
  3. Não vejo mal algum. Nem ameaça.
    Pelo menos nesses parâmetros, com esses objectivos de ajudar ao invés de DESTRUIR ou ESPIAR.

    Não será, decerto, algo que crie hábito e se espalhe, como o uso do telemóvel, por exemplo. Acho louvável e admirável a atitude das entidades, preocupadas em manter vivo e em condições de vida aceitáveis, um ser humano que se mantém refugiado na sua terra, quase um eremita. Seria mais cómodo tirarem o senhor de lá e colocá-lo noutro sítio. Mas não fizeram isso. Louvável e pouco comum.

    ResponderEliminar
  4. Não vejo mal algum. Nem ameaça.
    Pelo menos nesses parâmetros, com esses objectivos de ajudar ao invés de DESTRUIR ou ESPIAR.

    Não será, decerto, algo que crie hábito e se espalhe, como o uso do telemóvel, por exemplo. Acho louvável e admirável a atitude das entidades, preocupadas em manter vivo e em condições de vida aceitáveis, um ser humano que se mantém refugiado na sua terra, quase um eremita. Seria mais cómodo tirarem o senhor de lá e colocá-lo noutro sítio. Mas não fizeram isso. Louvável e pouco comum.

    ResponderEliminar