segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Concessões...

O governo anunciou a abertura de concursos para a concessão de 30 edifícios históricos espalhados pelo país.
Não é uma excelente notícia, mas é uma forma de contornar a falta de verba do Estado para garantir a sua manutenção.
O objectivo é preservá-los e evitar a sua degradação, para que se mantenham vivos na nossa memória colectiva e possamos continuar a desfrutá-los. Seja como pousadas, hotéis, museus ou espaços de cultura e lazer.
O Estado consegue, por esta via, arrecadar uma receita a rondar os 150 milhões de euros, garantindo a preservação daqueles espaços, pelo menos nos próximos 25 a 30 anos.
Não estarei aqui para ver, mas gostaria de saber em que estado estará o Forte de Peniche - que foi retirado da lista de edifícios históricos a concessionar, por pressão da opinião pública-  em 2047. E, já agora, quantas pessoas terão podido visitar aquele monumento histórico, testemunho de um passado sombrio que não se pode esquecer.
Por outro lado, não tenho grandes dúvidas de que os edifícios concessionados, na sua esmagadora maioria, poderão ser visitados. Mas quantos conhecerão a história que eles encerram?


5 comentários:

  1. Visitei-o em trabalho há muito ano. E julgo que havia uma visita guiada bem interessante. À sombra do Forte e do que ali se aprendeu sobre a história, lembro-me que quem me acompanhou arrecadou uns prémios. Lamento não ter prestado atenção suficiente, preocupada que estava com outros pormenores. É lugar onde gostava de voltar e repetir a visita guiada. Mas talvez já nem exista, que tudo se perde neste povo sem memória do sofrimento que foi chão do estar democrático de hoje. Não entendo como se alienam coisas assim importantes para a memória colectiva de um povo.

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  2. Estive no Forte antes do verão e todo o espaço estava muito bem preservado. Concordo que não tenha sido concessionado, é um monumento-testemunho de um período negro da nossa História e que nunca pode ser esquecido. A mensagem que transmite é muito, muito forte. Não sei até que ponto, desconhecendo-se as cláusulas, uma concessão não iria subverter o espaço e dificultar o seu acesso, ou até interditá-lo.

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  3. Não esqueçamos a pirâmide de Maslow. Quando não se tem dinheiro para comer, quando não se tem dinheiro para nos ensinarem a nossa História como deve ser, quando não se tem dinheiro para investir, como vamos conservar o que está degradado? Sempre conheci o conjunto arquitectónico do Cabo Espichel degradado, e ainda pior ficou depois dos devolvidos, como tantas outras obras importantes, que até elefantes albergaram. Hoje já quase ninguém quer saber da memória, bastam os tlms para entreterem as pessoas. para quê recorda se há tanta coisa nova e volátil sempre a aparecer?
    Há outra coisa que muita gente não saberá (digo isto porque no outro dia ouvi dizer que os prazos de concessão era muito longos), mas é porque desconhecem que como as Autarquias não podem vender património a não ser uns metrinhos excepcionalmente, fazem permutas vergonhosas além de estar tanto património, concessionado (conheci um que era por cem anos), para construir as coisas mais ridículas, em sítios estratégicos, como bombas de gasolina, parques de campismo e tanta tanta coisa. Desviei-me um pouco do assunto, mas é só para alertar as pessoas e para não falarem sem saberem o que se passa à nossa volta. Todos agora somos livres de dizer o que pensamos, mas era mais importante pensarmos mesmo. isto não é crítica ao postal que concordo no essencial, é apenas um alerta ou um desabafo para aliviar a consciência. Quem se lembra das fortalezas, tarrafais e de tantas memórias que ficaram por esse mundo, para agora virmos dar uma atenção especial ao Forte de Peniche? Quando fui ao Forte de Caxias a primeira coisa que encontrei no chão à entrada foi um emblema da UN, de que alguém se desfez, mas que eu apanhei(não conhecia) e guardo como memória juntamente com outros emblemas ou pins.

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    1. Olhe lá, Anphy, ninguém está a desdizer de outros monumentos que recordam um período tão mau para a maioria dos portugueses. Olhe que estou muito sem paciência para o que quer que seja, mas ainda assim lhe digo que falámos deste por estar citado no post, mas o mesmo é válido para qualquer outro, Tarrafal, Caxias e o mais.
      A minha experiência é que se haja algum entusiasmo e conhecimento adulto as crianças e jovens se interessam mesmo e gostam de visitar tais lugares. E absorvem.

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  4. Vi imensos exemplos de aproveitamento de edifícios antigos, com História, nestes dias na Austrália.
    Estão ao serviço das pessoas, estão preservados.
    Acho uma excelente notícia.

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