quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

António Costa e a estratégia da dívida

Ninguém duvida que a dívida portuguesa é impagável e tem de ser negociada. Nem os meliantes da direita têm dúvidas disso. Não têm é coragem de o assumir.
A estratégia de BE e PCP, de querer impor à Europa que se sente à mesa para negociar não me parece, todavia, a mais adequada. Enfrentar a Europa, num momento em que ela está ferida porque tudo corre mal e todos sabem de quem é a culpa, não é a melhor solução. O resultado pode ser idêntico ao do Syriza.
António Costa sabe-o bem. Como também sabe que, mais cedo ou mais tarde, será a Europa a tomar a iniciativa de propor a renegociação. Esse cenário  será, então, mais favorável a Portugal, pois o governo sentar-se-á para negociar, respaldado pelo reconhecimento europeu da  razão dos países devedores. Terá, por isso, mais força negocial e mais capacidade para fazer valer as suas ideias e propostas.
Às vezes dá muito jeito ter à frente do governo uma pessoa que sabe esperar pelo momento certo para agir. É uma forma pouco portuguesa de estar na vida política, mas os genes de António Costa conferem-lhe essa capacidade e essa astúcia.

4 comentários:

  1. António Costa é, sempre foi, um estratega.

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  2. Completamente de acordo!

    Beijocas e bom ano!:)

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  3. Impor condições ao credor é pura tolice, Carlos.
    O PCP e BE ainda não perceberam isso.

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