terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (52)


De Richard Anthony  (1938-2015) - outro cantor egípcio naturalizado francês- todos se lembrarão de grandes sucessos como " C'est ma fête" ( 1963), Donne Moi ma chance ( 1963)  Ce Monde (1964)  ou "Au revoir" (1965)
Tudo canções que fazem parte da minha discoteca em vinil, mas às quais se podem acrescentar sem grande esforço de memória mais meia dúzia de canções que marcaram aqueles anos de ouro da minha juventude.
No entanto, a canção que escolhi para vos desejar as boas noites hoje, embora não tendo sido um estrondoso sucesso na voz de Richard Anthony é, possivelmente, a mais bela canção que ele interpretou.
Deixo-vos com Richard Anthony e "Aranjuez mon amour". Boa noite!


Those were the days (40)

Foto da Internet. Sem créditos

No dia 31 de Janeiro de 1891 houve um levantamento militar no Porto em protesto contra as cedências da Coroa ao governo britânico, o que inviabilizava a concretização do Mapa Cor de Rosa.
Das janelas da Câmara Municipal (ver foto), Alves da Veiga proclamaria a República, mas a revolta acabaria por abortar.
A Monarquia, exangue, duraria ainda 19 anos, mas a revolta de 31 de Janeiro de 1891 foi um momento importante para o fim da Monarquia.
Os revoltosos foram todos julgados e condenados ao degredo em África, mas a revolta ficou para sempre  assinalada como o primeiro passo para a implantação da República.
Para a História ficaram gravados para sempre,na toponímia portuense, nomes de muitos revoltosos, com especial destaque para o advogado e diplomata Alves da Veiga, o jornalista Sampaio Bruno, o alferes  Malheiro, os professores Rodrigues de Freitas e Azevedo de Albuquerque ou o capitão Leitão e o comerciante Aurélio Reis ( pioneiro do cinema em Portugal).
Sem eles a História de Portugal teria, certamente, seguido outro rumo.

Caramelos Vaquinha (16)




A comunicação social não se cansou de reproduzir uma entrevista desta fervorosa adepta da caridade que já mais de uma vez se manifestou contra a solidariedade social.
A minha primeira reacção foi oferecer-lhe um lugar na Caderneta de Cromos, mas Isabel Jonet já lá está desde 2012, com o número 39..
Resta-me assim inclui-la nos Caramelos Vaquinha, lugar onde já devia estar desde o dia em que afirmou, numa outra entrevista de 2012, que  não havia  miséria em Portugal, porque o problema dos portugueses era estarem mal habituados.  A quê? "A comer bifes todos os dias e a alimentar bebés com Nestum".
Este fim de semana, em entrevista muito badalada pela comunicação social pafiosa, Isabel Jonet discorda do aumento do salário mínimo porque "aumenta os riscos de despedimento". Felizmente IJ esclareceu que é economista pois essa afirmação não só desvaloriza as suas afirmações, como explica por que razão madame Jonet confunde a caridadezinha com um negócio.
Useira e vezeira em conversa de ir ao cú, Isabel Jonet garante agora um lugar vitalício nos Caramelos Vaquinha.

Antes da cerimónia de investidura gostaria, porém, de lhe enviar um recadinho:
Sabe o que eu penso das pessoas que andam a brincar à caridadezinha para fazer política, Belinha? São os novos fariseus do século XXI. Utilizam a pobreza para se promover e dão razão aos que dizem que a Caridade é um grande negócio. A Belinha devia abster-se de desprestigiar instituições sérias. Em 2012 jurava que o desemprego era residual e não havia miséria em Portugal. O problema- segundo as suas palavras- era os portugueses estarem habituados a comer bife todos os dias e alimentarem os bebés com Nestum.Em 2016 já há miséria escondida e os números do desemprego são uma mentira do governo.
Sabe uma coisa, Belinha? Só não a mando bugiar porque seria muito soft para exprimir o desprezo que sinto por si. Mas aviso-a desde já que da próxima vez que decida encher os bolsos dos tios merceeiros com peditórios fariseus, não conte comigo. E se Passos Coelho a convidar para se candidatar à CML aceite. O Banco Alimentar Contra a Fome é capaz de ter lá gente interessada em fazer solidariedade social em vez de brincar à caridadezinha, para fazer política.

Keep calm! Tenho boas notícias



Numa demonstração de que o jornalismo português não está em crise, durante vários dias os telejornais abriram com notícias sobre o frio.
Eu sei que frio em Janeiro é uma coisa rara... no pólo sul mas alguém diga, por favor, aos jornalistas portugueses, que Portugal fica no hemisfério norte, pelo que frio em Janeiro é mesmo uma coisa normal.
 Agora que o frio se vai embora e deixa de ser notícia de abertura nos telejornais sou eu, à míngua de coisa melhor,  a trazer o tema do clima ao CR.
Tenho três notícias para vos dar. Duas boas e uma má.
Começo pela má: esta semana vai chover a potes. Mas como até as más notícias têm um lado bom, lembro que a chuva é boa para a agricultura e para encher as barragens.
Agora vamos às boas: 
- Já passou mais de um terço do Inverno. 
- Só faltam 55 dias para voltarmos à hora de Verão.
Portanto, animem-se!
E tenham um excelente dia, apesar da chuva.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (51)


Começo a semana com uma das canções mais icónicas dos anos 60. Cantada por este egípcio francês e com uma versão em português cantada pelo próprio, Le Metèque é uma das muitas canções de Georges Moustaki que guardo no meu baú das coisas boas.
Mas outras como "Ma Solitude"  e, principalmente,  "Ma Liberté" são referências obrigatórias

Pareceu-me uma boa escolha começar a semana com este grande nome da canção francesa.
Boa noite. E boa semana!

Lamento, mas ainda não estou farto...


Lamento, mas ainda não estou farto de escrever e falar sobre Trump.
Admito que haja aqui e ali algum empolamento  nas redes sociais,  mesmo alguns exageros, mas o pior que poderá acontecer ao mundo é ficarmos indiferentes à espera do que aconteça  a seguir.
Espanta-me, outrossim, que as pessoas não se indignem, nem se apavorem, com as medidas anti-imigração de Donald Trump, ou com as suas declarações sobre a NATO, a ONU, ou a UE.
Pior ainda, assusta-me que as pessoas as aceitem passivamente. A História mostra-nos à saciedade exemplos de ditadores que floresceram graças à passividade dos povos.  Um exemplo? Fossem os portugueses um bocadinho menos egoístas e Salazar não teria governado 40 anos.
Não caio na parvoíce de dizer que Trump é igual a Hitler, ou que é fascista. Não é. O problema é que a forma como ele governa e olha para o mundo favorece a ascensão da extrema-direita, bem pior do que Trump.
Já admiti aqui, até, que a vitória de Trump pode ser benéfica para a Europa. O que não consigo é ficar indiferente ao que se está a passar nos EUA.
O meu posicionamento na vida nunca foi o de " Andar à toa na Vida/ A Ver a Banda Passar". Nunca contribuirei para o "saneamento" de um louco que coloca em perigo a paz mundial. Sempre lutei pelos meus ideais e continuarei a fazê-lo enquanto para isso tiver forças e discernimento. Se isso chateia alguém, paciência.
O decreto anti imigração não me afecta pessoalmente, mas não consigo ficar indiferente ao facto de Trump ter proibido, sem qualquer aviso prévio, a entrada nos EUA  de cidadãos com autorização de residência no  país.
Talvez seja parvoíce minha, mas sou sensível aos efeitos que esta medida provoca, como a separação de famílias, ou o esboroar, em minutos, de uma vida construída com esforço. 
Sim, preocupo-me quando imbecis, que não medem as consequências dos seus actos, chegam a presidentes de um dos mais poderosos países do mundo e desatam a fazer decretos que destroem a vida de famílias inteiras. 
Se me indignei contra as medidas imbecis de Passos Coelho, devo calar-me em relação a medidas ainda piores, só porque os EUA ficam longe?  Peço desculpa, mas ainda consigo ver os efeitos globais de uma medida tomada, digamos... localmente.
Trump assusta-me porque, não sendo Hitler, toma medidas que o recordam e animam a extrema direita a prosseguir a sua escalada anti imigração e contra os refugiados. (Veja-se o que ainda hoje se passou no Québec. Apesar de Trudeau ser um líder exemplar, o efeito Trump atravessou a fronteira do Canadá)
Trump assuta-me porque está a colocar em perigo a paz no mundo.
Devo dizer, no entanto, que igualmente me assustam ( e muito!...) as pessoas que  manifestam a sua indiferença, ou se dizem cansadas de ouvir falar de Trump.

A (nova) doença das vacas loucas



Aconteceu no fim de semana:
Theresa May  foi aos EUA elogiar Trump e de lá partiu para a Turquia para conversar com Erdogan, a quem agradeceu o que fez para preservar a democracia turca. ( esclareça-se que foi depois de Erdogan ter assinado o cheque para pagar uns brinquedos de guerra que May lhe impingiu)
Por cá Teresa Morais - a deputada do PSD que há semanas gritava como um bezerro desmamado na AR, porque um secretário de estado alvitrou que um deputado do PSD sofreria de incapacidade  cognitiva temporária - veio acusar António Costa de baixo nível, porque o pm teve o desplante de afirmar que o PSD mostrara a sua irrelevância política ao chumbar a TSU.
Entretanto  Nikki Haley, a  nova embaixadora dos EUA junto da ONU mugia  alarvidades como esta:
Portanto, meninos, fiquem a saber que se não se portarem bem vão para a lista negra e depois o tio Trump chama o carrasco para umas sessões de tortura.
São conhecidas as causas da doença das vacas loucas que abalou a Europa na última década do século passado. Nesta segunda década do século XXI, ainda são desconhecidas as  causas  que levam  mulheres, obnubiladas pela fragância do poder, a proferir estas  insanidades, próprias de animais  irracionais. Como as vacas.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Quase me esquecia...

E tenho de regressar ao trabalho.
A todos os leitores e amigos os meus votos de uma excelente semana

Dia do Postal Ilustrado (38)


Em plenas comemorações do Ano Novo Chinês trago mais um postal que me foi enviado da China. Este é de 1969 e  foi-me enviado de Macau por uma amiga portuense que foi para lá viver em 1968.
Não sei o que representa, mas sei que me foi enviado no Ano Novo Chinês que, por  coincidência, também foi Ano do Galo. A diferença é que  2017 será ano  de Galo de Fogo e 1969 foi ano de Galo de Terra. O que faz uma grande diferença, para quem está mais familiarizado e dá alguma importância a estas coisas dos signos.
Os mais curiosos podem ler o post que na sexta feira escrevi sobre as surpresas que o Ano do Galo nos reserva para 2017/18.
KUNG HEI FAT CHOI

sábado, 28 de janeiro de 2017

Chazinhos da Paróquia (3)

Se ontem passou por aqui, já sabe que começa hoje o Ano do Galo. Daí que esta semana tenha optado por abrir  os Chazinhos  com uma proposta gastronómica. E que tal se este fim de semana trocar o  brunch por um yum cha?

Não faltam restaurantes chineses em todo o país onde pode comer dim sun, mas a minha experiência nesta matéria leva-me a aconselhar um que fica mesmo ao pé de minha casa.  
Situado no Casino, com esplanada sobre os jardins, o Mandarim Estoril é dos melhores restaurantes chineses em Portugal e tem um soberbo dim sun.  A qualidade paga-se,claro, por isso o restaurante é carote. Mais em conta, mas igualmente de excelência para os apreciadores de dim sun, sugiro o Yum Cha Garden. Depois do estrondoso sucesso do restaurante em Oeiras, os lisboetas podem também experimentar as pérolas da gastronomia chinesa em Lisboa (Amoreiras). Esteja onde estiver, a minha principal sugestão fim de semana é: pegue nos pauzinhos e vá experimentar as delícias da comida cantonense.
O tempo não vai estar famoso, mas os meteorologistas afiançam que no sábado vai ser possível fazer uma passeata à beira mar. Junto a  este mar, onde hoje mesmo será inaugurado um novo passeio marítimo
( em vez de fazer tudo de enfiada, como eu, escolha apenas um dos três troços). Se estiver fresquinho, talvez lhe apeteça um chocolate quente.  Apresento-lhe duas propostas de excelente qualidade aqui na Linha: O Bar dos Gémeos (Carcavelos) ou o Opíparo ( praia da Poça) mas, se preferir um local mais recatado, siga pela estrada do Guincho e vá até à Praia do Abano. Tome um chá quente no bar restaurante com o mesmo nome, enquanto desfruta de uma bela vista sobre o mar.
Se vive na Linha, ou o convenci a vir até cá em mês de Inverno, sugiro-lhe que vá à Casa das Histórias da Paula Rego em Cascais.


A exposição On the  Beach que reúne as obras da artista durante a década de 80, encerra este fim de semana e seria uma pena perdê-la. Sábado ou domingo, entre as 10 e as 18 horas, tem uma última oportunidade.  Mas neste bairro dos museus em Cascais, há mais motivos de atracção. Obrigatória uma visita ao Centro Cultural e ao museu Conde Castro Guimarães ( incluindo os jardins).  Em alguns fins de semana  há visitas guiadas.  Esteja atento à programação.
De regresso ao Estoril. o que não deve perder é uma ida ao teatro do Casino para ver “Quase Normal”. Mais um music-hall com a assinatura dos irmãos Feist, com Lucília Moniz no principal papel, “Quase Normal” aborda um tema muito sério: a doença bipolar. Sábado 21:30  Dom- 17:00.
Já que está no Casino, aproveite para ver a exposição comemorativa dos 85 anos. Depois suba ao primeiro andar, para ver a exposição de pintura e escultura que se encontra na zona de exposições permanente.
Gostaria ainda de lhe recomendar uma ida ao Espaço Memórias do Exílio no Estoril mas infelizmente está encerrado ao fim de semana.
Presumo que já esteja cansado mas, para terminar o fim de semana na linha em beleza, recomendo-lhe um jantar no 5 Sentidos. Comida excelente e serviço do mesmo nível, se não tiver o azar de encontrar a Ana, uma eficiente mas antipatiquíssima ( a roçar a má educação) funcionária.
Como acontece todas as semanas, encerro com sugestões de leitura  e de um filme
Livros:  Nas últimas semanas muito se tem falado de Almaraz, por isso uma das minhas sugestões para esta semana é Vozes de Chernobyl de Svetlana Alexievich, a autora de “O Fim do Homem Soviético”. Como o título indica, Vozes de Chernobyl trata da tragédia nuclear de 1986. Um livro actual e uma oportunidade para conhecer a  vencedora do Nobel 2015.
Se prefere romances, certamente já leu os livros da Elena Ferrante, por isso a minha proposta vai para um autor português. “Ernestina”, de J. Rentes de Carvalho, não é  propriamente um romance, nem uma novidade. É uma autobiografia e foi publicado pela primeira vez em 1998. Acontece que só há meia dúzia de anos “conheci” o autor e  só  ano passado li “Ernestina”, uma deliciosa viagem a uma região que me fascina (Trás os Montes) e ao tempo  dos nossos avós.
Filme: Homenzinhos ( de Ira Sachs)
 Este filme independente foi uma das revelações agradáveis do Lisbon & Estoril Film Festival 2016. Um filme sobre a amizade, seus obstáculos e conflitos é uma história nova iorquina transbordante de sentimento e humanidade.



Pronto, por esta semana é tudo. Desejo-vos um fabuloso fim de semana e KUNG HEI FAT CHOI!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (50)

Confesso que até eu tenho dificuldade em explicar porque gostava desta canção de Sheila. Talvez por ser sinal de férias de Verão, sei lá.

Sheila nunca foi uma cantora muito popular, mas não resisti a trazer aqui três canções. Não pela sua qualidade, mas porque a primeira( "Pendant Les Vacances" ) me fez recordar férias de Verões com mais de 50 anos e episódios que pensava ter esquecido. A memória tem coisas surpreendentes




Esta (L'école est finie)




E esta

porque achei piada aos vídeos e, devo confessá-lo, porque tenho estas canções na minha discoteca em vinil. E outras mais, que nem vos passa pela cabeça.
Encontro talvez uma explicação. Todas estas canções são dos anos 63-65, ou seja, entre os meus 13 e 15 anos.
E a verdade é que gostei de recordar estas canções perdidas no meu baú.

Este Galo é Fogo!




Inicia-se amanhã o Ano Novo Chinês. (Por lá até já começou...)
Como não quero que vos falte nada, fuic onsultar o meu "livrinho" dos signos chineses  ( comprado em 1988)  para saber o que nos reserva este ano do Galo de Fogo  e não fiquei muito animado.
" Os conflitos estarão na ordem do  dia" entre o dia de hoje e 16 de Fevereiro de 2018 ( data em que se inicia o Ano do Cão, que por acaso é o signo de Donald Trump).
O galo é dominador e gosta de impor a sua autoridade, provocando por isso muitos conflitos e problemas. Na política "assistiremos ao triunfo dos políticos de linha dura". (Lembro os leitores que este livrinho é de 1988!)
A boa notícia é que "as probabilidades de um conflito serão reduzidas" pois, apesar de o Galo ter tendência a "tornar complicadas as coisas simples",  as pessoas estarão " muito ocupadas a olhar para o seu umbigo".
Em matéria de finanças as coisas não se anunciam nada boas.  Teremos de "fazer um grande esforço para os nossos bolsos não ficarem vazios e isso implicará um grande desgaste nervoso".
Fico-me por aqui para não vos desanimar muito. Até porque fui ver o que nos reserva o Ano do Cão (de Terra) que começa em 2016 e face ao que li, o Ano do Galo de Fogo até não vai ser mau de todo.
Permitam-me por isso que vos deseje um excelente ano do Galo. Apesar de tudo é mais simpático do que o da Joana Vasconcelos.
KUNG HEI FAT CHOI!

Café Chernobyl ( De Almaraz a Prypiat)

Trinta anos após o acidente nuclear,  esta pista de automóveis permanece como um dos muitos testemunhos de que um dia houve vida e alegria em Chernobyl


Regresso hoje ao tema Almaraz.
Como acontece sempre com temas ambientais,  a comunicação social trouxe o assunto à baila durante uns dias, mas depois deixou-o cair no esquecimento.
Dirão alguns que o assunto está encerrado, até que a UE tome uma decisão sobre a queixa apresentada por Portugal em Bruxelas.  Não é verdade.  A questão de Almaraz só terá um desfecho favorável a Portugal se as pessoas  se mobilizarem. Mas só é possível mobilizar a opinião pública se as pessoas estiverem informadas sobre o perigo que representa para Portugal a manutenção da central  para além de 2020, ou a construção do cemitério nuclear.
Os espanhóis gostam de varrer o lixo para cima de nós, em vez de o colocar nos locais apropriados. Foi assim com o Prestige, está a ser  assim com Almaraz.
É preciso que as pessoas percebam que um acidente em Almaraz não afectará apenas zonas fronteiriças. Será um desastre para todo o país. A começar pelo Tejo que será contaminado e pode "morrer" durante décadas, com todas as consequências que isso acarreta. As terras também serão contaminadas, deixando de ser férteis durante décadas em todas as zonas afectadas e, finalmente, os ecossistemas sofrerão profundas alterações por via da extinção e metamorfose de inúmeras espécies.
Urge sensibilizar a opinião pública para que se mobilize  contra a construção de um cemitério nuclear em Almaraz e exija o encerramento da central nuclear em 2020.
É URGENTE as pessoas perceberem que TODOS seremos afectados, no caso de haver um acidente em Almaraz.
Realce-se o papel da RTP na tentativa de esclarecimento dos cidadãos sobre a ameaça nuclear e temas ambientais que afectam o nosso futuro. Uma aposta  que se tem intensificado nos últimos meses, com a série "Human", estreada em novembro, o documentário "Amanhã" e Café Chernobyl transmitidos este mês (Todos estão disponíveis on line gratuitamente)
Todos são de grande qualidade e rigor mas Café Chernobyl deixou-me  perplexo.
O documentário/reportagem aborda a (inexistência de) vida em Chernobyl e Prypiat. Apesar dos elevados índices de radioatividade ( 50 vezes acima dos valores normais) e de a cidade de Prypiat ( onde está a central nuclear) ser uma cidade fantasma com restrições de acesso rigorosíssimas, há cada vez mais pessoas a pagar por uma excursão à zona de radiações.
O turismo para uma zona de alta perigosidade , onde se mantém o recolher obrigatório, está a ter um grande incremento,  para satisfação de alguns ucranianos. Entre os quais um homem que apostou em abrir um hotel, restaurante e café para receber os turistas.
Enquanto via o documentário, fui frequentes vezes assaltado por esta pergunta:
- Se há pessoas que põem a vida em risco para ir a Chernobyl, sabendo o perigo que correm, como se pode esperar que os portugueses, que em maioria olham para Almaraz como algo distante, tenham consciência dos perigos que nos afectam?



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (49)








Hoje trago-vos dois momentos de luxo de um dos grandes nomes da canção italiana: Alessandro Celentano.
Talvez a sua canção mais conhecida seja Preghero (vídeo acima ao vivo) mas   "Il ragazzo di Via Gluck"(1966) é a minha preferida e ovídeo abaixo permite perceber o sucesso que tinha ( e ainda tem) na Europa.
Gravado em 1994, durante um concerto em Berlim, é um testemunho impressionante do reconhecimento de Celentano na Europa.
Não tenham dúvida que este homem é, ainda hoje, um dos grandes símbolos da canção italiana.


O "cacilheiro"



O acidente com um catamarã no Tejo, que provocou mais de 30 feridos foi, essencialmente, fruto  da falta de civismo. 
O embate podia até nem ter sido notícia, se as pessoas soubessem comportar-se e respeitassem as normas.
Acontece, porém, que neste país de brandos costumes qualquer idiota, pela simples razão de ter um passe, ou  pagar bilhete, se sente no direito de mandar às malvas as regras, porque sabe que a fiscalização ou é condescendente, ou não existe.
O "Público"  escreve em título "Catamarã em velocidade excessiva causa 34 feridos no Tejo" mas, logo na entrada da notícia, aponta  o nevoeiro como possível culpado.
Em parte alguma, porém,  "o Público" escreve que os feridos poderiam ter  sido evitados  se as pessoas respeitassem a proibição de se levantarem antes de a embarcação atracar
Quem faz a travessia do Tejo de barco sabe muito bem que mal os barcos se aproximam do ponto de atracagem, dezenas de pessoas se levantam e dirigem para a porta, para serem os primeiros a sair. Eu sei   que já deve haver por aí muito leitor a justificar esta fuçanguice com a pressa das pessoas em  apanharem o transporte. Certo... mas talvez fosse melhor sairem de casa 10 minutos mais cedo, para não terem de andar a correr..
Eu sei que estas cenas acontecem em muitos países do mundo. Nomeadamente na Ásia ( ó como eu ouvi tantos portugueses em Macau criticarem os chineses por causa desta fuçanguice) e África mas também em países civilizados, obviamente.
 Tenho ouvido dizer que Portugal pretende ser um país europeu. Só que é difícil, porque desperdiçamos muito dinheiro. Ontem, por exemplo, mais de 30 pessoas tiveram de ser assistidas nos hospitais, porque foram imprudentes e fuçangas. Isso custa dinheiro a todos os contribuintes em exames médicos que foram necessários para verificar se havia fracturas. E ocupou o tempo de médicos e enfermeiros que poderiam estar a assistir pessoas com problemas mais sérios.
Um desperdício de dinheiro e recursos, por causa de uns fuçangas que não sabem andar nos transportes públicos.
Estou preparado para ouvir as vossas críticas, mas não me conformo com a atitude displicente do tuga, nem com a complacência da fiscalização. Uma sociedade, para ser evoluída, tem de respeitar regras. Fingir que elas não existem,ou passar a vida a encontrar forma de as ludibriar é que não nos leva a parte nenhuma.





Alexandre Herculano vítima de desleixo, ou cobiça?



O liceu Alexandre Herculano, no Porto, encerrou por tempo indeterminado, deixando 900 alunos sem aulas.porque chove dentro das salas. Não se tratou de um violento temporal. Foram apenas as chuvas de Inverno. O problema do Alexandre Herculano ( tão importante para os portuenses, como o Camões para os lisboetas) está detectado há muito tempo.Estão prometidas obras desde 2009 mas passaram três governos e tudo continuou na mesma.
Em 2016 , depois de a SIC ter feito uma reportagem sobre o estado de degradação em que a esola se encontrava cirulou por aí a petição " Não deixem cair o Alexandre".  O governo fez orelhas moucas e tudo ficou na mesma
 É fácil culpar a crise, mas a verdadeira culpa é da incúria e desleixo dos ministros da educação e dos governos que andam há oito anos a encanar a perna à rã. 
Resta saber se a degradação do Alexandre Herculano não estará relacionada com alguns apetites imobiliários. A seu tempo se saberá...

O pão que o diabo amassou



" Mais vale cair em graça do que ser engraçado"- diz o povo.
Estou totalmente de acordo e, por isso, vou escrever alguns posts sobre coisas de má qualidade que tiveram sucesso em Lisboa.
Começo pelas Padarias Portuguesas.
Gosto bastante de pão e durante anos lamentei a inexistência, em Portugal,  de estabelecimentos especializados no fabrico e venda de pão de qualidade e variado.
Quando, em 2010, abriu a primeira Padaria Portuguesa na Av João XXI, não fiquei encantado mas, ao constatar que as Padarias Portuguesas se multiplicavam como coelhos, tive esperança de que a qualidade melhorasse com o tempo. Debalde.
Mais de seis anos volvidos e experimentada a maioria das Padarias Portuguesas de Lisboa, constato que o grande trunfo reside nos espaços, normalmente acolhedores.
Já a qualidade continua fracota, não justificando a fama, nem a aceitação que têm tido junto do público lisboeta. Há padarias quase desconhecidas com muito melhor qualidade. Nomeadamente na zona das Avenidas Novas. Mas lá está, o nome do "Gato Fedorento" José Diogo Quintela, associado às Padarias Portuguesas, ajudou a projectá-las e a confirmar o adágio popular "mais vale cair em graça do que ser engraçado".
Ontem, o sócio de Quintela decidiu dar um tiro no pé, ao dizer que a discussão sobre a TSU era irrelevante e a subida do salário mínimo indesejável. 
Não satisfeito com esta prova de cretinice, o ex-quadro da Jerónimo Martins acrescentou mais esta série de insanidades indignas de um patrão, quanto mais de um empresário. Se vivêssemos num país onde o povo se indignasse quando um patrãozeco de caca com ideias do século XIX o insulta, as Padarias Portuguesas teriam os dias contados, por força de um boicote da população àqueles estabelecimentos.
No entanto, como o povo se equipara à qualidade dos produtos das Padarias Portuguesas, Nuno Carvalho pode continuar a insultar os seus clientes e trabalhadores e não se passa nada.
Sigam os links, leiam e oiçam as declarações de Nuno Carvalho e depois vão à Padaria Portuguesa. Se não ficarem agoniados, dou-vos os meus parabéns. É sinal de que têm um estômago de excelência.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (48)



Há dias uma leitora perguntou-me se eu não tenho discos de música brasileira para recordar.
Tenho muitos até, mas todos LP's e, como ainda estou na fase dos 45rpm, as grandes canções brasileiras têm de esperar.
Decidi no entanto abrir uma excepção para satisfazer a Sandra, uma das  primeiras leitoras do CR,  que se mantém fiel a este espaço.
Assim- e porque sei que ela gosta da Maria Bethania, hoje trago uma das canções que me provoca mais pele de galinha.
Espero que goste, Sandra

Para evitar mal entendidos


Na sequência do post de ontem sobre  Inteligência Artificial- para que não haja mal entendidos- esclareço os leitores do CR do seguinte:
Não tenho nada contra aqueles que desenham o/a parceiro/a dos seus sonhos, imprimem-no em 3D e depois ficam à espera de uma lei que legalize o casamento.
O que verdadeiramente me encanita na Inteligência Artificial (IA) é o aumento das desigualdades. Quem tem jeito para desenho fica sempre com os melhores exemplares, enquanto verdadeiros nabos nessa nobre arte, como eu, não têm quaisquer hipóteses de arranjar uma parceira decente.
Eu bem sei que nos prometem, para breve, a possibilidade de ir ao hipermercado comprar um kit com a mulher/homem ideal para nos fazer companhia para o resto da vida, sem nos termos de chatear muito e a possibilidade, nada desprezível, de podermos trocar no prazo de 14 dias úteis. Mais uma vez. porém, a escolha do/a parceiro/a fica condicionada ao poder de compra, pelo que os mais desfavorecidos ficam com os kits sujeitos a doenças ( ferrugem, p.ex), malformações   e outras anomalias de fabrico.
Presumo que haja sempre a possibilidade de comprar um kit androide em saldos, mas ninguém está à espera de poder comprar em saldos uma Angelina Jolie   com 18 anos. O mais provável é que na altura de chegar aos saldos, a preços módicos, já venha sem metade das peças.
A IA irá também favorecer a ascensão social dos desenhadores, já que será possível a qualquer um pedir a um desenhador um modelo à nossa medida (morena, cabelo azeviche, olho verde e medidas 86-60-86.por exemplo) mas corre-se sempre um risco: e se o desenhador se apaixona pelo produto que criou, como é? Pode haver réplicas infindáveis de um modelo? E quem quiser um modelo exclusivo?
São tudo coisas que me apoquentam mas, felizmente, dizem os especialistas, a legalização do casamento entre humanos e andróides  só irá acontecer por volta de 2050. Até lá, porém, talvez não fosse má ideia pensar um pouco sobre o assunto.

O lado B da eleição de Trump



É um dado adquirido que a eleição de Trump representa um perigo para o mundo.
A verdade, porém, é que desde sempre olhei para os EUA como um perigo para o mundo e a subserviência com que a Europa assimilava todos os tiques americanos deixava-me em fúria.
Recebemos Mc Donalds e toda a parafernália de fast food, com admiração  parola.  Consumimos  overdoses de  filmes e  séries de  televisão americanas e permitimos que elas se enraizassem de tal forma nos nossos hábitos de vida que,não raras vezes,  nos confundimos com as suas personagens. Tornámos as nossas vidas um "reality  show". 
Deixámos que a indústria cinematográfica europeia fosse colonizada pelo "american way of life", Que a indústria musical europeia fosse submergida pela sonoridade americana. Que os valores e a cultura europeias fossem  sublimados  pelos padrões americanos. Perdemos identidade europeia. A pretexto da globalização deixámos de questionar  a colonização americana e tornámo-nos americanos de segunda.  Cópias baratas de um  " american way of life" assente na máxima "mais vale parecê-lo do que sê-lo". 
Quando Donald Trump proclama " America First" sinto algum alívio. Sempre fui contra  o TIPP ( Acordo de Parceria Transatlântica que seria ruinoso para a Europa, mas que Berlim e Paris defendem, porque é do seu interesse nacional.) Se Donald Trump o quiser enterrar, ÓPTIMO!
Quando Trump põe em causa a NATO, penso que será uma boa oportunidade para a Europa repensar a sua política de defesa e terminar com a dependência dos EUA.
Quando Trump critica a Europa e vaticina o seu desmembramento agradeço-lhe, porque tenho esperança que a Europa se una  na defesa do interesse comum. E, se isso acontecer, as desigualdades entre os membros da UE podem atenuar-se bastante.
Quando Trump defende o proteccionismo e manifesta a sua arrogância em relação aos valores europeus, vislumbro a oportunidade de a Europa recuperar a sua identidade. 
Quiçá num assomo de optimismo exacerbado, vejo  a Europa a ser novamente protagonista e a recuperar o papel que já teve no mundo. Vejo, enfim, a Europa libertar-se do colonialismo americano.
Lamento é que, muito provavelmente, não passe de um devaneio. 


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (47)


Quase aposto que poucos se lembrarão do nome de Eric Carmen.
Se vos disser que foi um dos fundadores dos Raspberries, uma banda que há-de passar por aqui, talvez em alguns se acenda uma luzinha.
Mas se acrescentar que  se trata do criador  de sucessos  como "All By Myself", um super sucesso que em 1976  chegou ao 2º lugar  do Billboard ou "Never Gonna Fall in Love Again"  que atingiu o 10º lugar nesse mesmo ano, já muitos de vós começam a trautear estas canções.
Para esta noite deixo-vos apenas a primeira, porque em relação à segunda é uma promessa sempre arriscada.

Nem bons ventos...

Dizia-se , noutros tempos, que "De Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos".
Nas últimas décadas, o adágio caiu em desuso, mas parece que terá chegado o momento de o relembrar.
Pelo menos a pretexto de voltar a falar de Almaraz.
Há por aí muita gente a desvalorizar os efeitos em Portugal de um acidente na central espanhola.
Para os que dizem que os efeitos apenas se sentiriam nas zonas fronteiriças, vale a pena lembrar que um relatório do Laboratório de Protecção e Segurança Radiológica, divulgado em Março de 2016, revelou que amostras de carne recolhidas em 2014 na ilha do Pico apresentaram vestígios de césio, duas vezes superior ao normal. Causas?  O acidente nuclear ocorrido  em Fukushima ( Japão) em 2011, gerou uma nuvem radioactiva que atravessou o Atlântico que depositou radiações nos Açores.
por outro lado, o LPSR revelou  que a  central de Almaraz provoca um aumento de isótopos radioactivos no rio Tejo.
Não são apontadas as causas, não sendo por isso possível afirmar que estejam relacionadas  com os múltiplos incidentes verificados em Almaraz. É no entanto possível  adiantar que há um " repetido incumprimento consciente e voluntário das normas de segurança contra incêndios".  Entre a violação das normas, destaca-se o desrespeito pela proibição de fumar. Com efeito- revela a Visão-  em maio passado, os inspectores encontraram trinta beatas,o que significa que se fuma no interior da central.
Continuam descansados? Óptimo.

Inteligência Artificial? Ôba, ôba, que legal!




Aviso prévio: Este post é bastante longo, mas gostava muito que o lessem e comentassem. O assunto é muito sério.

Todas as semanas leio notícias sobre empresas que estão a despedir funcionários e a substituí-los por robôs. Os japoneses seguem na liderança desta mudança estrutural no mundo do trabalho e  na organização das sociedades
Que a Inteligência Artificial ia mudar o mundo e deixar as  pessoas sem emprego, já eu sabia desde pequenino. Quem o dizia, transparecendo muita preocupação e com muita firmeza era a minha Avó, apaixonada por Charlie Chaplin e pelos "Tempos Modernos".
Pelo menos era o que a minha Mãe contava, pois eu não conheci a minha Avó. Eu ouvia a minha Mãe atentamente e perguntava-lhe se isso era assim tão mau, para a minha Avó ficar preocupada com a possibilidade de as máquinas fazerem o trabalho dos homens. E, invariavelmente, dava como exemplo as vindimas. Então não era bom que os homens vergados  ao peso daqueles cestos cheios de uvas que carregavam às costas fossem substituídos por máquinas?
Também invariavelmente, a minha Mãe olhava para mim com cara de quem está a pensar "este miúdo não cresce", fazia-me uma festa na cabeça e ia à vida, deixando-me sem resposta.
 Quanto a mim, começava a divagar por um mundo onde as máquinas obedeciam às minhas ordens. Fascinava-me, por exemplo,  a ideia de  poder dar ordens a uma máquina para me trazer o pequeno almoço à cama. Coisa de miúdo, obviamente, porque detesto tomar o pequeno almoço na cama. 
Claro que me preocupava a ideia de o meu pai ficar sem trabalho, porque se ele não tivesse emprego, quem me comprava os carrinhos da Dinky Toys?  Mas, na verdade, desejava que em sendo adulto o mundo já estivesse equipado com robôs em número suficiente para  me substituírem nas tarefas laborais, deixando-me tempo para  poder viajar pelo mundo.
(Naquela idade ainda pensava que para viajar não era preciso ter dinheiro. Bastava meter-me ao caminho e deixar as coisas acontecer. Já adolescente, a caminhar para  adulto, saí de Espanha com 5 amigos e 500 pesetas no bolso. Andámos 4 ou 5 meses pela Europa e Norte de África, numa carrinha pão de forma e descobri que  não andava muito longe da verdade. Bastava que a sociedade se organizasse como nós nos organizámos durante a viagem. Tinha aprendido nesse ano, com António Sérgio, as virtudes da cooperação. E tornei-me um cooperativista convicto e praticante. Até perceber que a engrenagem triturava as boas ideias e  que o "Elogio da Preguiça", última esperança numa vida de ócio, era uma quimera. Mas adiante...)
Bem, voltemos então ao que pretendia comunicar com este post. Que aliás é muito simples e se resume em poucas palavras: 
Nunca imaginei viver num tempo em que as pessoas  casassem com máquinas!

A verdade, porém, é que já vivemos nesse tempo. Descobri  quando li o artigo da  Clara Soares na Visão.
Eu já tinha percebido há tempos ( depois de ler um estudo muito bem feito sobre a geração dos "millenials") que os homens estão a perder interesse em sexo, mas daí a passar-me pela cabeça que há pessoas que desenham o seu parceiro/a ideal, imprimem-no/a em 3D e ficam à espera de legislação que legalize a sua união com "a coisa",  nem em sonhos! Há uns anos, um livro de David Levy, perito em IA, fez-me esboçar alguns sorrisos, nada mais.
No entanto, os especialistas em Inteligência Artificial garantem que a legalização de casamentos entre humanos e máquinas / andróides acontecerá até 2050.
Já estou a imaginar a próxima causa fracturante do BE: exigir a legalização do casamento entre homens/mulheres e máquinas.
Não é caso para rir, nem para fazer graçolas. O assunto é mesmo sério e merece reflexão profunda. 
Para que tipo de sociedade estamos a caminhar? 
Já nem digo que é para o triunfo do nihilismo, pois isso já aconteceu há muito, desde que as redes sociais tornaram as pessoas em receptores de mensagens, às quais reagem em função do estímulo. Pensa-se  cada vez menos, reage-se em vez de agir. Anda toda a gente muito preocupada com a eleição de Trump, mas se as pessoas tivessem ido votar em peso, em vez de ficarem em casa a comer pipocas e a beber Coca Cola, porque não vale a pena votar, hoje Trump não estaria na Casa Branca e na Europa ninguém andaria preocupado com a Marine Le Pen e outros abortos similares que por aí pululam.
A sociedade que filhos e netos estão a construir é a do triunfo do individualismo, da glorificação do que é mais cómodo, rápido e de fácil apreensão. Reflectir para amadurecer ideias será tarefa para um reduzido número de...marginais.
Para quê, no futuro, incomodarem-se com relações e afectos, se podem partilhar a vida com uma figura de um romance, de uma BD, ou de um filme,  "construído" para não nos questionar e estar sempre às nossa ordens, pronta para satisfazer os nossos desejos?

Há uns anos escrevi um post, aqui no CR, onde dizia que as relações entre as pessoas estavam a diluir-se e a ficar reduzidas a uma mera função utilitária, porque estávamos a tornar-nos cada vez mais narcísicos, individualistas e com dificuldade em ineteragir. Fui bastante criticado, mas ao ler o artigo da "Visão" constato que não andava longe da realidade. A psicóloga americana Sherry Turckle, do MIT, concluiu que  "a empatia entre  estudantes universitários caiu 40% em apenas duas décadas" daí resultando um maior isolamento das pessoas e uma nova gama de necessidades, consubstanciadas " no consumo de dispositivos programáveis à medida dos nossos desejos infantis"
Ao fim e ao cabo  esta transformação é o resultado da nossa relação dependente e quase cega com as tecnologias.
No entanto, se em termos de relações afectivas caminhamos inapelavelmente para a "autosatisfação" que culminará,  a breve prazo, na legalização do casamento entre humanos e andróides, sem que as pessoas se preocupem muito com isso, tenhamos esperança nos movimentos que recentemente começaram a nascer no norte da Europa ( especialmente em Inglaterra e na Suécia). 


Preocupados com a concorrência que os robôs sexuais fazem aos trabalhadores e trabalhadoras do sexo, estes movimentos prometem lutar contra a intromissão destas máquinas de prazer que providenciam relações conjugais estáveis.
Li, algures, que 60% dos primatas estão ameaçados de extinção. Não é ainda o caso do Homem mas, por este caminho, não faltará muito.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Memórias em vinil (46)



Acabámos a semana com uma canção italiana e por lá continuamos no início desta.
Na primeira metade dos anos 60, a canção italiana rivalizava com a francesa e o Festival de Sanremo marcava os sucessos da época estival.
Em 1962, uma italiana sardenta e minorca lança-se no meio musical com uma canção sensaborona (La partita di pallone - O jogo de futebol) mas no ano seguinte  cativa os adolescentes com esta canção " Come te non c'e nessuno" ( vídeo acima)
Em 1964 tem outro grande êxito (Cuore, no link abaixo) mas nos anos seguintes não obtém grandes sucessos fora de Itália. Em 1968 casa e vai viver para a Suíça, desaparecendo praticamente do meio musical, embora vá aguentando a carreira até 2005, ano em que anuncia o abandono e se candidata ao Senado. Sem sucesso


Digam lá se não valeu a pena

Foto de Nuno Correia


Quando se iniciaram as obras do eixo central, entre o Marquês de Pombal e a rotunda de Entrecampos, assistiu-se a uma avassaladora onda de protestos.  Medina foi acusado de  estar a transformar a vida dos lisboetas num Inferno por razões meramente eleitoralistas. Ninguém acreditava que os prazos fossem cumpridos ( o final das obras estava previsto para Março)  e a direita avisava que as obras se iam prolongar até ao Verão.
A histeria da direita acabou por provocar um adiamento das obras da Segunda Circular, essenciais para tornar aquela via mais transitável.
Ontem ( com mais de dois meses de antecedência) as obras do Eixo Central estavam concluídas. A praça do Saldanha está com o belíssimo aspecto que se vê na foto, as avenidas da República e Fontes Pereira de Melo estão mais arejadas e quando as árvores crescerem e as esplanadas se encherem de gente, ainda vão ficar mais apetecíveis. 
As obras devolveram aquela zona da cidade aos cidadãos e faço votos que o mesmo aconteça noutras zonas. As cidades devem ser cada vez mais para as pessoas e não para os automóveis.
Ficaria bem à direita ( nomeadamente a Assunção Cristas, que tanto criticou as obras e tanto dinheiro gastou em cartazes de protesto) reconhecer a qualidade da intervenção efectuada e admitir que o Eixo Central está agora muito melhor do que antes. 
Pessoalmente, espero que as obras da Segunda Circular arranquem o mais depressa possível. E, já agora, que a polícia cumpra o seu dever de ser intransigente com os automobilistas que estacionam em segunda e terceira fila, em cima de passeios e noutros locais onde prejudicam o trânsito e os peões.
Lisboa é linda, mas pode ser muito mais apetecível, se os automobilistas forem mais educados e, sobretudo, mais civilizados.

Os Extraordinários




Roubei o título ao novo programa da RTP 1 das noites de domingo, mas não é sobre isso que vou escrever.
Os Extraordinários a que me refiro são o casalinho da foto de quem muito ouviremos falar nos próximos tempos. E não será por boas razões... (Já foi entregue  no Congresso um pedido para saída dos EUA da ONU).
Anda toda a gente muito preocupada com  Trump, mas mesmo aqui à porta há uma senhora capaz de trazer mais instabilidade à Europa do que o americano. Chama-se Theresa May e ameaça transformar a GB num paraíso fiscal se a UE não aceitar as condições que ela impõe para o Brexit. 
Como se isso não bastasse, parece estar fascinada com Donald Trump, o  homem que além de adorar muros, já decidiu apoucar 55 milhões de cidadãos americanos,falantes da língua espanhola, ao eliminar a página em espanhol da Casa Branca.

domingo, 22 de janeiro de 2017

Dia do Postal Ilustrado (37)



Este postal foi-me enviado em 1972  por uma prima que vive em Porto Alegre e estava de visita a  S João Del Rei (MG) . Já visitei a minha prima várias vezes, mas nunca fui a S. João del Rei, cidade onde nasceu Tancredo Neves.  
Muito provavelmente, a cidade já nada terá a ver com o que está retratado neste postal. Se algum(a) leitor(a) brasileiro/a me puder dar uma ajuda, agradeço.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Chazinhos da Paróquia (2) *




Começo com uma pergunta: Já sabia que Lisboa é capital ibero americana da cultura desde dia 7 de Janeiro?
Então saiba e que até final do ano haverá muitas coisas para ver. Exposições, espectáculos de dança, teatro, conferências , etc.  No total serão 150 eventos  ap longo do ano e passarão por Lisboa cerca de 400 artistas  convidados latino-americanos. Não  faltarão momentos para animar a nossa vida, com aquele toque latino-americano sempre caloroso.  
Sugiro, pois, que planeie o que pretende ver durante o ano, para não (se) perder.Destaque especial para a exposição Testemunhos da Escravatura
que decorre em vários espaços de Lisboa e para o concerto Canções para Revoluções no 25 de Abril. Um concerto ao ar livre, onde serão interpretadas canções de intervenção de Zeca Afonso, Mercedes Soza, Violeta Parra e Chico Buarque   Mas há muito mais.De quando em vez eu  virei aqui lembrar-vos, mas  o melhor é estar atento ao programa, para garantir que não perde o que mais lhe agradar.
Para esta manhã recomendo-lhe um passeio por esta Lisboa. Pode estar frio, mas  caminhar por aqui aquece a alma.
Não lhe vou sugerir onde almoçar ou jantar ( a variedade é tanta que nem me atrevo) mas deixo-lhe outras sugestões para alimentar o espírito. À tarde deixo-lhe duas sugestões: se aceitou a proposta de passeio, aproveite e vá ao CCB assistir ao primeiro filme do ciclo Belém Cinema. Em exibição está Lawrence da Arábia. Boa oportunidade  para recordar um grande filme, com um grande elenco ( Peter O' Toole,Anthony Quinn, Omar Sharif e Alec Guiness).
Em alternativa sugiro-lhe uma visita ao Museu do Chiado para ver a exposição de Amadeo Souza Cardoso. 
Há quanto tempo não vai ao teatro?   Já que está no Chiado, aproveite para jantar nas imediações e depois  ir  ao S. Luiz ver  " A Noite de Iguana". Garanto-lhe que esta peça de Tennesse Williams é imperdível. Oportunidade também para ver Nuno Lopes, numa interpretação sensacional.
Depois do teatro, que tal acabar a noite a ouvir jazz no Hot Club?
A noite de sábado prolongou-se pela madrugada e levantou-se tarde no domingo? Não se preocupe. Junte o pequeno almoço com o almoço  num brunch. Em casa, ou num dos muitos lugares que os servem em Lisboa, para todos os gostos e preços.
À tarde  fique por casa a ler "O Evangelho Segundo Lázaro" de Richard Zimmler e ao final da tarde, ou princípio da noite vá ao cinema. Como acontece sempre nesta época do ano, há por aí muitos e bons filmes em exibição. Para este fim de semana  sugir. Manchester by the sea.  Quase aposto que vai gostar. Mas, como sempre, o mais importante é que tenha um excelente fim de semana. Descontraído e, se possível, divertido.

* Decidi dar um nome a esta rubrica com sugestões de fim de semana. À falta de melhor ideia, recuperei o nome de uma rubrica que escrevi durante dois anos no semanário "Tribuna de Macau": Chazinhos da Paróquia.
Por agora está frio, tome-se bem quentinho. Lá mais para o Verão, o chá gelado também é uma óptima escolha. E, para que não lhe falte nada, também hei-de trazer aqui algumas sugestões de Casas de Chá.