quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVII)



Calma aí! Só porque está a chover há três dias não precisam de ser pessimistas e acreditar no que estes tipos dizem. Boa noite!

Portugal ao espelho

Quando um povo acredita que pedir desculpa alivia a consciência ou apaga os erros cometidos, está a admitir que não aspira a mais do que viver num país medíocre.

Um divórcio anunciado


Eu escrevi várias vezes neste Rochedo que Marcelo Rebelo de Sousa iria romper com António Costa logo que Passos Coelho se pusesse ao fresco. 
O encontro com Teresa Leal Coelho no último dia de campanha eleitoral e, posteriormente, o almoço com Santana Lopes, foram sinais evidentes de que Marcelo estava prestes a romper com António Costa e já tinha aberto as portas do recreio para fazer as suas habituais traquinices.
Ficou provado a quem tivesse dúvidas  ( eu nunca as tive) que Marcelo nunca despiu a camisola laranja e as suas deambulações dos afectos pelo país são apenas uma faceta do seu egocentrismo.
Com o discurso de ontem à noite, MRS quis mostrar aos seus que nunca os abandonou. A dureza das suas palavras abriu uma crise política.
 Não deixa de ser curioso que um PR que sempre recusou crises e pediu estabilidade política, tenha sido o detonador dessa mesma crise. 
Alguns manifestarão o seu regozijo pela demissão da ministra mas, no fundo, todos sabem que não é uma mudança de caras que vai resolver o problema dos incêndios.
Segue-se uma moção de censura. Tendo em consideração que por estes dias se discute o OE, conclui-se que vem na melhor altura para Costa e na pior para BE e PCP. Nem é preciso explicar porquê, pois não?
Espero que todos estejam à altura do desafio que MRS lhes lançou. Ou o governo sai mais fortalecido e tem apoio da esquerda sem tibiezas, ou a geringonça desconjunta-se e, em pouco tempo, os seus destroços juntar-se-ão às cinzas dos incêndios.

Porque não te calas?




Com a lata, falta de vergonha e pudor que lhe são conhecidas, Passos Coelho veio pedir a demissão de António Costa.
O cobardolas  que  se escudou atrás da troika para  tomar medidas que separaram famílias,empobreceram os portugueses e mataram alguns à fome, vem dizer que António Costa não tem condições para continuar.
O javardo que inventou suicídios em Pedrógão, cortou salários e pensões depois de ter jurado que nunca o faria, vendeu o nosso património sem qualquer critério ou estratégia, vem dizer que António Costa já não merece a confiança dos portugueses. 
 É preciso não ter um pingo de dignidade na puta da vida para, depois de ter destruído o país, vir pedir a demissão de um primeiro ministro que devolveu a dignidade aos portugueses que trabalham ou vivem das suas pensões.
CALA-TE, PAL... Ou melhor. Continua  a falar, a dizer essas parvoíces porque estás a dar uma boa ajuda à geringonça.

Xi Jinping: he has a dream!



Começa hoje o Congresso do Partido Comunista  Chinês. Xi Jinping é uma das figuras com mais autoridade na China, desde  Mao Tse Tung, tendo alicerçado o seu poder na promessa (efectiva) de combater a corrupção que ameaçava minar o partido e, quiçá, o regime. 
Os meus amigos chineses ( e também muitos portugueses) irritavam-se muito comigo quando eu dizia que a pior desgraça que poderia acontecer ao mundo, era a China tornar-se um país democrático de modelo ocidental.
Xi Jinping pensa da mesma maneira e pretende que em 2049 a China se torne uma nação ainda mais rica e poderosa, com uma sociedade moderna e próspera onde a pobreza esteja erradicada, mas seguindo o seu próprio modelo. 
Tenho profundo respeito e admiração pela milenar cultura chinesa e é com muito orgulho que sou padrinho de casamento de amigos chineses, de cujas uniões resultaram frutos de que sou padrinho. Tenho assistido com muito interesse e algum enlevo à modernização da China, conseguida sem abdicar da sua identidade e cultura e  rejeitando subordinar-se ao modelo ocidental made in USA.
Esse é o desafio que Xi Jinping quer concretizar, sem grandes sobressaltos. Para tal, irá tentar quebrar várias regras de sucessão do poder, entre as quais a de que ao fim de 10 anos terá de abandonar o cargo. 
Dentro de dias ( não é possível dizer exactamente quando, porque os Congressos do PCC têm data de início marcada, mas não data de encerramento), saberemos se da reunião magna do Palácio do Povo na Praça de Tian An Men sai fumo branco para um sucessor de Xi em 2022, ou se há indícios de que o seu mandato se pode prolongar, quebrando assim as regras estabelecidas pelos cânones de Pequim.




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXVI)

Os Middle of the Road numa canção dos anos 70, mas ainda muito sixties. Espero que se divirtam a ver o video. Boa noite

Frida e outras histórias




Em Setembro, após  um dos  terramotos que abalaram o México,  a  cadeia de televisão Televisa noticiou a existência de uma menina  que estava debaixo dos escombros  de uma escola. Chamava-se Frida Sofia. Uma jornalista conseguiu falar com a menina  e ouvir-lhe o choro. Outros, de jornais locais, ouviram-na pedir água e outro ainda viu a criança mexer um bracinho a pedir socorro. A Marinha mexicana identificou Frida Sofia como sendo uma criança de 12 anos que não morrera durante o abalo, porque se escondera debaixo de uma mesa de granito. 
 O México inteiro emocionou-se com a história. Brigadas de salvamento  foram deslocadas para o local e desdobraram-se em esforços para salvar Frida Sofia. A comunicação social noticiou que os bombeiros tinham conseguido, com uma mangueira, dar água à menina. 
A CNN  acrescentou que entrara em contacto com Frida Sofia e a criança dissera que tinha  mais crianças junto dela, à espera de serem salvas  O suspense durou dois dias.  O México ficou colado aos  televisores, emocionado, durante dois dias. 
Até se perceber que a história era falsa. Não havia criança nenhuma sob os escombros. A notícia foi dada inicialmente pela Marinha, baseada em testemunhos de socorristas e populares... 
A Televisa baptizou a menina de Frida Sofia e continuou a alimentar a história, enquanto pôde,  mesmo depois de a Marinha a ter desmentido. As audiências justificavam que a história não morresse tão depressa.
Por cá, foi noticiada a morte de um bebé de um mês durante os incêndios de domingo. A Protecção Civil, baseada em testemunhos populares, confirmou a morte, mas   o CDOS de Coimbra ( onde teria entrado o cadáver) não confirma.
Se bem se lembram, durante o incêndio de Pedrógão, também foi noticiada a queda de um Canadair espanhol e a morte do piloto. Quatro meses depois ambos se encontram bem. Porque nunca existiram.
Onde quero chegar com isto? A lado nenhum. Apenas à constatação de que hoje é preciso estar muito atento para destrinçar o que é notícia do que é telenovela ou reality show.

Animais de companhia




Toda a gente sabe que adoro animais e sempre aplaudi a legislação que  deixou de os considerar coisas, ou a que pune os donos que infligem maus tratos a animais ou os abandonam. Também ficaria muito satisfeito se fossem melhoradas as condições de transporte dos animais que vão para abate, bem como as condições em que  sobrevivem nos aviários, para acabarem nos nossos pratos .
No entanto, esta proposta de lei que permite a entrada de animais em restaurantes parece-me descabida, por várias razões. Uma delas é não estar definido na Lei o que são animais de companhia (  tenho um amigo que anda com um pequeno sagui para todo o lado e sei quem tem coelhos e até pequenas cobaias que, como todos sabem, são dos animais mais porcos à face da terra) Há outra ainda mais importante: os proprietários dos animais que desrespeitam os outros clientes.
Ainda no último Verão  tive um quiproquo no Hotel da Paraia Verde, porque um cliente ia para a sala do pequeno almoço com um cão monstruoso que se esforçava por ficar sossegado, mas era muito "falador" e passava o tempo todo a ladrar, a ganir e a abanar-se.
Eu não vou de férias para ser importunado com pêlos de cães e gatos, por isso, espero que  hotéis e restaurantes passem a informar nos seus sites se aceitam cães. É que talvez os autores da proposta não saibam o que significa " contaminação cruzada", mas eu explico: o simples abanar da cauda de um cão pode não só lançar pêlos para as mesas vizinhas, como contaminar comida. Se gostam de comer em pocilgas e a higiene não vos preocupa,  nada contra mas, por favor,  não obriguem os outros a partilhar a vossa manjedoura.
E não me venham com a treta de que a regulamentação da Lei prevê a punição dos infractores. Todos os dias vejo montanhas de cocós nas ruas e nos jardins onde brincam crianças e nunca vi ninguém ser multado por não limpar o cocó do seu cão. 
Já agora, sugiro que ouçam os comentários dos turistas que passeiam no paredão Cascais- Azarujinha, quando vêem os montes de cocós espalhados ao longo daqueles três quilómetros. 
Pelos direitos dos animais vou onde quiserem, mas não tenho pachorra para este peditório. 
Os senhores deputados que apresentam propostas que colocam em causa a saúde pública deviam, pura e simplesmente, perder o mandato. 
Finalmente, com a devida vénia, replico as perguntas colocadas por este nosso amigo Acrescento apenas mais uma. E porque não autorizar a entrada de animais nos hospitais, incluindo os blocos operatórios?

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXV)


Eu também gostava, por isso, deixo este desafio para início de semana: quais são os vossos contributos para que isto possa acontecer?
Boa noite e boa semana.

E mais Pedrógãos virão...




Quem acredita que nos próximos anos não haverá mais Pedrógãos, ou vive na Lua, ou é ignorante.
Há 30 anos que sabíamos que os incêndios iriam ser uma calamidade em Portugal. Mas também em toda a Península Ibérica, na Califórnia, na Austrália e na América do Sul ( especialmente no Chile). Pode dizer-se, com razão, que o Estado devia ter aplicado medidas preventivas que atenuassem os efeitos dos incêndios, até porque já tínhamos sido avisados pelo menos duas vezes este século de que os incêndios tinham tendência a tornar-se mais devastadores. A verdade é que pelo menos na Califórnia e na Austrália foram tomadas medidas e as notícias e imagens que ainda hoje chegam da Califórnia são aterradoras. 
Podem continuar a pedir a cabeça da ministra como troféu, ou exigir a demissão do governo, mas novos Pedrógãos são inevitáveis porque as alterações climáticas criam condições favoráveis a ocorrências aparentemente inexplicáveis. Escrevi dezenas de artigos sobre este assunto e não terei sido o único a não me surpreender com a tragédia de Pedrógão. Surpreende-me mais que haja pessoas a exigir a demissão da ministra, como se o problema se resolvesse com mudança de rostos ou de cadeiras, quando em causa estão catástrofes naturais.
Os inúmeros testemunhos de populares, ouvidos ao longo do dia, afiançam que nunca foram vistas condições atmosféricas como as verificadas durante os incêndios de ontem.  
Para desgosto dos mais cépticos e dos que gostam de fazer aproveitamento político das catástrofes, estes testemunhos e a realidade confirmam que, pelo menos desde Pedrógão, são conhecidas e experienciadas as alterações climáticas que afectam Portugal e propiciam a rápida propagação das chamas.
Esse reconhecimento não invalida, porém,  que acredite na possibilidade  de reduzir o número de incêndios. Não acredito é que isso seja possível com brandos costumes.
Enquanto incendiários apanhados em flagrante continuarem a ser mandados em paz, ou a serem punidos  com penas ridículas (quase sempre suspensas);
Enquanto as autoridades continuarem a fechar os olhos a quem faz queimadas;
Enquanto não forem proibidos os foguetes e fogos de artifício em tudo quanto é romaria, durante os meses de Verão;
Enquanto não forem punidas severamente as faltas de civismo dos condutores, propiciadoras de provocar ignições;
Enquanto não se repensar a Floresta e o Ordenamento do Território;
Enquanto os partidos políticos continuarem a usar os incêndios como arma de arremesso político, em vez de se porem  de acordo sobre as medidas essenciais e urgentes que são necessárias para diminuir o risco de incêndios ( repensar a Floresta, o Ordenamento do Território, a política dos baldios e um conjunto alargado de penas dissuasoras para comportamentos cívicos que funcionam como ignição de incêndios);
Enquanto as estradas florestais continuarem a ser caminhos de cabras destinados apenas a veículos todo terreno;
Enquanto não houver coragem de combater as mafias dos fogos;
Enquanto continuarmos a ser este maldito país de Brandos Costumes, onde proliferam os irresponsáveis e egoístas, os incêndios continuarão a consumir o país e os nossos recursos naturais. 
Tudo isto, aliado à incontornável questão das alterações climáticas ( que muitos continuam a negar, apesar das evidências ) contribuirá para destruir o nosso património Natural.
 Sem medidas drásticas, mais incêndios hão-de vir, o país continuará a arder e toda a gente a lamentar o horror,  mas nada impedirá que novos Pedrógãos ocorram. Parafraseando Marcelo Rebelo de Sousa, diria que chega de conversa e de apontar dedos a potenciais culpados. É altura de mudarmos de vida, antes que as alterações climáticas acabem com ela neste rectângulo à beira mar plantado.
Não há nada a fazer por quem não perceba isso. A não ser perguntar-lhes se  dão razão  aos galegos que nos estão a culpar dos incêndios  que devastam a Galiza.
Uma vez que não vejo os povos desses países a pedirem a demissão de nenhum ministro palpita-me que, não tarda nada, ainda alguém  vai culpar o governo dos incêndios na Califórnia, no Chile ou na  Austrália.
Nessa altura, Constança Urbano de Sousa demite-se ou será demitida e os ministros da Administração Interna desses países permanecerão nos seus lugares, porque já foi encontrado um culpado. Para gáudio de Assunção Cristas e pafiosos similares. 

Expliquem-me como se eu fosse muito burro

Não vou pronunciar-me mais sobre a Operação Marquês. Apenas gostaria que alguém me explicasse a razão de todos os processos relacionados com o BPN terem sido arquivados por decisão do MP.  

Caderneta de cromos (61)



Daniel Bessa  foi, durante seis meses, ministro da economia  de António Guterres.
Eu não percebo nada de economia mas - diz quem sabe-  Daniel Bessa foi um ministro medíocre  que não deixou obra feita e  só aceitou ser ministro do PS para enriquecer o currículo.
Desde que abandonou o governo, em 1996, tem-se especializado em dar entrevistas a tecer fortes críticas a todos os governos e aos seus sucessores no cargo. Já se torna repetitivo o seu slogan " se fosse eu faria muito melhor".
Em sexta-feira 13, Daniel Bessa deu uma entrevista ao Público onde voltou a insistir que, se estivesse no governo  faria muito melhor e o défice seria, no máximo, ZERO!  E como o faria? Não aumentando salários nem reformas, nem dinamizando o consumo. Apenas dando estímulos às empresas.
Ora porra, Daniel! Essa receita já nós experimentámos durante quatro anos e não gostámos, por isso, vais direitinho para a caderneta de cromos. Mas não levas cola!  Quem te quiser fixar na caderneta terá de cuspir nas costas do teu cromo.
É que  tipos que gostam de armar ao pingarelho, mas não têm obra feita, sempre me provocaram um certo asco.

domingo, 15 de outubro de 2017

A culpa é da ministra, obviamente...

É incontornável falar sobre o terrível dia de hoje, o pior dia de incêndios do ano. 
 Ao constatar que dos 430 incêndios do dia, cerca de  um quarto se iniciou durante a noite e madrugada, não é preciso ser muito perspicaz para perceber que muitos deles foram provocados por mão criminosa. Normal, por isso, que muitos lamentem a brandura da justiça com os incendiários. Eu sou um deles e defendo, sem qualquer rebuço, que um incendiário seja condenado a pena máxima de 25 anos sem possibilidade de libertação antes de cumprido o prazo.  
No entanto, é óbvio que a maioria dos incêndios não se deve a mão criminosa. Deve-se à irresponsabilidade popular. Há muita negligência e irresponsabilidade. Apesar da temperatura sufocante deste fim de semana, eu vi  gente a fazer queimadas e a lançar "beatas" pelas janelas dos  carros. 
É fácil responsabilizar  a  Protecção Civil pela catástrofe , exigir a demissão da ministra e até de todo o governo. Difícil é aceitar que cada um de nós é culpado pelo que está a acontecer. Enquanto não houver consciência cívica, continuaremos a ver o país a arder. E, claro, a apontar o dedo a quem estiver de serviço no governo, independentemente da cor política.
Amanhã voltarei ao assunto mas, por agora, recordo os interessados, os posts que já escrevi sobre este assunto. Basta seguir este link

Dia do Postal Ilustrado (74)


Sintra em data que não consegui decifrar

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXIII)

Em jeito de aquecimento para o fim de semana. Boa noite e bom fim de semana

Como diria Pinheiro de Azevedo: Bardamerda!

Ouvi Marta Soares dizer que o relatório da Comissão Independente ao incêndio de Pedrógão nunca ouviu as pessoas e entidades que são apontadas como responsáveis.
Isso não impediu a direita de cavalgar a onda do pedido de demissão da ministra.
Eu até apoiaria a demissão de Constança Urbano de Sousa se isso resolvesse o problema dos incêndios. 
Não resolve e a escumalha da direita sabe, mas não apresenta propostas de medidas porque gosta é de folclore. Não lhes chega o aproveitamento canalha da desgraça das vítimas e a invenção de suicídios que nunca aconteceram. Querem é o folclore  da demissão da ministra para lançar foguetes e apanhar as canas. VÃO BARDAMERDA!

Amsterdam: I want to ride my bicycle





Convenhamos que não é fácil circular em ciclovias como esta do paredão de Cascais, que mais parece ter sido desenhada em noite de bebedeira...

Enquanto as principais cidades europeias alicerçam argumentos e traçam estratégias para reduzir progressivamente o trânsito automóvel nos centros históricos, em Amsterdam essa discussão não faz qualquer sentido. Por lá, as autoridades estudam a hipótese de proibir as bicicletas no centro da cidade.
Pode parecer uma ideia fundamentalista mas quem conhece Amsterdam e já esteve várias vezes em risco de ser atropelado por uma bicicleta, compreende a decisão. Ao contrário do que acontece em cidades como Copenhague, Estocolmo ou Moscovo, onde as ciclovias estão bem delineadas e os  ciclistas respeitam escrupulosamente as regras de trânsito, em Amsterdam muitos ciclistas parecem utilizar bicicletas com motor tal é a velocidade a que  circulam pelas ruas da cidade. O respeito pelos semáforos também não é universal e, enquanto nas cidades referidas, os ciclistas circulam de forma organizada, sem mudanças de direcção inesperadas, em Amsterdam os ciclistas têm características mais latinas e os acidentes e atropelamentos são frequentes.
Dizem as autoridades locais que o perigo vem dos turistas que alugam bicicletas para conhecer a idade  e não dos  habitantes locais, que estão familiarizados com as regras da cidade.
Não sei se será bem assim. Acredito mais na possibilidade de estarmos a caminhar para o modelo das cidades do futuro, onde a circulação ficará restringida a peões e veículos de emergência.
A discussão sobre as cidades do futuro começou em Istambul há mais de duas décadas e, nos países mais civilizados, os centros históricos serão devolvidos aos peões dentro de algumas décadas.
Essa será mais uma medida a marcar a diferença entre o norte e o sul da Europa. Enquanto nos países do norte já se vai discutindo regras para os ciclistas, no sul ainda estamos na fase de sensibilizar as pessoas a  andar de bicicleta e a promover a convivencia entre peões,  ciclistas e automobilistas. Um trabalho árduo que está por fazer, mas urge iniciar, para que os peões deixem de invadir as ciclovias e os ciclistas circulem dentro das ciclovias, respeitem os espaços onde o acesso lhes está vedado, não andem à noite sem luzes e tenham em atenção a velocidade a que circulam, nomeadamente quando invadem os espaços destinados a  peões.
Quem vai às Docas, anda no Paredão de Cascais ou na zona ribeirinha do Tejo, sabe do que estou a falar…

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXII)

Hoje convidei este par incontornável para me despedir de vós até amanhã.
Boa noite...sem brilhantina!

O Peido





Num dos muitos  espectáculos para que foi convidado, depois de vencer o Festival da Eurovisão, Salvador Sobral decidiu desafiar o público. Ainda lembrado do tempo em que era um ilustre desconhecido, com dificuldade em encher um auditório, disse a quem o aplaudia vibrantemente:
“ Desde que ganhei o festival, vocês batem palmas a tudo o que eu faço. Mesmo que não gostem, nem percebam o que estou a cantar. Vou dar um peido para ver se vocês também aplaudem”.
Esta intervenção mordaz de Salvador Sobral  pôs a nú  o mimetismo  que condiciona  o ser humano e  provoca reacções  acéfalas. Não é um fenómeno português nem contemporâneo. É global e intemporal.  No entanto, aplica-se ao tema que pretendo abordar: o modismo.
É sabido que em Portugal, quando alguém se lança num negócio com sucesso, numa área inovadora, encontra logo inúmeros adeptos que pretendem rapidamente ganhar dinheiro.
Foi assim com as croissanterias nos anos 80, é agora com as chocolaterias, as padarias, as gelatarias e muitas outras actividades. É o caso, por exemplo, dos Mercados Medievais. Começaram por ser manifestações de interesse histórico, que pretendiam atrair turismo interno e, simultaneamente, dar a conhecer aos visitantes episódios relacionados com a localidade, através de diversas manifestações artísticas.
O sucesso de Santa Maria da Feira e outras localidades fez multiplicar exponencialmente os Mercados e Feiras Medievais. Hoje em dia, qualquer junta de freguesia promove um mercado ou feira medieval. Monta umas tendas num local aprazível, convida uns artesãos a ocupá-las, veste uns tipos à moda da época, para se passearem entre a multidão, juntam alguns comes e bebes, uns enchidos e doçarias pretensamente tradicionais e está a feira montada.
Nada tenho contra esta forma de agradar aos fregueses e apanhar alguns votos mas, por favor, não desvirtuem o espírito das Festas Medievais, conferindo esse título a festas de comes e bebes , abrilhantadas por um artista mais ou menos famoso convidado para animar o povo durante uma hora.
 
É que tanto modismo já começa a cheirar  mal.

Mas que grande 31!

Quatro anos depois, José Sócrates foi finalmente acusado. São 31 os crimes constantes de uma acusação com mais de 4 mil páginas. Uma ementa variada, que exigirá muita perícia por parte dos advogados do ex- primeiro ministro.
Já ouvi dizer   que o julgamentos deverá começar no final de 2018 pode durar entre 7 a 10 anos, até transitar em julgado. Não estarei cá para saber a sentença final. Absolvição ou pena pesada?  Agradeço a algum leitor  familiarizado com práticas espiritas que convoque o meu espírito para me informar. Não só sobre a condenação de Sócrates, mas também de Ricardo Salgado.
Agora um pouco mais a sério.
A bem da credibilidade da Justiça, que com a colaboração de uns jornalistas arregimentados, criou na opinião pública a "certeza" de que Sócrates é criminoso  e corrupto, espero que as acusações estejam blindadas por fundamentação inatacável e todos os envolvidos sejam exemplarmente condenados.
Se,pelo contrário, Sócrates for absolvido, a já muito desacreditada ( por culpa própria) justiça ficará de rastos.
Há no entanto um porém. Se foram necessários mais de quatro anos para formular uma acusação, não será demasiado curto um prazo de 50 dias para preparar a defesa? 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLXI)


Foi a primeira grande ópera musical que vi em Londres. Recordo aqui este tema que ficou bem gravado na memória dos jovens da minha geração. A interpretação é dos Fifth Dimension. Lembram-se?
Boa noite!

Mundo Cão

A validação de um medicamento anti cancro até ser testada em seres humanos pode custar entre 500 mil e um milhão de dólares.  Demasiado caro para justificar o investimento, dizem.
O Manchester City está disposto a pagar 400 milhões de euros para contratar Messi ao Barcelona. Dizem especialistas em desporto que, muito em breve, um jogador de alto nível custará mil milhões.
Ou seja: um jogador de futebol  custará tanto como MIL testes de validação de medicamentos que podem curar o cancro.
Há quem me afiance  que isto é normal, que são as regras do jogo, que sempre aconteceram situações destas ao longo dos tempos, etc. Acredito, mas não aceito.

Venha o Diabo e escolha

Se não houver surpresas, em Janeiro a liderança do PSD será disputada entre Rui Rio e Pedro Santana Lopes.
Sempre admiti que no dia em que Passos Coelho se "pusesse ao fresco" Rui Rio fosse candidato, mas esperava que surgisse um rosto novo, afecto a Passos para o enfrentar. Nunca  pensei que fosse Santana Lopes o eleito.
Entre os dois, venha o Diabo e escolha.
Rui Rio é praticamente desconhecido a sul do Mondego,  bastante mal  visto pelo baronato laranja do eixo Lisboa- Cascais. Pior ainda, poucos conhecerão as suas ideias para o país e Rio é uma figura pouco simpática e com má imprensa.
Quanto a Santana Lopes, apresenta-se como o candidato que quer  reabilitar o trabalho de Pedro Passos Coelho enquanto primeiro ministro. A nível do partido, acredito que o seu discurso tenha muitos apoiantes, mas não me parece que seja um trunfo eleitoral em 2019. Acresce que os portugueses não esqueceram as diatribes de Santana e não me parece que até às legislativas a situação se altere.
 Ponderados os dois candidatos, diria que Rui Rio tem mais  hipóteses de bater António Costa ou, pelo menos, de obter um resultado para o PSD que permita recuperar a imagem e a credibilidade dos laranjas. Corremos porém o risco de Costa e Rio tentarem reeditar a sensaboria do Centrão.
Entre os dois, venha o Diabo e escolha. O facto de Santana ter um programa semanal na SIC confere-lhe alguma vantagem para assumir a liderança do PSD, a que se candidata pela quarta vez, mas o país fica a perder,  se o PSD não conseguir apresentar um lider  mobilizador e com um discurso social democrata que devolva ao partido a sua identidade inicial.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLX)

E pronto, aí vamos nós, com Matt Monroe, depois de despacharmos a Suíça.
Boa noite!

Percebeste, Rajoy?

Carles Puigdemont está a dar-te uma oportunidade de corrigires a grande borrada que fizeste ao optar pela violência.
Se insistires na acção musculada vais perder a credibilidade e, pior ainda, perderás a Catalunha.
Nota: o discurso de CP foi exactamente no sentido que eu avançara. Um discurso de compromisso e de diálogo, que não vai agradar aos independentistas, mas que aponta no caminho da sensatez. Esperemos que Rajoy  e o Rei tenham bom senso e desanuviem a situação, em vez de a agravar como tem feito.

Perguntar não ofende...

Uma semana depois das eleições autárquicas,alguém me sabe dizer por onde anda o famoso relatório sobre Tancos que o jornal do militante nº1 divulgou como sendo um relatório secreto e explosivo?

Cá se fazem, cá se pagam...

Leio na capa de um jornal que Passos Coelho  anunciou que não se recandidataria à presidência do PSD, porque foi enganado pelo seu próprio staff em plena noite eleitoral.
Segundo o jornal, PPC terá sido informado que o PSD ficara atrás da CDU em Lisboa e teria perdido milhares de votos em todo o país, além de inúmeras câmaras.
Feitas as contas, o PSD perdeu uma dezena de câmaras, foi humilhado em Lisboa e no Porto (mas não ficou atrás da CDU), mas apenas perdeu 1177 votos em todo o país.
Não tive pachorra para ler o artigo e comprovar se  "a bota diz com a perdigota", mas  disse para os meus botões:
- Se Passos foi enganado, foi justo. Afinal ele andou sete anos a aldrabar os portugueses, escondendo-se atrás da troika para justificar medidas que foram da sua iniciativa e dos seus ministros; mentiu descaradamente na campanha eleitoral, garantindo que não cortaria salários, nem pensões, nem subsídios de férias  e 13º mês; inventou suicídios em Pedrógão; cavalgou a onda de relatórios  falsos sobre Tancos e protagonizou uma série de mentirolas para desacreditar o governo. Se agora foi enganado pelo seu staff, parece-me justo porque, como diz o povo " cá se fazem, cá se pagam"...
Gostava era de saber quem tramou Peter Rabbit. É que pode  estar aí a  resposta para a sucessão no PSD

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Memórias em vinil ( CCLIX)

Hoje estava anunciado um desafio para esta hora, nesta rubrica. O cinquentenário do assassinato del Comandante, porém, fez-me mudar de ideias. O desafio fica então para a próxima segunda-feira.
Boa noite e boa semana.

Quando o crime compensa...

 
 
 
A Segurança Social apresentou queixa no Ministério Público de  77 lares que mandou encerrar nos últimos dois anos e meio, mas cujos proprietários recusam acatar a ordem.
Percebe-se a intenção dos proprietários. Sabendo que a justiça é demasiadamente morosa, optam por   continuar abertos e aproveitar o tempo para proceder à correcção das anomalias detectadas pela SS. Quando o caso chegar a julgamento, o mais provável é já estar tudo em ordem e então o juiz revogará a ordem de encerramento e absolverá o criminoso.
Sim, não tenho pejo nenhum em apelidar de criminosos proprietários de lares que tratam os velhos desta maneira. 
São gente sem escrúpulos que se aproveitam da fragilidade dos velhos e seus familiares para enriquecer à sua custa. São vampiros sociais, gente abjecta que não cumpre as normas legais e  aproveita habilmente as lacunas e morosidade da nossa justiça para continuar  a prevaricar e ficar impune.
Não é criminalizando os prevaricadores que se resolve o problema, como pretende a direita.  Para além das medidas que propus aqui em 2015, há que agilizar o processo de encerramento dos lares e aplicar medidas exemplares e dissuasoras ( coimas muito elevadas e penas acessórias que poderão ir até à apropriação pelo Estado dos estabelecimentos que desrespeitem a legislação regulamentar de forma aviltante, ou onde se comprove a existência reiterada  de maus tratos.
 Chegámos  a um ponto onde a desobediência a um organismo do Estado começa a tornar-se corriqueira. É altura de por um travão, sob pena de um dia nos passarmos a reger pela Lei da Selva.
 

Porto: a guerra das rosas

No tempo de Sócrates, o PS Porto  era um covil de intrigas e jogadas políticas do mais baixo calibre.
Com a ascensão de Seguro à liderança, o panorama não se alterou muito. A diferença é que o PS quase desapareceu de cena.
Em Maio , a cinco meses das autárquicas, Rui Moreira cedeu aos centristas que o apoiam, inventou uma cabala e um pretexto para rejeitar o apoio do PS à sua candidatura.
Manuel Pizarro não virou a cara à luta. Deu o corpo às balas e avançou para uma candidatura com poucas hipóteses de sucesso. Com a campanha preparada em cima do joelho, conseguiu reforçar a votação do PS na maioria dos concelhos, reconquistar Felgueiras e Matosinhos e vencer em  Marco de Canavezes.
Os seguristas e socráticos do PS Porto ficaram desiludidos com os resultados e, saudosos dos tempos de Renato Sampaio, Manuel dos Santos e o grupo do Barril, pretendem desenvencilhar-se de Pizarro. Um regresso ao passado que a maioria dos simpatizantes socialistas do Porto provavelmente não apoia.

domingo, 8 de outubro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado ( 73)

Com o postal enviado pelo Pedro Coimbra, terminou a (re)publicação dos postais de férias. 
O Dia do Postal Ilustrado, porém, prossegue com a publicação de novos postais.
Estes foram enviados pela Anfitrite ( que não tem blog, mas já teve...) assídua comentadora deste Rochedo Apesar de ausente nas últimas semanas, espero que em breve regresse ao nosso convívio, com os seus comentários assertivos e mordazes.
Esclarece a Anfitrite que  os postais são do " Algarve antigo  mas já promissor", do Promenade des Anglais (1978) e da Madeira (1990).
Este último, digo eu, não tão promissor como o Algarve, mas igualmente apelativo.
Agradeço à Anfitrite a participação e aproveito para lembrar os leitores que podem continuar a enviar os postais se assim desejarem.
Tenham um bom domingo e uma excelente semana.

Eu tinha avisado...




... que a vitória histórica do CDS nas autárquicas era um mito.
Está aqui a  prova. A contagem de votos não engana...

sábado, 7 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLVIII)

Uma boa noite de sábado com esta magnífica memória de Ray Charles
"I Can't Stop Loving You"
Por isso, continuem  no domingo e preparem-se para o desafio que vou aqui deixar na noite de segunda-feira.

Digam lá se não tenho razão!

Esta é outra razão porque discordo da lei que permite a entrada de animais de companhia em restaurantes e hotéis.
Deve ser um barulho ensurdecedor, não vos parece?

Lição da semana

As pessoas só se indignam com os políticos corruptos, quando eles fazem mal o seu trabalho. E não estou a pensar apenas em Isaltino, eleito para presidente da Câmara no concelho mais jovem e mais instruído do país.
Lula da Silva está destacado à frente das sondagens para as eleições presidenciais brasileiras de 2018.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLVII)


Boa noite e bom fim de semana

Amordaçados?

Piqué, jogador do Barcelona e indiscutível da selecção espanhola, não teve medo de manifestar a sua opinião pró independência da Catalunha. Foi votar e, em lágrimas, lamentou a intervenção violenta da Guardia Civil
Os espanhóis não gostaram e nos últimos dias, quando ele aparece junto da selecção,  apupam-no, insultam-no e chamam-lhe traidor.Perante a hostilidade dos espanhóis, Lopetegui foi mesmo obrigado a interromper um treino para evitar males maiores.
Impossível não recordar o episódio protagonizado por John Carlos e Tommie Smithnos JO do México, que lhes custou as medalhas conquistadas e a expulsão da equipa americana de atletismo.
Mais tarde ambos foram reabilitados e o seu gesto é, ainda hoje, considerado um momento marcante na luta dos negros contra a segregação racial.
Custa-me perceber a razão por que as pessoas não aceitam que os seus ídolos do desporto manifestem opiniões. Apesar das alegrias e momentos de exaltação que muitos atletas lhes proporcionam, as pessoas não aceitam que eles  tenham convicções e manifestem os seus sentimentos. Querem ídolos amordaçados. 
Quando exprimem opiniões políticas, rapidamente passam de ídolos a proscritos e os seus sucessos desportivos são rapidamente esquecidos.
Um dia, quando a Catalunha se tornar independente, o gesto de Piqué vai ser lembrado como exemplo de generosidade e amor à sua Pátria. Até lá, porém, prevejo que a sua vida desportiva não seja fácil. 

Nobel da Literatura para Ishiguro



Durante anos António Lobo Antunes foi apontado como candidato ao prémio Nobel da Literatura, mas a escolha da Academia Sueca acabou por recair em Saramago. Desde então, as hipóteses de António Lobo Antunes vencer o Nobel reduziram-se drasticamente.
Lembrei-me disto quando  soube que o Prémio Nobel da Literatura deste ano tinha sido atribuído a Kasuo Ishiguro.
É que desde há anos Haruki Murakami  era apontado como  o escritor japonês  com mais possibilidades de um dia vencer o Nobel da Literatura.
Embora Ishiguro seja anglo-japonês, a sua escolha vem igualmente diminuir a possibilidade de Murakami vir a conquistar um Nobel. Todos sabem que sou admirador confesso do autor de IQ84, pelo que fiquei um pouco decepcionado ao aperceber-me que  dificilmente receberá o Premio Nobel
Não está em causa o mérito de Ishiguro, de cuja obra apenas li " Os Despojos do Dia" e "Nunca me deixes", mas  a escrita e a imagética de Murakami são, em minha opinião, superlativas.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLVI)

Nesta noite de 5 de Outubro junto a minha voz à de John Lennon e peço " Give peace a chance"
Boa noite.

Mitos das autárquicas

Os resultados das eleições autárquicas fizeram emergir três mitos que vale a pena desmontar
1- A grande vitória do CDS
O  segundo lugar  de Assunção Cristas em Lisboa não foi surpreendente face à inexistência de uma candidatura do PSD minimamente credível. O resultado foi excelente, sem dúvida, mas é abusiva  a extrapolação para uma vitória extraordinária a nível nacional. É que o CDS apenas conquistou 6 câmaras ( mais uma do que em 2013) e, apesar do elevado score alcançado em Lisboa, a sua expressão eleitoral apenas cresceu 0,9%. Ou seja, o mesmo que o BE.
É absolutamente natural o entusiasmo de Assunção Cristas com  o resultado em Lisboa  e ela bem merece recolher os louros, pois foi uma vitória pessoal. Não teve medo de arriscar e retirou dividendos da sua  audácia. Daí a erigi-la a líder da direita, vai uma longa distância. É um exagero que nem a derrota estrondosa de Passos Coelho justifica. Apesar de tudo, o PSD  conquistou 15 vezes mais câmaras do que o CDS e teve o triplo da votação ( se considerarmos apenas os votos recebidos nas circunscrições onde concorreu sozinho).
Acresce que, salvo algum inesperado tiro no pé que conduza à liderança alguém do círculo de Passos Coelho ( como Montenegro, por exemplo), o PSD irá recuperar a credibilidade desbaratada nos últimos seis anos, o seu espaço e a liderança da direita.

Foi por isso sábio o conselho que Jerónimo de Sousa deu ontem a Assunção Cristas, sugerindo-lhe a leitura da fábula da Rã que queria ser Boi.

2- A CDU foi a grande derrotada
António Costa tentou desvalorizar a dimensão das perdas da CDU  mas, na verdade, perder 10 câmaras em 34 é mesmo uma grande derrota, mesmo tendo em consideração que a CDU pode ter aumentado o número de eleitos.
À direita houve uma tentativa de desviar as atenções da humilhação laranja, dando grande destaque à derrota da CDU. Foram vários os argumentos invocados, sendo que o mais ouvido foi o de que em termos percentuais a CDU tinha perdido mais câmaras do que o PSD.
Argumento coxo e carente de credibilidade. A ser válido, dir-se ia que o grande vencedor das autárquicas foi o PAN que quase quadriplicou a votação em relação a 2013.
3- A geringonça está em perigo
Ao contrário do que muitos  desejariam, os fracos resultados da CDU não colocarão em perigo o governo de António Costa.  No PCP toda a gente sabe que repetir o erro de 2011 seria fatal para os comunistas. Acredito que a tensão social aumente, mas não de forma a tornar o país um palco de lutas partidárias constantes, com cobertura sindical da CGTP.
Se a corda esticar demasiado, em 2019 os portugueses acabarão por dar a maioria absoluta ao PS. Ora isso não seria bom nem para a esquerda, nem para o país.

A rã que queria ser boi

Embevecida com o resultado alcançado em Lisboa, Assunção Cristas desbragou ontem na  Assembleia da República. O mínimo que se pode dizer é que foi mal educada e desrespeitou Jerónimo de Sousa. 
Fiquei com a sensação que Cristas  pretendeu mostrar que em termos de falta de chá, também rivaliza com PPC, que abandonou o hemiciclo quando António Costa ia começar a falar.
Na resposta o líder do PCP foi assertivo é letal. Aconselhou a peixeirinha do CDS a ler a fábula da Rã que queria ser boi.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLV)

Não, ainda não é o fim das memórias em vinil. 
É apenas mais uma oportunidade de vos desejar boa noite

A Loja do Mestre André

André Ventura, o candidato  xenófobo e racista que Pedro Passos Coelho convidou para se candidatar a Loures teve um dos melhores resultados do PSD a nível nacional. Conseguiu ganhar mais 4 mil votos que se traduziram numa subida de 5 pontos percentuais.
Conhecida a hecatombe laranja, André Ventura apressou-se a dizer aos jornalistas que o PSD devia   seguir o seu exemplo e, com a desfaçatez do comentador desportivo, acrescentou “ espero que o PSD tenha apendido a lição”
Não tivesse o PSD sofrido derrotas tão humilhantes nas grandes cidades e o descalabro a nível nacional e talvez ontem, no Conselho Nacional, Pedro Passos Coelho tivesse apontado André Ventura como um exemplo a seguir.
Suspeitava-se que Passos escolhera André Ventura como balão de ensaio  para o “seu” PSD do futuro. As palavras de André Ventura e, principalmente, a auto confiança que revelou demonstram que esse era o futuro sonhado por Passos Coelho para o PSD. André Ventura seria- não tenho agora quaisquer dúvidas- um dos principais membros da sua corte se voltasse  a conquistar o poder.
E, para que não restem dúvidas, o próprio André Ventura admitiu a possibilidade de se candidatar à liderança do PSD, caso não surja qualquer opositor a Rui Rio.

Macron: o homem de ferro

Escrevi aqui no CR, diversas vezes, que não confiava em Macron e temia que fosse ainda pior do que Hollande.
A perda de popularidade  foi ainda mais célere do que eu esperava e desceu a números que nem Hollande “conseguiu” alcançar enquanto esteve no Eliseu. As leis laborais – que reduzem os trabalhadores a novos escravos- foram a causa da perda de popularidade de Macron, mas tudo indica que a Lei Anti terrorista esta semana aprovada por Macron  incendeie ainda mais as ruas das principais cidades francesas.
É curioso o silêncio da comunicação social sobre os tumultos que têm assolado França nas últimas semanas, mas mais preocupante é ver como alguns olham para Macron como o salvador da Europa.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLIV)

Mais um cheirinho de Brasil.
Boa noite!

As matreirices de Marcelo

 
 
 
Sexta feira, 29 de setembro, último dia de campanha eleitoral.
Alguns jornalistas recebem um contacto telefónico de “alguém” da candidatura de Teresa Leal Coelho, sugerindo a sua presença no Príncipe Real. Motivo para o repto? Marcelo Rebelo de Sousa iria passar por lá para cumprimentar a candidata do PSD que ali se encontrava em campanha.
Os jornalistas compareceram, escreveram, filmaram e a notícia encheu os telejornais. Teresa Leal Coelho aproveitou a oportunidade para mostrar a sua inabilidade e incapacidade política, colocando uma legenda nas imagens: MRS estivera no Príncipe Real e manifestara-lhe o seu apoio.
MRS reagiu de imediato, negando esse apoio e o efeito pretendido esfumou-se rapidamente.
Mas se o episódio demonstra a incapacidade política de Teresa Leal Coelho e a inabilidade de PPC para escolher candidatos, também deixa bem visível a matreirice de Marcelo.
Como já aqui escrevi, no dia em que Rui Rio ( ou outro candidato que agrade a Marcelo) assumir a liderança do PSD, o PR  deixará de ser muleta de António Costa e tudo fará para recolocar o “seu” PSD na rota do poder.

Contra Castela, marchar marchar?


Carles Puidgemont não é pessoa muito recomendável, mas conseguiu alcançar os seus objectivos ao obrigar Mariano Rajoy a mostrar ao mundo inteiro a sua  inépcia e, por tabela, colocar a questão catalã a  abrir noticiários  e ser tema de debate  nos mais importantes canais de televisão europeus. 
Pior ainda, deu a Nigel Farage oportunidade para ir ao Parlamento Europeu criticar a hipocrisia da UE, atacar a Comissão por não condenar a violência na Catalunha e ironizar sobre a pseudo democracia da Europa.
A Cataluña está a ferro e fogo, apenas porque Mariano Rajoy é demasiado estúpido para perceber que ao reagir com violência está a fazer o  jogo  de Puidgemont e dos independentistas.
Adoro Espanha, acho os catalães muito arrogantes, mas  mais civilizados do que a generalidade dos espanhóis  e, cultural e  intelectualmente,  muito mais próximos da Europa do que castelhanos ou andaluzes, por exemplo.  Talvez por isso, castelhanos e andaluzes olhem sempre para os catalães com a arrogância própria dos que se sentem inferiores.
A ligação da Cataluña a Espanha  é tão artificial quanto foi a nossa. Remonta ao século XII, mas foi  urdida no leito conjugal, por vínculos reais, pelo que  a independência será uma questão de tempo.
Ao recorrer à violência, insistir na recusa do diálogo e insultar os catalães, chamando-lhes  mafiosos e nazis,  Rajoy  e Santamaria ( uma Assunção Cristas em versão castelhana) estão a contribuir para que o processo seja acelerado. Provavelmente depois da turbulência dos últimos dias, as coisas vão acalmar, mas o processo (irreversível) de independência começou no dia 1 de Outubro. Os espanhóis parecem não ter percebido.  E o PSOE, com a sua posição dúbia, também não. Azar deles.

E,já agora, também meu, que tive de me rebelar contra um vizinho pertencente ao corpo diplomático de Castela que se lembrou de hastear uma bandeira espanhola no telhado. E como eu moro no último andar... Não é preciso dizer mais nada, pois não?

Jovens, Instruídos e Tontos

Isaltino Morais foi  acusado de corrupção e condenado pela justiça. Cumpriu a sua pena, pelo que tinha toda a legitimidade para se candidatar à Câmara de Oeiras onde foi tão feliz.
O que espanta é que o concelho mais jovem e mais instruído do país o tenha escolhido entre 12 candidatos. Os motivos da escolha são um mistério que conduz sempre à frase de telenovela  brasileira " Rouba mas Faz". Para gente jovem e instruída parece-me muito poucochinho, mas provavelmente o problema é meu.
Estarei no entanto muito atento quando algum habitante de Oeiras vier  acusar um qualquer político por ser corrupto. 
Se ainda fosse vivo,  Ettore Scola era bem capaz de estar por estes dias em Oeiras a recolher elementos para  um novo filme. 
Seria um remake de "Feios, Porcos e Maus" e teria como título " Jovens, Instruídos e Tontos".
O argumento giraria, obviamente, em torno de uma questão pertinente: ser instruído e jovem torna as pessoas mais inteligentes e tolerantes com os corruptos?
Então, o melhor é voltarmos ao tempo do analfabetismo, caso contrário, Sócrates nós, os néscios, ainda nos arriscamos a ver Sócrates em Belém.

O povo é quem mais ordena

Apesar da campanha de intoxicação levada a cabo pela direita, com o extremoso apoio da comunicação social, o PS conquistou a câmara de Pedrogao Grande. Provou-se, uma vez mais, que tentar cavalgar a desgraca alheia, para alcançar dividendos eleitorais, não compensa...

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Memórias em vinil (CCLIII)

Hoje tinha mesmo de ser esta.
Boa noite e boa semana!

Mariano Rajoy: há um Maduro na Europa

Não é líquido que o “ Sim “ à independência  vencesse um referendo realizado em condições normais na Catalunha.
O referendo realizado no domingo  pode ter sido visto por muitos, como ilegal e mesmo uma fantochada mas, graças à  inabilidade e intransigência de Rajoy, teve uma repercussão internacional que permitiu aos independentistas atingir os seus objectivos e coloca em grande dificuldade o governo de Madrid.
Ao recusar a via do diálogo e optar pela  violência, Rajoy não só  perdeu a razão como deu  pretexto à vitimização dos independentistas catalães e  motivou milhares de pessoas a unirem-se contra o poder de Castela. Pior ainda, Rajoy conseguiu que a Catalunha ganhasse a simpatia da opinião pública internacional e desbaratou qualquer hipótese de congregar apoios  da Comissão Europeia.
A imagem que fica na opinião pública europeia é a da violência desmesurada, da repressão gratuita e da intransigência. Os catalães aparecem como vítimas e  Rajoy como um Maduro europeu que só conhece a violência como forma de diálogo.
Era expectável que depois do triste espectáculo  na Catalunha, das críticas generalizadas ao uso da violência e de perceber que não tinha apoios na Europa, Rajoy tivesse aberto uma porta ao diálogo.
Em vez disso, numa manifestação inequívoca de autismo, Rajoy extremou posições. Incapaz de perceber que contribuiu inequivocamente para a inevitabilidade da independência da Catalunha, o chefe do governo espanhol está a dar pretexto para que aconteça o que pretendia evitar: o renascimento de movimentos independentistas noutros governos regionais, nomeadamente no País Basco.
Adivinham-se tempos muito conturbados em Espanha e os estilhaços da crise não deixarão de afectar Portugal.

Desculpem se me enganei...


Os resultados das eleições autárquicas apenas surpreenderam pela dimensão da vitória do PS e pelo estrondo da derrota do PSD.
Era inimaginável que depois da vitória esmagadora de 2013 - e com perdas anunciadas em virtude de convulsões internas a nível local -  o PS conseguisse alcançar a maior vitória autárquica de sempre. Ao conquistar mais nove  câmaras (15) em 2017, mais mandatos e mais votos, o PS resistiu categoricamente ao habitual desgaste dos partidos do poder.
O lado mau desta vitória é ter sido cimentada graças à conquista de 10 câmaras à CDU. Esta intrusão em territórios historicamente comunistas ( Almada e Castro Verde são dois bons exemplos) não colocará em risco a geringonça, mas colocará mais dificuldades a António Costa e confirma a improbabilidade de  renovar a geringonça em 2019.
A humilhante  derrota do PSD também não é   uma boa notícia para o PS de António Costa. O pior resultado de sempre  dos laranjinhas ( apenas 79 câmaras-menos dez que em 2013) e as humilhações sofridas em Lisboa, Porto, Coimbra e outras grandes cidades não deixam alternativa a PPC. A única saída possível é não se recandidatar à liderança do PSD, deixando caminho livre a outro candidato que restitua ao PSD o estatuto de maior partido da oposição e líder da direita.
O CDS apenas conquistou mais uma câmara do que em 2013 (6), mas o grande resultado em Lisboa confere a Assunção Cristas um poder negocial numa futura aliança com o PSD, que os centristas nunca conseguiram alcançar com Paulo Portas.
Aconteceu o que eu aqui previra quando Cristas anunciou a sua candidatura a Lisboa: o PSD só poderia evitar uma derrota humilhante se encontrasse um candidato fortíssimo. Como isso me parecia inviável, aconselhei-o a aliar-se ao CDS para mascarar a derrota. Não ouviu os meus conselhos, tramou-se. E foi bem feito...
  Mas, atenção... porque os entusiasmos com Cristas podem ser demasiado perigosos
A partir de hoje o xadrez político vai sofrer alterações significativas, mas ainda é cedo para perceber os contornos das mudanças que se adivinham. A resposta dependerá, em grande  parte, das alterações na liderança do PSD. Entre um líder que recupere o papel do PSD na democracia portuguesa ou um herdeiro de Passos Coelho haverá uma diferença substancial que não deixará de influenciar o espectro partidário.

domingo, 1 de outubro de 2017

TOP 5

A surpresa deste mês de Setembro, foi encontrar  em segundo lugar um post aqui publicado em Outubro de 2010.

E os posts mais lidos em Setembro foram:

5- 10 anos é muito tempo

4- Passos Coelho e a esquizofrenia

3- A Justiça portuguesa e a mulher de César

2- Assim nasce um boato

1-  Relatório divulgado pelo Expresso foi escrito em casa de Pinto Balsemão

AVISO: A fim de não afastar os leitores das urnas de voto, hoje não haverá a rubrica "Dia do Bilhete Postal Ilustrado. 
Voltará na próxima semana 

sábado, 30 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCLII)

Boa noite e um excelente domingo!
O que não vai faltar é animação...

O dia seguinte

É provável que na  noite de domingo e na próxima segunda-feira se discutam mais as incidências do Sporting-FC do Porto, do que as eleições autárquicas por isso, à guisa de antevisão, deixo aqui alguns palpites:
- As sondagens subestimaram o PSD, atribuindo-lhe intenções de voto tão irrisórias, que ninguém acredita que sejam reais. Na noite de domingo não faltará quem admita que as sondagens motivaram os eleitores do PSD. Cá para mim, esse era mesmo o propósito das sondagens da Universidade Católica que têm vindo a ser divulgadas pela RTP. A entrevista de Sofia Vala Rocha ao DN foi a cereja no bolo da tentativa de vitimização da candidata laranja;
- Passos Coelho gritará vitória, porque  o PSD não sofrerá uma derrota estrondosa e humilhante. Essa aconteceu em 2013, mas poucos lhe deram importância, porque era preciso continuar a promover a bíblia da austeridade difundida à exaustão pela coligação PSD/CDS então no poder. Ninguém acredita que o PSD conquiste menos do que as 89 câmaras de 2013 ( 102 se juntarmos as que venceu em coligação), por isso, só resultados desastrosos em Lisboa e no Porto, ou a perda de câmaras emblemáticas como Viseu, poderão afectar a moral das tropas laranjas;
- O PS não terá uma vitória retumbante, porque os resultados alcançados em 2013 me parecem irrepetíveis;
- Assunção Cristas irá pular muito na noite de domingo, porque o CDS/PP ultrapassará largamente os 7,5% de referência, podendo mesmo dar uma abada a Teresa Leal Coelho em Lisboa;
- BE e CDU conquistarão mais câmaras, terão mais eleitos e reforçarão a sua votação;
- António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins farão figas para que PPC continue na liderança do PSD, porque esse é o melhor abono de família para a geringonça.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCLI)

Em jeito de aquecimento para o fim de semana, aqui fica o John Lennon.
Boa noite e excelente fim de semana.

A frase da semana

" Quando obrigamos todos os cidadãos a votar, inundamos as urnas com os menos informados. Do mesmo modo que não queremos bêbados a conduzir, também não queremos os ignorantes a votar".
(Jason Brennan, cientista político em entrevista à Visão)

A entrevista tem alguns pontos de vista interessantes recorrentemente abordados por mim aqui no CR, mas gostaria de saber a opinião dos leitores sobre esta frase que a Visão "puxou" para lead.

A ocasião faz o ladrão


Escrevo isto com o à vontade de quem não  vota em Medina e considera José António Cerejo um jornalista íntegro: a telenovela em volta da aquisição da casa de Fernando Medina é uma canalhice.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCL)

Há momentos em que os amigos ajudam muito e, felizmente, tenho sentido esse apoio quando deles mais preciso. É especialmente a eles que hoje dedico esta canção do Joe Cocker.
Boa noite!

A política e os animais

 
 
 
Quando aparece um novo partido, mesmo com ideias fora da caixa, a reação da maioria das pessoas é reagir com indiferença ou pensar " mais uns que se querem encher". 
À partida acredito em quem procura lutar contra a corrente mas devo reconhecer que foi com algum cepticismo que assisti à entrada do PAN na cena política portuguesa.
A campanha autárquica demonstrou, porém,  que o PAN conseguiu introduzir na agenda política -de forma transversal-  o debate sobre os animais. Ou, pelo menos, obrigou os partidos a prestar alguma atenção aso cães. Cristas organizou uma Caocentração, Teresa Leal Coelho todos os dias faz festinhas a cães e até Catarina Martins visitou uma associação de recolha de cães abandonados.
Pode dizer-se - e é verdade- que há muita hipocrisia, ou que dar atenção apenas  aos cães é muito pouco ambicioso, porque a vida animal deve ser encarada na sua globalidade, prestando especial atenção a questões como o transporte de animais, medidas para a preservação das espécies, ou as condições sanitárias. Por outro lado, num país onde a tourada faz parte da cultura de um povo, a defesa dos direitos dos animais  resume-se aos denominados animais de companhia e pouco mais.
De qualquer modo, é justo salientar que sem o PAN, o tema dos direitos dos animais continuaria a ser ignorado e legislação sobre a utilização de animais em espectáculos de diversão, ou as condições de vida dos animais de cativeiro, continuaria a ser adiada para as calendas. Devagarinho, os portugueses vão metendo na cabeça que devem respeitá-los e não os tratar como coisas. Será pouco, mas é um princípio.
Agora fico a torcer para que apareça um partido disposto a colocar na ordem do dia a educação dos proprietários de animais de companhia. É que todos os dias assisto a cenas degradantes de desrespeito pelas mínimas normas de convivência cívica, protagonizadas por donos de animais de companhia.