terça-feira, 22 de agosto de 2017

Praias da minha vida (com histórias dentro)- 3

Benidorm em 1963

Tinha 10 anos quando comecei a passar férias em Benidorm, com os meus pais. Nessa altura, Benidorm era praia e arvoredo, duas ruas alcatroadas, meia dúzia de ruas de terra batida, quatro ou cinco hotéis. 
Durante mais de uma década, as três semanas de férias anuais em Benidorm foram, para mim, um tempo de aprendizagem
Foi lá que aprendi a nadar, conheci o prazer de tomar banho em águas de 25º e não ter de andar à procura de espaço na praia para jogar à bola ou estender a toalha.
Foi lá que aprendi a fazer ski, que  entrei pela primeira vez numa discoteca. Chamava-se Safari ( era a única que existia) e tinha cinco pistas de dança, três delas ao ar livre.
Foi em Benidorm que ganhei o primeiro dinheiro de férias. Havia umas pistas de bowling em cimento e as bolas eram de madeira. Como nada era automático, a minha tarefa era  colocar no lugar  os pinos derrubados pelos jogadores.
De Benidorm tenho memórias infindáveis. Boas e más, obviamente, mas o que de melhor retenho daquela praia, foi ter tomado consciência que Portugal era demasiado pequeno e, acima de tudo, tacanho e mesquinho.
O convívio  anual com um grupo de jovens franceses, italianos, belgas, alemães, polacos, suiços e, pontualmente, alguns ingleses e nórdicos, permitiu-me praticar várias línguas mas, acima de tudo, abriu-me horizontes. 
Percebi desde tenra idade que a minha felicidade seria feita de viagens e, no início dos anos 70, foi com alguns desses meus amigos que  percorri a Europa, durante meses, numa carrinha Volkswagen “pão de forma”. Foi com eles que descobri outros mundos, outros modelos de vida e outras formas de pensar.
De Benidorm posso dizer que, mais do que uma praia, foi uma escola de vida.

E por falar em rabos...

Já  que  trouxe à baila a premente questão do rabo de Taylor Swift, decidi prosseguir com o tema, no intuito de encontrar resposta para uma questão que há muito me atormenta.
Tudo começou com a moda das calças de cintura descaída e o inómodo que sentia quando era obrigado a ver  no metropolitano, logo pela manhã, anafados rabos a espreitar pelas calças.
Liberto das viagens diárias de metro  e aliviado porque essas cinturas saíram de moda, a questão passou a suscitar-se nos areais da nossa costa.
Quando passeio no paredão, por exemplo, coloco frequentemente a seguinte pergunta:
-Por que  razão só uma em cada 50  mulheres que usam  fio dental ou aparentado, tem um rabo digno de ser exposto?
A pergunta pode parecer cretina. Até machista. Mas, acreditem, é apenas curiosidade. Será que as mulheres com rabos bonitos têm mais pudor em exibi-lo publicamente?
Se alguma leitora me quiser esclarecer, agradeço. Talvez assim  eu consiga perceber a razão de senhoras de provecta idade ( estou a falar de gente acima de 65/70 anos) não terem qualquer pudor em se prostrar ao sol, nas piscinas naturais daqui da Linha, exibindo não apenas os glúteos, mas a totalidade da superfície daquela parte do corpo que começa ao fundo das costas e sobre a qual os humanos costumam sentar-se.
É que o espectáculo não é bonito de se ver, por isso, deve haver uma razão convincente para a exibição das partes pudendas por parte de algumas senhoras. Será receita médica?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVII)


Não sei porquê, quando lia as últimas idiotices do Trump, lembrei-me deste grande sucesso de Trini Lopez.
Boa noite e boa semana

Make America Great again!





Taylor Swift apresentou queixa de um DJ por, alegadamente, lhe ter apalpado o rabo nos bastidores de um concerto.
O caso foi julgado por um colectivo de Denver (EUA) que condenou o apalpador a pagar uma indemnização à cantora no valor de 1 dólar!
Sendo essa prática muito do agrado do presidente Trump, creio que deverá estra satisfeitíssimo com a sentença e até terá pensado em escrever um tweet  a aconselhar "Apalpem-se uns aos outros, porque é baratucho, fortalece a economia   e é bom remédio para acalmar a líbido. Make America Great Again!". 

Tenham medo. Muito medo. A PIDE está de volta!




Esteve muito bem o PCP ao pedir o apoio dos partidos para a sua proposta de fiscalização sucessiva do diploma que permite o acesso ao registo de comunicações sem autorização judicial.
Não é  admissível invocar a segurança dos cidadãos para aprovar uma Lei ( já promulgada por MRS) que autoriza  a devassa a vida  privada de cada um de nós mas, ainda pior, é permitir que essa devassa seja feita de forma quase arbitrária.
Espero que o PCP seja igualmente assertivo no escrutínio de uma Lei da responsabilidade da  ministra da administração interna que permite a  gravação de conversas em locais públicos.
É certo que a lei só permite a gravação de conversas em caso  de "perigo concreto", mas o busílis é que não define esse perigo. O que se torna ainda mais grave, quando é sabido que  a  ministra contou com o aval da PGR para contornar a obrigatoriedade de pedir o parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Eu pensava  que a devassa da vida privada era apanágio de regimes totalitários que usavam polícias políticas como a PIDE, a KGB, ou a STASI para controlar os  movimentos e ideias dos cidadãos. 
Sei também que esses regimes invocavam a segurança para legalizar essas práticas. Custa-me por isso aceitar  que num regime democrático se utilizem os mesmos métodos  e argumentos das ditaduras, para controlar cidadãos. Sei bem que nestas democracias securitárias, não há polícias disfarçados a escutar as conversas. Graças às novas tecnologias, as câmaras de vigilância ocupam os postos de trabalho dos ex Pides. 
No entanto,por este andar,  devemos estar preparados para um dia destes , quando nos sentarmos numa esplanada,  voltarmos a ter de olhar à nossa volta para perceber se alguém com ar suspeito (porque não um robô) está a ouvir as nossas conversas, ligado a uma central onde alguém espera a ordem:
- COMEÇAR A GRAVAR A MESA 23! 

domingo, 20 de agosto de 2017

Dia do Bilhete Postal ilustrado (67)


O postal desta semana parece escolhido a dedo. Veio de Barcelona, enviado pelo administrador do blog DESVIOS.
Embora o blog já não exista, o seu administrador continua activo na blogosfera. Será que o conseguem identificar?

sábado, 19 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXVI)

Boa noite e bom domingo!

Leituras de Verão (10)

Autor: Nelson Rodrigues
Editora: Tinta da China
Primeira edição: Setembro 2016
Número de páginas: 362

Há meses recomendei aqui a leitura de "O Homem  Fatal" o primeiro livro de crónicas de Nelson Rodrigues, publicado em Portugal.
Hoje, a recomendação vai para  " A Vida Como Ela É".
Sobre o autor já escrevi tudo e não me vou repetir. Relembro apenas que ambos os livros foram escritos em meados do século passado, mas mantêm uma surpreendente actualidade.
Em "A Vida Como Ela É" foram reunidas 60 das histórias  escritas por  Nelson Rodrigues entre 1951 e 1961 na rubrica com o mesmo nome do jornal brasileiro "Última Hora". A selecção é da responsabilidade de Abel Barros Baptista, que também escreve o prefácio.
Leitura sumarenta, fácil e muito recomendável.

Lição da semana

Estou a ficar preocupado comigo. Depois de me ter surpreendido com a lição que aprendi na semana passada, esta semana reincido numa aprendizagem conservadora.
Então não é que ao ler  a notícia de que uma grande parte dos 60 incendiários suspeitos de terem ateado fogos este ano  são reincidentes, dei por mim a perguntar-me se estes tipos merecem condescendência? 
Não só respondi negativamente, como ainda admiti que nestes casos o internamento num estabelecimento psiquiátrico ( com os custos a serem suportados pelo criminoso)  devia ser compulsivo e o incendiário só de lá deveria sair quando os médicos o considerassem curado. Mesmo que isso implique a  detenção eterna, sempre é melhor do que deixar à rédea solta loucos criminosos que estão a delapidar o património e a condenar à miséria famílias inteiras.
O tipo não tem dinheiro para pagar, coitadinho, porque é um miserável, não tem onde cair morto e até recebe RSI? Então além de ficar sem RSI, deve apodrecer na cadeia. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXV)

Hello!Estou de regresso a casa.
Espero que ( não) tenham sentido a minha falta
Como estou cansado, vou aproveitar o fim de semana para descansar. Boa noite!

Meu querido mês de Agosto

Passam alguns minutos das cinco da tarde. Cheguei ao fim da manhã a Lisboa. Vi-me aflito para comer qualquer coisa porque no meu bairro está tudo fechado. Em férias. Nem as tabacarias onde compro os jornais e preencho os boletins que podem fazer de mim um excêntrico escapam. O Meu Super está encerrado para remodelação.Suspiro. Enfim, o mês de Agosto é  como antigamente. Lisboa está deserta. Pelo menos nos bairros  como o meu, onde os turistas não chegam. 
 Saí do Estoril  há mais de uma semana. Tenho saudades do mar do Guincho, mas hesito em meter-me ao caminho. É sexta feira à tarde e o trânsito deve estar um inferninho na A5 e na Marginal. E daí talvez não. Arrisco...
Meto pela segunda circular. Não há filas. Circula-se tranquilamente.Na A5, até à Cruz Quebrada, o trânsito é de manhã de domingo. Arrisco meter pela Marginal. Trânsito fluido. Pelo caminho vou vendo as praias pejadas de gente. Na estrada, nem sequer paro nos semáforos de S. Pedro, S. João ou Estoril. 
Meu querido mês de Agosto. Ainda bem que estás de volta! Já  tinha imensas saudades tuas.
O problema vai ser amanhã quando chegar ao paredão. O melhor é por o despertador para as sete.

Trump, Daesh, os porcos e Pandora (em actualização)




Um mês depois de os americanos elegerem Trump, já havia por aí muita gente a  pedir condescendência aos seus críticos. 
Estavam fartos de ouvir falar de Trump, insistiam que depois de tomar posse ele seria totalmente diferente e pediam com veemência que lhe fosse dado o benefício da dúvida.
Em apenas seis meses foi bem perceptível que Trump não merece condescendência. Prometeu atacar o Irão, a Coreia, a Venezuela e não se coibiu de dizer que sendo os EUA a nação mais poderosa do mundo pode atacar quem quiser, "em nome da ordem mundial". 
As sucessivas ameaças de Trump  eram suficientes para o classificar como louco perigoso, mas o homem quis dar mostras de que a  capacidade  para nos surpreender é ilimitada.
Ao recusar-se a condenar os acontecimentos de Charlottesville, desculpando os supremacistas brancos, Trump abriu uma caixa de Pandora. Ver o presidente do país mais poderoso do mundo triste com a retirada de estátuas de supremacistas brancos, é triste. Vê-lo isolado, alvo de críticas em todo o mundo, mas a ser elogiado pelo Ku Klux Klan, é assustador. Dar força a gente que se julga superior às outras raças é um retrocesso  que se pensava impossível.  Mostrar condescendência com Trump, é incitar à violências. Foi a mesma  condescendência ( e até apoio) aos "democratas"  da Primavera Árabe que criou o Daesh. Como eu previra, quando me apercebi do entusiasmo com que eram apoiados os facínoras, inimigos da civilização e dos mais elementares direitos humanos, que se rebelaram contra os ditadores dos países árabes. Era tão previsível tudo o que se ia passar naquela região, que ainda hoje me espanto com a credulidade dos entusiastas da Primavera Árabe.

Em tempo: as declarações de Trump sobre os atentados de Barcelona e a sugestão que deu para a forma de matar os terroristas ( com balas embebidas em sangue de porco) não são apenas nojentas. São a prova de que Trump está realmente ao lado da extrema direita mais retrógrada e do Ku Klux Klan. Não restam duvidas de que Trump é tão perigoso como qualquer terrorista. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIV)



Tenham uma excelente noite- Olhos nos Olhos

A imbecilidade do cantor, Vírgul(a), da jornalista

VIRGUL (foto da Net)



Um condutor  faz piões   num  parque de estacionamento  em frente a uma discoteca altas horas da noite. Estará a divertir-se, a impressionar as miúdas, ou a provocar alguém? Ninguém parece saber a resposta.
O que se sabe é que a GNR mandou parar o carro, tendo o condutor obedecido prontamente.
Os restantes ocupantes saíram dos seus lugares,  mas um deles chateou-se por estar a ser molestado, insultou os  GNR e deu uma cotovelada num dos militares. 
O agressor dá pelo nome de Virgul e parece que canta ( fui ouvir uma canção ao Youtube, mas só aguentei 1 minuto) e é popular. Ora todos sabemos como estas vedetas feitas à pressa se incomodam quando alguém os obriga a serem civilizados e cumprir a lei, daí que se justifique a irascibilidade. 
À primeira vista, parece nada justificar um tipo que agride um GNR mesmo que em legítima defesa ( o que não foi o caso).
No entanto estamos sempre a aprender. 
Júlia Pinheiro, no final de um programa para velhinhos, insinuou que o militar agredido tem um  historial pouco recomendável e, por isso, devemos ser cautelosos antes de acusar o cantor de ser um imbecil.
Como Júlia Pinheiro mencionou o nome do militar da GNR e fez passar a ideia de que o cantor é um anjinho de coro e o militar um delinquente perigoso, fui investigar. 
Do cantor nada sei, nem estou interessado em saber pelas razões já expostas. Quanto ao militar da GNR agredido, é Hugo Ernano.
Para quem não sabe quem é, esclareço que  ficou conhecido no país inteiro por ter atingido (acidentalmente?)  a tiro uma criança que o pai levou para para um assalto.
O caso desencadeou uma onda de indignação nas redes sociais e uma acesa troca de palavras entre os defensores do GNR e os que o acusaram de ter sido negligente por atingir uma criança  que acompanhava o pai num assalto. 
Até hoje ninguém esclareceu se o ladrão levava o filho na carrinha para lhe ensinar a profissão, mas sabe-se que o GNR foi suspenso oito meses, tendo tido o apoio monetário de um grupo de  cidadãos.  
Pouco me interessa saber se Virgul é boa ou má pessoa. Um gajo que agride um GNR e depois manda o "manager" fazer um comunicado  a vitimizar-se  junto dos "admiradores", para mim não passa de um cobardolas.
Sou insuspeito. Tenho algumas razões de queixa das autoridades mas, mesmo multado injustamente, como já fui, nunca me passou pela cabeça insultar ou agredir um militar da GNR. Parece-me também insustentável o clima de suspeição que se lança sobre as autoridades policiais e a impunidade com que se insulta e agride as forças da ordem.
Outra opinião parece ser a de Júlia Pinheiro,  a quem a SIC paga milhares de euros mensais para lançar na opinião pública a suspeição contra a actuação das autoridades.
A GNR não está acima de qualquer suspeita, mas se mantivermos constantemente esta desconfiança quanto à sua forma de actuar, não tardará o dia em que vamos precisar da sua protecção e elas nos fazem um manguito.

Uma questão de berço (again)



O post que publiquei há uns dias  com  o mesmo título terá suscitado interpretações que não estavam no meu espírito quando o escrevi.  
Decidi, por isso, voltar ao assunto para fazer um esclarecimento.
A questão é transversal à sociedade. Seja em Portugal, ou noutro qualquer país do mundo onde a sociedade de consumo dita- diria mesmo impõe- regras e a estrutura das famílias se modificou, aumentando  exponencialmente o número de famílias monoparentais.
A monoparentalidade, associada ao consumismo, provocou uma alteração nas relações familiares agora muito marcada pela compra dos afectos. Os filhos "exigem"  coisas dos pais prometendo uma retribuição em afecto e os pais aceitam com naturalidade essa proposta.
Não raras vezes, com especial incidência nas famílias desestruturadas, são os pais a dar pretexto a esse comportamento dos filhos. Quando pai e mãe entram em concorrência na disputa pelo amor do filho,  este rapidamente se apercebe dessa disputa e aproveita-se dela. Já os pais, obcecados pela conquista do amor, não percebem que, com a sua disputa, estão a criar um pequeno tirano.
O tema merece um desenvolvimento que não cabe num blog como este e, muito menos, num post. 4
Termino, por isso, sublinhando que quando escrevo " uma questão de berço" não estou a fazer qualquer extrapolação para a condição social. 
Refiro-me, apenas, ao facto de ser no berço ( no sentido de casa/família) que se começam a moldar personalidades. 
Uma prova disso é que todos conhecemos jovens pobres muitíssimo bem educados e que não foram afectados pelo consumismo e jovens ricos mal educados e sofregamente consumistas. 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXIII)


Porque já estava com saudades dos Doors..
Boa noite e boa semana

O juiz e a mulher de César




O facto de Paulo Vistas (presidente da Câmara de Oeiras) ser amigo pessoal e padrinho de casamento do  juiz Nuno Cardoso, pode não ser  condição suficiente para que o magistrado peça escusa na apreciação de uma causa em que Paulo Vistas é parte interessada.
Acontece, porém, que  o presidente da Câmara de Oeiras contratou a mulher do juiz há poucos meses para trabalhar na autarquia.  Ora esse emprego pode estar em perigo, se Paulo Vistas perder as eleições em Outubro. Logo, além da amizade, existe uma evidente comunhão de interesses entre o juiz e o presidente da câmara: ambos gostariam que Paulo Vistas fosse reeleito. 
Ora este facto já me parece ter relevância bastante, para que Nuno Cardoso tivesse pedido escusa na apreciação de um caso envolvendo candidaturas de adversários de Paulo Vistas.
Não pediu. O único pedido que fez foi para estar de turno em Oeiras, na primeira semana de Agosto. Pedido concedido, coube ao juiz Nuno Cardoso apreciar duas candidaturas independentes  à CM de Oeiras (uma delas de Isaltino Morais).
Como é sabido, o juiz chumbou ambas. 
Os candidatos  recorreram e o tribunal de Oeiras  deu-lhe razão. 
Se Nuno Cardoso fosse político já toda a comunicação social lhe teria chamado corrupto. Como é juiz, ninguém se atreve sequer a colocar em causa a sua honestidade.
Nenhum jornalista ousa sequer lembrar ao senhor juiz a história da mulher de César? Pois eu acho que estando envolvida a mulher do juiz, seria muito oportuno levantar a questão.
Eu até acredito que o juiz Nuno Cardoso seja a pessoa mais honesta do mundo. O problema não está aí, mas sim no facto de não se ter lembrado que a um juiz não chega ser honesto. Tem de parecê-lo. Perdoará o senhor juiz, mas eu analiso este caso e vejo que a honestidade e a justiça ficaram muito mal na fotografia.
Compete agora ao Conselho Superior de Magistratura, retocá-la no photoshop.

Não há almoços grátis...



Macron continua a descer nas sondagens. Nada que me espante. Eu previra  a hecatombe ainda antes das legislativas francesas.
Em França, em Portugal, como em todo o mundo a viver em  democracias subjugadas às regras de mercado e ao garrote das finanças, as pessoas adoram ouvir gente que lhes prometa políticas novas, fora do círculo mental padronizado pelos partidos tradicionais e correm para as urnas a votar neles.
 O problema é quando percebem que isso tem um preço, que não estão dispostos a pagar...

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXII)

Esta é  a "Minha História"
Boa noite!

"O que faria o Papa Francisco"?

"Um dos meus filhos andava na catequese quando foi convocado para fazer a primeira comunhão,com os outros meninos da sua turma. Ficou, como todas as crianças de 9 anos, entusiasmado com a com a ideia e preparou-se com um afinco inédito ( e até surpreendente para mim) para o acontecimento:decorou todas as orações, preparou-se para a conversa da Primeira Confissão, convidou toda a família para o evento solene. Na véspera da cerimónia, camisa branca engomada, vela do baptismo recuperada e tudo apostos para o grande dia, estava ele a terminar o ensaio geral quando a catequista lhe diz que afinal não podia participar. Tinha havido uma confusão com a papelada e, como ele não tinha tido dois anos de catequese, afinal não podia comungar.Se não tivesse sido baptizado, a coisa era diferente e poderia fazer logo tudo no mesmo dia. Assim, nem pensar, ditavam as regras.
Dito assim- a uma criança e na véspera- depois de meses de preparação. O rapaz ficou genuinamente desolado, não queria acreditar. Ligou-nos em pranto. Fui falar com o pároco e a catequista (...) Foi um diálogo infrutífero- falei com uma parede da burocracia, intolerância e incompreensão. Até que em tirada de despedida me saltou a tampa e questionei:
Tem a certeza que era isto que faria o Papa Francisco no seu lugar?
Meia hora depois recebo um telefonema a dizer que afinal tinham conseguido dar a volta à questão e que o miúdo poderia comungar. Fez a Comunhão, mas a relação esfriou.Ele nunca mais quis ouvir falar de catequese e eu também não(...)"

O texto acima é um excerto de um artigo da autoria de  Mafalda Anjos,  publicado há cerca de um mês na Visão.
Reproduzo-o pela acuidade do tema e também pela proposta  de  Mafalda  Anjos  na sequência deste episódio.
"O que faria o Papa Francisco no meu lugar devia estar afixado em todas as sacristias"-, argumenta a directora da Visão
Eu arriscaria  alargar a experiência e colocaria  a frase " o que faria  meu chefe no meu lugar" em todas as repartições públicas. Nos gabinetes dos directores gerais, presidentes de institutos, empresas públicas  e equiparados,  deveria estar "O que faria o ministro no meu lugar?"
Em vez de sermos pequenos ditadores, comportemo-nos antes como servidores do Estado. Logo, dos portugueses que com os seus impostos  lhes pagam os salários e garantem a manuteção do posto de trabalho.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCXI)


Conheço muitos casos assim...
Boa noite e bom feriado para quem o tiver.

Aceleras e transgressores




No primeiro semestre deste ano registaram-se mais 44 mortes na estrada do que em igual período de 2016. Nunca, nos últimos 20 anos, houve tantas mortes nas estradas portuguesas.
Não tardou a oposição a exigir explicações ao governo que, obviamente, não soube responder.
Ora como o governo não sabe explicar, apareceram logo especialistas a apontar as causas do aumento da sinistralidade. 
Há explicações para todos os gostos mas, inevitavelmente, o excesso de velocidade é que recolhe o maior número de adeptos. 
A opinião mais original é a do ACP que "descobriu" que a introdução de portagens nas ex-SCUT aumentou a sinistralidade. 
Existindo tantos opinadores, também me sinto no direito de avançar com a minha, baseada exclusivamente na minha observação pessoal: 
- Conduz-se cada vez pior em Portugal e os condutores cometem infracções e  transgridem, porque sabem que, com a excepção dos excessos de velocidade e dos controles da alcoolemia em horas e locais que todos conhecem,  a impunidade é generalizada.
Algumas transgressões tornaram-se banais:
Conduzir enquanto se fala ao telemóvel; mudar de faixa de rodagem pisando risos contínuos; ignorar os sinais vermelhos; entrar nos acessos a auto estradas e vias rápidas sem respeitar a sinalização horizontal; estacionar em locais que condicionam a visão dos outros condutores.
Só uma análise detalhada das características da sinistralidade, com o cruzamento de dados, permitirá conhecer a causa dos acidentes, mas espanta-me que a polícia não aproveite este filão para aplicar multas e, por via indirecta, disciplinar os  condutores tugas.
Enquanto a "balda" continuar, não vale a pena introduzir novas regras no Código da Estrada.E, muito menos, criar normas de eficácia muito duvidosa, como a que condiciona a circulação na faixa central das auto estradas. Gostaria que a ANSR divulgasse quantos acidentes ocorreram relacionados com essa polémica regra.
O aumento da sinistralidade não pode ser encarado com displicência pelo governo. Até porque há um dado que merece muita reflexão: apesar de ter aumentado o número de mortes nas estradas, diminuiu o número de acidentes.

Marques Mentes



O comentador residente  mais minorca ( não me refiro à estatura física...) da televisão portuguesa  todas as semanas lança umas atoardas com o selo de verdades irrefutáveis.
Têm sido inúmeras as ocasiões em que a realidade desmente Marques Mendes, como ainda recentemente aconteceu com os números do desemprego.
Apesar de sucessivamente desmentido, MM insiste em dar saltos em frente e, na última intervenção, terá dito  que Marcelo Rebelo de Sousa se tinha afastado definitivamente de António Costa e que se acabara o tempo de idílio.
Não vejo os comentários de MM mas, pelo que li e ouvi, terá dado a entender que a sua afirmação estava fundamentada em informações vindas de Belém.
Na última quinta feira, MRS e AC passearam juntos pelas ruas de Tavira, com a deliberada intenção de desmentirem MM. A comunicação social deu algum relevo ao passeio mas, curiosamente, muito menos do que dera às palavras do comentador da SIC.
Não deixa de ser estranho que a opinião ( não confirmada) de um comentador televisivo  tenha  mais espaço noticioso do que um facto real ( o passeio) mas isso diz muito sobre o jornalismo que se vai fazendo em Portugal.
Marques Mendes é conselheiro de Estado, mas isso não faz dele uma fonte privilegiada de informação. Até porque, como a realidade mostra, a especialidade de MM são as fake news.

domingo, 13 de agosto de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (66)



Muito criativo e com uma grande dose de (bom) humor este postal enviado pelo Rogério.
Dizia ele, nesse já longínquo Verão de 2010, "este postal é  uma invenção".
Na altura seria mas, desde que entrou no domínio da blogosfera, passou a fazer parte da realidade virtual.
Feita a apresentação, sugiro-vos que vão ler  o que o Rogério escreveu

sábado, 12 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCX)

Boa noite de sábado. Divirtam-se e tenham um excelente domingo

Leituras de Verão (9)



Autor: Ana Margarida Carvalho
Editora: Teorema
Primeira edição: 2016

Número de páginas: 352

Esta semana volto a sugerir um livro que ainda não li.
Desta vez, porém, a minha sugestão é ancorada em várias críticas que li e no conselho da  Graça ( cuja leitura recomendo) que o escolheu como leitura de início de férias.
Desta vez tenho a certeza que não haverá razões para vos pedir desculpa por vos ter induzido em erro.

Lição da semana

Esta semana aprendi que tenho uma mente tacanha e  às tantas até sou homofóbico e não sabia. A verdade é que este filme me deixou um bocadinho revoltado e não sei bem explicar porquê...

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCIX)

Bom fim de semana e cuidado com a ventania que leva tudo pelos ares

A selfie do macaco Adriano



Lembram-se daquele macaco que há meia dúzia de anos surpreendeu o mundo ao tirar uma selfie com a máquina fotográfica de um jornalista?A fotografia tornou-se viral e o fotógrafo fartou-se de ganhar dinheiro com ela.
Segundo o próprio, dinheiro bem merecido, porque passou dias a tentar ensinar o macaco a usar a máquina.
Opinião diferente tem um grupo de activistas dos direitos dos animais.  Na opinião destes  activistas, os lucros da fotografia  devem reverter para um fundo de preservação dos macacos.
Será um tribunal  indonésio a decidir, a quem pertence o dinheiro, já que o macaco vive na Indonésia. Não será, porém, um julgamento justo pois, enquanto o macaco terá advogado à borla, o jornalista está falido e sem dinheiro para pagar um advogado, nem deslocar-se à Indonésia para assistir ao julgamento.
Quando li a notícia, a minha primeira reacção foi de riso, mas depois pensei melhor e fiquei preocupado.

Segredos de Verão






Adoro o Verão, os dias longos, os jantares tardios. Não gosto é de grandes ajuntamentos. É por isso que me irritam aqueles artigos de jornais e revistas anunciando aos leitores a descoberta de paraísos escondidos.
Na verdade, a maioria dos lugares indicados já não são assim tão secretos, mas aqueles que ainda permanecem afastados dos roteiros turísticos das hordas de veraneantes, rapidamente se tornam locais insuportáveis, a abarrotar de curiosos.  E lá tenho eu de partir à descoberta de um novo local secreto. Como aconteceu há dias, aqui na Linha. Com as praias a abarrotar, descobri um local onde posso estar tranquilo a ler, sem o incómodo dos cãezinhos, das gritarias e dos jogos de praia. Queriam saber onde? Isso é que era bom!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCVIII)

Que me desculpem os que preferem as loiras...
Boa noite!

Mais do mesmo...

Cumprida a  Supertaça e terminada a primeira jornada da Liga, confima-se aquilo que eu previra: o video árbitro não vai eliminar os erros de arbitragem, nem acabar com as polémicas  nos programas desportivos.
Não, não estou a insinuar nada. É apenas uma constatação.

Uma questão de berço(s)



Quando a vi a servir às mesas num modesto restaurante, arregalei os olhos de espanto. O que estaria ali a fazer, em tempo de férias, uma miúda que pertence a uma das famílias mais ricas da Linha?
A resposta veio pronta e com um brilhozinho nos olhos:
- Quero tirar a carta de condução, mas quero ser eu a pagá-la.
De imediato me lembrei dos miúdos que exigem tudo dos pais, obrigando-os a fazer sacrifícios para lhes comprar ténis, telemóveis e tudo o que o consumismo mimético reclama.
E não podia deixar de recordar aquele miúdo, filho de uma vizinha da minha irmã que vivia com muitas dificuldades desde a morte do marido. Na véspera de  fazer18 anos disse à Mãe:
- Se amanhã não me deres dinheiro para eu tirar a carta, mato-te.
Não matou, mas deu-lhe uma tareia. A mãe, como sempre, desculpou-o:
"É um miúdo muito nervoso, mas é muito bonzinho!"
Palavras para quê?

O Estado Novo já acabou?...É só fazer as contas...

O PSD apresentou um projecto de Lei que tinha, como objectivo, retirar poderes à Liga Portuguesa de Futebol. 
A Liga condenou de imediato a iniciativa e alguém na agremiação laranja, com mais do que um neurónio, avisou que o partido se estava a meter num imbróglio. A proposta foi retirada.
Dias depois, o presidente de um clube que sempre denegriu a Liga  veio reclamar a intervenção do governo e pedir a criação de uma entidade independente para gerir o futebol português.
Várias coisas ficam esclarecidas com a intervenção do presidente daquele clube de um bairro lisboeta:
1- Percebe-se quem encomendou o diploma ao PSD
2- O clube convive mal com a democracia ( não é novidade, pois era o clube do regime fascista) , não aceita órgãos eleitos pelos clubes e pede a protecção  (intervenção) do governo, porque sem colinho pode não conseguir os seus objectivos
3- O PSD está sempre a louvar a iniciativa privada e a exigir menos Estado mas, quando se trata de assuntos da bola, os seus dirigentes perdem o tino. Combatem as instituições e querem o estado a decretar o seu clube campeão por decreto.
4- Os órgãos disciplinares da Liga e da FPF, sempre tão céleres a punir treinadores e presidentes de outros clubes, ( 24 horas depois de o treinador do Boavista ter dito que teria sido mais ajuizado não nomear um árbitro algarvio para o jogo com o Portimonense foi multado pelo CD) são insultados pelo presidente do clube que manda nisto tudo e acagaçam-se.
Eu sei que o presidente do clube em causa ( que também quis ser presidente dos clubes rivais, mas não conseguiu porque os sócios desses clubes não são parvos) e o próprio clube ainda vivem das glórias alcançadas à sombra do Estado Novo. Daí que queira controlar todos os organismos que regulam o futebol, como fazia no tempo de Salazar.
Alguém lhe diga, porém, que o Estado Novo já acabou há mais de 40 anos e que, em democracia, os títulos conquistam-se sem necessidade de  colinho. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCVII)

Com boa ou má reputação, o que importa é que tenham uma boa noite

It is a Trump's world ( Inquietação, inquietação, inquietação...)



Desde sempre foi perceptível que, logo que chegasse à Casa Branca,  Trump pretendia arranjar um conflito externo para se fortalecer internamente.
Toda a gente pensou que Trump apontaria baterias para o Irão. Inicialmente foi isso mesmo que fez, mas a falta de apoio internacional fizeram-no recuar.
Para sorte de Trump, existe na Ásia um outro maluquinho desejoso de criar um conflito com os EUA. 
Nesta sintonia de vontades começou a germinar, há alguns meses, um conflito sério. Primeiro as trocas de palavras pareciam pirraças de miúdos. Hoje, já são mesmo guerras de miúdos que olham para o mundo como um jogo de Play Station. Ambos parecem divertidos, mas esta ameaça de Trump é mesmo para levar a sério
Tal como acontece com as questões ambientais, também neste conflito a China poderá ter um papel determinante para evitar um conflito que, inevitavelmente, terá consequências catastróficas.
O mundo nunca esteve tão perigoso desde  a Baía dos Porcos. Nesse longínquo ano de 1961, acabou por prevalecer o bom senso.
Sabendo-se que esta pirraça  EUA /Coreia do Norte é protagonizada por dois loucos e que ninguém liga à ONU, a esperança está  no bom senso e equilíbrio de um interlocutor que imponha respeito e os obrigue a ter juízo. Continuo a acreditar que esse moderador mora em Pequim. Se estiver enganado, então o melhor é estar preparado para o pior.

O futebol é como os eucaliptos



Se hoje sou um fervoroso adepto de atletismo, a responsabilidade é da  RTP que, desde os meus tempos de miúdo, transmitia quase na íntegra as principais competições: jogos olímpicos, mundiais e europeus.
Foi na RTP que "conheci"  grandes atletas  como Pietro Menea, Sebastien Coe,Javier Sottomayor, Juantorena,Sara Simeone, Carl Lewis. Bob Beamon, Moses, Calvin Smith,  Cova, Tatyana Kazankina, Olga Bondarenko, ( as unhas de) Florence Griffith , tantos outros cujos nomes agora não me ocorrem. 
Foi na RTP que vibrei com as vitórias de Carlos Lopes, Rosa Mota ou Fernanda Ribeiro  e foi para ver Fernando Mamede  desistir em  várias provas em que era favorito, que fiquei acordado madrugadas dentro.

Sou do tempo da televisão a preto e branco, quando os comentários do  saudoso Jorge Lopes me ensinavam a perceber as várias disciplinas.
Cresci a ver atletismo na televisão em transmissões directas com muitas horas diárias que se prolongavam madrugada dentro quando os campeonatos decorriam nos EUA ou na Ásia.
É por isso com muita mágoa que constato que nem a RTP nem nenhum canal aberto está a transmitir os mundiais de atletismo de Londres.
Eu sei que a RTP perdeu Luís Lopes  ( o melhor comentador português de atletismo) para a Eurosport, mas isso não é justificação para nos privar de um espectáculo com grandes tradições e onde participam atletas portugueses com pretensões a subir ao pódio.
A ditadura do futebol está a  asfixiar o desporto. Como um eucalipto que seca tudo à sua volta, o futebol está a expulsar  as outras modalidades dos canais em sinal aberto.
Recuso-me a aceitar isso como facto consumado. A RTP tem de explicar  porque priva milhares de telespectadores de  uma  modalidade que já trouxe inúmeras alegrias a Portugal  e é uma das favoritas dos portugueses.

Praias da minha vida ( com histórias dentro) -2


Praia da Aguda


A partir de 1957/58 e  durante alguns anos,  os meus pais alugavam casa  na praia da Aguda, onde passávamos cerca de dois meses. Da praia guardo inúmeras memórias. 
Dos rochedos que me deixavam os pés em sangue, da água gelada, do banheiro a quem os pais pagavam para nos dar mergulho ou das tardes ventosa passadas no parque ou, quando o tempo permitia, preenchidas com animadas corridas de "sameiras" devidamente artilhadas com cera ou plasticina.
Podia contar-vos muitas histórias desses verões. De como me escapei de uma intoxicação que afectou toda a família, porque detestava mexilhões e não comi as " deliciosas" espetadas que a minha Mãe preparava, para gáudio do palato dos meus irmãos e primos.
Podia falar-vos dos passeios  nocturnos até à Granja ou Miramar, onde íamos em manada (éramos um grupo de mais de 30) cantando e tagarelando ou ( os mais velhos) namoriscando.
Podia lembrar as festas de fim de semana no Parque, animadas por estrelas da época e uma embaraçosa gaffe do Artur Agostinho com uma inglesa chamada Penny.
Podia recordar  vários casamentos resultantes desse convívio, entre os quais o do meu irmão mais velho, ou do que senti quando vi a Guida ( miúda de 15 ou 16 anos) em biquini, enfrentando as críticas de todas as mães. A coragem da Guida, ao ser a primeira ( e durante muito tempo única) mulher a ir de biquini para a praia da Aguda, no final dos anos 50, merece uma história à parte. 
Podia...mas não o vou fazer. Opto por recordar uma história que já aqui contei em Agosto de 2008, mas a maioria dos leitores/as não terá lido.
Contarei aqui apenas uma versão resumida mas sugiro aos leitores que sigam o link no final deste post e leiam a história completa e como foi importante para a minha formação.
Então aqui vai:

(Crónica de uma canalhice: só para adultos!)

(...)Era uma tarde de Agosto. Uma amiga assombrosamente ruiva, filha de um casal  bastante conhecido no Porto, que tinha casa na Aguda, fazia anos e deu uma festa. Em casa, como era habitual naquela época. 
Com  a cumplicidade de uma amiga inglesa que habitualmente veraneava em casa da aniversariante, alguém conseguiu  introduzir um gravador no quarto onde as raparigas deixavam os seus casacos e se iam retocar. O objectivo era apenas saber se nas conversas que travavam entre si, uma delas retribuiria os sentimentos que um rapaz do grupo sentia por uma delas. Estávamos longe de imaginar o que iríamos ouvir...
Terminada a festa, reunimo-nos num quarto para ouvir a gravação. O resultado foi uma surpresa. Foi nesse dia que percebi que as raparigas  não se interessavam apenas por bordados, culinária e vestidos, pelo Johny Halliday ou pela leitura do “Salut Les Copains”. As raparigas da minha idade partilhavam das mesmas preocupações que os rapazes, tinham conversas sobre as mesmas questões dos rapazes e discutiam problemas sexuais como os rapazes ( com o à vontade possível na época, entenda-se...).
Quando do gravador saiu a voz de uma jovem lisboeta que passava parte das férias no norte, a dizer que um determinado fulano lhe fazia um “grande tesão” , caí das nuvens. Como era possível que as mulheres tivessem uma coisa dessas? Andaria a ser enganado pelo professor de Ciências Naturais? Ou seria uma coisa só das raparigas de Lisboa? Estávamos incrédulos. Como era possível uma mulher ter “aquilo” e ainda por cima gabar-se diante das amigas? (...)
Como já expliquei, esta cena, apesar de poder ser encarada como uma canalhice, foi extremamente importante e  mudou radicalmente a minha forma de olhar para as mulheres.
Já agora, atrevo-me a sugerir que leiam também os muitos comentários que o post suscitou. 


terça-feira, 8 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCVI)


Aproveitem e convidem alguém para  valsar esta noite.
Boa noite!

Diz o roto ao nu...



Nos últimos dias a Madeira tem sido notícia por causa dos fortes ventos que têm impedido aterragens e descolagens de aviões no Funchal
Faz hoje um ano  a Madeira era igualmente notícia, porque lavrava um enorme incêndio nas imediações do Funchal. Provocou três mortes, destruiu dezenas de habitações, deixou centenas de pessoas desalojadas.
Neste dia parece-me oportuno lembrar àqueles que criticam ( não vou dizer se justa ou injustamente)  o governo do  PS por ainda não ter feito chegar as ajudas às vítimas do  incêndio de Pedrogão ( 64 mortos e centenas de casas destruídas) que, passado um ano, a maioria das famílias afectadas pelo incêndio na Madeira, governada pelo PSD, se queixam de não terem recebido qualquer apoio do governo regional  para a reconstrução das suas casas e das suas vidas.



Auto Europa

A CT da Auto Europa estabeleceu um pré acordo com a administração da empresa para compensações por trabalho ao sábado.
Os trabalhadores rejeitaram o acordo e a CT demitiu-se.
Causa alguma estranheza que o mais bem sucedido exemplo de CT existente em Portugal, tenha  terminado desta forma.
 Dizem-me que se trata de uma luta partidária ( à esquerda) que colocou a CT e os sindicatos em rota de colisão. As vítimas são os trabalhadores que não perceberam que estão a ser manipulados pelos sindicatos. Esta aventura pode sair-lhes cara...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Memórias em vinil (CCV)

No início desta semana regresso à canção francesa, com um cheirinho a Itália.
Boa noite e boa semana.

Mente sã em corpo são




Aquele "zoom out" a partir do  seio de uma adepta do benfiquista, pouco depois de o SLB ter marcado o terceiro golo, foi um mau momento de televisão que, logo na altura, classifiquei como sendo de mau gosto. Recebi como resposta  que se tratava de um bela alegoria, pois os/as benfiquistas estavam de peito cheio.  A coisa  morreu ali e  não voltei a falar do assunto.
Qual o meu espanto quando hoje me apercebo que o episódio incendiou as redes sociais...
Esta gente deve ser doida!
 Um tipo de uma claque mata um adepto de um clube rival e as redes sociais quase ignoram. Uma câmara faz um "zoom out" a partir do seio de uma adepta e é um escândalo nacional que obriga o realizador a  justificar-se dizendo que o plano foi acidental e não deliberado. 
Este país está a precisar de gente com mente sã, que não veja escândalos em  pormenores irrelevantes. Alguém, por acaso, perguntou à adepta benfiquista se ficou ofendida? 
Estou farto destas brigadas de bons costumes. Até porque alguns deles/delas são bem capazes de  estar bastante tempo diante de um ecrã de computador a masturbar-se diante de fotografias de nus.

Isto vai acabar mal

Quando a retoma se tornou uma realidade, escrevi que o meu maior receio era que os portugueses se esquecessem das causas que levaram à crise e voltassem a endividar-se como se não houvesse amanhã.
Já havia sinais bem visíveis dessa possibilidade e, na última sexta-feira, confirmou-se. Os bancos voltaram a  conceder crédito à balda e os tugas não se fazem rogados. Uns e outros sabem muito bem que outros hão-de pagar as suas dívidas. Encanita-me saber que serei um deles. 
Revolta-me que o Banco de Portugal, apesar de saber o que se está a passar, não aja e finja que não se passa nada.
Intriga-me o silêncio do governo, sem coragem de alertar os portugueses para os perigos do sobreendividamento, nem para chamar a atenção dos bancos e instituições financeiras para a necessidade de serem mais criteriosos na concessão de créditos.
Eu sei que por muitos avisos que se façam, os tugas farão ouvidos de mercador e, quando as coisas derem para o torto, armam-se em vítimas, apontam o dedo acusador aos bancos e exigem ao governo que lhes devolva " o que os bancos lhes roubaram".
Sinceramente, estou farto desta lamechice de gente irresponsável que vê no consumismo a sua realização pessoal. 

Por onde andava o padre Júlio?

Padre Júlio, pároco de Pedrogao Grande, diz estar muito preocupado porque os apoios do Estado tardam a chegar às vitimas do incêndio.
A jornalista lembra as formalidades necessárias, mas o padre Júlio  encolhe os ombros, esboça um sorriso e deixa no ar a ideia de que são desculpas do governo.
Eu gostava de saber onde andava o padre Júlio quando o governo Passos/Portas cortava as reformas dos pensionistas e mandava as pessoas emigrar. A passear num daqueles automóveis topo de gama de que os padres da região são tão fervorosos adeptos?
Já agora, se não for pedir muito, gostava de saber qual é o interesse jornalístico do testemunho de um padre. 
Tem mais valor do que o do presidente da Câmara, da Caritas  ou do provedor da Santa Casa? É equiparável ao da empresária que conseguiu duplicar o número de mortos e ao de Passos Coelho que "viu" pessoas a suicidarem-se? E porque não ir perguntar a opinião das testemunhas de Jeová e dos mormons?
Desculpem lá, mas são perguntas que me atormentam.
Tenham uma boa semana

domingo, 6 de agosto de 2017

Grandes mulheres!



Tarde de domingo. O calor convida a ficar  em casa, a  ouvir música, ler um livro e, de quando em vez, dar uma espreitadela ao mar ( o areal não é visível, tanta a gente que demandou a praia para se refrescar nas águas frias destas paragens).
Já os ponteiros do relógio se encaminham paras 4 e meia, quando dou uma pausa à música e ligo o televisor para ver o final da etapa da Volta a Portugal em bicicleta. O televisor tinha ficado sintonizado na RTP 2. Está a dar a final do europeu de futebol feminino, o resultado  está em 2-1 para a Holanda com menos de meia hora de jogo e os comentadores tecem rasgados elogios à entrega das equipas. Decido ficar a ver durante  uns minutos. A Dinamarca empata com um golo de levantar o estádio, o jogo está a ser disputado taco a taco e começo a ficar entusiasmado. 
No intervalo mudo para a Volta mas, passados alguns minutos, o apelo da bola é mais forte. Assisto a uma segunda parte emotiva, muito bem disputada, sem paragens, faltas ou lesões simuladas, nem retrancas e congelamentos para encanar a perna à rã. 
A arbitragem passa quase despercebida e quando o jogo termina com a vitória da Holanda por 4-2, estou rendido ao futebol feminino. Sem manhas, com muita entrega e paixão pelo jogo, como era nos tempos em que eu adorava futebol.
Grandes mulheres que deram aos homens que ganham muitos milhões, uma belíssima lição sobre a forma como o futebol é entusiasmante quando, em causa, está apenas a arte de o jogar.
Admito que dentro de poucos anos a clubite  e  interesses extra desportivos alastrem ao  futebol feminino  e o futebol praticado pelas mulheres se torne tão sensaborão como o masculino, onde apenas alguns talentos individuais proporcionam jogadas que sobressaem da mediania enfadonha da maioria dos jogos de futebol.
Por agora, porém, agradeço às jogadoras holandesas e dinamarquesas o excelente espectáculo que me proporcionaram.