domingo, 10 de dezembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (81)


Tal como ano passado, durante a época natalícia esta rubrica será preenchida com postais de Boas Festas.
O postal que escolhi para iniciar a época este ano foi-me enviado em 1972 por uma amiga, hospedeira da TAP, que poucos meses antes cumprira o seu sonho de ser hospedeira de bordo.
É um postal original. Fechado, tem o aspecto que se vê na imagem de cima mas, quando se abre, entramos no interior de um avião da TAP onde, ao que parece, os Pais Natal eram muito bem tratados.

Tenham uma boa semana, mas não gastem o subsídio de Natal a comprar porcarias, ok?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

AVISO AOS LEITORES



Estou em obras de reconstituição ou, se preferirem, de revitalização ( mas sem o apoio de fundos comunitários).
 Preciso de novo vestuário para  proteger o equipamento mas, como já todos sabemos, os alfaiates e a  malta da construção civil nunca cumprem os prazos, por isso, não sei dizer quanto tempo ainda estarei ausente.
Voltarei logo que possível.
Fiquem bem!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (80)

Postal recebido em 1959 de minha madrinha, após um acidente doméstico que me afastou definitivamente da bricolage.
Tenham uma boa semana

domingo, 26 de novembro de 2017

Memórias de uma noite de terror




O ano de 1967 foi bastante seco mas, nos primeiros dias de Novembro, começaram a cair as primeiras chuvadas e, na noite de 25 para 26, a região de Lisboa foi atingida por chuva intensa.
De Cascais a Alenquer, o panorama de destruição e morte era desolador. Eu tinha vindo viver para Lisboa há menos de um mês e aquela noite deixou-me apavorado, mas ainda com capacidade para responder ao apelo de apoio às vítimas, prontamente organizado por milhares de jovens.
Apesar dos esforços do Estado Novo em minimizar a tragédia, calcula-se que tenham morrido mais de 700 pessoas.
Naquele ano de 1967, as inundações deixaram a nú a miséria em que viviam muitos milhares de portugueses na região de Lisboa.
Cinquenta anos depois o país está  em seca extrema, foi fustigado por uma vaga de incêndios durante o Verão e não estão previstas grandes chuvadas até final do ano, mas vale a pena recordar os dias de terror daquele  ano de 1967, vendo as imagens do vídeo acima e também  nesta excelente reportagem de Dina Soares e Joana Bourgard. para a RR.

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (79)


Florença em 1978

sábado, 25 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCC)


Para esta noite de sábado deixo-vos duas memórias de Rui Veloso.
Para quem não dispense um pezinho de dança, convido-os para  " O Baile da Paróquia"
Para os que preferirem um serão mais intimista, deixo um convite para "O Bairro do Oriente"


Seja qual for a vossa escolha, desejo-vos um belo serão e um excelente domingo.

Lição da semana

Se aprenderes a viver sem stress, gozas a vida a dobrar.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCIX)

E  quem é que não ficava  com um brilhozinho nos olhos à sexta feira, quando começava a preparar o fim de semana?
Boa noite!

Será impressão minha?

Serei só  eu a pensar que António Costa "perdeu o Norte" desde os incêndios de Outubro?
É que nos últimos tempos é "cada cavadela, cada minhoca".  O homem não acerta uma!

O último "crime" de Trump



Após o devastador sismo que atingiu o Haiti em 2010, provocando mais de 100 mil mortos, Obama concedeu um estatuto de protecção temporária aos haitianos que procuraram refúgio nos EUA e aí tentaram refazer as suas vidas.
Cerca de 60 mil  haitianos - dos mais de 3 milhões afectados pelo sismo -  beneficiaram  desse estatuto, mas esta semana Trump decidiu acabar com esse benefício e estabeleceu um prazo de 18 meses para que possam obter um estatuto de residência.
É conhecida a política de Trump em relação aos imigrantes, pelo que deverá ser bastante reduzido o número de haitianos que conseguirão obter esse visto.
Poderão alguns argumentar, por outro lado, que 7 anos com o estatuto de protecção temporária é tempo suficiente para a reconstrução do Haiti. Lembro, no entanto, que além de ser o país mais pobre do mundo, durante o último Verão o Haiti foi devastado  pelos furacões Irma e Maria, deixando o país e seus habitantes em situação dramática.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCVIII)


Talvez não tenham saudades dos Trovante, mas quase aposto que sentem saudades daqueles anos. Boa noite.

O drama,a tragédia o horror...



Como se o resto do país não existisse,  é pelo meridiano dos gabinetes espalhados pela capital  que pessoas que não conhecem o país a norte do eixo Montejunto/ Estrela, tomam decisões que afectam centenas de milhares de pessoas no país inteiro.
Manifesto sempre concordância quando ouço as pessoas protestarem contra o excesso de centralismo em Lisboa, ou a desertificação do interior. Garanto-lhes o meu apoio, mas ciente de que as coisas não mudarão.
Sempre que um governo pensa descentralizar o Estado, levanta-se um coro de indignados. Alapados nos gabinetes, acomodados à vidinha na capital, intervalada com uns fins de semana prolongados no Algarve, ou a ida anual à terrinha, os lisbogueses insurgem-se contra ideia de descentralizar um serviço público. Como está a acontecer por estes dias com o Infarmed.
O país não muda porque os portugueses não mudam e, na verdade, ninguém na política, nem a trabalhar para o Estado, está interessado em que as coisas mudem. Na capital é que se está bem. A ideia de ir trabalhar para longe dos centros  da intrigazita e dos joguinhos de bastidores que garantem as promoções, aterroriza qualquer funcionário público, seja ele médico, professor, ou técnico do Estado.
A ideia de mudar de residência e de hábitos ( mesmo que isso implique uma melhoria do nível e da qualidade de vida) é um drama, uma tragédia, um horror, para qualquer trabalhador assalariado neste país.

Sai um cefalópede à lagareiro para a mesa 4, sff...

Os árbitros ameaçam fazer greve na 14ª jornada da I Liga se não forem satisfeitas as suas reivindicações.
Entre elas, a proibição de usar palavras como "polvo",  "padre" ou "apito dourado".
Pela minha parte não vejo problema.  Passo a comer  " cefalópede à lagareiro",  a confessar-me ao senhor prior e substituo os apitos por assobios. 
 Devo dizer que  as exigências dos árbitros são, na generalidade, muito pueris, mas  a reivindicação vocabular deixou-me a pensar se não terá sido mesmo iniciativa dos filhos dos homens do apito. Perdão, do assobio!
Sinceramente, também não percebo por que razão os árbitros não querem proibir as palavras "meia de leite" ou "fruta", mas ainda bem, porque assim, sempre posso continuar a levar  meia de leite e uma peça de fruta para comer à sombra deste eucalipto..

Ó tempo volta p'ra trás

Pela enésima vez lembro os leitores que entendo perfeitamente a luta dos professores. Isso não impede, porém, que critique as suas pretensões.
Não era preciso o PR vir lembrar-lhes que o tempo não volta atrás.  
Os professores têm obrigação de saber  que, assim como depois de um incêndio, ou de uma cheia,  as áreas afectadas pela catástrofe não voltarão a ser as mesmas, também será impossível recuperar, para efeitos de progressão na carreira,  o tempo que lhes foi roubado.
A insistência na recuperação desse tempo é, além de impossível, uma  pretensão egoísta e injusta. Os professores não têm o direito de exigir para eles o que não pode ser dado a outros funcionários públicos.
Compreendo que Mário Nogueira queira mostrar músculo, depois da derrota do PCP nas autárquicas. Não aceito que utilize os professores como arma de arremesso, nem entendo que os professores se deixem manipular como marionetas numa luta política, mascarada de reivindicação laboral. Isso denota falta de inteligência. Se assim não for, então é egoísmo puro. Em ambos os casos, os professores ficam mal na fotografia.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCVII)

Parece-me que ouvi algumas dezenas de leitores a desejarem-me boa noite, no momento em que estava a escolher a memória para esta noite. Só pode ter sido Telepatia!
Boa noite.

Levados da breca!



O país está em seca extrema, mas governo e autoridades confiam no civismo dos tugas para não ser necessário tomar medidas drásticas de racionamento.
Tendo em consideração o usual comportamento dos tugas, eu não teria tanta confiança. Diria mesmo que há indícios de andar já por aí muito boa gente a armazenar água para ludibriar eventuais restrições de consumo num futuro próximo.
Hoje li num escaparate a manchete do "Público" que me deixou ainda mais preocupado:
" Corrida à água
Portugueses fizeram quase 3500 furos em quatro meses"
(NE: De Junho a Setembro, o que dá uma média diária de 29 furos)
Não li a notícia mas presumo que a maioria destes furos não tenham sido licenciados, pois os furos clandestinos são uma banalidade em Portugal.
Há poucas semanas li num relatório (da APA?) que há 60 mil furos ( superficiais e subterrâneos)  licenciados o que, presumo, seja apenas uma pequena parte das captações existentes em Portugal.
Muitos destes furos revelam o "empreendedorismo" dos tugas, pois são feitos em zonas de perímetro urbano ou servidas por uma rede de abastecimento público.
Sendo sabido que os portugueses são levados da breca, ou para mais explícito e adequado a este caso, levados da broca, era bom que as autoridades encetassem de imediato uma fiscalização rigorosa, de modo a punir os infractores e proibir que, pelo menos enquanto durar a seca, sejam feitos novos furos.
Claro que a natural bonomia tuga, aliada à falta de coragem de quem manda, não me deixa nada optimista. Bem pelo contrário, temo que aumente exponencialmente o número de adeptos da broca em tempo de seca.
A continuar a este ritmo,  dentro em breve, Portugal visto do ar  por tripulantes de uma qualquer nave espacial,deve assemelhar-se a um monumental queijo gruyère ressequido.
E porquê Gruyere e não Ementhal, que também tem buracos?- perguntarão alguns leitores menos perspicazes.
A resposta parece-me óbvia. É que a poluição das águas, provocadas por descargas poluentes impregnam a atmosfera de um odor muito mais intenso


O futuro não é risonho

O país está muito melhor. As pessoas estão mais confiantes, recuperaram rendimentos e postos de trabalho, mas ainda está em convalescença dos traumatismos provocados, durante cinco anos, por um grupo de energúmenos.
Apesar dos hematomas e dores musculares que ainda lhe condicionam a locomoção, os portugueses comportam-se como os tipos que depois de uma forte gripe, ao mínimo sintoma de melhoras e uma ligeira diminuição da febre, levantam-se da cama e querem sair para a rua. 
Aos primeiros sintomas de melhoras da economia,  voltaram a endividar-se e o resultado é este: 
Nos últimos três meses aumentou o número de famílias sobreendividadas que pediram o apoio da DECO.
Eu já vi este filme e lembro-me bem como acabou.
Daí que comece a acreditar que o futuro não é risonho. As famílias endividam-se porque os bancos e outras instituições financeiras lhes concedem crédito às cegas pelo que, enquanto o problema não for encarado com coragem, penalizando fortemente as instituições que concedem crédito sem fazer uma avaliação rigorosa, o número de  famílias sobreendividadas continuará a aumentar.
Mário Centeno e diversas entidades- entre as quais a DECO-  já avisaram que os juros vão subir e as pessoas devem ter cuidado com os empréstimos que contraem. Só que, tal como acontece com a seca e as alterações climáticas, as pessoas não aprendem nada com o passado,nem dão importância aos avisos. Até ao dia em que a desgraça lhes bate à porta...

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCVI)

Cuidado com o frio!
Boa noite

Quando livraria (Bertrand) rima com mercearia

No dia do meu aniversário, a Bertrand enviou-me um vale no valor de 5€ para descontar numa compra superior a 25€.
Fiquei surpreendido porque sou cliente da Bertrand há muitos anos e nunca tinha recebido um presente de aniversário mas, obviamente, agradeci.
Esperei pela segunda segunda -feira de Novembro para ir às compras e descontar o meu vale. Feitas as escolhas apresentei-me na caixa. Ao fim de alguns segundos a empregada disse-me que havia um problema. O vale não pode ser descontado em compras de livros com menos de 18 meses.
Não estou habituado a dar ou receber presentes à condição. Embora aceite que a Bertrand condicione a oferta a um valor determinado, considero inaceitável que coloque como condição a "idade" dos livros.
Confrontado com a situação deixei os livros, o  vale "presente" e comuniquei que não voltaria a entrar na Bertrand. A livraria não perderá muito com a minha recusa mas, pelo menos, ficará a saber que há leitores que ainda diferenciam livrarias de mercearias e  promoções de livros de ofertas de merceeiro.

Onde é que isto vai parar?

Há dias escrevi aqui sobre a seca da nascente do "meu" Douro.
Este fim de semana ficou a saber-se que o Tejo está a morrer.
A diferença é que a morte do Tejo, além de causas naturais ( a seca)  está   a ser provocada por intervenção humana. Para ser mais preciso: a agricultura intensiva no sudeste de Espanha está a contribuir para a alteração do ecossistema num lago, onde a água já não flui. Também as descargas no  Tejo  efectuadas por empresas têm  contribuído de forma muito significativa para a  do doença que afecta o Tejo. A passividade das autoridades ambientais que há vários anos conhecem o problema e sabem quem são as empresas responsáveis não pode ser justificada com os custos económicos e sociais que resultariam do encerramento das empresas poluidoras. Os custos a pagar pelo país serão muito mais elevados se deixarem o Tejo morrer.
O Tejo é "apenas" o maior rio da Península Ibérica. Se morrer, a vida vai ser ainda mais difícil para portugueses e espanhóis.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCV)

E que tal dedicar a semana a recordações da canção portuguesa?
Comecemos então com Carlos Paião e pó de arroz .Mas não se excedam por causa das alergias, ok?
Boa noite e boa semana

O fotógrafo estava lá, mas alguém trocou a legenda...



"Na Alemanha o governo subiu o preço dos combustíveis.
Em apenas uma hora  as pessoas abandonaram seus carros nas ruas e avenidas e foram a pé para casa. 
Mais de um milhão de carros abandonados 
Tiveram que baixar o preço
Quando o povo é inteligente os corruptos não conseguem concretizar seus objetivos"

Topa-se logo que esta notícia que anda a circular no FB   é uma notícia falsa, não é verdade? Mas o que é  exactamente  denunciador da falsidade?

Pequenas coisas sem importância...

Sabendo que  a justa luta dos professores teve um final feliz para as suas pretensões, só queria colocar algumas questões:
1- Os professores que se reformaram durante o período de congelamento das progressões também vão ter recontagem de tempo e actualização do reforma?
2- E nesse caso, igual critério será adoptado em relação aos restantes funcionários públicos, polícias, profissionais de saúde, etc?
3- Os directores/professores que ameaçaram com processos disciplinares os alunos que tiraram fotografias das condições em que são servidas as refeições nas cantinas terão direito a louvor e redução do tempo de serviço?
4- É verdade que em algumas escolas   (disseram-me que pelo menos em duas)  foi criada uma  escala de vigilância nas cantinas, durante a hora do almoço,  para impedir os alunos de tirarem fotografias?

domingo, 19 de novembro de 2017

À espera de uma limpeza geral

O ambiente no futebol está insuportável. 
O que está a ser posto em causa são  instituições como a justiça e entidades dirigidas por pessoas que não conseguem despir as vestes clubísticas quando têm de decidir.
Pode questionar-se o teor de uma sentença mas nunca- a não ser no âmbito do futebol- foi colocada a idoneidade e isenção dos juízes quando decidem. Muito menos se pode por em causa a isenção de um juiz, por ser adepto do clube A ou B e defender que só os juízes adeptos do clube que critica são isentos
Não vale a pena discutir se a culpa é dos dirigentes  ( a todos os níveis e não só dos clubes)  que não têm educação, nem  sabem falar ou ler, dos directores de comunicação que se comportam como incendiários, dos jornalistas que, na generalidade, não conseguem ser isentos, ou dos comentadores que, além de serem lacaios dos clubes, se  comportam num estúdio  de televisão como se estivessem à mesa do café.
O desrespeito pelos espectadores, leitores, adeptos e sócios é generalizado e não vejo hipótese de inverter a situação. Uns lutam despudoradamente por audiências, outros por poder no mundo do futebol, procurando alcança-lo sem quaisquer escrúpulos.
Não vejo outra maneira de parar esta escalada sem o contributo dos patrocinadores das Ligas Profissionais e das Taças de Portugal e da Liga.
No dia em que todos decidirem deixar de patrocinar estas competições enquanto persistirem as suspeições ou acaba a discussão, ou acaba o futebol. Talvez a segunda hipótese fosse mesmo a melhor solução.
Em tempo:  nem todos os dirigentes são iguais e meter todos no mesmo saco é injusto. Nunca vi Pinto da Costa ser ordinário, por exemplo. Já Bruno Carvalho e Luís Filipe Vieira, todos temos ouvido como falam.
E quanto a claques, vemos o lider dos Super Dragões ser condenado por causa de um cântico ( de muito mau gosto, mas foi só um cântico) enquanto as claques benfiquistas já mataram dois adeptos de um clube ribval e feriram gravemente atletas de outros clubes, nomeadamente o hoquista Filipe Santos, que esteve à beira da morte.
O pior defeito de um dirigente desportivo é, porém a cobardia. Ao negar a existência de claques no SLB, ou que o seu amigo Pedro Guerra tenha alguma vez sido funcionário do Benfica. LFV assume-se como um cobarde!

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (78)

Que c'est triste Venise numa manhã de Fevereiro de 1971!

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCIII)

Quem se lembra desta menina, desta canção e deste filme? E já agora de Sidney Poitier...
Boa noite

Curiosidades do Convento



O Convento de Mafra começou a ser construído  em 1717.
Hoje, dia 17 /11/17,  o Convento  comemora 300 anos.
Se fosse vivo, o autor de Memorial do Convento teria comemorado ontem o 95º aniversário.

Do Panamá ao Paraíso: show must go on

Primeiro foram os Panama Papers. Grande estrondo. Muito barulho no início, seguido de um (in)explicável e comprometedor silêncio. Como se (afinal) nada se tivesse passado.
Agora o que está a dar são os Paradise Papers, a fuga fiscal dos famosos, que puseram a bom recato as suas fortunas, para não terem de pagar impostos.
Da realeza a estrelas da música , passando por magnatas, poucos são os que não puseram o seu dinheirinho a bom recato. 
Poderá estranhar-se a presença de Bono, o solidário, na lista dos que andam a gozar com as pessoas que não podem fugir aos impostos porque trabalham por conta de outrem, mas Bono terá certamente uma explicação plausível para dar aos jornalistas: põe o dinheiro em off shores, porque com o que poupa em impostos, organiza mais espectáculos de solidariedade.
O que mais irrita nisto tudo, é que todos estão conscientes da impunidade. Eles nem fizeram nada de ilegal, apenas  aproveitaram as oportunidades que o sistema criou para que sejam apenas os trabalhadores a pagar impostos e assim sustentar os mais ricos e poderosos.
Entretanto, a indignação vai esmorecer e ninguém mais se irá preocupar com os Paradise Papers, nem com os off shores. Até ao dia em que surja outro escândalo para alimentar a indignação. Porque o circo tem de continuar, para  alimentar o povo de...indignação.

O grande sucesso das privatizações

O governo que privatizou tudo a eito e sem critério, deve estar orgulhoso do seu trabalho.
Os CTT - uma empresa sólida e com grande credibilidade entre os portugueses quando era pública- está a atravessar uma crise de identidade. Além de os seus novos proprietários não saberem se estão a gerir um banco ou uma empresa de correios, o serviço prestado aos utentes deteriorou-se significativamente ( já aqui apontei vários casos) e a sua cotação em bolsa caiu com estrondo.
A Altice está numa situação financeira calamitosa, pondo em risco a existência daquela que chegou a ser a mais importante empresa do sector das telecomunicações e, quanto à TAP, nem a tentativa deste governo de minorar os efeitos de uma privatização escandalosa, feita pela calada da noite e nos últimos dias do governo PSD/CDS deverá impedir o desastre.
Na impossibilidade de reverter as privatizações selvagens, seria muito oportuna uma investigação séria aos negócios e lucros que se escondem por detrás de todas as privatizações. Creio que teríamos algumas surpresas, porque ao contrário do que se apregoa, as privatizações não tiveram apenas conotações ideológicas

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Memórias em vinil ( CCXCII)




Até parecia mal não trazer aqui a Madonna!Um desrespeito para esta nova lisboeta que tanto tem entusiasmado a nossa comunicação social, numa prova de deslumbramento parolo.
De qualquer modo, esta memória é incontornável, não é?
Boa noite!

Tão amigos que eles eram...

Há pouco via Mário Nogueira na televisão, com aquele ar alucinado que lhe é característico, a garantir que se o governo não satisfizesse as pretensões do seu sindicato traria 100 mil professores para a rua.
Foi então que me lembrei do tempo em que os professores eram despedidos aos milhares, convidados a emigrar, viam os salários reduzidos e a sua dignidade profissional achincalhada.
Nesse tempo,  era desta  forma amistosa que Mário Nogueira cumprimentava o pm responsável pelo período mais negro vivido por uma classe profissional que muito admiro e respeito.
Mário Nogueira faz-me lembrar aqueles prisioneiros que admiram o carrasco, mas insultam o advogado que se esforça por lhes reduzir a pena.
Sejamos claros: os professores perderam privilégios com o governo PSD/CDS e , legitimamente, pretendem recuperá-los. Não pretendam é voltar ao tempo em que eram promovidos mesmo sem dar aulas. Estavam nas bibliotecas das escolas ou em organismos públicos a fazer concorrência aos funcionários públicos e, muitas vezes, a impedir-lhes a progressão na carreira.

OE 2018: gato escondido com o rabo de fora




Deputados da oposição, especialistas da área económica, financeira ou da treta,   jornalistas e comentadores afectos a PSD, CDS e afins, têm tecido duras críticas a todos os OE do actual governo.
Nos dois primeiros anos diziam que os OE eram irrealistas, os objectivos não poderiam ser cumpridos e era inevitável um novo resgate. A realidade desmentiu-os com iniludível firmeza.
Cansados de falhar as previsões, os profetas da desgraça centram as críticas  ao OE 2018, no facto de condenar à indigência as gerações futuras, vítimas da tresloucada teimosia da geringonça em devolver salários e pensões que o governo PSD/CDS, com a prestimosa colaboração do então presidente da CE, Durão Barroso*,  roubou a funcionários públicos e reformados.
Confesso que fico desvanecido com a preocupação dos Pafiosos em relação às gerações futuras. Pena é que não bata a bota com a perdigota.
Com efeito, se a preocupação dos Pafiosos for genuína deveriam, antes de mais, exigir que fossem tomadas medidas que assegurassem uma efectiva preocupação ambiental, nomeadamente em relação ao  desenvolvimento e consumo sustentáveis, bem como no combate à desertificação do país.
Ora todos sabemos que as medidas tomadas pelo anterior governo nesta matéria foram sistematicamente perniciosas para a defesa do ambiente, dos solos e do território em geral.
Quero por isso alertar todos os que criticam o OE por não salvaguardar os interesses financeiros das gerações futuras, que não há razões para alarme.  Se a destruição continuar a este ritmo frenético, as gerações futuras terão que se preocupar com problemas bastante mais vitais do que a questão financeira.  Como a falta de água, por exemplo...
*Em tempo: para quem tem a memória curta, recordo que em 2013 Durão Barroso prestou-se a um papel miserável para ajudar o governo. Temendo um chumbo do Tribunal Constitucional a medidas como o corte dos salários e pensões, encarregou alguns funcionários da Comissão ( à qual presidia) de elaborar um relatório onde "acusava" o TC de se comportar como um "legislador negativo". O relatório questionava a idoneidade e isenção dos juízes. sugeria  que alguns estavam comprometidos politicamente com a oposição e terminava com a ameaça de um segundo resgate se os cortes fossem considerados inconstitucionais.
O TC chumbou os cortes e, quatro anos depois, não houve novo resgate, os salários e pensões foram restituídos, a economia está a crescer, o desemprego a baixar, a dívida a ser reduzida e o investimento externo a aumentar. As Cassandras, afinal, eram alcoviteiras ao serviço dos poderosos.

Um piriquito muito atrevido



Horácio Piriquito, ex-jornalista, é o mais recente exemplo da rede montada pelo SLB para recuperar o estatuto de clube protegido do sistema, que deteve durante o Estado Novo ( atenção benfiquistas: não me venham com a lenga lenga de que o Estado Novo até detestava o SLB por ser vermelho, porque hoje já me ri o suficiente).
O e-mail em que diz a Pedro Guerra que lhe manda um documento confidencial, que ainda nem sequer foi discutido na FPF, é bastante elucidativo sobre a forma como o cancro encarnado tem envenenado o desporto português. mas não só. Quem pensar que a acção dos dirigentes e capangas benfiquistas se restringe ao desporto está bastante enganado. Há quem deseje Berlusconizar a política portuguesa, dando ao SLB o poder que teve o Milan no tempo de Sílvio Berlusconni. As circunstâncias, de momento, são favoráveis, mas a qualquer pode haver um revés idêntico ao do Milan, que se eclipsou desde a saída de cena dos seu presidente e proprietário, que acumulava com as funções de primeiro ministro.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCI)

Eu sei que foi Elaine Page quem celebrizou esta extraordinária canção, na Ópera Evita. Até porque por essa altura estava em Londres e não falhava um musical.-
No entanto, o seu a seu dono. Foi Julie Covington quem primeiro gravou "Don't cry for me Argentina e por isso é essa a interpretação que aqui recordo hoje.
Tenham uma boa noite!

Os professores têm razão mas...

Os professores têm carradas de razão na sua luta. Não podem, nem devem, é confundir a opinião pública comparando a sua situação com a dos restantes funcionários públicos. É a razão é simples. Enquanto os professores sempre foram promovidos automaticamente, em função do tempo, os restantes funcionários públicos tinham de fazer concurso, só podendo progredir se houvesse vagas.
Acrescente-se que, após o descongelamento, continuarão a ser muito beneficiados, pois a sua progressao na carreira é muito mais rápida do que a dos funcionários públicos.
Assim, enquanto a esmagadora maioria dos professores pode atingir o topo da carreira, só uma ínfima parte dos funcionários públicos pode aspirar atingir essa meta.
É sempre melhor ser claro, do que tentar confundir a opinião pública com uma mentira.

A justa luta dos professores

Compreendo muito bem a luta dos professores mas, convenhamos que a sua situação melhorou muito depois do 25 de Abril.
Tenho a certeza que alguns deles ainda se lembram muito bem desta que o Estado Novo impunha às professoras.

Tenho uma má notícia para si, senhor Presidente!



Kayin people Myanmar


Lamento muito informá-lo, caro Presidente Marcelo, mas ao contrário do que costuma apregoar por aí, os portugueses não são o povo mais generoso do mundo. Eu sei que não é o único a ver nos tugas virtudes que eles não têm mas, em virtude da gravidade da notícia que ontem me chegou, achei por bem informá-lo em primeira mão do nefasto acontecimento.
Na verdade, professor Marcelo, os portugueses não só não são o povo mais generoso e solidário do mundo, como nem figuram no pódio.  Nem sequer nos 10 primeiros lugares. Pior ainda, senhor Presidente ,não estão entre os 20, nem entre os 50, nem mesmo entre os 100 povos mais generosos do mundo!
O povo cuja generosidade  V.Exª não se cansa de enaltecer, ocupa um modestíssimo 104º lugar no ranking dos povos mais generosos  do mundo.
A terrível notícia foi dada pela Fundação Mundial para a Ajuda e Caridade, no dia Mundial da Bondade, que se assinalou na segunda-feira, 13 de Novembro.
Espero que esta notícia não o abale e até o incentive a prosseguir a sua política dos afectos. Já agora, senhor presidente, sugiro-lhe a visita aos três países mais generosos do mundo, onde os seus afectos serão certamente retribuídos com algo mais singelo e menos sofisticado do que as "selfies", mas com muita bondade.
São eles: Myanmar , Indonésia e Quénia. Quem os conhece percebe bem porquê e nem sequer estranha que Myanmar ocupe o 1º lugar pelo quarto ano consecutivo.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXC)

Ainda na América do Sul, mas hoje  com outras memórias e noutro registo.
Gracias a La Vida, hoje ainda  vos posso desejar Boa Noite.

O Alerta que vem de Bona




Em Bona, durante mais uma reunião sobre o clima, um grupo de cientistas alerta a Humanidade: estamos a destruir o Planeta!
Ouvi o mesmo aviso há 25 anos no Rio de Janeiro. Foi aí que também confirmei as previsões que um grupo de cientistas, todos galardoados com o prémio Nobel, vinham fazendo desde 1987. Em 1992, na Cimeira do Rio, reiteraram as suas preocupações com o clima e anunciaram que a Península Ibérica ( especialmente Portugal), Califórnia, Austrália e América do Sul ( especialmente Chile) seriam os mais afectados por incidências climáticas extremas, de que resultariam cheias, incêndios e prolongados períodos de seca. Os mesmos cientistas alertaram para o risco de desertificação em Portugal, Chile, Califórnia e várias regiões da Austrália e do sul da Europa (no prazo de 75 a 100 anos) se não fossem tomadas medidas drásticas. Precipitações muito intensas e localizadas ( em detrimento das chuvas moderadas estendendo-se por extensas superfícies) e aumento da intensidade e frequência de tufões e furacões, bem como a disseminação de tornados por regiões nunca dantes afectadas, foram também anunciadas.
Tudo o que aqueles cientistas então expressaram num documento conjunto se tem vindo a verificar. No entanto, tal como então no Rio de Janeiro , antevejo muita gente preocupada em Bona, promessas de alteração de  comportamentos e tomadas de medidas por parte de governos, conducentes ao consumo e desenvolvimento sustentáveis.
Semanas depois tudo estará esquecido e os governantes voltarão a governar para se perpetuarem no poder.
 Merkel, por exemplo, disse na sexta-feira que "temos de arrepiar caminho se queremos salvar o Planeta" mas, dias antes, milhares de pessoas desfilavam em Colónia em protesto contra a abertura de várias minas de lignite , um carvão extraordinariamente poluente e uma das formas mais sujas que se conhecem de obter energia.
Já nem a China, que assentou o seu progresso económico na energia do carvão e outros combustíveis fósseis, usa a lignite para produzir energia mas, na Alemanha da preocupada senhora Merkel, a exploração de minas de lignite está em grande.

Tertúlia dos Idiotas

Na noite de sexta-feira estive durante quase meia hora a ouvir 3 idiotas, sem qualquer conhecimento sobre o assunto, a falar sobre a legionela na RTP 3.
As asneiras que Raquel Varela, Rodrigo Moita de Deus e Joaquim Vieira disseram durante o programa "O último apaga a luz " é exclusivamente fruto de ignorância.
 A melhor tirada, porém, foi a de Raquel Varela. Indignada, disse que é incrível as pessoa irem ao Hospital com saúde e depois morrerem. Eu apenas pergunto uma coisa: as pessoas com saúde vão ao Hospital fazer o quê? E se a senhora a que RV se refere respirava saúde por todos os poros, porque razão estava internada?
Melhor do que esta idiotice de Raquel Varela só a do deputado do PSD, Leitão Amaro,  quando jurava que o seu governo tinha proibido a legionela.
Para a próxima, sugiro que se preparem antes de discutirem os assunto. Como fez Inês Serra Lopes.Sem deixar de tecer duras críticas ao Governo, mostrou estar minimamente preparada para discutir a questão
Quanto aos outros, esqueceram que  um programa de televisão não é palco para as cretinices das redes sociais. Fizeram, por isso, figura de idiotas, o que sinceramente lamento, até porque alguns deles são gente que pensa.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXIX)

Continuo  com música brasileira recordando Simone. Em Outubro esteve no Casino do Estoril, mas esta canção não foi incluída no reportório. Uma pena.
Boa noite e boa semana

Confiemos na justiça...de Bruxelas

Depois dos submarinos, as avionetas. A justiça europeia condena, mas a portuguesa absolve.
A justiça portuguesa, porém,  está em boas mãos. Por cá, os corruptos de direita ou são ilibados, ou não se encontram provas para os condenar, ou os processos prescrevem.
Eu acredito que a justiça portuguesa não seja cega. É apenas daltónica.
Sugiro aos leitores com estômago resistente que sigam o link, leiam atentamente e tirem as vossas conclusões. 

Marimbando!

Em relação ao jantar do Panteão Nacional,  só queria acrescentar que me estou marimbando para a realização de jantares naquele local, por isso não me interessa saber se já lá foram realizados outros.  Desde que mandaram para o Panteão um futebolista, fiquei a conhecer melhor os valores e princípios de  alguns  governantes.
O que eu não suporto é este constante passa culpas e a falta de coragem para demitir uma senhora que já deu provas de ser absolutamente incapaz para desempenhar o cargo.
Só que gente incompetente, sem curriculo nem perfil para dirigir organismos da Administração Pública, é o que mais se vê por aí. E isso, infelizmente, nunca vai acabar porque é preciso satisfazer clientelas. 

Que raio de escolha, professor!

Marcelo Rebelo de Sousa deve padecer  de astenia outonal. Só isso explica que tenha nomeado Maria Cavaca "Madrinha dos portugueses".
Quero esclarecer o sr Presidente que não gosto da escolha, porque os meus pais escolheram para minha madrinha uma pessoa culta, honesta e, sobretudo com muita classe que não gostaria de partilhar com a D. Maria a incumbência de me amadrinhar.
Espero que MRS se abstenha de nomear um padrinho para os portugueses. Para mim já é bastante penoso saber que andam por aí muitos mafiosos à solta. 

domingo, 12 de novembro de 2017

A Ceia dos humanoides


O jantar de encerramento da Web Summit realizou-se no Panteão Nacional. 
Já aqui me insurgi contra a utilização de monumentos nacionais para actividades que coloquem em risco a sua preservação e/ ou sejam aviltantes para  a sua dignidade.
Eu sei que foi Jorge Barreto Xavier, secretário de estado da cultura do governo anterior- quem elaborou a lista dos espaços culturais que podem ser cedidos para  determinados eventos mas, sejamos justos,  reconheçamos que não lhe podem ser assacadas responsabilidades por este episódio.
A autorização não é imperativa. Os pedidos devem ser analisados caso a caso e  a decisão ser fundamentada no bom senso. Ora foi precisamente o bom senso que faltou  à Direcção Geral do Património Cultural. Como já acontecera no Convento de Cristo em Tomar e, muito provavelmente, noutros espaços que não foram notícia.
Querer encerrar a Web Summit com um jantar num cemitério, demonstra o carácter vampiresco e humanoide do evento. Permitir um jantar à luz de velas  no Panteão Nacional não é apenas insensatez. É indigência mental.
Não adianta por isso António Costa manifestar a sua indignação e afirmar que vai alterar o despacho de Jorge Barreto Xavier, para que não seja autorizada a utilização do Panteão Nacional.  Se a DGPC é dirigida por uma pessoa desprovida de senso, a melhor  solução é substituí-la  por alguém mais sensato.
  O governo teve dois anos para revogar ou alterar o despacho de Jorge Barreto Xavier. Atirar a responsabilidade deste triste episódio para o governo anterior não é honesto e denota algum desnorte.
De qualquer modo, não encontro justificação para a onda de recriminações provenientes do PSD. É que em 2003, quando era primeiro ministro Durão Barroso, o Panteão foi utilizado paraapresentar um livro de Harry Potter. Ora quem tem telhados de vidro, não deve atirar pedras.Estamos entendidos?


Dia do Bilhete Postal Ilustrado (77)

Em 1963 o meu irmão mais velho estava a estudar em Coimbra e enviou-me este postal da Universidade.
Esta rubrica está a chegar ao fim mas como até lá, não quero que vos falte nada, consegui digitalizar o postal  em casa de um amigo.
Bom domingo!

sábado, 11 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXVIII)



Se tudo tiver corrido dentro da normalidade, a esta hora estarei no Campo Pequeno no concerto do seu 50º aniversário, mas não quero deixar de partilhar os leitores do CR aquele que, espero, será um dos momentos altos da noite.
Por Ti Gal!
Boa noite e excelente domingo.

Lição da semana

Quando estiveres diante de um egoísta empedernido, não o critiques. Pede-lhe apenas para imaginar que é o único sobrevivente de um holocausto que dizimou a espécie humana. Depois pergunta-lhe:
- Que farias se estivesses sozinho no mundo?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXVII)


Já era altura de Sir Leonard Cohen voltar a aparecer por aqui, não era?
Então boa noite, bom fim de semana e dancem muito.

Palavras cruéis como punhais

"Se eu morrese e voltasse a nascer podia ser outra vez um menino normal"
Desabafo de uma criança de seis anos, violada sucessivas vezes numa casa onde estava o seu próprio pai.

Aos homens do meu país!

Uma publicação australiana insinuava que as acusações de assédio sexual de tempos de antanho, que estão a abalar os EUA,  foram decididas e combinadas em  reuniões de mulheres que terão decidido vingar-se de algumas figuras públicas que lhes terão prometido trabalhos em troca de favores sexuais, mas não cumpriram a promessa.
Eu creio que não deve haver nenhum português que nunca tenha sido vítima de assédio sexual, por parte de alguém que pretendia uma promoção, um emprego, ou apenas porque lhe apetecia passar uns bons momentos na companhia da vítima
Sugiro por isso, aos homens do meu país, que comecem a reunir-se em jantares para denunciar as mulheres que os assediaram e o que pretendiam em troca. 
É que, estou em crer, não tarda nada algumas mulheres portuguesas vão começar a refrescar a memória e a queixarem-se de terem sido assediadas por algumas figuras mais ou menos públicas. Por isso, mais vale prevenir do que remediar...

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXVI)

Uma volta ao carrossel dos planetas com os Duran Duran. Boa noite!

Websummit

Termina hoje a Websummit. Tratando-se de um evento  que constitui um excepcional cartaz de promoção turística ( só por si, mas também pelos eventos que lhe estão agregados) e fonte  de criação de riqueza para o país, todos desejamos que permaneça em Portugal por muitos anos. 
Obviamente que também acho confrangedora a parolice da nossa comunicação social que trata a Websummit como se fosse algo sobrenatural, dando-lhe um destaque desmesurado e elevando Paddy Cosgrave ao patamar dás divindades. 
Por muito que me custe, sou no entanto obrigado a reconhecer que sem a publicidade e a criação da auréola de guru por parte da comunicação social, Cosgrave trocará rapidamente Lisboa por outra cidade que lhe dê a importância de que ele se julga merecedor. 
Tenho ouvido dizer que a Websummit é um embuste e não passa de uma feira de tecnologias onde alguns empreendedores tentam sacar umas guitas a investidores, em troca de uma ideia.
Sabendo que a taxa de insucessos no mundo das "Start ups " é superior ao das empresas tradicionais,admito que  quem assim pensa não ande longe da verdade. O que me leva a pensar que as Start ups poderão,em breve, sofrer a mesma implosao das dot com no início deste século. Nessa altura,porém, o mais provável é que Cosgrave já tenha tido outra ideia genial e esteja a ganhar dinheiro e a ser adulado numa outra qualquer cidade do planeta.

Vêm aí os russos

A UE descobriu que a crise na Catalunha foi provocada pela Rússia.
Sinceramente já não tenho pachorra para esta política do lobo mau que a UE insiste  em prosseguir, sempre que alguma coisa corre mal dentro das suas fronteiras.
Alguém diga àquela gente que o muro de Berlim caiu há quase 30 anos, o comunismo já não é um papão e é mais do que tempo de a UE deixar de fazer como a avestruz e encarar os problemas de frente. 

Efeitos da seca


Ontem ouvi uma noticia que nunca queria ter ouvido e me deixou profundamente triste: a nascente do "meu" Douro secou.
Claro que isso nada tem a ver com alterações climáticas....

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXV)


E com esta arrepiante interpretação de Freddie Mercury e Monserrat Cabellé me despeço por hoje. Boa noite!

O crime compensa

É sabido que somos um país de brandos costumes, onde o crime compensa. Todos os dias temos exemplos dessa verdade Lapaliciana mas os governos, sempre que se proporciona uma oportunidade, agarram-na com ambas as mãos para nos recordar essa característica.
Foi o que aconteceu  hã dias, com a decisão do governo de deixar de isentar de IRS os cheques ensino.
A justificação do ministro das finanças é que muitos  cheques ensino não estão a ser usados para o fim a que se destinam.
Num país normal, habitado por gente normal e governado por gente que exija aos cidadãos o cumprimento das regras, o normal seria que as pessoas não utilizassem  os cheques ensino para outros fins e o governo punisse severamente os prevaricadores.
Só que em Portugal a fiscalização, além de cara, nunca foi vista com bons olhos, pelo que os governos optam por não fiscalizar.  Preferem cortar o mal pela raiz porque é mais fácil. Pouco lhes importa que pague o justo pelo pecador. Por isso, optou por acabar com os cheques ensino.

O PS não aprende?

A aliança do PS com o PSD em Almada e no Barreiro é contra natura e desprestigia a renovada imagem do PS, desde que Costa chegou à liderança e engendrou a geringonça. 
Não se pode andar a tecer (justas) críticas ao PSD e a atacar Maria Luís Albuquerque  e depois ir  fazer uma aliança com o PSD, numa autarquia onde a ex ministra das finanças foi candidata, só para manter o poder.
Dentro de quatro anos os eleitores almadenses vão castigar os socialistas mas, ainda antes, nas legislativas de 2019, o PS vai perceber que querer o poder ( autárquico) a todo o custo, tem efeitos a nível nacional.
E não me venham dizer que a culpa é da CDU, por ter recusado aliar-se ao PS. Os comunistas nunca poderiam aceitar uma coligação com o PS, porque os socialistas pura e simplesmente não têm um programa para Almada. 
Não têm programa porque nunca pensaram vencer, mas ganharam a câmara, porque muitos sociais democratas almadenses, indignados com as escolhas de Passos Coelho para a autarquia, votaram PS. 
Resumindo: foi pior a emenda que o soneto.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXIV)

E com esta pergunta pertinente do Freddie Mercury vos deixo por hoje
Boa noite!

Portugal no Coração



Correu por aí a notícia de  que um canal de televisão norueguês, a propósito da crise catalã,  publicou a imagem de  um mapa onde a Ibéria  era toda ocupada por Espanha.
A situação é recorrente e até já vi um mapa com o mesmo erro numa revista brasileira.
Também já aqui vos contei  um episódio de há muitos anos, durante um jantar em Barcelona com o meu irmão e duas jovens suecas.  Elas  tinham passado férias no Algarve, nesse Verão, mas estavam muito pesarosas por não terem tido tempo de ir a Portugal.
Também este Verão, quando estava a jantar  num restaurante aqui da Linha, um casal norueguês meteu conversa a propósito da nossa gastronomia, que eles não apreciavam por ter bastante gordura. 
Disse-lhes que tinham razão mas, como me disseram que dali a dois dias iam para  Marbella e outras praias da costa do Mediterrâneo, avisei-os que a comida espanhola é bastante mais gorda do que a nossa.
Notei que eles se entreolharam, interrogativos, mas logo percebi a razão, quando o  homem me perguntou:
- A comida do sul é muito diferente daqui?
Expliquei-lhe que no sul de Portugal a comida era muito parecida com a que estavam a comer ( polvo grelhado) mas que em Espanha não iriam encontrar peixe grelhado como em Portugal, porque os espanhóis não sabem grelhar peixe.
- Cada província tem o seu tipo de comida e forma de cozinhar? Na Noruega também temos algumas diferenças, mas não são muito significativas.
- Pois, mas entre Portugal e Espanha as diferenças são bastante grandes. Ainda mais do que entre a Noruega e a Suécia, por exemplo. Países diferentes, culturas diferentes, gastronomia também diferente- expliquei
A senhora olhou-me com um ar tão espantado que tive de lhe perguntar:
- Sabem que Marbella fica em Espanha, não sabem? E que Espanha e Portugal são dois países diferentes, cada um com as suas leis e a sua língua...
Não sabiam. Estavam em Portugal há 5 dias, convencidos que estavam a passar férias numa província espanhola! ( Como a Catalunha, ou a Galiza, por exemplo).
Ficaram espantadíssimos ( diria mesmo incrédulos)  quando lhes disse que Portugal era um país independente desde 1143, muito antes de a Espanha se tornar um Estado com a configuração actual.
Durante mais de uma hora dei-lhes uma aula de História. Estavam absolutamente atónitos e talvez até um pouco envergonhados, por só terem descoberto que Portugal era um país independente - e não uma província de Espanha - na noite do quinto dia. 
Ao contrário do que possam pensar, também não eram analfabetos. Ele era engenheiro reformado e ela funcionária do Estado.
Perguntei-lhes  o que tinham visitado. Apenas Lisboa, onde visitaram os  Jerónimos, Torre de Belém, Castelo de S. Jorge e bairros históricos ( pela descrição Alfama, Mouraria e Bairro Alto) e, na manhã dessa sexta -feira, tinham ido a Sintra. O resto do tempo passaram-no entre Cascais e Estoril, onde estavam hospedados.
Por vezes custa a acreditar que, em pleno século XXI, haja turistas que não saibam que a Ibéria é partilhada por dois países independentes.
Lamentavelmente, não me lembrei de lhes perguntar se tinham comprado a viagem numa agência mas todos os dias, quando me cruzo com turistas no paredão, me pergunto quantos deles pensam estar numa província espanhola. Como as suecas que encontrei em Barcelona, nos anos 80,ainda antes de Portugal pertencer à UE. 
Pior ainda é pensar que, muitas vezes, é a  comunicação social a prestar informação errada. E isso é mesmo indesculpável.



Às vezes chegam cartas






Ainda sou do tempo em que os Correios portugueses eram considerados os melhores do mundo. Também ainda me lembro que, apesar de funcionarem bem e darem lucro, os CTT foram privatizados por esse fanático das privatizações que governou o país durante quatro anos.
Foram privatizados apenas porque sim, dentro da lógica  mercantilista de um jagunço apologista de que tudo deve ser vendido desde que dê lucro. Gente que só não vende a Mãe porque não encontra comprador.
Vem este introito a propósito do mau funcionamento dos CTT desde que foram privatizados e de que já dei aqui alguns exemplos.
Esta semana trago mais uma situação caricata. Na última quinta-feira estranhei que a VISÃO não estivesse na minha caixa do correio por volta das 10 da manhã.
Pensei que por alguma razão o carteiro se tivesse atrasado mas, ao constatar que depois do almoço ainda não chegara, interpelei a porteira.
Fiquei então a saber que a carteira está de férias e o seu "giro" está a ser feito por um colega. No entanto, o colega faz primeiro o seu "giro" e só faz o da colega, se o volume de correspondência assim o justificar.
Eu não queria acreditar, mas fiquei depois a saber que a mesma situação ocorre pelo menos noutros pontos do concelho de Lisboa. Por esta lógica, é provável que dentro de algum tempo a distribuição de correio ao domicílio passe a ser semanal.
E quanto ao atendimento ao público, situações como esta tendem a tornar-se banais

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCLXXXIII)




Neste início de semana volto ao romantismo com Anita Harris. Boa noite e boa semana!

Pero que las hay, las hay..

Há quem continue a negar as alterações climáticas e o seu impacto em fenómenos meteorológicos extremos, como furacões, cheias  e incêndios.

A importância do ponto de cruz




Ainda sou do tempo em que as meninas aprendiam a bordar em ponto de cruz.
À época não via a  utilidade daquilo, mas nos últimos tempos percebi que as nossas Mães e Avós eram mulheres de visão. Elas sabiam que as suas filhas e netas haviam de chegar ao poder e a aprendizagem do ponto de cruz lhes seria muito útil para assinar documentos importantes.
Primeiro, foi a ministra Assunção Cristas que reconheceu ter assinado de cruz, SEM LER, uma lei que roubou as poupanças de milhares de portugueses que tinham o seu dinheiro no BES.
Justificação da ministra numa entrevista:
- Eu estava em férias e há-de compreender que não ia ler o diploma. Confiei na minha colega de governo ( NE: Maria Luís Albuquerque)
Recentemente, foi uma juíza  ( Luísa Arantes) a reconhecer que  assinou de cruz,   uma sentença escrita por um seu colega, que ilibava o agressor de uma mulher.
Justificação da juíza:
Li na diagonal, porque confiei no meu colega.
Abençoado seja o ensino do ponto de cruz, porque tornou as mulheres mais confiantes nos seus colegas de trabalho. Estas, provavelmente, nunca se queixarão de terem sido vítimas de assédio sexual.