domingo, 31 de dezembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (84)


Mais um postal da mesma colheita do da semana passada.
Que o vosso ano de 2018 venha recheado de coisas boas e vos proporcione muita felicidade.

sábado, 30 de dezembro de 2017

Lição do ano

Um bom governo não é aquele que defende os interesses do país, ou se esforça por diminuir as desigualdades sociais. É o que  agrada à comunicação social e defende os interesses políticos, económicos e financeiros que os comentadores representam.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

De Balthus a Antonioni: os fundamentalistas são os outros?




Há semanas li a notícia de uma petição nos EUA, "exigindo" a retirada de um quadro de Balthus ( Therese Dreaming, 1938) em exposição no Metropolitan Museum of Art.
Argumentavam os peticionistas que no quadro estava uma jovem numa pose que " contribui para uma visão romântica  do voyeurismo, reduzindo as crianças a objectos".
Se os peticionistas não fossem indignados ignorantes ( eles sim, com uma forte dose de perversão) saberiam que Balthus fez o primeiro esquema deste quadro com 11 anos. Embora fosse um prodígio, não é provável que fosse perverso.
Demonstrando alguma sensatez, a direcção do Metropolitan Museum mandou as peticionistas bardamerda, explicou-lhes (entre outras coisas) que a figura do quadro de Balthus é andrógena  e manteve o quadro em exposição.
Não estaria aqui a escrever sobre o episódio, não fora o caso de, em plena época natalícia, ter deparado com este artigo no Libération.
A autora, professora universitária não chega ao ponto de reclamar a colocação no índex de "Blow up", mas  considera o filme ignóbil e perverso, porque maltrata as mulheres.

Confesso que me começa a irritar este puritanismo feminista, fruto das ondas de choque provocadas  pelo caso Weinstein. Quando em nome de um  pretenso puritanismo sexual se começa a tentar proibir obras de arte, ou a condicionar a expressão artística, em função de interpretações subjectivas de grupúsculos que não conseguem discernir entre arte, assédio sexual ou violência doméstica, estamos perante fundamentalismos tribais.
Não raras vezes, os/as  fundamentalistas encontram nas redes sociais o pasto necessário para que as suas ideias minoritárias, ridículas e retrógradas, (normalmente assentes numa assinalável ignorância sobre as obras que condenam, como acontece no caso do quadro de Balthus)  ganhem dimensão e  angariem adeptos. Esta é uma das perversões da globalização. A outra é a prova de  que no mundo dito civilizado há muito mais talibãs e jihadistas, dispostos a destruir séculos de evolução social e a vilipendiar as imagens das grutas de Lascaux, do que poderíamos imaginar.

Prémios Escorpião de Ouro 2017 ( ACTUALIZADO)

E pronto, lá consegui encontrar umas estatuetas em saldo na loja dos chineses e distribuir mais 10 prémios Escorpião de Ouro, os mais prestigiados da blogosfera.

Assim, os prémios de 2017 vão para...


Prémio Kinder Surpresa- Para os irmão Salvador e Luísa Sobral, pela  vitória no Eurofestival.

Prémio Alcagoita de Boliqueime- Para o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes. Quando se fala de problemas no futebol o homem desaparece e diz que não é nada com ele, mas para receber condecorações pelo trabalho realizado por outros (v.g, sucessos da selecção nacional) o homem  está sempre na primeira fila

Prémio Marretas- Para Donald Trump e Kim Jong Un, por razões que nem é preciso explicar.

Prémio Um dia  a casa vem abaixo- Para os cardeais que acusam o Papa Francisco de heresia, por estar a querer acabar com a pouca vergonha em que mergulhou a Igreja, enxameada de criminosos, corruptos e pedófilos.

Prémio Quanto mais me bates- Para os juizes que têm uma noção de violência doméstica tão peculiar, que até conseguem encontrar justificações para absolver os agressores.

Prémio Brasileira de Prazins- Para a  presidente da Associação das Vítimas de Pedrógão, por ter conseguido demonstrar que nem todas as brasileiras que vêm para Portugal são prostitutas e o nosso país é um manancial de Novas Opoertunidades

Prémio Pedrógão - Para os incendiários que passam as noites na televisão a atear fogos, na tentativa de acabar com o futebol.

Prémio Quem dá e torna a tirar ao Inferno vai parar- Para os tipos que roubaram  material de guerra em Tancos, mas meses mais tarde devolveram com juros 

Prémio Bola de Cristal- Para os comentadores políticos que previram  a catástrofe financeira, um novo resgate, a fuga dos investidores e toda uma parafernália de desgraça, mas  cujas análises se revelaram verdadeiro fiasco ( Na impossibilidade de entregar um Escorpião de Ouro a cada comentador, será Marques Mendes a receber o prémio. Motivo da escolha: ter considerado a possibilidade de Mário Centeno  vir a ser presidente do Eurogrupo uma mentira do 1º de Abril e uma obra de marketing do governo

Prémio Servilusa- Para a cambada de hipócritas que procurou tirar dividendos políticos das vítimas dos incêndios

Prémio Crime Disse Ela- Para Pedro Passos Coelho que "viu" pessoas s suicidarem-se em Pedrógão Grande

Prémio  Para que quero eu esta merda?- Para Mário Centeno, pela sua eleição para presidente do Eurogrupo

Prémio Farinha Cérelac- Para Vladimir Putin que muito dicretamente, mas com grande eficácia, anulou a influência dos Estados Unidos em várias zonas do globo. (E nunca mais ninguém ouviu falar de crimes na Ucrânia, da Síria ou da Crimeia 

Prémio Soltem os prisioneiros - Para Jerónimo de Sousa que, após a derrota nas autárquicas, mandou a CGTP dar roda livre aos sindicatos

Prémio  Que tal um bocadinho de vergonha na cara?- Para Assunção Cristas pela encenação que fez na AR, ao longo do ano, indignando-se e culpabilizando a geringonça por ocorrências que são da responsabilidade do governo de que ela fez parte.

Prémio Agora não quero mais selfies- Para MRS que sugeriu a Costa e aos deputados que peçam a fiscalização preventiva da Lei do Financiemento dos partidos porque, aparentemente, o PR não se quer meter nisso para não sair chamuscado.

Prémio Sempre em pé- Para António Costa. Atacado por todos os lados, consegue resistir. Mesmo quando faz asneirada da grossa...

Prémio "O que dizem os meus olhos" - Para Catarina Martins que consegue insultar António Costa sem perder o sorriso e o olhar angelical

Prémio Vai e não voltes- Para Pedro Passos Coelho

Prémio Venha o Diabo e Escolha- Para Rui Rio e Santana Lopes, candidatos à liderança do PSD

Prémio Pinóquio- Ex-aequo para os directores do semanário  SOL e do matutino Correio da Manhã, por terem conseguido plantar o maior número de mentiras de toda a comunicação social. Para o jornal i fica uma menção honrosa, como reconhecimento pelo seu trabalho. Apesar de se ter iniciado mais tarde no universo das "notícias falsas" o seu futuro é muito promissor. Os vencedores deste ano que se cuidem...

E os 10 novos premiados são...

Prémio Príncipe com Orelhas de Burro- Para Mariano Rajoy pela forma asinina como tratou o problema da Catalunha

Prémio Couve de Bruxelas- Para Carles Puigdemont que, para não ser enjaulado, se pirou para Bruxelas e continua a autoproclamar-se exilado político.

Prémio Eu seja ceguinho- Para Bolsonaro, candidato à presidência do Brasil, que garante nunca ter havido ditadura militar no Brasil.

Prémio Mas onde é que eu me vim meter?- Para Theresa May que não consegue desatar o nó do Brexit

Prémio Engole filho, que não custa nada- Para Schaueble que ainda no início do ano previa que Portugal teria de pedir um novo resgate.

Prémio aquela coisa branca nos pneus era só pó de talco- Para a reação de LFV ao caso dos emails que ( admite o advogado do SLB) induzem a existência de tráfico de influências. Já nem os benfiquistas o LFV consegue enganar!

Prémio E o macaco sou eu?- Para Pedro Guerra que está a ser utilizado como bode expiatório no caso do tráfico de influências

 Prémio Eu sou o camelo do presépio- Para o secretário de estado do desporto João Paulo Abreu que, apesar da morte de um adepto, às mãos de uma claque ilegal,  considera  estar tudo a correr dentro da normalidade no futebol português.

Prémio Vocês têm a certeza que era eu? Para Teresa Caeiro que, apesar das evidências, sempre negou ter pertencido aos órgãos sociais da Raríssimas


Prémio Tripas à moda do Porto- Para António Costa e Adalberto Campos Fernandes, ministro da saúde. Quiseram dar um docinho aos tripeiros, como recompensa pela perda da AEM, mas trataram o caso da transferência do INFARMED para o Porto com tanta inabilidade, que conseguiram colocar quase toda a gente contra eles. 


sábado, 23 de dezembro de 2017

Um Natal à moda antiga


E é com este postal enviado à minha Mãe no Natal de 1932 ( há 85 anos!), que vos desejo um Feliz Natal.
Fico a torcer para que nos possamos voltar a encontrar por aqui dentro de um ano.
Para já, uma pausa natalícia. Se tudo correr como previsto, estarei de regresso nos primeiros dias de Janeiro mas... talvez ainda passe por aqui a desejar-vos que 2018 seja um upgrade de 2017...


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Estado de negação




Mariano Rajoy já respondeu à questão que lhe coloquei esta manhã.
Finge desconhecer o resultado das eleições na Catalunha e a impossibilidade de o Ciudadanos formar governo, não faz qualquer referência à vitória dos independentistas,  recusa um encontro com Puigdemont e garante que o independentismo está a perder terreno.
Rajoy pode ler os resultados eleitorais ignorando a realidade - sinal de agravamento da sua paranóia- mas não pode deixar de tirar ilações do resultado obtidopelo PP na Catalunha: elegeu 3 deputados ( tinha 11), menos um que os radicais da CUP. 
A sorte de Rajoy é o PSOE continuar à deriva, caso contrário o seu governo não chegaria ao final do ano. De qualquer modo, a actuação desastrada de Rajoy durante a crise catalã ( está para durar) demonstrou aos espanhóis e a todos os europeus com mais de um neurónio, que o PP continua fiel ao franquismo e a toda a traquitana que lhe está associada. E, como alguém escreve no "El Pais", a Cataluña foi palco da maior tragédia do PP , cujos efeitos devastadores não tardarão a sentir-se.
Igualmente em estado de negação está a UE. Face aos resultados das eleições catalãs, a Comissão garantiu que não irá alterar a sua posição. Não sei se o próprio  Juncker acredita nisso, mas estou certo que serão poucos o que subscrevem a declaração. 
Alguns ter-lhe-ao mesmo lembrado o Kosovo e outros que, ainda há um ano, Schaueble jurava a pés juntos, num discurso alucinado, que em 2017 Portugal iria pedir novo resgate, mas sucedeu exactamente o contrário daquilo que o bruxo alemão previra.
Daqui a um ano, se eu por cá  andar e Rajoy ainda dirigir o destino de Espanha ( duas situações altamente improváveis) não me esquecerei de cobrar a Juncker a leviandade da sua afirmação.

Auto Europa


Soube que os trabalhadores da Auto Europa reiniciaram esta semana as negociações com vista às regras laborais que devem vigorar durante a produção do T-ROC.
Pelo que vou sabendo, os horários que a empresa pretende impor são próprios do início do século XX.
De qualquer modo, talvez fosse mais apropriado começarem a discutir as indemnizações dos trabalhadores que dentro de alguns anos serão despedidos, quando a administração alemã decidir que o próximo modelo da Volkswagen  seja produzido noutro país.

A escolha é sua, senhor Rajoy

Vai mandar repetir as eleições, remete a julgamento todos os catalães que votaram pela independência, ou uma vez na vida tem vergonha nas trombas e demite-se?

E o culpado é....

Muita gente pensará que os automóveis sem condutor ainda pertencem ao mundo da ficção. Não é bem assim. Andam muitos a circular, nomeadamente nos EUA, já houve dezenas de acidentes, mas  a comunicação social mitiga as notícias, não lhes dando grande importância.
Há umas semanas os cidadãos de Las Vegas puderam assistir à estreia absoluta de um mini autocarro sem condutor a circular nas ruas da cidade. Poucos minutos depois de iniciada a viagem, a viatura envolveu-se num acidente com um camião. Não houve feridos, até porque o autocarro circulava  a uma velocidade de 25km/h (a sua velocidade máxima é de 45) e o camião estava  fazer marcha atrás, tendo sido a culpa atribuída ao motorista.
O que me interessa salientar é que na maioria dos casos de acidentes envolvendo uma viatura sem condutor,  a culpa é atribuída aos humanos.
Preparem-se para o Novo Mundo da IA. Não vai ser nada risonho para os Humanos.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Os jornalistas que nos divertem

O semanário que MRS se esforçou por salvar é apenas um dos que durante dois anos andou a plantar notícias falsas sobre o governo e  veiculou as paranóias de Passos Coelho como se fossem assentes em verdades irrefutáveis.
Nem o facto de todas estas notícias serem ridículas  e desmentidas pela realidade, impede que alguém continue a financiar esta folha de couve porque sabe que dentro de pouco tempo será útil à sua causa.
Aproveito a oportunidade proporcionada pelo "Sol" para dizer que não entrei em euforia, nem celebrei a eleição de Centeno para presidente do Eurogrupo. Já há muito tempo percebi que quando um português é eleito para um cargo internacional , não traz benefícios para o pais. Veja-se, por exemplo, os casos de Vítor Constâncio ou Durão Barroso.
Admito, porém, que a escolha de Centeno me deu bastante gozo por causa destes jornalistas cretinos e, também, porque ainda me lembro da chacota da bancada do PSD e das gargalhadas alarves de Pedro Passos Coelho na AR, quando o ministro das finanças lá foi pela primeira vez
(Imagem rapinada ao Truques da Imprensa Falsa)


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Liberdade para a Catalunha

Amanhã há eleições na Catalunha. Para além  dos resultados ( que provavelmente ditarão um grande imbróglio)  importa saber se no dia seguinte a comunicação social e as instituições catalãs voltarão a poder usar  as expressões que o governo "democrata"de Rajoy proibiu e das quais destaco, como exemplo, "liberdade para os presos políticos " ou "governo no exílio ".
Andamos nós preocupados com a deriva totalitária em países como a  Hungria, a Polónia ou a Austria, quando temos mesmo aqui ao lado um país com um défice democrático acentuado.
Para o ramalhete ficar perfeito, só falta a FIFA cumprir a ameaça de expulsar Espanha do Mundial 2018,se o governo de Rajoy insistir em imiscuir-se nas eleições da Federação de Futebol.

À atenção do professor Marcelo

A Califórnia está a arder há meses. A área ardida já é maior do que a das cidades de Nova Iorque e Boston juntas.
Penso que está na hora de Marcelo ir à Califórnia exigir a demissão de alguém e por aquilo em ordem.

Tenha decoro, senhor deputado!



Na audição parlamentar a Vieira da Silva, um deputado rasca do CDS ( desculpem o pleonasmo) mostrou umas fotos do ministro durante uma visita à Suécia e insinuou que a presença naquela cerimónia numa associação sueca, parceira da Raríssimas, podia suscitar interpretações de favorecimento à presidente daquela IPSS.
Confesso que estou cansado destes comportamentos, mas não resisto a perguntar a António Carlos Monteiro, por que razão não mostrou também esta foto de MRS a entregar um prémio a Paula Brito Costa. Será que o PR também suscita "interpretações de favorecimento"?

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Luta na lama



Que Ana Leal desconheça as funções de um vice-presidente da AG de uma instituição, não me espanta. Já que deputados pafiosos como Clara Marques Mendes e António Carlos Monteiro manifestem a mesma ignorância, parece-me preocupante.
Que Ana Leal sugira a demissão do ministro por causa da Raríssimas é hilariante. Que haja deputados a sugerirem o mesmo, deixa-me perplexo.
Que Ana Leal exija ao ministro a demissão de Paula Brito Costa da Casa dos Marcos revela apenas a sua ignorân
cia. Que Ana Leal ( e a comunicação social em geral) continue a esquecer as trafulhices e responsabilidades de Joaquina Teixeira e os contornos de vendetta em todo este caso, confirma que a denúncia da TVI tinha como objectivo exclusivo atingir um dos melhores ministros deste governo, mas não explica a razão de a TVI continuar a chamar investigação jornalística a um conjunto de documentos que Joaquina Teixeira lhe entregou de mão beijada. Isso é vampirismo. Investigação jornalística é outra coisa que a TVI desconhece desde que optou por seguir a escola jornalística de Manuela Moura Guedes.
Finalmente, arrastar para a lama uma instituição que desenvolve um trabalho extraordinário reconhecido internacionalmente, só para satisfazer objectivos políticos, não é jornalismo. É uma pulhice sem nome.

Raríssimas: o pecado original




Ponto prévio:  a Raríssimas não é uma história de "vingança entre gajas", como já  li e ouvi. É uma história de concubinato entre jornalistas e poder político.

Conheci a Raríssimas há cerca de uma década, na sequência de uma extensa reportagem que fiz sobre a economia social.  Devo dizer que fiquei impressionado com o belíssimo trabalho  ali desenvolvido   e com as circunstâncias que determinaram a  criação  desta IPSS ( Paula Brito Costa criou a Raríssimas após a morte do  filho Marco que nasceu com uma doença raríssima  e morreu com 15 ou 16 anos).

No final da entrevista lembro-me de ter  comentado com o fotógrafo que, apesar do excelente trabalho desenvolvido pela instituição, ela padecia de um pecado original.
Com efeito,  não me escapou o facto de a sua fundadora  ser a  presidente da instituição e de esta funcionar com o apoio de verbas do Estado.

 Não é que seja caso raro, mas já então a experiência me dizia que, ao fim de alguns anos, estas situações são propícias  a uma má utilização dos dinheiros públicos.

 Empenhados no projecto que criaram, os fundadores que se tornam dirigentes tendem a confundir-se com a instituição e a esquecer que os dinheiros com que gerem o projecto são públicos e exigem responsabilidades públicas.

Foi com base nessa experiência que, quando convidado a integrar um grupo de trabalho sobre as regras a que deviam estar sujeitas as entidades que recebem apoios do Estado, propus fiscalização e controlo muito rigorosos e  a inelegibilidade de instituições onde os órgãos sociais sejam preenchidos maioritariamente por familiares.

“Atrevi-me” ainda  a propor a proibição de atribuir apoios e subsídios a entidades que  integrem nos órgãos sociais, dirigentes de organismos dependentes do ministério que os atribui. Claro que, conhecendo o conluio entre os partidos do Centrão em matéria de atribuição de subsídios, sabia que facilmente seriam ultrapassados os efeitos pretendidos com essa proposta. Mesmo assim a proposta foi chumbada e  a fiscalização- já de si  permissiva- esbarrava na indiferença de quem decide a nível ministerial.

O que se passou na Raríssiimas não é caso único. Acontece em muitas outras instituições.

O Centrão criou na  sociedade portuguesa um clima de impunidade absoluta, onde todos se encobrem mutuamente e  as denúncias caem em saco roto. Ou porque nem sequer chegam a quem tem poder decisório, ou porque são encaradas como “pequenas coisas sem importância”.

Acredito que a presidente da Raríssimas- à semelhança de muitos outros dirigentes de IPSS  e demais organizações da economia social- ajam de forma semi inconsciente quando usam  dinheiros públicos. Na verdade, quando os dirigentes são os “mentores” da ideia que presidiu à criação da instituição, ou permanecem no cargo durante muitos anos, acabam por sofrer dessa doença que lhes coarta a capacidade de discernir sobre a utilização correcta e criteriosa dos dinheiros públicos.

Foi por isso sem perplexidade, nem indignação, que soube do comportamento de Paula Brito Costa à frente da Raríssimas. Surpreendeu-me, outrossim, que finalmente um canal de televisão tivesse investido nesta matéria.

Como estou impedido de sair de casa há alguns dias, ontem assisti à audição do ministro Vieira da Silva na AR, na expectativa de algumas respostas.
Népia. Apenas reforcei  a convicção  de que continua a ser muito verdadeira a máxima de que quando o jornalismo vai para  cama  com a política, os cidadãos ficam sempre a perder.
Quando a investigação jornalística apenas se debruça sobre uma parte da questão, omitindo aquela que é mais importante, porque não interessa aos objectivos pretendidos, estamos perante política e não jornalismo.
É mais do que óbvio que Ana Leal, apesar de saber desde o início das falcatruas de Joaquina Teixeira ( vice-presidente da Raríssimas) nunca se preocupou com o caso. Como se tivesse feito um pacto do género "dás-me a informação que eu preciso e eu desvio as atenções da opinião pública das tuas trafulhices", Ana Leal evitou a todo o custo relacionar o caso Raríssimas com uma vingança interna, optando por envolver um dos mais sérios e competentes ministros deste governo. Essa foi a razão de nunca ter mencionado a existência de Joaquina Teixeira, nem as fraudes por ela cometidas. Isso estragava-lhe a narrativa e certamente desagradaria  Nomeadamente ao grupo parlamentar do CDS, cheio de arruaceiros e prostitutas mentais, avessos à ética e à honestidade intelectual.
Não nos espantemos se dentro de alguns meses tivermos notícias surpreendentes sobre este caso. Será sinal que o CDS - lídimo representante da hipocrisia em matéria de assistencialismo e caridadezinha- conseguiram os seus objectivos.
No meio de todo este imbróglio fabricado por razões que em breve serão conhecidas, os prejudicados são os utentes de uma IPSS essencial para o seu bem estar.














segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Sabores doces e mentes amargas




António Costa disse, em Bruxelas, que 2017 tinha sido "um ano especialmente saboroso para Portugal".
Qualquer pessoa com dois neurónios percebe que, ao dizer esta frase na "capital da Europa", o pm está a falar em termos económicos e financeiros. 
Não obstante a evidência, Nuno Melo decidiu indignar-se com a frase de António Costa e acusou-o de insensibilidade, por ter esquecido as vítimas dos incêndios de Pedrógão.  Por outras palavras, o eurodeputado do CDS  é de opinião que Portugal e os portugueses não 
têm direito de dizer aos seus parceiros europeus que, ao contrário das previsões catastróficas previstas, a política económica e financeira seguida pelo governo tinha tido resultados muitíssimo positivos que culminariam, nesse próprio dia, com a decisão da FITCH de retirar a dívida portuguesa do lixo.
As vozes de burro espalham-se rapidamente e a atoarda de Nuno Melo foi de imediato repercutida por Assunção Cristas em Lisboa.
De imediato, a imprensa que escreve com a cabeça entre a genitália da direita, apregoou ao país a insensibilidade do pm de Portugal, com as vítimas dos incêndios.
Eu passo ao lado da hipocrisia desta direita peçonhenta e abstenho-me de relembrar as malvadezas que esse grupo de criminosos que governou o país durante quase 5 anos fez a Portugal e aos portugueses.
Lembro apenas que  este governo do PS, apoiado por PCP, BE e PEV, devolveu aos funcionários públicos salários e pensões que um grupo de ladrões acantonados no Caldas e na Lapa lhes roubara,
para entregar aos senhores do grande capital. Em 2017 Portugal registou o maior crescimento económico do século, reduziu substancialmente a dívida e conseguiu financiar-se com taxas de juro extremamente baixas. 
A talho de foice, aproveito para recordar que nestes dois anos foram criados 227 mil empregos líquidos; há menos 170 mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão social; os impostos directos atingiram o valor mais baixo dos últimos 19 anos e que muitos milhares dos 300 mil portugueses expulsos do País pela dupla Passos/Portas pretendem regressar a Portugal, porque recuperaram a confiança.
Se estes não são elementos objectivos suficientes para o governo dizer que 2017 foi um ano especialmente saboroso para os portugueses e para o país, então não sei quando é que os portugueses terão razões para festejar. 
As pessoas têm toda a legitimidade de não gostar deste governo.Não podem, porém, esgrimir argumentos desonestos, nem invocar com a falsidade do fariseu a sua mágoa pelos mortos nos incêndios, fingindo não saber que  resultaram de causas naturais. Estou cansado de argumentos de bordel.
Finalmente, recordo que em 2018 todas as famílias pagarão menos IRS, diminuirão as despesas ligadas à educação e os subsídio de desemprego e as prestações sociais serão aumentados.
Perante isto, a minha sugestão é que Nuno Melo seja contratado para jumento do presépio de Joane. 

Acorda, Costa, acorda!

Agora, que também a FITCH tirou Portugal do lixo, é altura de recuperar um alerta que venho fazendo há meses:
os portugueses voltaram a endividar-se como se não houvesse amanhã e o  nível de endividamento das famílias está prestes a atingir um valor  idêntico às vésperas da crise de 2011.
A responsabilidade desta situação é em boa parte dos bancos mas, embora o Banco de Portugal o reconheça, continua a nada fazer, permitindo que os bancos actuem em roda livre.
Carlos Costa devia agir em conformidade mas, pelo andar da carruagem, parece-me que os bancos vão continuar a conceder créditos ao consumo sem quaisquer restrições e depois a malta paga.
Alguém pode dizer ao Carlos Costa que está na hora de acordar e fazer aquilo para que é principescamente pago?

domingo, 17 de dezembro de 2017

Presépios



Isto é de um mau gosto atroz, revela o povo que temos, incapaz de se libertar do Salazarismo e dos 30 anos de Cavaquismo.
Pior, mas nada surpreendente, é MRS não ter recusado participar nesta palhaçada, nem ter tido a dignidade de esclarecer que as casas não foram oferecidas por ele.  Já agora, poderia ter reconhecido o grande esforço que foi feito pelo governo ( com a preciosa ajuda de muitos portugueses) para entregar mais de 100 casas no período de 6 meses. Ou será que este trabalho também se deve ao governo anterior? 
Esta insistência de MRS em atribuir ao governo anterior méritos que não teve começa a ser ridícula.
É verdade que hoje acabou por admitir esse facto, mas importa que a partir de agora aja em conformidade.


Dia do Bilhete Postal Ilustrado (82)


Postal enviado por uns primos brasileiros em 1978

sábado, 16 de dezembro de 2017

Aviso da Associação Nacional de Farmácias



É provável que as farmácias esgotem os stocks de Alka Seltzer, Eno e similares durante o fim de semana, em virtude de se prever uma corrida àqueles medicamentos depois de ter sido conhecida a decisão da FITCH subir, em dois níveis, o rating da dívida portuguesa, retirando-a do lixo.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Raríssimas: a mim não me enganas tu!

Devo ter sido dos poucos portugueses que não me indignei nas redes sociais com o caso Raríssimas. O meu silêncio deve-se a um conjunto de razões que passo a enunciar:
- Infelizmente, o caso Raríssimas não é nada raro em instituições apoiadas por dinheiros públicos. Foi por isso que, inicialmente, achei estranha a divulgação deste caso, em contraponto com outros que chegaram ao conhecimento da TVI e de outras televisões e jornais, mas a que não foi dada importância. 
- Era óbvio que a  divulgação do caso Raríssimas tinha objectivos que ultrapassavam os interesses sobre o que se passava na IPSS. Só assim se justifica que Ana Leal tenha chegado à baixeza de divulgar imagens que sugerem uma ligação afectiva entre Paula Brito da Costa e Manuel Delgado.
- Apercebi-me rapidamente que a direita, fiel ao seu desprezo pelos portugueses, teve o comportamento habitual: aproveitar o caso para fazer chicane política e pedir a demissão do ministro.
- Ao constatar que o tesoureiro que trabalhou seis anos na Raríssimas (2010/2016) só começou a indignar-se com toda a situação, quando o tesoureiro que lhe sucedeu "pôs a boca no trombone", admiti desde logo que poderíamos estar perante uma vingançazinha de alguém dentro da Raríssimas.
- Hoje à noite, o Sexta às 9 divulga a investigação que fez sobre as Raríssimas, que confirmam as minhas suspeitas.
A direita, que utiliza as IPSS para promover a sua asquerosa política de caridadezinha com que vai extraindo dividendos, ( leia-se:votos) agradece.
Na próxima semana voltarei ao tema, de forma mais desenvolvida. Tenham um excelente fim de semana  

Ora gaita!

Lamento desiludir alguns entusiastas da "purificação social", mas estou muito mais impressionado com as reportagens da TVI sobre o rapto   de crianças para adopção praticado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do que com a actuação da fundadora e presidente da Raríssimas.
Pensava eu que a minha postura seria a normal num país  onde há centenas ( quiçá milhares) de casos iguais ao da Raríssimas.
As redes sociais, porém, desmentem-me. Vejo centenas de posts sobre a Raríssimas tendo como denominador comum  a tentativa de matar politicamente um ministro, mas ainda não consegui ler nenhum sobre uma Igreja ( ou será seita?) brasileira que criou um lar ilegal para crianças, em Lisboa, com o intuito de  adoptar  ( e eventualmente traficar?) crianças para adopção, roubando-as às mães.
Mas isso não interessa nada à tugalhada.  A futebolização da vida política e social portuguesa, transformou a formação cívica numa mera futebolada entre duas equipas de bairro.
Talvez por isso os tugas não consigam descortinar a diferença entre uma fulana que utilizou em proveito pessoal uns milhares de euros, mas criou uma instituição que faz um trabalho meritório e um burlão brasileiro que explora a crendice de milhares para enriquecer e não tem qualquer pejo em usar crianças para prazer pessoal.

Em tempo: claro que vou escrever sobre o caso Raríssimas, mas dentro de um contexto que tem sido menosprezado pela comunicação social e pela opinião pública e, em minha opinião, é o que mais interessa analisar.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Período de nojo

Durante o período de nojo, que pretendo prolongar até final do ano, vou tentar manter alguma serenidade, mas gostaria que me ajudassem a responder a uma questão que me parece pertinente e muito me inquieta:
- Será o baixo nível do  debate futebolístico que está a inquinar o debate político, ou o inverso?
Seja qual for a resposta, é inegável que a sociedade portuguesa está a resvalar para um nível de cano de esgoto. O cheiro é nauseabundo e a atmosfera irrespirável.

E bibó Porto, carago!

Há 30 anos e um dia, pelas cinco da manhã, estava eu sentado diante de um televisor a ver um jogo a preto e branco num televisor a cores.
O jogo realizou-se em Tóquio, entre as equipas do Peñarol e do FC do Porto  e em disputa estava a Taça Intercontinental , precursora  do Mundial de Clubes.
Sob uma memorável tempestade de neve que transformou o relvado num batatal onde era impossível jogar à bola, o FC do Porto foi mais feliz e conquistou o título que por duas vezes escapou ao Benfica, copiosamente goleado pelos brasileiros do Santos e pelos mesmos uruguaios do Peñarolem finais do mesmo troféu disputadas nos anos 60.
A vitória épica do FC do Porto culminava um ano de sucessos internacionais, com a vitória na Taça dos Campeões Europeus e na Supertaça Europeia e marcou o início de um conjunto alargado de sucessos internacionais, que tornaram o FC do Porto a equipa portuguesa com mais títulos europeus e mundiais.
Como dizia no final do jogo o comentador da RTP, "a partir de hoje nada será como dantes". Palavras premonitórias e certeiras. Durante 25 anos, a hegemonia dos azuis e brancos foi total. Até que o regresso às influências subterrâneas determinou novo período hegemónico dos encarnados. Até quando? Até que a justiça se pronuncie e os árbitros deixem de ter medo do eucalipto vermelho.
Eu sei que o sucesso dos azuis e brancos custa a engolir aos benfiquistas, mas é isso que me distingue dos adeptos encarnados. É que eu sou capaz de gritar Vivó Benfica ( ora leiam o que escrevi aqui) coisa que nenhum benfiquista consegue fazer em relação ao FC do Porto.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Agradecimentos

Agradeço a  todos os leitores que na caixa de comentários, via mail ou Messenger, me manifestaram o seu apoio e solidariedade neste período difícil que atravessei.
Mais uma vez consegui ultrapassar a situação e espero que dentro de oito semanas possa estar aqui a dar boas notícias.
O meu regresso à blogosfera e às redes sociais está para muito breve, tendo agendado para as 5 horas da manhã o post com que espero concretizar essa intenção.
Aviso desde já  que tenho assistido com nojo  aos últimos desenvolvimentos políticos a nível nacional e internacional e, sobretudo, à desonestidade intelectual  que envolve os debates em torno dessas questões pelo que o post de regresso abordará um tema que devia encher de alegria todos os portugueses.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (81)


Tal como ano passado, durante a época natalícia esta rubrica será preenchida com postais de Boas Festas.
O postal que escolhi para iniciar a época este ano foi-me enviado em 1972 por uma amiga, hospedeira da TAP, que poucos meses antes cumprira o seu sonho de ser hospedeira de bordo.
É um postal original. Fechado, tem o aspecto que se vê na imagem de cima mas, quando se abre, entramos no interior de um avião da TAP onde, ao que parece, os Pais Natal eram muito bem tratados.

Tenham uma boa semana, mas não gastem o subsídio de Natal a comprar porcarias, ok?

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

AVISO AOS LEITORES



Estou em obras de reconstituição ou, se preferirem, de revitalização ( mas sem o apoio de fundos comunitários).
 Preciso de novo vestuário para  proteger o equipamento mas, como já todos sabemos, os alfaiates e a  malta da construção civil nunca cumprem os prazos, por isso, não sei dizer quanto tempo ainda estarei ausente.
Voltarei logo que possível.
Fiquem bem!

domingo, 3 de dezembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (80)

Postal recebido em 1959 de minha madrinha, após um acidente doméstico que me afastou definitivamente da bricolage.
Tenham uma boa semana

domingo, 26 de novembro de 2017

Memórias de uma noite de terror




O ano de 1967 foi bastante seco mas, nos primeiros dias de Novembro, começaram a cair as primeiras chuvadas e, na noite de 25 para 26, a região de Lisboa foi atingida por chuva intensa.
De Cascais a Alenquer, o panorama de destruição e morte era desolador. Eu tinha vindo viver para Lisboa há menos de um mês e aquela noite deixou-me apavorado, mas ainda com capacidade para responder ao apelo de apoio às vítimas, prontamente organizado por milhares de jovens.
Apesar dos esforços do Estado Novo em minimizar a tragédia, calcula-se que tenham morrido mais de 700 pessoas.
Naquele ano de 1967, as inundações deixaram a nú a miséria em que viviam muitos milhares de portugueses na região de Lisboa.
Cinquenta anos depois o país está  em seca extrema, foi fustigado por uma vaga de incêndios durante o Verão e não estão previstas grandes chuvadas até final do ano, mas vale a pena recordar os dias de terror daquele  ano de 1967, vendo as imagens do vídeo acima e também  nesta excelente reportagem de Dina Soares e Joana Bourgard. para a RR.

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (79)


Florença em 1978

sábado, 25 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCC)


Para esta noite de sábado deixo-vos duas memórias de Rui Veloso.
Para quem não dispense um pezinho de dança, convido-os para  " O Baile da Paróquia"
Para os que preferirem um serão mais intimista, deixo um convite para "O Bairro do Oriente"


Seja qual for a vossa escolha, desejo-vos um belo serão e um excelente domingo.

Lição da semana

Se aprenderes a viver sem stress, gozas a vida a dobrar.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCIX)

E  quem é que não ficava  com um brilhozinho nos olhos à sexta feira, quando começava a preparar o fim de semana?
Boa noite!

Será impressão minha?

Serei só  eu a pensar que António Costa "perdeu o Norte" desde os incêndios de Outubro?
É que nos últimos tempos é "cada cavadela, cada minhoca".  O homem não acerta uma!

O último "crime" de Trump



Após o devastador sismo que atingiu o Haiti em 2010, provocando mais de 100 mil mortos, Obama concedeu um estatuto de protecção temporária aos haitianos que procuraram refúgio nos EUA e aí tentaram refazer as suas vidas.
Cerca de 60 mil  haitianos - dos mais de 3 milhões afectados pelo sismo -  beneficiaram  desse estatuto, mas esta semana Trump decidiu acabar com esse benefício e estabeleceu um prazo de 18 meses para que possam obter um estatuto de residência.
É conhecida a política de Trump em relação aos imigrantes, pelo que deverá ser bastante reduzido o número de haitianos que conseguirão obter esse visto.
Poderão alguns argumentar, por outro lado, que 7 anos com o estatuto de protecção temporária é tempo suficiente para a reconstrução do Haiti. Lembro, no entanto, que além de ser o país mais pobre do mundo, durante o último Verão o Haiti foi devastado  pelos furacões Irma e Maria, deixando o país e seus habitantes em situação dramática.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCVIII)


Talvez não tenham saudades dos Trovante, mas quase aposto que sentem saudades daqueles anos. Boa noite.

O drama,a tragédia o horror...



Como se o resto do país não existisse,  é pelo meridiano dos gabinetes espalhados pela capital  que pessoas que não conhecem o país a norte do eixo Montejunto/ Estrela, tomam decisões que afectam centenas de milhares de pessoas no país inteiro.
Manifesto sempre concordância quando ouço as pessoas protestarem contra o excesso de centralismo em Lisboa, ou a desertificação do interior. Garanto-lhes o meu apoio, mas ciente de que as coisas não mudarão.
Sempre que um governo pensa descentralizar o Estado, levanta-se um coro de indignados. Alapados nos gabinetes, acomodados à vidinha na capital, intervalada com uns fins de semana prolongados no Algarve, ou a ida anual à terrinha, os lisbogueses insurgem-se contra ideia de descentralizar um serviço público. Como está a acontecer por estes dias com o Infarmed.
O país não muda porque os portugueses não mudam e, na verdade, ninguém na política, nem a trabalhar para o Estado, está interessado em que as coisas mudem. Na capital é que se está bem. A ideia de ir trabalhar para longe dos centros  da intrigazita e dos joguinhos de bastidores que garantem as promoções, aterroriza qualquer funcionário público, seja ele médico, professor, ou técnico do Estado.
A ideia de mudar de residência e de hábitos ( mesmo que isso implique uma melhoria do nível e da qualidade de vida) é um drama, uma tragédia, um horror, para qualquer trabalhador assalariado neste país.

Sai um cefalópede à lagareiro para a mesa 4, sff...

Os árbitros ameaçam fazer greve na 14ª jornada da I Liga se não forem satisfeitas as suas reivindicações.
Entre elas, a proibição de usar palavras como "polvo",  "padre" ou "apito dourado".
Pela minha parte não vejo problema.  Passo a comer  " cefalópede à lagareiro",  a confessar-me ao senhor prior e substituo os apitos por assobios. 
 Devo dizer que  as exigências dos árbitros são, na generalidade, muito pueris, mas  a reivindicação vocabular deixou-me a pensar se não terá sido mesmo iniciativa dos filhos dos homens do apito. Perdão, do assobio!
Sinceramente, também não percebo por que razão os árbitros não querem proibir as palavras "meia de leite" ou "fruta", mas ainda bem, porque assim, sempre posso continuar a levar  meia de leite e uma peça de fruta para comer à sombra deste eucalipto..

Ó tempo volta p'ra trás

Pela enésima vez lembro os leitores que entendo perfeitamente a luta dos professores. Isso não impede, porém, que critique as suas pretensões.
Não era preciso o PR vir lembrar-lhes que o tempo não volta atrás.  
Os professores têm obrigação de saber  que, assim como depois de um incêndio, ou de uma cheia,  as áreas afectadas pela catástrofe não voltarão a ser as mesmas, também será impossível recuperar, para efeitos de progressão na carreira,  o tempo que lhes foi roubado.
A insistência na recuperação desse tempo é, além de impossível, uma  pretensão egoísta e injusta. Os professores não têm o direito de exigir para eles o que não pode ser dado a outros funcionários públicos.
Compreendo que Mário Nogueira queira mostrar músculo, depois da derrota do PCP nas autárquicas. Não aceito que utilize os professores como arma de arremesso, nem entendo que os professores se deixem manipular como marionetas numa luta política, mascarada de reivindicação laboral. Isso denota falta de inteligência. Se assim não for, então é egoísmo puro. Em ambos os casos, os professores ficam mal na fotografia.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Memórias em vinil (CCXCVII)

Parece-me que ouvi algumas dezenas de leitores a desejarem-me boa noite, no momento em que estava a escolher a memória para esta noite. Só pode ter sido Telepatia!
Boa noite.

Levados da breca!



O país está em seca extrema, mas governo e autoridades confiam no civismo dos tugas para não ser necessário tomar medidas drásticas de racionamento.
Tendo em consideração o usual comportamento dos tugas, eu não teria tanta confiança. Diria mesmo que há indícios de andar já por aí muito boa gente a armazenar água para ludibriar eventuais restrições de consumo num futuro próximo.
Hoje li num escaparate a manchete do "Público" que me deixou ainda mais preocupado:
" Corrida à água
Portugueses fizeram quase 3500 furos em quatro meses"
(NE: De Junho a Setembro, o que dá uma média diária de 29 furos)
Não li a notícia mas presumo que a maioria destes furos não tenham sido licenciados, pois os furos clandestinos são uma banalidade em Portugal.
Há poucas semanas li num relatório (da APA?) que há 60 mil furos ( superficiais e subterrâneos)  licenciados o que, presumo, seja apenas uma pequena parte das captações existentes em Portugal.
Muitos destes furos revelam o "empreendedorismo" dos tugas, pois são feitos em zonas de perímetro urbano ou servidas por uma rede de abastecimento público.
Sendo sabido que os portugueses são levados da breca, ou para mais explícito e adequado a este caso, levados da broca, era bom que as autoridades encetassem de imediato uma fiscalização rigorosa, de modo a punir os infractores e proibir que, pelo menos enquanto durar a seca, sejam feitos novos furos.
Claro que a natural bonomia tuga, aliada à falta de coragem de quem manda, não me deixa nada optimista. Bem pelo contrário, temo que aumente exponencialmente o número de adeptos da broca em tempo de seca.
A continuar a este ritmo,  dentro em breve, Portugal visto do ar  por tripulantes de uma qualquer nave espacial,deve assemelhar-se a um monumental queijo gruyère ressequido.
E porquê Gruyere e não Ementhal, que também tem buracos?- perguntarão alguns leitores menos perspicazes.
A resposta parece-me óbvia. É que a poluição das águas, provocadas por descargas poluentes impregnam a atmosfera de um odor muito mais intenso


O futuro não é risonho

O país está muito melhor. As pessoas estão mais confiantes, recuperaram rendimentos e postos de trabalho, mas ainda está em convalescença dos traumatismos provocados, durante cinco anos, por um grupo de energúmenos.
Apesar dos hematomas e dores musculares que ainda lhe condicionam a locomoção, os portugueses comportam-se como os tipos que depois de uma forte gripe, ao mínimo sintoma de melhoras e uma ligeira diminuição da febre, levantam-se da cama e querem sair para a rua. 
Aos primeiros sintomas de melhoras da economia,  voltaram a endividar-se e o resultado é este: 
Nos últimos três meses aumentou o número de famílias sobreendividadas que pediram o apoio da DECO.
Eu já vi este filme e lembro-me bem como acabou.
Daí que comece a acreditar que o futuro não é risonho. As famílias endividam-se porque os bancos e outras instituições financeiras lhes concedem crédito às cegas pelo que, enquanto o problema não for encarado com coragem, penalizando fortemente as instituições que concedem crédito sem fazer uma avaliação rigorosa, o número de  famílias sobreendividadas continuará a aumentar.
Mário Centeno e diversas entidades- entre as quais a DECO-  já avisaram que os juros vão subir e as pessoas devem ter cuidado com os empréstimos que contraem. Só que, tal como acontece com a seca e as alterações climáticas, as pessoas não aprendem nada com o passado,nem dão importância aos avisos. Até ao dia em que a desgraça lhes bate à porta...