segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Memórias em vinil (21)


Confesso que quando vi este disco na minha arca musical, fiquei um pouco atónito. Lembrava-me bem da capa, tinha uma vaga memória da canção, mas sobre Michel Polnareff nada sabia. Nem sequer de outras canções interpretadas por ele. Fui à Wikipedia e nenhum dos títulos que lá aparecem me diz seja o que for. Fui ouvir este disco e pronto
Porque a época é de amor inicio a semana  com uma canção dengosa à "pimba".
" Love me Please Love me" (1966)  não é uma xaropada intragável, mas anda lá perto. É uma pimbalhada. Lembro no entanto mais uma vez os meus leitores, que esta rubrica não pretende trazer aqui apenas canções de que todos se lembram. Bem pelo contrário. O objectivo é recordar canções que foram sucessos ( e depois de ouvir esta canção recordei-me que teve realmente muito sucesso) e hoje estão praticamente esquecidas. Sem esquecer, no entanto, aqueles temas imortais que atravessaram várias gerações.
AVISO: As cachopas que aparecem no vídeo em biquíni, sem que se perceba o propósito, são competentes



Ora f....Váo chatear o Camões!

Numa entrevista,  o humorista Ricardo Araújo Pereira referiu-se  a um sketch antigo dos Gato Fedorento onde usava a palavra "mariconço" e disse que se hoje usasse essa palavra, o sketch - na época muito bem aceite- seria,provavelmente, considerado inadmissível.
Eu achei a advertência de RAP bastante idiota mas, para meu espanto, dias depois percebi que ele tinha razão.
Na verdade as redes sociais incendiaram-se de indignação por causa do "mariconço". As pessoas discutiram encarniçadamente e surgiram as divisões. De um lado os indignados com o uso da palavra "mariconço". Do outro os que discutem o seu correcto significado .
Um país onde as pessoas se dividem entre as que se indignam porque um humorista usou a palavra "mariconço" e as que discutem o significado etimológico da palavra, não é para levar muito a sério. É que corremos o risco de chegar à conclusão que nesse mesmo país as pessoas não conhecem lá muito bem o conceito de Liberdade. Seja ela de expressão ou de movimentos.
Acontece, porém, que eu aprendi algo importante:mariconço, além de significar medricas,  tem uma conotação de cariz sexual. Dizem os revoltosos entendidos na matéria, que serve para classificar homossexuais. Não sabia e peço aos leitores desculpa pela minha ignorância. Mas, só por isso, valeu a pena acompanhar este debate.
Mas há  outras questões que me preocupam. A tentativa de alguns grupos tentarem limitar o uso de certas palavras, porque as consideram ofensivas  para o grupo onde se inserem, está a limitar a liberdade de expressão e a empobrecer a língua.
Nos últimos anos passou a ser politicamente incorrecto ( e até ofensivo) usar palavras como velho, cego, coxo, tuga ou  deficiente. Fiquei agora a saber que mariconço também não se deve utilizar. E muitas outras haverá, certamente, cuja perigosidade eu ainda desconheço, porque provavelmente estou desactualizado  no que ao manejo da língua concerne.
 Receio que expressões como " filho da puta" passem a ser interpretadas como um insulto à mãe do visado ou, como diz RAP, que as pessoas interpretem à letra quando alguém diz "estou f.....".
A repressão linguística provocada pela  febre controleira  da esquerda plural e intelectualóide  politicamente correcta, chateia-me e cansa-me.  Porque é inócua, cheira a Lavanda e apenas serve para ocupar mentes tinhosas ( não quero dizer que tenham "tinha", entendido?) dedicadas à especulação mas pouco produtivas para o que é essencial na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Perante estas discussões, a minha reacção é "Ora f.... Vão mas é chatear o Camões!"

Drones: esta gente nunca mais aprende?



Já quase todos os portugueses devem ter sido vítimas de drones. Ou porque lhes invadiram o espaço, ou porque os filmaram sem consentimento, ou simplesmente porque apanharam um susto quando passeavam na praia, ou no jardim, e um drone  lhes passou uma tangente. Até em hotéis no Algarve corremos o risco de ficar registado para a posteridade o nosso banho na piscina, enquanto um drone sobrevoa a área onde  está a ser servido o copo de água. Aconteceu-me duas vezes este ano. No Carvoeiro e no Alvor.
E aconteceu-me também, no Parque Oeste, estar tranquilamente a passear e quase ser abalroado por um drone "pilotado" por uma criancinha que, muito provavelmente, teria recebido um de presente de aniversário.
Vivendo no Estoril, em frente a um castelo muito requisitado para aniversários, casamentos, festas de figuras mediáticas, rádios ou televisões, os drones  foram demasiado intrusivos na minha vida  durante o Verão. Especialmente ao fim de semana.  Se ia para a varanda em dia de evento festivo, sabia que um drone me iria sobrevoar e registar o meu banho de sol. Ou de Lua. Ou  confirmar se  estava a cumprir rigorosamente a dieta médica, ou a bebida que tinha ao meu lado era uma caipirinha, um mojito ou um whiskey.
Tanta intromissão começou a chatear-me e por duas vezes, em eventos festivos da TVI, estive tentado a  enfrentar os drones. Da primeira vez  gesticulando de forma  pouco condizente com a minha postura, mas certamente muito do agrado de participantes e fãs de Casa dos Segredos e similares.  Da segunda exibindo um cartaz onde apareciam fotomontagens de algumas personalidades do anterior governo presentes na festa de Verão da TVI .  De ambas as vezes me contive, mas lamentei a ausência de legislação que regulasse os voos dos drones.
Nessa altura ainda não sabia que se regista um tão elevado número de ocorrências em Portugal, envolvendo operações de transporte aéreo. Até agora sem consequências graves mas, como mais vale prevenir do que remediar, o governo aprovou legislação que estabelece regras para a utilização profissional e lúdica de drones.
A Lei entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 2017,  estabelece um conjunto alargado de normas de utilização (voo) que me parece bastante razoável, prevê a aplicação de multas entre 250 e 250 mil euros para os infractores mas, como sempre acontece entre nós, está cheia de buracos por onde os infractores podem escapar.
Em primeiro lugar, como não é obrigatório o registo de propriedade dos drones, em caso de acidente poderá ser difícil ( ou mesmo impossível) saber quem é o culpado.
Em segundo lugar, a Lei não determina quem, e a partir de que idade, pode "pilotar" um drone. Ou seja, qualquer criança ou adolescente pode fazê-lo, sem sofrer consequências em caso de acidente.  Isto é tanto mais grave, quanto o facto de os drones para fins não profissionais  serem vendidos como brinquedos ( só este ano a Science 4 you vendeu 10 mil exemplares e prevê triplicar o número em 2017) o que aumenta o risco de "incidentes" mais ou menos graves, cujos responsáveis ficarão impunes.
Mais uma vez se demonstra que temos uma habilidade inata para fazer leis aborto. Ficam bem na fotografia, mas não servem para (quase) nada, porque, logo à partida, a sua eficácia foi coarctada pelo legislador.
Mas o que esperar neste país de Brandos Costumes?