terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Memórias em vinil (17)


Elton John esteve no domingo em Lisboa, para apresentar o seu último disco. Dizem-me que foi um grande espectáculo mas, sinceramente, nem sequer equacionei a hipótese de ir ao Meo Arena. Parece-me porém a altura oportuna para recordar  a versão inglesa de  José Cid.  Escolher uma canção de Elton John nesta rubrica de memórias é tarefa assaz complicada. Se seguisse o critério de apenas escolher temas que fazem parte da minha discoteca pessoal, teria de optar  por "Good Bye Yellow Brick Road" Estou certo que a escolha agradaria  a muitos leitores do CR, mas optei por  abrir com "Your Song" , um belo tema de 1970. Vale a pena ver o vídeo, quanto mais não seja para recordar a sua figura em 1970.



No entanto, uma evocação de Sir Elton John é indissociável de "Candle in the wind" (1973). A versão que aqui trago foi cantada em 1996, no funeral da princesa Diana e o vídeo é comovente.

Those were the days (38)



Fechou o Elefante Branco, uma distinta casa de diversão nocturna, frequentada por meninas boas de famílias más e meninos maus de famílias boas.  Digamos que era uma concorrente da "Casa dos Segredos", ou do "Big Brother", sem televisão nem bebidas à borla, mas frequentada por mulheres com mais nível.
Conhecia uns tipos que "só lá iam para comprar tabaco" ( cof!cof!cof!) e umas meninas que iam lá porque "achavam piada", mas no fundo o que queriam  mesmo saber  era se vida de puta era assim tão má como lhes diziam.
Fui, aliás, testemunha de um momento fantástico em que uma dessas meninas curiosas foi lá com uns amigos ( eu era um deles)  e encontrou o pai que, supostamente, estaria fora de Lisboa em trabalho. Efectivamente, tinha ar de quem estava a negociar qualquer coisa com uma bem apessoada dama, mas a filha não aceitou bem que o pai tivesse dito que o trabalho era fora de Lisboa.
Se o Elefante Branco fosse a Versailles, ou a Mexicana, não faltariam abaixo assinados a pedir a salvação deste espaço emblemático da noite lisboeta.
Como era apenas uma casa de pecado frequentada por empresários, políticos e futebolistas, ninguém ousa lançar uma petição. Até porque, dizem as más línguas, o Elefante Branco fechou para não fazer concorrência a uma casa de alterne sita na Lapa. Guerra de empresários, dizem os jornais...

Canta Brasil




Lembram-se da cobertura exaustiva e quase demencial que as nossas televisões fizeram, durante seis meses, das manifestações de rua no Brasil? 
Lembram-se como era relatada com entusiasmo fervente a indignação dos brasileiros perante a corrupção no PT? 
Lembram-se de ver e ouvir enviados especiais e correspondentes das nossas televisões, de voz embargada de alegria, porque Dilam tinha sido apeada e o PT destruído? 
Lembram-se como esses mesmo enviados e correspondentes depositaram esperanças na democracia brasileira, limpa dos corruptos do PT?
Pois bem. Agora que os brasileiros saem à rua para contestar Temer e manifestar a sua indignação contra Renan Calheiros, presidente do Senado, que o Supremo Tribunal Federal afastou , mas que se mantém no cargo porque o partido do corrupto Temer se recusa a acatar a decisão do Tribunal, as notícias sobre o assunto são tímidas e em nota de rodapé.
Já perdi a conta ao número de ministros do governo Temer afastados por corrupção, mas tenho seguido atentamente a novela Odebrecht que ameaça reduzir a pó toda a classe política brasileira. Na verdade, depois de o presidente da  empresa ter sido preso, todos os dirigentes executivos assinaram um acordo de delação. Ora isso significa, tão somente, que será conhecido em detalhe o envolvimento de  todos os implicados na operação Lava Jato- cúpulas de todos os partidos brasileiros ligados ao poder estadual e /ou federal.
O próprio juiz Sérgio Moro assume não saber se o Brasil sobreviverá a este caso transversal a toda a classe política brasileira.
Depois de resolvida a contenda entre poder político e poder judicial  - independentemente de quem saia vencedor - nada ficará como dantes no Brasil. Neste momento, a grande dúvida é saber quem se aproveitará da situação e  recolherá os destroços. 
Aparentemente, os militares estão divididos e não reúnem condições para tomar o poder, mas a alternativa que muitos brasileiros colocam é igualmente aterradora: o poder ser tomado por uma seita de religiosos fanáticos. A conquista do Estado do Rio de Janeiro por um desses fanáticos não augura nada de bom e é um sinal que, em desespero, o brasileiro se vira para quem lhe faz promessas que não diferem muito das do Daesh.
Seria caso para dizer "Deus salve o Brasil", não se desse o caso de o exemplo do Rio de Janeiro ser uma péssima notícia. Apetece mesmo dizer como a canção:
" Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão!"

Depois, não digam que não avisei!

Hoje, 13 de Dezembro, é um dia especial. Pelo menos em Freamunde
Não sigam o link não, e depois venham dizer que não avisei...