segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Memórias em vinil (16)


Donovan foi uma estrela meteórica no meio musical. Saiu do anonimato em 1965, com "Colours", mas foi entre 1966 e 1970, quando se associou ao produtor Mickie Most, que teve mais sucessos nos charts europeus e americano. Em 1970 rompeu a ligação e a sua estrela deixou de brilhar.
Esta é a prova de que já nos anos 60 se fabricavam estrelas sem voz. Ou que não chegava uma boa voz para ter sucesso. O importante era ter um bom encosto promocional.
Entre os sucessos dos anos dourados de Donovan, destacam-se este "Sunshine Superman" (1966) ou "Mellow Yellow" (1967) mas, por motivos muito particulares, " To Susan on the west coast waiting" (1969) é a minha favorita.   
Terá sido, porém, "Atlantis" (1968) a canção de Donovan que mais  discos vendeu em todo o mundo. Por isso a escolhi para vos desejar  a primeira Boa Noite da semana.


Passos Coelho, o filantropo.




Quando Pedro Passos Coelho surgiu o na ribalta política, a comunicação social promoveu-o como uma pessoa honesta e íntegra. 
Essa mesma comunicação social,  cujos jornalistas paparam almoços durante a campanha eleitoral de 2011, para divulgar notícias abonatórias-  a maioria das vezes falsas -  sobre a integridade e amor ao país  do líder do PSD, vendeu aos portugueses uma imagem adulterada de Passos Coelho. Os jornalistas que as veiculararam foram compensados com lugares no Estado, ou em empresas tuteladas.
Já Passos Coelho era primeiro ministro, quando se soube que tinha ligações pouco claras com a Tecnoforma, onde era consultor, apesar de ser deputado em regime de exclusividade. Soube-se, depois,  que "contornou" o pagamento de  impostos e não  cumpriu as suas obrigações com a segurança social.  Jornais, rádios, televisões e testemunhas abonatórias venderam aos portugueses a informação de  que tudo se ficou a dever ao desprendimento de Passos Coelho pelos problemas burocráticos. Uma distracção de um homem imaculadamente honesto.
Passos Coelho vendeu quase todas as empresas públicas e outros bens do Estado. A comunicação social garantiu que não havia outra solução. Era a UE e o FMI que obrigavam o governo a vender, ao desbarato, património do Estado. A culpa, acrescentaram jornalistas afectos ao PSD, sob a capa de  economistas encartados, foi dos portugueses que se julgavam ricos e se endividaram como loucos. Não havia outra solução. Era preciso roubar os salários de  quem trabalha e tornar os ricos mais ricos, para que eles depois investissem dinheiro e criassem empregos.
A imagem de Pedro Passos Coelho vendida pela comunicação social foi sempre a de um homem honesto e com um grande amor ao país.
Apesar de tudo o que ficou escrito anteriormente, quem sou eu para duvidar da honestidade dos jornalistas que construíram a imagem de Passos Coelho?
E porque não tenho esse direito, acredito que Passos Coelho não escondeu este relatório por motivos eleitorais. Ele só não queria assustar os portugueses.
Também a venda de diamantes ao governo angolano, apenas quatro dias antes de o seu governo cair, não tem quaisquer contornos de vigarice. Deveu-se exclusivamente à filantropia de Passos Coelho. Um grande amigo e benfeitor de Portugal... e de Angola. 

As máquinas não vão com a minha cara

Estou cansado dos pequenos negócios familiares da restauração onde trabalha o casal, (mais o primo que deixou a terra em busca de um emprego, ou o  sobrinho que veio estudar para  Lisboa e paga o alojamento com trabalho).
Não acrescentam nada à economia, não contribuem para a redução do emprego e muitas vezes fazem mal à saúde porque para servir refeições a 4 e 5 € utilizam produtos de má qualidade. Se a legislação fosse rigorosamente cumprida, metade destes restaurantes já teria sido encerrado pela ASAE. Mas o pior mesmo, é que sempre que peço uma factura com nº do contribuinte nestes restaurantes, a máquina encrava. Não devem ir com a minha cara, é o que é...