terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Memórias em vinil (12)

Apareceram na época do ié-ié ( 1963) e notabilizaram-se  em concursos de bandas rock, uma espécie de "Portugal Got Talent" mas só para bandas e sem televisão, que  muitas vezes acabavam com grandes cenas de pancadaria.
Os Sheiks eram uma banda pacífica, onde pontificavam os nomes de Caros Mendes e Paulo de Carvalho, que viriam a fazer carreira a solo.  Além de recriar temas anglo saxónicos de sucesso como "Summertime", os " Sheiks" compuseram algumas canções. Quase todas em inglês, sendo o tema mais conhecido este "Missing you" (1965) incluído num 45 rpm juntamente com "Tell me bird"




Manipulação de informação é isto (1)

Ontem, após a entrevista de António Costa à RTP, publiquei um breve comentário no FB que  me valeu severas críticas por ter afirmado que considerava António José Teixeira e André Macedo bons jornalistas.Embora admita que André Macedo tenha exagerado no tom quezilento que imprimiu à entrevista, no essencial, mantenho tudo o que escrevi.
Devo agora acrescentar que assisti na RTP 3 ( apenas por breves minutos, porque não aguento ouvir tanto alarve em simultâneo e sem contraditório)  a um exemplo brilhante do que é sectarismo e manipulação de informação.
 Não lembraria a ninguém com um mínimo de pudor e de noção do que é informar, nomeadamente num serviço público, convidar para um painel de análise à entrevista, apenas  jornalistas que sempre  manifestaram apoio ao governo  Coelho/Portas. Com  que isenção pode fazer análise política gente que  parecia ter um orgasmo cada vez que o governo pafioso anunciava uma medida de austeridade? Que  isenção se pode esperar de quem andou durante quatro anos a elogiar sem qualquer sentido crítico a política de austeridade, antes ( ou depois) de abancar em restaurantes de gama alta na companhia de membros do governo?
Quem, com um mínimo de seriedade, rigor jornalístico e noção de serviço público, se lembraria de convidar Helena Garrido, José Manuel  Fernandes e David Dinis ( porta vozes e acólitos do governo apoiado por Schaueble que têm em comum um ódio visceral a António Costa) para fazer uma análise objectiva da entrevista ao pm de quem são assumidos opositores? 
Lembrou a Paulo Dentinho. Assenta-lhe bem, porque assim só quem quer se deixa enganar com a lenga lenga da"informação de confiança" que anda a vender a alguns incautos. Lamentável este exemplo de manipulação informativa protagonizado pela televisão pública. No entanto, reforça o que ontem escrevi após a entrevista.
Até porque, infelizmente, há mais ( e mais graves) exemplos de manipulação informativa que nos obrigam a estar alerta e ser muito criteriosos  na hora de escolher onde queremos ver, ouvir ou ler notícias. 
Como este post já vai longo, amanhã voltarei ao assunto. 

Brandos Costumes

A carta por pontos entrou em vigor há seis meses. Face ao que vejo na estrada de manobras perigosas, pessoas a falar ao telemóvel enquanto conduzem, desrespeito pelo sinal vermelho, mudanças de faixa de rodagem nas auto estradas à Fittipaldi e sem fazer piscas; estacionamento nas cidades em locais que colocam em risco a segurança de outros condutores,  desrespeito pelas passadeiras para peões, etc, pensei que o final do ano não chegasse sem ver, pelo menos, uma centena de cartas de condução cassadas. Entrados em dezembro, afinal só 8 condutores tiveram esse azar. Neste período,  foram retirados pontos a 3012 condutores, um número manifestamente baixo, considerando o comportamento visível dos condutores nas estradas e nas cidades.
As autoridades ( nomeadamente a ASAE) também têm lançado avisos, informando que estão particularmente atentas ao consumo de álcool por menores. Ao fim de ano e meio,só foram apanhados 198 menores a desrespeitar a Lei.
As autoridades queixam-se de falta de recursos humanos mas, pelo que me tem sido possível constatar, esse não é o principal problema.
Chamem-me o que quiserem, mas há demasiada tolerância e fechar de olhos às infracções.O país de brandos costumes que existe dentro de cada um de nós, não consegue assimilar a ideia de que fechar os olhos a uma transgressão grave, ou condescender com a situação de um menor apanhado a beber um shot ou uma cerveja, é ser cúmplice e conivente. Quem cometeu uma infracção grave, injustificadamente, se for perdoado, tem tendência a arriscar uma segunda oportunidade. Uma criança apanhada a beber álcool deveria, no mínimo, apanhar um grande susto e os pais deveriam ser chamados à pedra para explicarem porque deixam miúdos de 12 e 13 anos andar na noite de Lisboa (e não só, como se viu recentemente com o caso de Ponte do Sor) a enfrascarem-se. E deviam ser fortemente coimados por isso.
 Por outro lado a legislação, nomeadamente no que concerne ao consumo de álcool, padece de coerência e eficácia. Não é admissível que um menor que entre num hospital, quase em coma alcoólico, mas com um braço partido, por exemplo, fique registado como " braço partido devido a  queda". Esta falta de rigor desvirtua totalmente os dados estatísticos e é mais uma faceta deste país de brandos costumes.
Lamento, mas assim não vamos a lado nenhum.