segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Memórias em vinil (11)

A partir de hoje, as recensões serão mais curtas. Salvo quando se justifique, pela pouca proeminência do intéreprete.
Não é este o caso. Alain Barrière tornou-se conhecido pela sua participação no Festival da Eurovisão, em 1963, com a canção "Elle était si jolie".  No ano seguinte conheceria o maior sucesso da sua carreira com  "Ma Vie" (1964).
No ano seguinte foi para os Estados Unidos, onde viveu 4 anos e depois para o Québec ( onde muitos cantores franceses daquela época se "refugiavam") de onde saiu, para regressar a França em 1997. Não voltou a ter nenhum grande sucesso. 
Tenham uma excelente noite!



1Q84:universos paralelos ( ou quando a ficção se torna realidade)


Volto hoje a fazer referência a  um livro sobre o qual escrevi em 2012. Tenho uma boa razão para o fazer e gostaria muito que os leitores do CR opinassem sobre o assunto. É que neste post pode estar a explicação para o facto de em jovem ter tido ambições, sonhos e desejos que não se concretizaram.
Não seja tão radical, caro leitor. Acrescente "um" AINDA. Quando acabar de ler o post, vai perceber porquê.





Muita gente no mundo inteiro se apaixonou pela história  de 1Q84. Não terei sido certamente o único a questionar (me) se a obra de  Murakami seria mera ficção.
Lembro-me que ao colocar a questão numa tertúlia, olharam para mim como se fosse tolinho. É que eu ainda fui mais além de Murakami e coloquei a hipótese de termos tantas vidas como os gatos. Pelo menos.Não sucessivas, mas em simultâneo.
Então por que razão só vivemos uma? perguntarão leitores  mais cépticos. Ou realistas e com os pés bem assentes no chão, se preferirem.
Pois, segundo a minha pessoalíssima teoria ( alvo de escárnio e mal dizer na tertúlia onde me atrevi a expô-la) isso explica-se porque apenas percepcionamos uma vida de cada vez mas, neste exacto momento, estaremos a viver  umas outras quantas vidas noutros universos paralelos, com outra consciência, outra identidade, outra conexões, amizades e contextos. A morte seria, assim, apenas o estádio ( momento) em que desconectamos as ligações neste Universo e transitamos para outro onde passamos a percepcionar outra vida, com outra  identidade. Claro que isto coloca questões sobre a noção de tempo e  energia cinética que não vou aqui abordar.
No terceiro volume de 1Q84, Murakami não é explícito quanto ao "encontro" ( reparem que escrevo encontro entre aspas) de  Aomame com Tengo.  
Porque vivem vidas paralelas que nunca se encontram, ou porque  as vidas deles, como a(s) nossa(s,) é (são) um puzzle que só se resolve quando as pedras todas se encaixarem? E será possível resolver esse puzzle? Quando? Com que objectivos? Fruto de que circunstâncias? E o que acontecerá depois desse "encontro"? E terá o "encontro" de ser limitado a duas energias, ou poderá ser um encontro de múltiplas energias, inclusive de universos diferentes? E os corpos que "vestem" essas energias serão iguais, idênticos, ou radicalmente diferentes?
São tudo perguntas sem respostas. A que Murakami não quis ou não soube responder. E para as quais que eu, obviamente, também não tenho resposta.
Há, porém, algo que me conforta e levou a recuperar 1Q84. É que agora há cientistas que dizem ter provas de que a morte não existe (pelo menos como a interpretamos) e é pura ilusão. Melhor ainda de acordo com este cientista há mesmo uma multiplicidade de universos paralelos onde vivemos em simultâneo.
Não faço ideia que provas serão essas e estranho mesmo que, em existindo, não sejam divulgadas, mas conforta-me saber que há cientistas a defenderem, com bases científicas, aquilo que eu expus como mera questão académica  numa tertúlia. Pelo menos fico com a certeza de que tenho mais alguns tolinhos, com credenciais de cientistas, a fazer-me companhia.






  

Una giornata particolare*




O domingo até começou bem. A manhã esteve soalheira e a meio da tarde veio a notícia de que o candidato de extrema direita tinha sido derrotado nas eleições austríacas.
Muita gente suspirou de alívio, embora eu não tenha compreendido bem esse suspiro porque, apesar de derrotado, teve quase 45% dos votos. Além disso ali ao lado, na Hungria, há um fascista no poder, mas a Europa não dá grande importância  a isso.
Ao final da noite veio a notícia que pode significar a estocada final no projecto europeu: Renzi perdeu o plebiscito e demitiu-se.
Apesar das consequências que pode ter para a Europa, eu diria que a derrota de Renzi é uma boa notícia. Ele fez chantagem com os italianos e transformou o referendo num plebiscito.Se tivesse ganho, não faltariam lideres europeus a seguirem-lhe o exemplo.
Sinceramente, nesta altura do campeonato, apesar de temer os efeitos de uma eventual saída da Itália da UE, prefiro um rápido clarificar das águas, do que a paz podre em que a Europa tem vivido na última década.

* Este fabuloso  filme de Etore Scola, com Marcelo Mastrioani e  Sophia Loren decorre no domingo em que Hitler visitou Roma: 6 de Maio de 1938.