terça-feira, 29 de novembro de 2016

Memórias em vinil (7)




Teve vida curta esta banda rock francesa. Fundada em 1961, tinha no vocalista Dick Rivers a principal estrela.
Pode dizer-se que  durante a sua curta existência, a banda teve dois grandes sucessos. O primeiro foi este "Oh Lady" (1961)onde sobressai a magnífica voz de Rivers



No final do Verão de 1962, durante uma tournée, Rivers decidiu abandonar o grupo e  prosseguir a carreira a solo. A banda foi fortemente abalada  com a sua saída e viria a extinguir-se em 1965.
No final de 1962 ainda gravaria   "Derniers Baisers",  a versão francesa de "Sealed with a kiss". tendo obtido algum sucesso.
Após "Derniers baisers" e  a entrada de Mike Shannon para o lugar de Dick Rivers, a  banda perdeu fulgor e  não conseguiu contrariar a forte concorrência de "Les Chaussettes Noires".
Para a História ficou esta canção que evoca o final do Verão e o fim das férias.

Tenham uma boa noite com este cheirinho a Verão!

Tesourinhos

Foi hoje aprovado  na AR o OE para 2017.
Parece-me oportuno recordar que o primeiro Orçamento Geral do Estado remonta ao ano de 1881 mas, já desde 1821 que é possível encontrar propostas de contas públicas apresentadas pelo governo às Cortes.
Num livro editado pela AR em 2006 ( Os Orçamentos no Parlamento Português) é possível encontrar documentos muito interessantes do tempo da Monarquia Constitucional.
Da Biblioteca Digital do Ministério das Finanças, no site da Direcção Geral do Orçamento respiguei  este precioso documento de 1836, onde é possível constatar que muitos dos argumentos que hoje irão ser esgrimidos na AR, por governo e oposição, são  exactamente iguais aos que se discutiam  há 180 anos.
Ora atentem apenas nestes extractos:





As pombinhas da Catrina



Há dias dizia, entre amigos,  que o governo devia evitar euforias nas comemorações do 1º aniversário, porque o caso CGD estava a ferver e uma desagradável surpresa poderia estar para lhe rebentar nas mãos.  Há situações em que preferia não ter razão, pelo que recebi a notícia da saída de António Domingues da Caixa com bastante descoroçoamento e  apreensão.
Já em tempos critiquei aqui o silêncio do governo, perante a recusa da administração em entregar as declarações de rendimentos. Sobre António Domingues, já ontem escrevi aqui o que pensava, tendo-lhe atribuído um lugar na caderneta de cromos, com o nº52.
Hoje é o momento para tecer algumas considerações sobre a atitude irresponsável do BE que, em última análise, será chamado a prestar contas se o futuro da CGD for, como se teme e adivinha,  fortemente penalizador para todos os portugueses.
Ao alinhar com a política de terra queimada que PSD e CDS adoptaram em relação à Caixa, o BE avalizou as intenções da direita de tentar, a todo o custo, forçar a privatização da CGD.
Há muitos tubarões interessados em levar a CGD ( o único bem público relevante que nos resta) e  PSD  e CDS são os seus testas de ferro.
Aquilo que o PCP topou à distância, Catarina Martins não conseguiu perceber nas palavras de Maria Luís Albuquerque, nem com a tentativa desesperada de António Costa, ao requerer uma segunda votação da proposta apresentada pelo PSD.
Por outro lado, sabendo Catarina Martins que os administradores da CGD, mesmo que contrariados, já tinham acordado  entregar as declarações de rendimentos no TC, não devia ter insistido em votar um diploma que conduziria, inevitavelmente,  à demissão dos administradores.
Pode - e deve- criticar-se severamente o finca-pé de António Domingues e demais administradores que pretendiam um regime de excepção. É legítimo concluir que pessoas que exigem tratamento especial, não devem estar à frente de instituições públicas.
O problema é que a demissão de António Domingues poderá criar um gravíssimo problema na CGD que se reflectirá, inexoravelmente, no défice de 2017 e, por consequência, nos bolsos dos portugueses. In limine, poderá mesmo levar à sua privatização.
Enquanto o PCP engoliu um sapo, porque percebeu todo o puzzle, o BE resolveu dar aos portugueses mais uma prova de irresponsabilidade. Ou porque não percebeu a jogada da direita- o que é grave- ou porque mesmo percebendo e tirando as ilações consequentes, insistiu no finca pé. O que é ainda mais grave.
António Costa não está em condições, neste momento, de jogar este trunfo a seu favor mas o PCP, a seu tempo, não deixará de o fazer na tentativa de capitalizar ganhos eleitorais.
Era altura de Catarina Martins perceber que a irresponsabilidade se paga caro. Mas a esquerda  nunca aprende com os seus erros. Pelo contrário, parece ter algum prazer em se mortificar, insistindo em repeti-los.
Assim sendo, Catarina, não te queixes se os portugueses te cortarem as asas quando forem chamados a manifestarem-se nas urnas.