quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Memórias em vinil (3)

Entre os vários discos de Charles Aznavour da minha discoteca em vinil, escolhi este por uma razão: a capa.
Hoje em dia, será difícil encontrar uma capa de um CD, ou um anúncio a um filme ou programa de televisão, onde o protagonista esteja a fumar. Depois, o ar negligé de Aznavour é muito sixties, e revejo-me muito nessa forma de estar...
Seria mais fácil pegar num dos retumbantes sucessos deste arménio ( e são tantos!)  mas, pese embora  nenhuma das canções deste 45 rpm de 1962 ter sido um sucesso estrondoso, este dueto com Liza Minneli ( Les comediens) merece uma audição atenta. 


Recordo também a canção que, aos 36 anos,  catapultou  Charles Aznavour para o sucesso, depois de vários anos ignorado, criticado e malquisto. Foi graças a  Edith Piaf que não abdicou de uma  carreira na Europa  e foi viver para Montreal. A diva apostava nele e noseu sucesso.
Que chegou na noite  de 12 de Dezembro de 1960  no Alhambra ( não o imponente palácio de Granada, mas sim uma pequena sala de espectáculos parisiense). Nessa noite, Aznavour encerrou o seu espectáculo com uma canção escrita para Yves Montand, ( je m'voyais déjà) que o cantor/actor nascido em Itália, mas símbolo francês,  recusou. 


A década de 60 foi de ouro para a canção francesa. Muito particularmente para este arménio que conquistou adeptos entre jovens e adultos Sucessos como "Que c'est triste Venise"( 1964),  "Et  pourtant" ( 1963) "La Boheme" (1965), "La Mamma" (1963), "Hier encore" (1964) ou o magistral  "Il faut savoir" ( 1961) fazem parte da discografia de qualquer melómano francófono que se preze ( como penso ser o meu caso).
No dia 10 de Dezembro ( 2 dias antes de se assinalar o 56º aniversário do sucesso no Alhambra) Aznavour virá cantar a Lisboa
Aos 92 anos, mesmo sem a voz que o caracterizou, o cantor que a Arménia promoveu a herói nacional, não  deixará de  cantar os  seus grandes sucessos . E, certamente, outras canções menos conhecidas  do grande público, mas que  pontuaram a sua carreira. Estou a lembrar-me, por exemplo de "Comme ils disent" ( 1972) uma canção que aborda abertamente a  homossexualidade, tema ainda tabu naquela época. 
E é com esta canção de Charles Aznavour que vos deixo. Tenham uma boa noite.


Haja paciência.Chiça!

A minha vontade, depois de ler esta badalhoquice de um sem vergonha, era mesmo mandá-lo bardamerda, mas como ando com falta de pachorra para aturar imbecis, fico-me por este episódio da vida real. Ao fim e ao cabo é desta cepa que são feitos os Passos desta vida.
Então aqui vai.
Na aula de técnicas editoriais, depois de corrigir alguns erros ortográficos e ter sido alvo de uma pequena reprimenda pela falta de cuidado na escrita, uma aluna perguntou:
- Mas para que precisamos de nos preocupar em corrigir os erros ortográficos? Não é essa a função dos correctores?