sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Os Vampiros


Entre as doenças oncológicas, o cancro do pâncreas é dos que tem mais elevada taxa de morbilidade. Ao fim de 5 anos, só 20% dos doentes sobrevivem.
A cirurgia, além de complicada e de alto risco é muito dolorosa, de recuperação lenta e exige acompanhamento interdisciplinar quase permanente.
Ontem, Dia Internacional do Cancro do Pâncreas, Eduardo Barroso chamou a atenção para os anúncios" criminosos" de embusteiros que, com a cumplicidade de alguns hospitais, passam na nossa rádio.
Estes anúncios de milagreiros são um embuste e uma exploração indigna dos doentes, pelo que não se admite que ainda seja difundido na nossa rádio.
Enquanto quem de direito não toma providências, proibindo as rádios de difundir o anúncio,  sugiro que vejam ( e eventualmente divulguem) os alertas  do Dr. Eduardo Barroso



Jornalismo de alcova




O comissário europeu  esteve hoje em Lisboa. Ao início da tarde deu uma conferência de imprensa conjunta com Mário Centeno onde confirmou que não haverá sanções nem corte def fundos estruturais, enalteceu os progressos económicos de Portugal, reafirmou que Portugal está finalmente no bom caminho (Carlos Moedas dissera o mesmo ontem) e que o risco de  não cumprir as metas do défice em 2017 e 2018 é de 0,01%. 
Foi estabelecido que  os jornalista só podam fazer 3 perguntas a Moscovici e outras tantas a Centeno.
O primeiro jornalista perguntou a Moscovici qual era o risco de Portugal não cumprir o défice e a Centeno se o adiamento da  recapitalização da  CGD para 2017 visava adiar para o próximo ano o impacto dessa recapitalização.
As duas jornalistas que se seguiram perguntaram a Moscovici se tinha discutido a CGD  com o Banco de Portugal e o que pensava o  comissário europeu dos problemas do acordo estabelecido entre a CGD e o Governo.
A Centeno, as duas jornalistas colocaram a mesma questão: se havia um acordo escrito entre o governo e a CGD para que os administradores não entregassem as declarações de rendimentos.
Eu teria pelo menos 5 perguntas a fazer a Centeno relacionadas com a reunião que manteve com Moscovici e as notícias aparentemente positivas desta semana, entre as quais se destaca o grande investimento anunciado pela Renault em Cacia.
As jornalistas presentes, apesar de só disporem de duas oportunidades, optaram por colocar questões  relacionadas com assuntos de alcova.
Eu não me espanto, apenas me envergonho, do jornalismo que se vai fazendo em Portugal. 
Há cada vez mais profissionais a denegrir o jornalismo porque, em vez de pensarem e  fazerem um esforço para justificar a carteira profissional, optam por replicar as perguntas que o companheiro de alcova lhes sugeriu.
Para isso, não é preciso pagar a jornalistas. Basta ir a um bordel e contratar para as redacções profissionais especialistas em conversas de alcova. 

A greve



Os funcionários públicos estão hoje em greve. Têm muitas razões para estar descontentes.
As carreiras estão praticamente congeladas há mais de 10 anos, a transparência dos concursos continua a deixar muito a desejar,os salários estiveram sempre a diminuir desde 2010, há desigualdades salariais dentro das mesmas categorias, os horários de trabalho são diferenciados e foram, durante quatro anos, os bombos da festa sempre que se falava em reduzir a despesa.
Há no entanto uma grande diferença entre a justeza de uma greve e a sua oportunidade. E não me parece oportuno marcar uma greve poucas semanas depois de os funcionários públicos terem recuperado os salários que o governo anterior lhes tinha extorquido.
Ainda não sei se a adesão foi elevada, mas arrisco dizer que, apesar de ser sexta feira, terá sido a mais baixa dos últimos anos.
Seja qual for a adesão, Ana Avoila bem pode limpar as mãos à parede. Hoje os funcionários públicos queimaram um cartucho das escassas munições que têm para demonstrar o seu descontentamento ao patrão.
Tudo ( incluindo o bom senso) aconselhava que a greve só tivesse lugar em 2017. Exigir um aumento de 4% neste momento é absolutamente irrealista e despropositado. Os funcionários públicos vão, uam vez mais, ser vítimas da sede de protagonismo de uma dirigente sindical que já deu sobejas provas de falta de sensatez e perspicácia.