quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Mário Viegas




Para aliviar a tensão dos últimos dias aqui fica um momento de boa disposição que serve para recordar Mário Viegas, nascido a 10 de Novembro de 1948.
Obrigado à Joana Lopes por me ter lembrado. 
Mário Viegas morreu no dia 1 de Abril de 1996. Eu estava em Bahia Blanca e terminei o dia assim.

Websummit, a cimeira dos anjinhos

Ponto prévio: a vinda da Websummit para Portugal é uma  boa notícia para Lisboa e para o país.
Há, porém, alguns mitos que convém esclarecer sobre empreendedorismo e investidores que nela participam. Comecemos pelos investidores.
Porque há já alguns anos me dedico ao estudo desta matéria, tendo inclusive publicado alguns artigos em revistas da especialidade, esta notícia do jornal
" Público" deixou-me boquiaberto.
«Falta de capital público fez cair em 16% o investimento dos business angels» (Público, 6/6/16).
Os meus neurónios dispararam e a pergunta brotou, inevitável:Que tem o capital público a ver com o investimento dos business angels nas start ups?
Fui investigar e cheguei a conclusões muito interessantes.
Antes, porém, esclareço os leitores menos familiarizados com o tema que um "business angel" é um investidor que arrisca o seu capital em startups,

(ainda em fase embrionária) sem que exista uma relação familiar entre o investidor e a empresa. Normalmente são investimentos de elevado risco e numa lógica de longo prazo, por se tratarem de empresas emergentes que exploram áreas de negócio novas.
Ora, dentro desta lógica, a notícia do Público levantou-me a seguinte questão:
Se os business angels estão a investir e arriscar o seu próprio dinheiro, como é que a falta de capital público fez cair o investimento que fazem? A não ser que...
Pois, é isso mesmo, caro leitor. Estes investidores tão bonzinhos, que até  são conhecidos como anjos, investem nas start ups, mas não sem um amparo do Estado, Ou seja. Investem, mas precisam do nosso dinheiro como garantia. 

Muitos destes business angels, provavelmente, criticam o governo por não dar apoio às start ups às segundas, quartas e sextas, mas nos outros dias da semana insurgem contra a intromissão do Estado  nos negócios dos privados.
Certo, é que assim que a teta do Estado secou, fizeram um manguito às start ups. Eu preferia chamar a esta gente investidores comissionistas, ou funcionários investidores, mas  business angels, além de ser  fixe, é inglês.
Quanto aos anjinhos, somos nós, contribuintes que merecemos o título. Sempre é melhor do que chamarem-nos patos...

O champagne ainda está no congelador

Fez ontem 27 anos que caiu o muro de Berlim. Em 2009, quando a blogosfera celebrava entusiasmada os 20 anos desse acontecimento, escrevi dois textos contra a corrente. Este, que hoje aqui reproduzo, escrito num blog colectivo em que então participava, valeu-me severas críticas.
O outro foi escrito aqui no CR e podem também lê-lo se seguirem o link no final deste texto. Se lerem os dois, talvez cheguem à mesma conclusão que eu: a vitória de Trump começou há 27 anos.

  


Não gosto de muros, seja qual for a sua origem ou a justificação esfarrapada para os erguer. Não fiquei por isso, indiferente, quando há 20 anos o muro de Berlim começou a ser derrubado. Mas, como antevi no próprio dia em que o muro de Berlim se começou a desmoronar,  outros se ergueram depois. Com o mesmo ódio e insensibilidade que levou a construir o de Berlim, separando famílias, matando sonhos, privando milhões de cidadãos da liberdade. Ergueram-se perante a indiferença dos que aplaudem a queda do muro de Berlim.
Não encontro, por isso, razões para festejar seja o que for, enquanto houver muros a servir de barreira à liberdade. Fá-lo-ia, se  a queda do muro de Berlim tivesse contribuído para a paz e segurança no mundo. Mas, se isso tivesse acontecido, as Twin Towers ainda estariam de pé, não teria havido a invasão do Iraque, os Balcãs não se teriam tornado num barril de pólvora, não estaríamos a assistir às chacinas diárias no Afeganistão, no Iraque ou no Paquistão. Arrisco mesmo dizer, que as democracias ocidentais talvez estivessem mais solidificadas, a corrupção não teria alastrado como um cancro e teríamos mais paz e estaríamos mais seguros, se o império soviético não se tivesse desmoronado como um baralho de cartas, deixando o ocidente de mãos livres para agir, sem a ameaça do inimigo de Leste.
Dir-me-ão alguns que os cidadãos de Leste vivem agora mais livres e mais felizes. Nos últimos dias, li vários testemunhos de cidadãos dos países de Leste na imprensa portuguesa e estrangeira, que o desmentem. Não se enxerga por lá tanto entusiasmo como no ocidente e entrevê-se, aqui e ali, algum saudosismo do passado. Todos os que foram capazes de olhar para o Muro dos dois lados, compreenderão porquê.. A maioria, porém, ficou do lado ocidental e guardou um bocadinho como “souvenir”. Inebriada com a queda, esqueceu-se que do outro lado também havia vidas. Foi isso que jornais como o “Público” ou o “El País”  quiseram mostrar. Que do lado de lá  nem todos comungam da euforia ocidental. Mesmo sem serem simpatizantes do comunismo, nem terem pertencido à Stasi, não apreciam um modelo social que aprofunda as desigualdades, e se baseia exclusivamente no poder do dinheiro.
Os muros têm sempre duas faces. Estive do "outro lado"antes e depois da queda do muro e do desmembramento  da URSS. A viajar e a trabalhar.
Dois anos depois da queda, os países de Leste eram invadidos por uma parafernália de produtos ocidentais, mas também de contrafacção feita na China, Tailândia ou Taiwan e pagavam custos sociais elevados.Na Polónia, Hungria e Checoslováquia o desemprego crescia assustadoramente ( 2 milhões na Polónia no final de 1991) o poder de compra descia 30 por cento e os mendigos começavam a invadir as ruas de Varsóvia, Budapeste  e de outras cidades do Leste Europeu.
Os preços dos bens essenciais duplicavam em 12 horas, a inflação  era galopante, registava-se  uma queda na produção (por dificuldades em exportar e pela reduzida procura interna) e  a descida vertiginosa do Produto Nacional Bruto, que atingia 28 por cento na Roménia e 30 na Bulgária. 
A queda do muro de Berlim, tão festejada no ocidente, não contribuiu para a queda dos  fundamentalismos, nem para a paz e cooperação entre os povos porque representou, apenas,
a vitória da Internacional Consumista, que edificou outros muros muito mais difíceis de derrubar.