sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uma alemã em Chaves

Em Chaves encontrei uma alemã em pânico. 
Querem saber como a consegui acalmar?

Vai um cafezinho?




Leio na "VISÃO" que, num futuro muito próximo, o hábito de tomar café  por dá cá aquela  palha está em risco porque, de acordo com estudos recentes, as alterações climáticas ameaçam 50% das áreas de cultivo. A culpa é do calor,  que favorece pragas como a ferrugem do cafeeiro que danificam as áreas de cultivo.
Por outro lado, os produtores queixam-se que as suas margens de lucro encolheram demasiado e deixou de compensar produzir, pelo que optam por culturas mais rentáveis.
  Mas será mesmo assim?
Lembrei-me do que vi na Papua Nova Guiné e às tantas a história está mal contada
Peço ao leitor que magine o seguinte cenário:
Um restaurante ( em qualquer ponto do país) afamado pela sua gastronomia e também pelos preços que pratica - caros!!!
Na altura de tomar café, é-lhe apresentada uma vasta lista daquela bebida, com marcas de proveniências várias. Opta por uma chávena de Sagris da Papua , cujo preço é de 4€.
Recorde-se então de uma viagem que fez ano passado àquele país e da visita a algumas plantações de café, na zona de Madang, onde constatou as condições precárias em que trabalham os nativos que andam na apanha do café e soube que auferem a fabulosa quantia de 3 cêntimos à hora ( repito: TRÊS)!
Fazendo rapidamente as contas, chega à conclusão que um trabalhador da apanha do café na Papua Nova Guiné teria que trabalhar 100 horas para pagar um café naquele restaurante. Apesar de tudo, constata que a situação já é melhor porque, em 1992, o mesmo trabalhador precisava de 164 horas de trabalho. Se o leitor for optimista, dirá: Vantagens da globalização.
De certeza? Olhe que não...
A margem de lucro ainda é muito aliciante, mas não para os pequenos produtores, nem para a maioria das 70 empresas de média dimensão que produzem café, porque os três maiores produtores estão a comprar grandes quantidades de café, esmagando as margens de lucro dos pequenos e médios produtores. Dentro de poucos anos, haverá no mercado apenas três produtores que controlarão o preço do café e, por arrastamento, determinarão o preço final ao consumidor. Pior ainda, serão esses três produtores a determinar as percentagens da produção de café que chegarão ao mercado para ser consumidas como bebida, já que a indústria alimentar absorverá grande parte da produção para utilizar em produtos com sabor a café.
Mas, afinal, não há razão para nos preocuparmos. O que se passa no mercado do café, já acontece com muitos outros produtos alimentares. O vampirismo da distribuição sempre foi o maior inimigo dos consumidores.