quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Do mulherio

António Guterres acaba de ser eleito secretário geral da ONU por aclamação. Ontem e hoje, ao longo  do dia, organizações de todo o mundo, representando todos os quadrantes ideológicos, aplaudiram a escolha do ex- primeiro  ministro português para liderar a mais importante organização internacional.
No entanto, como não há bela sem senão, as organizações internacionais de mulheres foram quase unânimes nas críticas à escolha de Guterres, por se tratar de...um homem.
Uma dessas organizações diz que a eleição de Guterres é "um ultraje", outra fala em injustiça e uma outra de "jogos de bastidores" para eleger Guterres.
Achei especial piada a esta última. As organizações de mulheres não consideraram jogo de bastidores, nem golpada, a candidatura de Kristalina Georgieva.. Nem perceberam o significado  da votação que colocou a candidata de Merkel  na oitava posição entre 10 candidatos. 
Quer isto dizer que para estas lideres das organizações de mulheres, o mais importante seria eleger uma mulher, independentemente das suas capacidades, do seu perfil, ou de ser eleita à custa de uma jogada badalhoca liderada por uma alemã megalómana e sem escrúpulos.
Esta posição das organizações de mulheres diz muito sobre o carácter das suas dirigentes e sobre os princípios que norteiam essas organizações.
Digo-o há muito...As mulheres são as piores inimigas delas próprias e as organizações que teoricamente as representam, o maior obstáculo à  aceitação das suas reivindicações junto da  opinião pública.
Na verdade não se trata de mulheres. É mulherio. No pior sentido do termo. Estas organizações fazem muito mal às mulheres e descredibilizam a luta de muitas que, desde o tempo das sufragistas,  exigem igualdade de direitos. 

Cries and whispers

Guterres conseguiu ontem uma vitória em que poucos acreditavam, depois da jogada badalhoca da senhora Merkel.
O facto de ser um português com a dimensão de António Guterres a derrotar Merkel, dá-me um gozo muito especial mas, mais importante ainda, é constatar que, por uma vez, a decência imperou na ONU.
É certo que Merkel (caída em desgraça a nível interno e agora humilhada a nível mundial), mais o rodinhas das finanças alemãs, tudo farão para minar o mandato de Guterres. Os alemães não se rendem sem uma guerrinha e umas litradas de cerveja.
Já a derrota da candidata do Partido Popular Europeu( a búlgara Kristalina Georgieva) deve ser encaradas com algum optimismo. A  tentativa dos populares dominarem o mundo, depois de terem conquistado a Europa, falhou.  E isso é uma boa notícia.
Já as derrotas de Pedro Passos Coelho, Durão Barroso, Mário David e corja laranja vendida a Schaueble, deram-me aquele gozo único que só as derrotas dos pulhas proporcionam.