quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Those were the days (31)


Não era muito assíduo na leitura de revistas musicais, mas esta era a minha preferida. E a vossa?

Coisas do Arco da Velha ( uma delas tem prémio)

Hoje o dia foi fértil em notícias estapafúrdias, quase  inverosímeis. Ou, como diz a sabedoria popular, "Coisas do Arco da Velha".
Ora vejam só estas:
1-" Esgotaram os bilhetes do Metro" Se fosse no Burkina Fasso todos nos riríamos daqueles atrasados. Mas foi em Lisboa, pá! Diz- se que a culpa  é da empresa fornecedora que não cumpriu os prazos de entrega. Se isso é verdade, só há uma coisa a fazer: exigir responsabilidades à empresa. Acordem! 
2- "DeutscheBank em risco de falência". A sério? Mas não eram só os bancos dos países do sul que faliam, por incompetência dos governos?
3- "Turquia pondera comprar o Deutsche Bank". Veria  esta compra apenas como mais um negócio da globalização, não se desse o caso de me ter lembrado que há uns meses a senhora Merkel foi a Istambul prometer a Erdogan que os euroepus seriam generosos se a Turquia impedisse a entrada dos refugiados e os arrumasse lá num cantinho qualquer onde não dessem muito nas vistas. Não me digam que o Erdogan vai usar esse dinheiro para comprar o banco alemão...(Si non e vero...)
4- "Ministro do Ambiente mandou demolir 81 habitações ilegais na ilha da Culatra".  O quê? Mas a ilha da Culatra não é em Portugal?  E ainda não há manifs e notícias nos jornais para desacreditar o ministro, em defesa dos direitos dos ilegais?
5- "Mário David, o eurodeputado do PSD que anda há dois anos a fazer campanha pela búlgara Kristalina está ligado a um caso de corrupção relacionado com a venda de armamento alemão".  Espera aí... aquela coisa da bandeirinha na lapela só se aplica em território nacional, é? Lá fora os  pafiosos cospem na bandeira e cuidam é dos seus negócios?
6- "Inquilinos querem que Estado pague subsídios aos senhorios pobres" Desculpem lá, mas  nessa não entro.Andei a  dar esmola a um pobre cego no metro e vim a saber que afinal ele era proprietário de um apartamento na Quarteira que aluga de Setembro a Junho. Em Julho e Agosto vai ele de férias com a família
7- "Assunção Cristas quer que os partidos paguem IMI pelos edifícios das suas sedes". Parece uma exigência sensata, não parece?.Seria...não se desse o caso de Cristas defender isenção de IMI para as propriedades da Igreja. Vejam só a coincidência... a sede do CDS está num edifício que é propriedade da Igreja.
8- "IMI de casas devolutas vai triplicar"- E pode? Não estamos num país livre onde cada um faz da sua casa o que bem lhe apetece? Inclusivamente pegar-lhe fogo e mandar a conta à companhia de seguros?E xpectante, aguardo o protesto dos assalariados e jovens casais que se queixam de não haver casas para alugar, contra esta medida que visa, também, dinamizar o mercado de aluguer.
No título deste post, escrevo que uma destas notíias tem prémio.
Hesitei bastante entre as notícias 1,3,6 e 7. Acabei por declarar Cristas (7) a grande vencedora do prémio "É preciso ter lata..."
Os meus caros leitores/as têm toda a liberdade de discordar e escolher outra. Só agradeço que me informem sobre a vossa escolha na caixa de comentários.

Síndrome de Estocolmo, ou da cabeleireira?










O texto acima é parte de um artigo de Daniel Oliveira publicado no Expresso, que encontrei na Joana Lopes
Como é perceptível, o texto aborda a questão do imposto sobre o imobiliário e as reacções que provocou, nomeadamente na comunicação social.
Daniel Oliveira chama a este comportamento dos jornalistas "síndrome da cabeleireira".
Permito-me discordar. Com efeito, não é apenas a comunicação social que se comporta dessa forma. Conheço muita gente que vive honestamente do seu trabalho, sem quaisquer rendimentos extra, que se comporta da mesma forma. Daí que insista na denominação de síndrome de Estocolmo,para qualificar casos de trabalhadores, muitas vezes explorados por patrões. que criticam o imposto sobre quem lhes paga. Reféns que estão do parco salário, saem mais depressa à rua em defesa dos interesses dos patrões, do que dos seus direitos de trabalhadores.
Quanto ao síndrome da cabeleireira, é transversal à sociedade portuguesa e às sociedades democráticas, nomeadamente nos países do sul da Europa e da América Latina, mas também dos EUA.
Foi graças ao síndrome da cabeleireira que Berlusconni venceu eleições em Itália mas, é justo reconhecê-lo, esse síndrome não existiria se a comunicação social o cultivasse com grande denodo.