sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Those were the days (27)


Se eu pedisse aos leitores para identificarem este objecto, a maioria responderia que é um alicate. Correcto. Há apenas um porém... Trata-se de um alicate muito especial utilizado pelos "trinca-bilhetes" hoje conhecidos como revisores. Com este objecto, os trinca-bilhetes, conhecidos em Lisboa como " Picas" fazia um furo que inutilizava os bilhetes, hoje conhecidos como títulos de transporte ( Ver aqui

Caramelos Vaquinha (12)








"Esta paródia senil, protagonizada por jovens burgueses criptocomunistas e habilidosos pantomineiros da velha escola, sairá cara ao meu partido"
(Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS)

Creio que a frase proferida por este prodígio da política eternamente adiado, é suficientemente impactante para justificar o regresso desta rubrica ao CR.
Anda por aí muita gente escandalizada, porque Mariana Mortágua disse que era  preciso ir buscar dinheiro a quem o anda a acumular  graças à  pobreza  a que condenaram outros durante a crise, mas ninguém  se  indignou nem pronunciou sobre as alarvidades deste Betinho.
Portanto, se bem entendi, os portugueses admitem que pessoas que acumularam riqueza durante a crise, à custa da exploração de quem trabalha, ou graças à economia paralela, não devem  pagar impostos, mas sim receber uma medalha no 10 de Junho. 
Ás tantas, vai-se a ver e temos quase 10 milhões de caramelos a viver em Portugal. A Vaquinhas e que nem todos podem aspirar. 

Os Três Porquinhos no divã

Agora que Passos Coelho, forçado pelo PSD, optou por salvar a pele e desistiu de apresentar o livro do candidato a prémio Nobel da pulhice, está completo o elenco dos 3 Porquinhos
Para quem ainda não conheça o argumento, esclareço que o filme decorre no consultório de um psiquiatra e gira em volta de um porco arquitecto com problemas de personalidade que sofre de distúrbios mentais. 
Cada vez que tem uma crise, veste a  pele de uma personalidade. Assim, ao longo da vida já foi jornalista, arquitecto, delator ou escritor ( chegou a sonhar ser prémio Nobel) e uma série de personagens diversificadas quase sempre de má índole e calibre rasca, como foi o caso quando sede armou em detective à caça de gays em elevadores do Chiado.
O filme analisa a fase em que o arquitecto se transformou em Irene, a proprietária de um prostíbulo celebrizada numa canção de o  Nico Fidenco ( A casa de Irene). 
Saraiva, encarnando Irene, narra ao psiquiatra as histórias sexuais que os clientes lhe confidenciavam enquanto esperavam pela  prostituta favorita.
Estupefacto, o psiquiatra pergunta-lhe se o que lhe conta é tudo verdade. Saraiva apresenta-lhe o compincha pig Coelho que confirma as histórias e manifesta ao psiquiatra a sua grande admiração por Saraiva, uma pessoa " de notável inteligência e grande calibre intelectual".
O psiquiatra já não sabe o que pensar daquele duo e equaciona interná-los, mas é nessa altura que entra  o porco Valente, o produtor do filme que assegura nunca ter produzido obra de tão elevado nível técnico, e tão magistralmente escrito.
O psiquiatra pensa ver cifrões a bailar nos olhos do porco Valente e assume que também ele ( psiquiatra) não deve estar a bater bem da bola, por isso dá por encerrada a sessão de terapia  e vai a uma esquadra da polícia, onde apresenta queixa de três indivíduos de raça não identificada, que classifica de "loucos perigosos". 
Fonte bem informada assegurou-me que a verdadeira Irene tenciona processar o autor Zé Saraiva e o produtor do filme Guilherme Valente, pois a sua imagem sai fortemente beliscada. Recordo os leitores que Irene, apesar de muito solicitada pela imprensa italiana da época para divulgar nome de frequentadores do seu bordel, em troca de avultadas verbas, sempre recusou fazê-lo.
Compreende-se, por isso, que recentemente num círculo de amigos , depois de informada sobre o teor do livro,  tenha comentado:
Não admito que um filmezeco pornográfio de série B coloque em causa a minha dignidade. Nem eu, nem nenhuma das meninas seria capaz de divulgar as manias sexuais dos clientes da minha casa. Se não me pedirem desculpas públicas, processo-os.

Entretanto o elenco do filme já é conhecido
Saraiva ( autor) - o porquinho canalha
Passos  (político) - o porquinho cobarde
Guilherme Valente ( o editor)- o porquinho escroque