quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Those were the days (22)



Esta geringonça animava piqueniques ou festas de garagens. Quase impossível não associar de imediato esta imagem a um momento.
Qual a primeira música que associaram a esta imagem?

Seus marotos!

Durante as curtas férias mantive-me prudentemente afastado dos noticiários. As poucas vezes que liguei rádio do carro ou televisor dos hotéis foi para saber notícias dos incêndios. 
Quando iniciei o regresso a casa, permiti-me ouvir os noticiários na rádio.
 Durante dois dias andei confuso, pois em quase todos aparecia Pedro Passos Coelho  com uma voz entaramelada e um discurso típico dos maníacodepressivos, a anunciar a desgraça que aí vem e a atacar a Europa ( Eu nem queria acreditar!) por ter considerado Durão Barroso um lobista.
De Costa, ou qualquer membro do governo, não me recordo de ouvir uma única palavra.Cheguei a pensar que afinal a geringonça apenas me tinha aparecido em sonhos e que Passos Coelho continuava a ser primeiro ministro.
Devo dizer-vos umas coisa, camaradas jornalistas. Sois uns marotos! Andaram dois dias a pregar-me partidas. Com tanta eficácia que uma manhã, em Torre de Moncorvo, acabei por dar razão a uma senhora que gritava a plenos pulmões que tinha sido roubada pelo governo. 
Alguém lhe perguntou qual governo D. Maria?  e a anciã respondeu convicta  o do coelho lambidinho, qual havia de ser? 
Mas esse já não é governo, agora está lá o monhé!- insistia uma senhora  com ar de esposa de presidente da câmara ( pelo menos de vereador, vá lá...)
Qual monhé, qual c..... ( com sua licença)  D. Isabel! Eu bem sei que é aquele tinhoso de Vila Real que me roubou a pensão que é primeiro ministro. Ele todos os dias está na telebisão e o monhé só lá de quando em quando. Esse num manda nada, coitado!   

Ser genial é...

Informar as televisões que um ex-primeiro ministro vai ser detido, para garantir  o necessário aparato mediático capaz de mobilizar a opinião pública. Depois, " deixar fugir" para os jornais  informações sobre a acusação, mas nunca acusando, para que a opinião pública condene o visado com base no que vai lendo nos jornais e ouvindo nas televisões.
Quando a vítima já está "queimada" o trabalho está feito, mas fica a faltar uma peça essencial: a acusação. Sem provas não há acusação, pelo que o génio acusador se vê metido numa embrulhada da qual não sabe como sair.
Decide então recorrer aos seus amigos na comunicação social, para que lhe façam uma entrevista onde se revelará uma pessoa  "feita à medida" dos portugueses: humilde, tacanho e mesquinho.
 Pouco importa que a imagem seja construída e nada tenha a ver com o entrevistado. O toque de genialidade está nas insinuações que  faça ao longo da entrevista, visando a vítima e comparando-se com ela, de modo a que fique bem claro que o entrevistado está a incorrer em graves erros que poderão motivar um inquérito disciplinar.
Aqui chegado, o génio fica à espera, até que a decisão seja tomada.
Entrementes, avisa um jornal de que abandonará o processo da vítima se for alvo de inquérito.
No dia  da confirmação suspirará de alívio. Não encontrou provas para fundamentar a acusação, mas sai em ombros, como uma vítima a quem não deixaram fazer justiça contra os poderosos, tendo sido obrigado a abandonar o processo.
Arruma a secretária e vai para casa tranquilo. Finalmente todos ficam a saber que ele próprio também não acredita na justiça. Pelo menos na dos seus pares, porque na dele continuará a acreditar até ao fim.