terça-feira, 13 de setembro de 2016

Those were the days (20)


Faz hoje 25 anos que foi concluída a ligação entre Lisboa e Porto por auto estrada.
Para quem sempre fez a ligação de automóvel entre Porto e Lisboa pela A1 e não sabe o que era  viajar na EN1, esta evocação talvez não tenha qualquer significado.
Mas eu sou do tempo em que uma viagem de Lisboa ao Porto demorava normalmente 5 horas, excepto em datas festivas,férias e fins de semana, quando o tempo necessário para percorrer os poucos mais de 300 quilómetros que ligam as duas cidades oscilava entre as 7 e as 9 horas  
Demorar uma hora para atravressar Leiria e  hora e meia a duas horas, para atravessar Coimbra era vulgaríssimo e, mesmo fora das horas e dias de ponta, quem fizesse o percurso em menos de 4 horas e meia era considerado um louco do volante.
Saúdo por isso efusivamente o dia 13 de setembro de 1991. Não só porque as duas cidades ficaram mais perto, mas também porque a auto estrada obrigou à modernização de transportes ferroviários e aéreos, que se tornaram mais rápidos e mais amigos dos utentes.
Hoje em dia raras vezes vou ao Porto de automóvel ( é mais rápido, mais cómodo e mais barato ir de comboio) mas quando decido conduzir nesse percurso opto normalmente pela A8, com menos trânsito.
A rede de auto estradas tornou o país mais pequeno e aproximou o interior do litoral, facto de grande relevância para quem, como eu, precisou da estrada para trabalhar durante muitos anos, mas a A1 marcou definitivamente uma nova era em Portugal, no concernente ao transporte rodoviário. Merece, por isso, um lugar neste álbum de recordações.

Nem bons ventos, nem bons casamentos ( Actualização)

Está na altura de os portugueses perceberem, de uma vez por todas, que o adágio " De Espanha nem bons ventos, nem bons casamentos", padece de uma desactualização geográfica.
Noutros tempos, esse  chiste anti espanhol talvez tivesse algum fundamento mas, no último  século, os maus ventos  sopram insistentemente de paragens mais distantes, localizadas no centro da Europa.
Instigadora (e causadora) de dois conflitos mundiais que destruíram a Europa e provocaram milhões de mortos, a Alemanha está apostada em dominar a Europa por via de uma guerra económica e, quiçá, criar condições para um novo conflito armado à escala mundial.
Nos últimos anos, a Alemanha é um ponto de conflito permanente no seio da Europa. Merkel exige aos países do sul que não violem o Tratado Orçamental com défices excessivos, incita a aplicação de sanções, mas a Alemanha foi a primeira a violar as regras e continua a fazê-lo, em virtude do superavit das transacções comerciais. Indiferente às acusações aquele bandalho da cadeira de rodas ainda se ri e ataca Draghi, por ele pedir "humildemente" à Alemanha que cumpra as regras. 
Mas quem é o presidente do BCE para exigir à Alemanha que não se comporte como um maltrapilho fora da lei e se sujeite à regras que obriga os outros a cumprir? A toda poderosa Alemanha está acima da Lei de ponto final.
A tentativa de interferir na política de âmbito mundial tem igualmente vindo a aumentar, com resultados preocupantes. 
As negociações com a Turquia, visando varrer os refugiados para debaixo do tapete é um exemplo dessa política incendiária que a Alemanha de Merkel e Schaueble vêm prosseguindo. O dinheiro pago à Turquia para ficar com os refugiados não só não resolveu o problema, como deu a Erdogan argumentos e pretextos para instalar na Turquia um regime tenebroso que preocupa qualquer pessoa minimamente atenta.
A mais recente acção de Merkel, embora possa à partida parecer inócua, pode resultar num grave problema a nível mundial.
Meteu-se naquela cabeça que a ONU deveria ser presidida por uma mulher. Como se isso fosse garantia de qualidade, paz no mundo e progresso, Merkel lançou-se na empreitada de colocar à frente daquela que deveria ser a instituição garante da paz no mundo, uma mulher. E não encontrou melhor maneira de o fazer, do que criar um conflito.
Quando António Guterres venceu destacadíssimo a terceira pré-votação, pediu a Ban Ki Moon que alertasse o mundo de que tinha chegado a hora de uma mulher exercer o mais alto cargo na ONU. Como o aviso não surtiu efeito ( Guterres ganhou ainda com mais vantagem a quarta votação). Merkel puxou pela sua faceta de alcoviteira e agiu por conta própria.
Primeiro tentou influenciar o G-20 para apoiar uma mulher. Depois, pediu ao governo búlgaro ,que mudasse a sua candidata e apresentasse, no seu lugar, Giorgieva, sua amiga pessoal.
Merkel já veio desmentir, mas entretanto entregou a tarefa de avançar com o apoio à candidatura de Giorgieva, o país mais antidemocratico, xenófobo e racista da UE: a Hungria.
Não acredito que Merkel insista em avançar com a candidatura de Giorgieva para chatear Portugal. O problema de Merkel é ver em António Guterres um candidato de esquerda e um humanista, que não vê as pessoas como simples números. Ela quer uma candidata de direita, apoiada pela direita radical europeia, porque é da sua família política mas, principalmente, porque pensa que chegou a altura de ser uma mulher a dirigir a ONU. Porque é melhor do que Guterres? Não! Porque é mulher!
Custa a acreditar que a chanceler alemã seja tão imbecil, ao ponto de tentar inviabilizar a eleição de um candidato quase consensual e forçar a eleição de uma mulher. 
Esta mania das quotas para mulheres em tudo quanto é sítio começa a ser uma irritante praga que apenas as diminui. Quase tanto, como celebrar o Dia Internacional da Mulher, colocando-a ao nível do Orangotango, do Lince Ibérico ou das Abelhas, que também têm os seus dias mundiais consagrados por lei.
Há mulheres extraordinárias a desempenhar cargos de grande responsabilidade e influência a nível mundial. A ONU não precisava de ser palco destes jogos de poder.
Fazer uma "guerrilha"  para instalar uma mulher apoiada por Merkel à frente da ONU fortalece o poder da Alemanha a nível mundial, mas enfraquece e descredibiliza a mulher que vier a ser eleita por via de jogos de bastidores.
Quanto a nós, portugueses, teremos cada vez mais razões para esquecer os velhos conflitos com Espanha e passar a dizer:
"Da Alemanha, nem bons ventos, nem bons casamentos..."

Em tempo: acabo de saber que afinal a tentativa de Merkel saiu furada e o governo búlgaro não vai apoiar a candidatura de Giorgieva. Isso não invalida a necessidade de alterar o adágio popular.Até porque não acredito que Merkel desista dos seus intentos em evitar a eleição de Guterres.

Bruxelas não paga a traidores?

Custa-me a perceber a indignação do PSD, face à decisão de Juncker em tratar Durão Barroso como um lobista, mas também não consigo entender por que razão só agora a Comissão Europeia tomou esta decisão.
Afinal, Durão Barroso foi sempre um lobista, nunca um político com sentido de Estado.
Já toda a gente percebeu isso, pelo menos desde a cimeira dos Açores e posteriores desenvolvimentos.
Sou por isso levado a pensar que a indignação no PSD é apenas motivada pelo espanto. Como é possível Juncker fazer uma desfeita destas aos meninos mais bem comportados da União Europeia? Afinal Bruxelas não paga a traidores?- pergunta-se insistentemente na S. Caetano à Lapa.
Paga, paga- respondo eu. A prova é que ofereceu a Barroso o cargo de presidente da Comissão Europeia, em retribuição do favor que ele prestou aos interesses ocidentais na cimeira dos Açores.