sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Assim fica difícil, né?

O presidente do Conselho Nacional da Juventude exige que o IEFP tome medidas para evitar que os patrões se apoderem indevidamente dos salários dos estagiários e os obriguem a pagar a Taxa Social Única.
As exigências de Hugo Rocha fazem todo o sentido, como já aqui salientei. Há, porém, um problema que tem de ultrapassar para que se possa fazer justiça: é preciso saber quem são os patrões que andam a vigarizar os estagiários e o Estado.
Ora o presidente do CNJ recusa-se a divulgar os nomes das empresas, alegando que as vítimas temem sofrer represálias. Assim sendo, não será fácil que se faça justiça.
Imaginemos que, num bairro, várias mulheres apresentam queixa em Tribunal, dizendo que foram violadas, mas se recusam a denunciar o violador. Como podem estas mulheres esperar que seja feita justiça?
O mesmo princípio se aplica no caos dos estagiários vigarizados por patrões sem escrúpulos. Ou denunciam os vigaristas, ou estão a contribuir para que outros patrões façam o mesmo. Ainda com maior à vontade, pois sabem que as vítimas nunca os denunciarão, com medo de represálias.
Para lutar pelos nossos direitos, é preciso por vezes fazer alguns sacrifícios e haver sacrificados. Hugo Rocha tinha obrigação de perceber isso e explicar a situação aos queixosos.
 Chamem-lhe roubo, esclavagismo, exploração, o que quiserem, mas isto é inadmissível.

May be...



Theresa May, a Thatcher do  século XXI, será moldada com o mesmo ferro da sua antecessora?  May parece tão atarantada,  sem saber o que fazer com o Brexit, que por vezes dá a impressão de ser pechisbeque, mas a verdade é que a primeira ministra britânica tem um grande imbróglio entre  mãos:deixar tudo em lume brando, não accionando o artigo 50 e deixar o Reino Unido com um pé dentro e outro fora da UE? Um risco que certamente não poderá correr porque, a breve prazo, Alemanha, França e até Itália irão obrigar Londres a definir a sua posição, o que não deixaria de fragilizar a primeira ministra britânica.
A segunda hipótese será convocar novo referendo, que anule o resultado do anterior. Risco ainda mais elevado, porque se o Brexit for confirmado terá sido uma perda de tempo e May será acusada de querer manipular os ingleses. Se os ingleses mudarem de opinião, será confrontada com uma violenta campanha dos apoiantes do Brexit, que esgrimirão fortes argumentos contra May ( incluindo entre os conservadores) na próxima campanha eleitoral.
Sabendo-se que entre os membros do governo as opiniões se dividem entre os defensores de um novo referendo e os que exigem que os resultados sejam respeitados, Theresa May irá viver tempos difíceis. Será capaz de sair airosamente de todo este imbróglio, provocado por Cameron? Para isso tem de convencer os membros do seu governo, apoiantes do Brexit, que afinal estavam errados. Será possível que eles mudem de opinião, por força de perceberem as dificuldades que se colocam aos seus ministérios se o Brexit avançar? May be...

Nacional porreirismo



  1. Um dos episódios mais caricatos da silly season do pípal, que termina este fim de semana,terá ocorrido em Armação de Pera, com a reserva de lugares no areal, ao dardejar dos primeiros raios de sol.
  2. Para além da comicidade da cena, merece destaque a reacção das pessoas quando interpeladas pelos repórteres. Todos consideraram a atitude normalíssima o que, para além de ser  revelador do índice de civismo do tuga, demonstra o seu chicoespertismo quase doentio, que coloca sempre os interesses pessoais acima dos da comunidade.
  3. O tuga é grunho, mas a reacção da comunidade não é muito diferente. Ao considerar este comportamento aceitável, legitima  e instiga o salve-se quem puder, sinal primário de uma sociedade doente.
  4. Em Itália, um comportamento idêntico ao dos veraneantes de Armação de Pêra, equivale a uma multa que pode atingir 200€. Por cá, vale um minuto de fama nas televisões.É o que se chama nacionalporreirismo.