terça-feira, 23 de agosto de 2016

Ponte de Sor: brincadeiras de adultos

A pequena vila de Ponte de Sor saltou este fim de semana para as primeiras páginas pelas piores razoes. Muito se tem escrito sobre a agressão barbara ao jovem Ruben, os miúdos iraquianos já foram condenados em praça publica, mas eu nao vou alimentar esta discussão, enquanto nao poisar a poeira. Nem sempre o que parece obvio corresponde a realidade e o facto de os intervenientes serem todos menores aconselha prudência. Mas também alguma reflexão sobre a violência gratuita entre adolescentes que se embebedam descontroladamente porque...Bem fico-me por aqui,  porque este post nao pretende abordar uma rixa entre adolescentes, mas sim um problema envolvendo adultos. Fica a promessa de voltar ao assunto.
O que me leva a escrever sobre Ponte de Sor relaciona-se com incêndios. Ha dias, um fulano completamente embriagado conduzia de madrugada uma carrinha de caixa aberta. Um pneu terá rebentado, mas ele continuou a conduzir. A jante, em brasa, provocou faíscas que se espalharam e provocaram mais de 20 focos de incêndio. Um deles provocou um incêndio de enormes dimensões.
O autor  ( ainda que involuntário) dos incêndios foi presente a tribunal, acusado de vários crimes de fogo posto e de conduzir embriagado, com uma taxa de alcoolizai de 2,1 g/l.
A juíza  confirmou a inibição de conduzir durante 4 meses, uma multa de 360 euros e dois anos e meio de prisão com pena suspensa. A  viatura ( uma imprestável carrinha de caixa aberta, quica comprada com dinheiro de subsídios comunitários destinados a agricultura) reverteu para o Estado.
Comentários? Para que? Fica apenas a minha gargalhada de desprezo.
Aviso:este post nao tem acentos, porque foi escrito no iPad. O meu computador nao se deu bem com os ares do Estoril..

Um grito pela Europa ecoou no Rio de Janeiro


Talvez a maioria dos leitores saiba quem é a mulher na foto, mas eu confesso que só este fim de semana soube que é italiana, se chama Elisa di Francisca, pratica esgrima e ganhou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
O que  terá ela feito de tão importante, para que eu escreva um post apresentando-a aos leitores do CR tão distraídos como eu?
Pois fiquem sabendo que Elisa, na altura de subir ao pódio, sacou desta bandeira da UE e exibiu-a com orgulho.
É bom saber ( e digo-o sem qualquer ponta de ironia) que ainda há gente  que acredita na Europa, se orgulha de ser europeia  e exibe esse orgulho num evento tão importante como as Olimpíadas.
 Num momento em que a Europa vive mergulhada em contradições e põe em causa alguns dos seus valores fundamentais, é digno de registo - e provocou em mim até uma pontinha de emoção- que uma atleta lance o alerta para  esses valores identitários com que foi educada.
Finalmente, é bom saber que os jovens acreditam na Europa onde cresceram e defendem os seus valores. Isso significa que se essa geração um dia chegar ao poder, talvez possamos encarar com um pouco mais de optimismo o futuro europeu.
Oxalá!

Os remorsos do Homem Branco


Penso que a proibição do Burkini em algumas praias francesas terá efeitos contrários aos desejados  pelas autoridades. Como já aconteceu quando o governo de Paris proibiu o uso da burka e do nikab, o mesmo empresário argelino que criou um fundo de um milhão de euros para pagar as multas, não se importará de desembolsar mais algum para pagar as multas de quem for apanhado na praia com burkini.
Sou contra qualquer medida que interfira com o vestuário, apesar  de muitas vezes me sentir agredido na rua, ou em transportes públicos, por mulheres  normalmente bastante anafadas que, por não terem a noção do ridículo, usam calças descaídas e deixam à mostra  aquele canal que separa os hemisférios da bunda, também conhecidos por glúteos. Devo  mesmo confessar que apoiaria uma medida que proibisse algumas baleias de usar bikini na praia e as obrigasse a usar burkini. É que toda a poluição visual, incluindo a dos painéis publicitários,  me é extremamente incomodativa.
O facto de duvidar da eficácia da proibição do burkini não me impede, no entanto, de criticar aqueles que se insurgiram contra quem decidiu, acusando-os de xenófobos e antidemocráticos.
Aconselho os críticos a visitarem alguns países árabes e beber álcool na rua, enquanto as suas mulheres e/ou filhas vão à praia de bikini. Perceberão, in loco, a tolerância desses regimes aos hábitos ocidentais.
No fim de semana discutia esta questão com críticos e defensores da proibição do burkini. Expressei a minha opinião e manifestei a minha preocupação pela forma como nós, ocidentais, alienamos os nossos valores e cultura,  com receio de sermos considerados racistas e xenófobos.
Foi a isto que Pascal Bruckner chamou “ Os remorsos do Homem Branco”.
Lamento muito confessar que estou de acordo com ele. O colonialismo europeu foi deplorável e não deve ser esquecido, mas não podemos passar o resto das nossas vidas a penitenciar-nos pelo comportamento miserável dos nossos pais e avós. Nem devemos exigir às gerações mais jovens que  continuem a “pagar” pelos pecados dos antepassados, renegando as conquistas que foram feitas nas últimas décadas.

Se insistirmos nesse discurso de penitência, estamos apenas a dar força à extrema direita, cujo discurso é cada vez mais apelativo para os jovens.   E, o que é mais grave e insane, a abrir as portas a regimes totalitários, com o argumento de estar a defender democracia.
Ah, antes que me esqueça... não me venham com a conversa de que a mulher deve pode ir à praia com a indumentária que lhe apetecer. Isso é conversa da treta para desviar a atenção do essencial.