segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Those were the days (10)


Quem frequenta este Rochedo há muito tempo, perceberá a razão de eu nada escrever sobre este ícone da indústria portuguesa.
Para os outros, direi apenas que não me ficaria bem fazê-lo. 
Lamento é que naquela  magnífica série "Conta-me como foi", tenham escolhido uma máquina de costura Singer, em detrimento da portuguesa Oliva... 

Em português nos entendemos?

Um jornalista da RTP, enviado ao Rio de Janeiro, conseguiu fazer uma reportagem no interior da favela "Inferninho", a escassos metros do Estádio Olímpico.
A conversa com os moradores decorria informal, mas interrogativa.
A páginas tantas João Pedro Mendonça (?) entabula conversa com um morador que responde numa linguagem arrevesada.
- Porque está a falar comigo em espanhol e não em português?- pergunta o jornalista
- Porque você está falando comigo em espanhol...

A cena nem sequer é inédita. Acontece-me frequentes vezes no Brasil, porque sempre recusei falar com o sotaque local. Se trago à colação este episódio, é apenas com o intuito de lembrar, a quem ainda não percebeu, que por mais acordos ortográficos que se façam, não será a via legislativa a alterar ou facilitar o entendimento. 
O que explica, também, a razão de poucos autores portugueses  estarem publicados no Brasil.

Taxis? Bye, bye!

Nunca experimentei a Uber. Apesar de várias pessoas amigas me terem afiançado que o serviço  é excelente, mais cómodo e mais barato do que o táxi, sempre tive em consideração, na hora de recorrer aos serviços de taxi, que os taxistas  têm despesas que os motoristas da Uber não têm, como é o caso do alvará. 
Apesar de reconhecer o tratamento quase primitivo de muitos taxistas e o incómodo que representa ter de ouvir música em altos berros, ou comentários trogloditas, durante o percurso, desde que a luta com a Uber começou, admiti que o governo tinha uma tarefa difícil para resolver, se quisesse ser justo. Estive do lado dos taxistas, por considerar que estavam a ser vítimas de concorrência desleal.
O governo conseguiu resolver o problema de forma equilibrada que, admito, não terá agradado inteiramente aos taxistas, nem à Uber. É normal nestas situações.
Menos consensual é que o desagrado dos taxistas tenha tido como consequência uma série de ameaças, veiculadas para a comunicação social, através de Florêncio de Almeida, dirigente da Antral.
Ao insinuar que os taxistas irão fazer justiça pelas próprias mãos,  podendo mesmo recorrer à violência  para resolver o problema, Florêncio Almeida não dá apenas um tiro no pé, debilitando ainda mais a  imagem dos taxistas junto da opinião pública. Afasta centenas de utilizadores dos serviços de taxis

Pessoalmente, não tenciono voltar a utilizar um táxi, enquanto a ANTRAL não retirar as ameaças e pedir desculpa aos utentes pelo seu comportamento.