terça-feira, 2 de agosto de 2016

Quem te manda a ti, sapateiro...

Ontem tive de ir a Lisboa a uma consulta ao hospital. Como me esqueci de levar um livro para aliviar o tempo de espera e a consulta estava demorada, comprei um jornal. Optei pelo DN, cujo conteúdo me pareceu mais apelativo. 
Logo na página 2, ao ler um artigo sobre momentos quentes de meses de Agosto passados, tive de dar azo à minha indignação. É que, a propósito do "Verão quente" de 1975, o jornalista escreve:
" A 18 ( nde: de Agosto) num discurso em Almada que ficou tristemente célebre, Vasco Gonçalves fez a apologia (...)".
Não sei se o autor do texto se esqueceu que é jornalista, se pensava estar a escrever num blog e não no jornal, ou esqueceu um princípio básico do jornalismo: numa notícia o jornalista não dá opinião, nem faz juízos de valor. Limita-se a relatar factos.
A que propósito, com que legitimidade, João Ferreira classifica o discurso de Vasco Gonçalves de tristemente célebre? Pode ser essa a sua opinião e tem todo o direito de a exprimir nas redes sociais ou no seu círculo de amigos, mas não a pode expressar numa noticia de jornal. Isso fica reservado aos comentadores e aos artigos de opinião.
Infelizmente, este é apenas um dos muitos exemplos do jornalismo tendencioso e tendencialmente manipulador que se vai fazendo em Portugal e um pouco por todo o mundo. 
Não conheço João Ferreira, não sei a sua idade, nem tampouco se assistiu ao discurso de Vasco Gonçalves mas se ouviu e tem opinião, deve guardá-la para si, para a família e amigos. Se não assistiu ao discurso e  se limitou a reproduzir o que  leu ou ouviu a outros, então devia ter esclarecido os leitores desse facto. O que nenhum jornalista pode fazer é vender opinião como se fosse notícia. Infelizmente, porém, essa regra parece cada vez mais esquecida e nem os editores são capazes de a lembrar aos jornalistas.

Uma família inglesa




Uma família inglesa foi proibida de viajar na Ryanair, porque o rebento mais novo decidiu alvejar os passageiros à cuspidela durante um voo entre Londres e Edinburgo.
Os passageiros, obviamente, não gostaram de ser confundidos com alvos de dardos por um puto de cinco anos e reagiram. Primeiro educada e pacientemente, tentaram demover a criancinha. Como os esforços se revelaram infrutíferos, pediram a mediação da mãe que se terá manifestado agastada com a reivindicação dos passageiros “ insensíveis ao facto de se tratar de uma criança”. Daí à altercação foi um ápice e o comandante viu-se obrigado a fazer uma aterragem de emergência em Manchester.
Mãezinha e restante família foram obrigadas a desembarcar e seguir a viagem por outros meios. Quiçá a pé, já que criancinha impertinente, com mãe estúpida, não deverá resistir a cuspir em passageiros de comboios e camionetas, se tal lhe apetecer.
A notícia remonta aos primeiros dias de Junho mas pareceu-me oportuno recordá-la, face aos comportamentos que vejo em algumas mãezinhas boas de famílias más (e vice versa) que talvez  por estarem em férias se estão marimbando para os comportamentos intrusivos  das criancinhas que as acompanham, em  praias e esplanadas. 
Um dia destes uma criancinha que me venha mijar nas pernas ( como vi uma fazer a um turista numa esplanada aqui do Estoril, perante o sorriso complacente da mãezinha que a muito custo se levantou para pedir desculpa num inglês macarrónico) leva um piparote que vai parar à praia do Tamariz num instante. E depois a mãezinha ( mesmo sendo boa como esta) vai atrás.
Ah a criancinha só tem dois anos e não sabe ainda bem o que faz? Pois então ensine-a, que é essa a sua obrigação. As mães não têm férias, mesmo quando os filhos foram fruto de um truca truca acidental. Ou venham de um país longínquo  do Leste, como era o caso.