quarta-feira, 20 de julho de 2016

Coelho no País das Maravilhas

Que Passos Coelho é um bandalho cuja palavra vale menos do que a de um criminoso de delito comum, já todos sabíamos. Não era preciso, por isso, dar-se ao trabalho de demonstrar mais uma vez que um acordo para  ele, só se cumpre se der jeito.

Não há pois razão para abrir a boca de espanto, quando ouvimos  Passos Coelho  atribuir a este governo a responsabilidade pelos problemas do BANIF, da CGD ou do Novo Banco.
Passos Coelho sofre de infantilismo. Nunca assumiu responsabilidades, nem cresceu para além das paredes dos prostíbulos. Comoveu-se com a falsa história de uma rameira que lhe dizia ter   seguido a mais antiga profissão do mundo, porque fora violada pelo padrasto ficara grávida e blá blá blá.
Quando descobriu que a prostituta o enganara sentiu-se traído e decidiu trocar as aspirações musicais pela política, seguindo o mesmo método da prostituta que o enganara para lhe sacar uma gorjeta.
Para ele a mentira começou por ser um meio para atingir um fim, mas rapidamente evoluiu para moeda de troca de favores.  
A partir de determinado momento tornou-se tão banal,  que ficou  incapaz de discernir entre realidade e ficção. No mundo de fantasia de Passos Coelho, de que ele é o centro,  não há espaço para a autocrítica, para assumir erros, nem para o reconhecimento da culpa. Essa é sempre dos outros.
Já vi paranóicos internados em hospícios por muito menos!

Onde está o dinheiro?



Em Outubro começará a ser discutido o OE para 2017. Sendo o partido do governo o responsável pela sua elaboração, compreende-se que os partidos que o apoiam comecem, desde já, a marcar posições, demarcando-se de algumas medidas que o governo tome até lá. É uma forma de BE e PCP mostrarem que são diferentes, não estão dispostos a pactuar com medidas que penalizem os trabalhadores e não apoiarão um governo que as queira implementar.
Era previsível esta demarcação, compreende-se, e até é salutar que assim seja. BE e PCP não podem ser confundidos com o PS e querem mostrar as suas diferenças.
No caso de o governo apresentar medidas que  apontem para um regresso à austeridade, ainda que mitigada, BE e PCP não poderão aprovar o OE. Logo, num cenário de eleições antecipadas, essa demarcação ajudará a convencer os eleitores de esquerda que o PS está encostado à direita e não se pode confiar nele.
Embora se compreenda  e aceite esta posição, será avisado que BE e PCP não comecem a pedir o impossível. Num momento em que o mundo está em recessão e a Europa ameaça Portugal com sanções, há que ponderar os riscos de um derrube do governo.  O exemplo de 2011 não se pode repetir, pois isso significará o regresso, em força, de medidas de austeridade impostas por um governo de direita, que aproveitará para se vingar nos trabalhadores, retirando-lhes ( eventualmente de forma ainda mais gravosa e severa) as reposições de salários, pensões e regalias laborais conseguidas com este governo.
Neste contexto, considero desaconselhável fazer finca pé no aumento de salários para a função pública, já em 2017.
Parece-me também pouco sensato reclamar a abolição de portagens na ponte 25 de Abril em Agosto.
Durante a campanha eleitoral oPS comprometeu-se a baixar as portagens no interior. Embora a redução de 15% seja quase marginal, parece-me mais justa porque beneficia o interior. É um pequeno balão de oxigénio para muitas empresas, mas também para famílias, pois há muita gente que é obrigada a utilizar diariamente as auto estradas  para se deslocar para o trabalho. Além disso, a redução das portagens pode potenciar o turismo para o interior, beneficiando assim as economias locais.
Reclamar a isenção de portagens na ponte 25 de Abril, para que os lisboetas possam ir à praia, é popular mas revela, por parte de BE e PCP, um enorme desrespeito pelas populações do  interior.
Claro que o melhor era baixar ( ou até eliminar) as portagens em todo o país, mas isso teria um peso enorme no OE. É tempo de BE e PCP perceberem que a demagogia e o populismo saem, muitas vezes, extremamente caro a quem trabalha. Alguns sacrifícios e cortes terão de ser feitos, para evitar o aumento da dívida e a subida do défice.  Sinceramente, prefiro que o défice abaixo dos 3% seja alcançado e a dívida seja paga à custa do automóvel, do que dos salários e pensões.

Boas e más notícias





A cadeia de supermercados espanhola Mercadona distribuiu  257 milhões de euros pelos  76 mil funcionários.  
Foi um gesto de agradecimento pelo seu desempenho que permitiu à empresa encaixar lucros  na ordem dos 540 milhões.
Esta é uma boa notícia, mas remonta já a 2015.
Outra boa notícia é que a totalidade dos trabalhadores da Mercadona tem contrato de trabalho permanente.
E o que é que isso nos interessa? Perguntarão alguns leitores
Em boa verdade, estas boas notícias apenas interessam, pelo facto de a Mercadona vir para Portugal, onde vai abrir quatro supermercados ( numa fase inicial) e criar algumas centenas de postos de trabalho. O que é uma boa notícia.
A má notícia é que só virá em 2019. Até lá os portugueses terão de continuar a encher os bolsos dos Santos e Belmiros, merceeiros bem menos dispostos a partilhar lucros com os seus funcionários e muito menos com os consumidores.
As "campanhas de descontos" são feitas à custa dos fornecedores, os impostos são pagos na Holanda( Pingo Doce) e até a generosidade dos portugueses é aproveitada para aumentar os lucros. Como acontece, por exemplo, com as campanhas dos Bancos Alimentares.
Espera-se que a entrada da MERCADONA em Portugal contribua, pelo menos, para tornar os nossos merceeiros menos avarentos.