segunda-feira, 18 de julho de 2016

Não estraguem mais, porra!




O mundo já está de pantanas e o espírito olímpico é uma farsa, mas não era preciso os comités olímpicos americano e canadiano virem por mais achas na fogueira, reclamando a expulsão da Rússia dos JO do Rio.
Insinuar que todos os atletas russos estão dopados é uma canalhice que apenas esconde o medo que os .americanos têm de enfrentar a Rússia, mesmo dizimada de alguns dos seus melhores atletas.
Sejamos claros... Ben Johnson, canadiano recordista do mundo, admitiu ter-se dopado, mas o Canadá não foi expulso dos jogos. O mesmo já se passou com atletas americanos e os EUA não foram expulsos. A que propósito pedem a expulsão da Rússia.
Espera aí... às tantas os EUA já estão a pensar no Mundial 2018, que muitos países europeus querem boicotar, mas ninguém se chega à frente e parece cada vez mais difícil mudar o país organizador. Por isso, não utilizem o desporto para prosseguir intuitos meramente políticos.
Compreendo que os EUA estejam interessados em levantar suspeitas e criar conflitos. São useiros e vezeiros em lançar a confusão no mundo.
Custa-me, porém, ver o Canadá alinhar ao lado dos americanos. Um país civilizado, exemplo de multiculturalismo e de tolerância, não pode pactuar com as jogadas sujas dos EUA.

O meu Ramadão




Só no Verão me dou ao luxo de dispensar a comunicação social durante uns dias. Esta experiência de me desligar do mundo é fantástica e  usava-a mesmo quando estava no activo, mas podia dar-me ao luxo de gozar uns dias de férias descansado, sem televisão, jornais ou Net por perto.
Na sexta-feira, ainda impressionado com a tragédia de Nice, decidi iniciar um período de blackout noticioso logo após o almoço, que só terminou esta manhã.
A tarefa foi facilitada pelo facto de a casa para onde me estou a mudar, no Estoril, ainda não ter Internet, nem televisão e, muito menos, pacotes MEO, sobrando-me por isso tempo para namorar, ler e desfrutar da vista sobre a baía de Cascais. Apenas  vim duas ou três vezes ao blogue para ler os comentários dos leitores. Quanto ao telemóvel, optei por desligá-lo, porque queria mesmo reviver essa experiência de estar mais ou menos isolado do mundo, como quando exercia a minha actividade profissional e, durante as férias, me refugiava em locais recônditos deste planeta.
Não soube, por isso, da tentativa de golpe na Turquia. Só hoje de manhã, ao retomar o contacto com a imprensa e a televisão,  soube do sucedido.
Como qualquer ex-fumador que um dia volta a viciar-se, porque pensou que não tinha mal nenhum tirar só uma fumaça, confrontei-me com a minha dependência e fui ler e ver tudo o que podia sobre o assunto. 
Após uma "overdose" noticiosa, dei graças por estes dias de isolamento monástico.
É que estou a imaginar o que teria escrito, ao aperceber-me que toda a Europa e EUA suspiraram de alívio com a derrota dos golpistas e celebraram efusivamente a vitória da democracia.
I beg your pardon?
Eu sei que aquilo que menos precisamos é de um governo militar na Turquia, mas desde quando é que Erdogan é um democrata?
Um tipo que quer reintroduzir a pena de morte, mandou prender 7  mil opositores, despediu um terço dos juízes e  acusa um inimigo pessoal de estar por trás de um golpe, com o pretexto de exigir a sua extradição pelos EUA é um democrata? É a um tipo deste calibre, apoiante do DAESH,  que a Europa entrega a solução do problema dos refugiados e paga milhões de euros por dia para que a Turquia os esconda debaixo do tapete?
Estamos cada vez menos exigentes com a democracia. Não será por isso de espantar, que um destes dias alguém se lembre de reabrir as câmaras de gás e que um ditador psicopata seja eleito para dirigir a Europa. Afinal, não seria a primeira vez...
Pior do que isto, só a minha mente perturbada, que de imediato tilintou e me enviou esta mensagem ao meu único neurónio que estava acordado àquela hora. Dizia ela que este golpe foi orquestrado pelo próprio Erdogan, para reforçar o seu poder.
Nem imaginam o trabalhão que eu tive para a obrigar a calar-se e deixar de debitar ideia tão estapafúrdia!

TARADOS!





Não vi as imagens exibidas pela CMTV na noite dos atentados de Nice, mas li relatos no FB, no dia seguinte, que me deixaram estupefacto.
Tentei encontrar resposta à pergunta "Como é possível que uma estação de televisão  considere informação transmitir exaustivamente imagens de corpos decepados,  cabeças  esmagadas, crianças mortas e pessoas a debaterem-se contra a morte?"
A primeira resposta que me veio à cabeça foi " estes tipos são um grupo de tarados com carteira de jornalista".
Minutos mais tarde, depois de  admitir  que o jornal para que estes tipos trabalham é o mais lido em Portugal e o canal de televisão aumenta diariamente o seu share, fui obrigado a rever a minha resposta. "Os jornalistas do CM e da CM TV são realmente uns tarados mas,  ao exibirem aquelas imagens, estavam apenas a satisfazer o apetite voraz de um vasto grupo de espectadores igualmente tarados que gostam de ver sangue e se comprazem com a desgraça alheia. Se não houvesse quem visse, eles não mostravam". Certo?
Foi então que, num "zapping" pelos canais franceses, vi um jornalista a perguntar a um homem chorando convulsivamente, que acabara de perder a mulher no atentado  de Nice:
"Boa noite senhor, acaba de perder a sua mulher. Qual é a sua reacção, em directo, para a  France 2?" 
Ainda incrédulo perante esta cena, de resposta em resposta, dei por mim a admitir que o atentado de Nice afinal pode não ter sido obra de um muçulmano radical, mas sim de um qualquer tarado que passa os dias diante do televisor a ver a CMTV, a France 2, ou qualquer outro canal que sirva o directo sem critério, argumentando "estar em cima do acontecimento". 
A mim, parece-me é que eles estão a viver em permanência numa clínica psiquiátrica não vigiada, onde o jornalismo serve de terapia e  lhes é permitido fazer tudo em nome da liberdade de imprensa que tanto prezam.
É certo que a France 2 veio pedir desculpa aos franceses, o que deixa uma leve esperança quanto à possibilidade de cura. Já os jornalistas da CMTV insistem que aquilo que fazem é informação. São, definitivamente, um caso perdido.
Em tempo: esta manhã,  após dois dias e meio de blackout noticioso a que me obriguei como terapia, fiquei a saber que  o homem que conduzia o camião bebia álcool, era mulherengo, gostava de menores e de mulheres europeias, tinha mau feitio, não frequentava a mesquita e não cumpria o Ramadão. Logo, nada o qualifica como radical islâmico, mas sim como TARADO.
Uma espécie que se reproduz vertiginosamente e está numa fase de ascensão social e política que existe em todas as partes do mundo e com as quais convivemos diariamente. Nos transportes públicos, no trânsito, nos restaurantes, nos centros comerciais, nas ruas, no prédio em que vivemos, onde pensamos estar a salvo destas criaturas, e até na comunicação social, como se demonstra pelo que foi escrito neste post.
Tenham uma excelente semana.