domingo, 17 de julho de 2016

E que tal nacionalizá-los?

Compreendo a decepção de Rui Jorge por não poder levar ao Rio de Janeiro a melhor selecção. Era um grupo que dava garantias, pois já conquistou várias competições e poderia aspirar a uma medalha.
Convém no entanto lembrar que são os clubes que pagam os jogadores e não podem prescindir deles quando estão envolvidos em competições, porque é aí que obtêm as receitas.
Poderia o FC do Porto dispensar jogadores para a selecção, quando vai disputar a pré- eliminatória de acesso à Liga dos Campeões, principal fonte de receita dos três grandes?
Outras equipas com selecionáveis, como o Rio Ave, estão também a disputar o acesso às competições europeias e Sporting e Benfica, se prescindissem de alguns dos seus jogadores, estavam a colocar em causa a pré-época, período fundamental de preparação para uma época extremamente dura.
O futebol tornou-se uma indústria que me parece incompatível com o espírito olímpico, pelo que o presidente do Comité Olímpico  português pôs o dedo na ferida ao dizer que a FIFA tem de decidir se vale a pena o futebol estar presente nos JO, ou dar lugar a outras modalidades.
O calendário sobrecarregado das equipas ( principalmente as europeias, onde jogam os melhores jogadores) é incompatível com a participação de jogadores profissionais em JO. Há, por isso, que fazer opções. E a melhor não será, certamente, fingir que no torneio Olímpico as selecções apuradas se apresentam  ao melhor nível. Nem Portugal, nem nenhuma selecção europeia ou sul americana.
É altura de equacionar a presença do futebol nas Olimpíadas e optar entre a alteração dos calendários internacionais em anos de JO, ou um modelo que permita o despontar de valores mais jovens. Os clubes é que não podem ser prejudicados. Se a ideia for impor aos clubes a obrigatoriedade de dispensar os seus jogadores para as selecções, também nas Olimpíadas, o melhor é nacionalizar os jogadores e, eventualmente, os  clubes.