segunda-feira, 11 de julho de 2016

Foi bonita a festa, pá!

Aviso prévio:
Como não me dá muito jeito escrever posts enquanto conduzo, ou estou diante de um televisor a ver os lisboetas na rua a festejar a selecção, só agora venho aqui dizer o que penso e sinto.
Se não tiverem paciência para ler o post, recomendo-vos que vejam o vídeo que está no final do texto.

Como qualquer português, vibrei ontem à noite com a vitória da selecção portuguesa. Pelo que ela representa para a auto estima dos portugueses, por ter sido conquistada frente ao país organizador,  por ter sido uma reposta exemplar a quem apelidou a nossa selecção de  nojenta, por termos sido campeões a jogar mal, quando já perdemos títulos a jogar bem
 Seria no entanto hipócrita se dissesse que sempre acreditei que seríamos campeões europeus. Na verdade, nunca acreditei. Foi só durante a final que comecei a pensar nessa possibilidade. Primeiro, com a lesão de Ronaldo, pensei que um azar nunca vem só, mas  acreditei que sem ele a equipa poderia responder melhor aos ataques sucessivos dos "coq au vin"
Também não acompanhei as críticas dos que diziam que Payet  lesionou propositadamente o nosso capitão.
Compreendo que a "vox populi" pense assim, mas ver jornalistas desportivos dizerem-no e escrevê-lo na comunicação social, enoja-me e  demonstra bem o calibre de alguma desta gente com carteira de jornalista desportivo.
Nenhum jogador, por mais canalha que seja, lesiona um colega de profissão deliberadamente.
Depois, quando Griezmann falhou um golo que em condições normais não falharia, comecei a pensar que talvez fosse possível. Mas foi aos 89 minutos, quando aquela bola bateu na trave da baliza de Rui Patrício, que disse: vamos ser campeões com um golo de Éder. As pessoas à minha volta riram-se, mas lembraram-se das minhas palavras quando Éder bateu Lloris.
Depois do jogo festejei e confirmei o que sempre disse sobre Fernando Santos. Ele foi a alma da nossa selecção. É um grande treinador, um grande líder que uniu uma selecção de forma que não se via desde Londres 66, o grande obreiro deste título. Já tivemos equipas melhores do que esta, mas nunca tivemos um treinador que conjugasse a dimensão humana e a competência profissional de Fernando Santos.
Confesso que me surpreendi com o discurso de agradecimento do nosso treinador. Seja-se crente ou ateu, há que reconhecer que Fernando Santos  teve coragem ao assumir que as suas primeiras palavras foram de agradecimento para "Quem" o colocou à frente da selecção. Só grandes homens assumem a sua Fé nestes momentos. Chapeau!
Devo ainda dizer que, em minha opinião, o herói de ontem, no Stade de France não foi Éder, mas sim Rui Patrício.  De nada teria valido o belíssimo golo do jovem mal amado nascido na Guiné, se o guardião português não tivesse feito um punhado de defesas impossíveis ao longo do jogo.
Como portista, sou insuspeito se disser que a grande figura da selecção ao longo de todo o Euro 2016 não foi Cristiano Ronaldo, mas sim o guardião sportinguista. Esteve exemplar em todos os jogos e foi o jogador português mais regular em toda a competição, acompanhado de perto por Pepe e Guerreiro.
Bem, mas nada disto interessa, porque são apenas opiniões de um adepto leigo.  O momento mais importante de todo o Euro foi protagonizado pelo miúdo que vemos neste video. São momentos como este que me fazem acreditar que poderemos vir a ser um povo melhor.
Hoje já me emocionei mais de uma dezena de vezes ao ver este vídeo. Por isso o vou guardar aqui para mais tarde recordar. Quem ainda não viu, por favor não perca!