sexta-feira, 24 de junho de 2016

É só para lembrar...

... que amanhã, às 20 horas, Portugal joga contra  a Croácia.
Em virtude da tendência que temos demonstrado para o empate, o mais provável é que haja prolongamento e até grandes penalidades.
Será mais avisado só combinarem  jantares para depois das 11, a fim de evitar congestões.
Anda lá Ronaldo! Logo pela manhã manda outro microfone à água. Parece que dá sorte...

Cobardia?

Se a Inglaterra está hoje de saída da UE, o principal responsável chama-se David Cameron. Foi ele que, ao ver fugir-lhe a possibilidade de uma vitória nas eleições de 2015 cedeu à pressões do UKIP e prometeu fazer um  referendo sobre a permanência na UE.
À custa desse compromisso venceu as eleições e cumpriu a promessa ( coisa rara e de louvar). A vitória do Brexit confirma que Cameron apenas conseguiu adiar a derrota. Tiradas as ilacções, Cameron demitiu-se dizendo que deve ser outro a liderar as negociações com a UE para a saída.
Já ouvi dizer que a decisão é um acto de cobardia. Discordo. É apenas a consequência natural de uma derrota num referendo em que ele tinha posto a cabeça no cepo. E ele sabe que, pior ainda do que o Brexit, esta derrota significa a desagregação da Grã Bretanha. Ser-lhe ia impossível continuar em Downing Street com um ambiente tão desfavorável.

Suspiro de alívio?

A vitória do Bremain era tão desejada em toda a Europa, que ontem à noite, depois de encerradas as urnas, todas as notícias apontavam para uma vitória  do sim à permanência. Inclusivamente, segundo alguma imprensa, os defensores do Brexit já teriam reconhecido a derrota e os mercados respiravam confiança.
Esse era o resultado que eu também esperava desde este dia .
Deitei-me com a certeza de que hoje iria escrever um post onde diria que depois de um grande susto, a Europa voltaria estupidamente a respirar de alívio, convencida uma vez mais que a crise tinha sido ultrapassada. Até ao próximo sobressalto.
Foi com grande surpresa e já a fazer as malas para uns dias de férias, que soube da vitória do Brexit.
A partir de hoje é  oficial: a Europa acabou. A não ser que, neste tempo extra em que os ânimos vão andar alvoroçados e mais alguns países vão  suscitar um referendo ( isso aconteceria na mesma, no caso de ter ganho o Bremain) os líderes europeus parem finalmente para pensar.  O funcionamento das suas instituições e a sua política, mas também a recuperação da identidade que lhe granjeou simpatias por todo o mundo: a solidariedade do Estado Social.
O caminho para uma Europa com estados de primeira e de segunda não pode continuar a ser prosseguido e gente como Schaueble ou o holandês de nome impronunciável, tem de ser definitivamente afastada das questões europeias.
Hoje deveria ser o primeiro dia de reflexão sobre a necessidade de resgatar a Europa e libertá-la da tirania dos mercados e do pensamento neoliberal.
Hoje podia ter sido um grande dia para a Europa. Infelizmente, penso que será o primeiro dos dias do fim.