segunda-feira, 20 de junho de 2016

Eu gosto é do Verão!


O Verão começou hoje. Simpaticamente, apresentou-se com um calorzinho agradável amenizado por uma leve brisa.
Parece-me que escolheu uma forma muito decente de anunciar a sua chegada, mas passei o dia a ouvir pessoas que lamentavam o atraso do Verão, a  reclamar contra o calor que hoje se fez sentir em Lisboa.
Há gente que nunca está satisfeita e depois queixa-se que o clima está maluco. Decidam-se se querem Verão mesmo, ou a continuação da histeria primaveril. E não reclamem muito, caso contrário o Verão vai mesmo embora e só volta para o ano.

Vale uma aposta?


Esta semana será decisiva para o futuro da Europa. Dia 23 ficaremos a saber se a Inglaterra se mantém na Europa e, no dia 26, se Espanha vai ter um governo de esquerda.
É minha profunda convicção, desde o dia em que Jo Cox foi assassinada, que os ingleses vão votar pela permanência na UE.
Devemos, porém, estar preparados para avitória do Brexit, uma péssima notícia para Portugal, mas  também para a Europa, que terá os dias contados. O efeito dominó será irreversível e começará pela desagregação do próprio Reino Unido.
Em relação a Espanha, seja qual for o resultado das eleições, Portugal ficará sempre a perder. Se a esquerda vencer e conseguir formar governo,  Portugal terá mais um parceiro na Europa disposto a bater o pé a Bruxelas mas, em contrapartida, é certo que a Alemanha e o Eurogrupo não deixarão de exigir pesadas sanções contra Portugal e Espanha.
Se Rajoy vencer, talvez nos livremos das sanções, mas Bruxelas ganhará mais força para nos impor fortes medidas de austeridade como contrapartida.
Há ainda uma terceira hipótese que até parece ser a mais provável. A avaliar pelas sondagens e pelas declarações dos lideres dos principais partidos em relação a alianças,  das eleições de domingo não vai resultar a possibilidade de formar governo.
Se assim for, qual será o futuro de Espanha? Muito difícil de prever. A única certeza é que não haverá novas eleições.
Bem, mas apesar de a Europa e uma boa parte do mundo ocidental estar suspenso com os resultados do Brexit e as eleições espanholas aposto que, pelo menos até quarta-feira, o que vai estar no centro das notícias nas nossas televisões é o Euro 2016 e a discussão sobre o (não) apuramento de Portugal para a fase seguinte. Vale uma aposta? 

Vamos falar claro?


Anda por aí um grupo de carpideiras  indignadas com as  pessoas  que reagiram com veemência, nas redes sociais e no site do Público, a uma notícia assinada por Clara Viana  sobre a manif em defesa da escola pública. Dizia-se na notícia que estavam duas mil pessoas quando a manif começou.

Não sei qual o momento em que a Clara Viana escreveu, mas não foi  no início da manif, certamente, porque nessa altura já havia muitos milhares de pessoas no Marquês. A indignação de leitores e manifestantes poderá ter sido, por vezes, exagerada, mas as desculpas que hoje começaram por aí a circular são uma tontice. Não as cito aqui, porque muita gente já as terá lido e também não dou cobertura a argumentos que invocam questões técnicas para justificar uma notícia falsa.

E não o faço apenas  pela pobreza dos argumentos, mas também porque as falsidades da notícia não se limitam ao número manifestantes presentes, mas também a factos que na realidade não ocorreram, como a presença de Jerónimo de Sousa e Catarina Martins no palco dos oradores.

Corporativamente, a defesa de Clara Viana pelos seus pares, é compreensível e aceitável. Como jornalista, também já saí muitas vezes em defesa dos meus pares.  Tive, porém, sempre a sensatez de não insultar quem os criticou, como fez Ana Sá Lopes ao apelidar os críticos de bêbados.
Não pode, por outro lado,  Clara Viana nem  qualquer jornalista esquecer que mais do que a fidelidade a quem lhe paga, tem uma obrigação de fidelidade aos leitores. E isso passa, inequivocamente, por ser honesto e verdadeiro nas notícias que dá.

Ora acontece que o Público também mentiu quando noticiou a manif das canárias das escolas privadas. Dessa vez ampliou os números. Ontem, encolheu-os. Ou seja, o Publico calcula o número de pessoas em função dos interesses que quer servir. Como o árbitro que só vê os penalties que favorecem a equipa do seu coração. O jornalismo não é opinião. Nem notícias fabricadas à mesa de um café da Av. de Roma O jornalismo faz-se com  factos. E os factos  relatados pela Clara Viana  não jogam lá muito bem com a realidade. Nem com a verdade. E nem sequer o calor serve de desculpa para tanta mentira.


Dizem as defensoras de Clara Viana que a culpa das falsidades da notícia não é da jornalista.  A culpa será de  outrem no jornal (que não identificam) e de um pormenor tecnológico duvidoso. Admito que seja verdade mas, nesse  caso, ela sabe como se pode defender. E era bom que o fizesse, em nome dos leitores que apreciam o seu trabalho. Quanto ao Público, já não precisa de fazer nada para ser um jornal credível. Há muito perdeu a oportunidade de mostrar que aquele episódio da Av de Roma foi meramente acidental. Pelo contrário, todos os dias temos provas de que o jornalismo por ali está circunscrito a um reduzidíssimo número de profissionais.
Deixem-se de tretas: a acérrima defesa de Clara Viana pelas suas amigas visa, acima de tudo, lançar uma cortina de fumo que desvalorize a manif de sábado e desvie as atenções da manipulação orquestrada por alguma comunicação social que apoia descaradamente as escolas privadas.
Seria bom que soubéssemos quais os interesses que movem alguns dos detentores de órgãos de comunicação social mas, como já aprendemos com os Panama Papers, quando saltam para a ribalta notícias sobre o envolvimento de jornalistas e detentores de órgãos de comunicação social, as notícias esfumam-se, a investigação suspende-se  e não se fala mais nisso.
Em tempo: o pedido de demissão de Clara Viana feito pela deputada Gabriela Canavilhas ( o exemplo das ameaças de Relvas a jornalistas deixou frutos) é descabelado e inadmissível, mas não se empole a disparatada reacção de uma deputada, para escamotear a manipulação noticiosa prosseguida pelo “Público”.

Desculpem se não sou patriota...

Antes de começar uma das semanas mais importantes das nossas vidas, escrevo um post sobre coisas  soft  como a bola, que tanto preocupa milhões de portugueses.
Ontem, depois do infortúnio do Portugal-Áustria,  estive a ver o Argentina- Venezuela para Copa América.
O futebol entediante  que se  está a jogar no Europeu e (quase) sempre na Europa, foi-me  afastando progressivamente dos estádios e está a afastar-me do televisor. No entanto, quando vejo a Copa América, reconcilio-me com o futebol. Rápido, vistoso, empolgante, quiçá violento por vezes, é certo, mas sempre emotivo.
O Argentina/Venezuela de ontem foi um exemplo disso, mas não só. Ao fim de um quarto de hora confirmei aquilo que sempre disse. CR é um grande jogador, mas Messi é extraordinário. Um fenómeno a jogar à bola que encanta com a sua magia. É mesmo o melhor do mundo!
Talvez alguns considerem a minha opinião pouco patriótica, mas é o que eu penso.
Sorry!