quarta-feira, 15 de junho de 2016

Se fossem submarinos...

... Portas teria negociado melhor. Mas uma nau? Quem se interessa por essas velharias?

Talvez não seja má ideia pensarem, antes de decidirem...( Actualização)




Há muito venho escrevendo que anda por aí gente a querer destruir a ADSE.
No meu último post sobre o assunto, escrevi que a geringonça estava a tratar do assunto com os pés e que o alargamento, na forma em que estava a ser equacionado, era uma estupidez.
Já se sabia que o anterior governo tinha aldrabado as contas da ADSE e enganado os beneficiários, ao justificar o aumento das quotizações com a sustentabilidade do sistema.
 Sabe-se, há muito,  que a causa da possível falência da ADSE não se prende com a quotização dos beneficiários, mas sim com a extensão da sua aplicação a um alargadíssimo número de familiares, sem contrapartida financeira.
A ADSE tem de ser paga por quem dela usufrui. A não ser assim e manter a ideia peregrina de alargar a filhos até aos 35 anos, está-se a condenar a ADSE à falência. Não em 10 anos, mas provavelmente em menos de cinco.
Os hospitais privados, que recebem mais de 1/3 dos beneficiários da ADSE, não vão gostar da ideia.

Actualização: O PSD quer uma audição urgente do Director Geral da ADSE para esclarecer o pagamento indevido de 29,8 milhões de euros à Madeira, com dinheiro dos beneficiários da ADSE, o qual  foi efectuado   durante o governo do PSD e do CDS.
Se a falta de vergonha pagasse imposto, esta trambilhada do PSD/CDS saldava rapidamente a dívida do país. PQP!

Não misturem as coisas, seus debochados!

Já critiquei de forma inequívoca esta decisão do governo.
Estou por isso à vontade para defender a ideia de  que uma injecção de capital na CGD não é a mesma coisa que atirar dinheiro para cima  do Espírito Santo, ou de qualquer outro banco privado. Insistir na tecla de que é tudo a mesma coisa, é próprio de debochados de direita, habituados ao empreendedorismo privado, feito à custa dos dinheiros públicos.
A CGD é um banco público ao serviço de todos os contribuintes e cuja existência é fundamental para o país e até para a nossa independência. Pagar para garantir a sua sobrevivência parece-me, por isso, aceitável. Isso não impede que seja legítimo a qualquer cidadão exigir que o Estado cumpra o seu papel, reclamando junto da justiça  indemnizações aos administradores por si nomeados que utilizaram dinheiros públicos como se fossem propriedade sua. Nenhum governo pode eximir-se, também, à aplicação de sanções administrativas  previstas na Lei a  administradores que delapidaram bens públicos, seja por incompetência, seja porque utilizaram os seus cargos para satisfazer clientelas partidárias ou amigalhaços.
Quanto à banca privada, se compreendo a necessidade de salvar um banco com a dimensão do Espírito Santo, pelas implicações que a sua falência acarretaria para todo o sistema financeiro,  já não me conformo  quando sou chamado a contribuir para salvar bancos privados de pequena dimensão, cujos proprietários e administradores fizeram gestão danosa, cientes de que o Estado os socorreria em caso de necessidade. O caso BPN é, nesta matéria, o exemplo mais flagrante de um banco criado para satisfazer amigos e clientelas partidárias, com recurso a uma teia de vigarices. Não pode o Estado dar-se ao luxo de "salvar" vigaristas. Quanto a mim, isso só foi possível, porque Portugal foi governado durante décadas por um bloco central de interesses, que se protegia mutuamente quando surgiam problemas.
O que se exige à geringonça é que acabe de uma vez por todas com essa teia de interesses. Isso é tão importante como restituir aos trabalhadores, desempregados e reformados, o dinheiro que o governo Passos /Portas lhes roubou, para meter nos bolsos dos mais poderosos.