terça-feira, 7 de junho de 2016

E se a solução estiver no pequeno almoço?




Desde que tomou posse, Marcelo Rebelo de Sousa insiste  em  unir as duas partes do país. A missão  sempre me pareceu impossível, até porque  uma das partes é descaradamente apoiada pela Igreja.
Desde há muito que a selecção portuguesa parece ser o único elo de ligação entre os portugueses, mas essa união só dura episodicamente, enquanto duram as competições. Uma vez terminadas e consumado mais um insucesso, as desavenças recomeçam. Não se pode, pois, esperar muito  da selecção como mediadora entre os portugueses desavindos.
Este fim de semana, porém, surgiu um sinal de esperança proveniente do sítio do costume: o mundo do futebol.
Não percebi ainda a propósito de quê,  a comunicação social tem dado grande destaque a Luís Figo ( conhecido em Espanha por pesetero, depois de trocar o Barça pelo Real) por ter desferido um  feroz ataque a Pinto da Costa.  Desvalorizadas as mentiras de Figo ( o FC do Porto este ano não ganhou só bilhar, Luís. Venceu o nacional de basket, o nacional de juniores em futebol , a II Liga, etc) sou obrigado a reconhecer o grande papel que pode estar reservado ao antigo capitão da selecção nacional na tarefa de unir os portugueses. É que ele conseguiu unir comentadores do FC.do Porto, Sporting e Benfica, na crítica  unânime ao seu descabelado ataque a Pinto da Costa. Sinceramente, não me lembro de mais ninguém que nas últimas décadas tenha conseguido um feito tão espectacular!
Atrevo-me a sugerir a Marcelo que convide Figo para mediador das desavenças entre os portugueses mas, pelo sim pelo não, é melhor perguntar quanto é que ele cobra pelo pequeno almoço...

Não há almoços grátis

Em referendo realizado no último fim de semana, os suíços rejeitaram, por esmagadora maioria, (77%) um rendimento mínimo mensal para todos os cidadãos, independentemente da sua situação laboral, capacidade financeira, condição social ou estado civil. O valor  do Rendimento Básico Incondicional  (RBI)seria de 2500 francos suíços para adultos e 625 para crianças, começando a ser atribuído à nascença e só terminando com a morte.
Alguns perguntarão como é possível recusar uma oferta destas.  
Há quem responda que os suíços não toleram a preguiça e o laxismo. Errado! Os suíços não são mas é  burros e sabem que não há almoços grátis. Como o dinheiro não nasce do chão e não é previsível que a redistribuição da riqueza seja mais justa, o RBI significaria redução das prestações sociais, como o apoio na doença, fim do subsídio de desemprego, aumento de impostos directos e  indirectos   e eventual criação de outros impostos e taxas.
Em Portugal, o PAN quer que seja estudada a hipótese de introduzir uma espécie de  RBI. Obviamente que se houvesse um referendo, o SIM venceria por larga margem. Não porque sejamos ingénuos, mas porque nos consideramos mais espertos do que os suíços e capazes de contornar habilmente a perda de regalias sociais.
Sei que é politicamente incorrecto uma pessoa manifestar-se contra o Rendimento Mínimo Garantido. Eu não sou contra, apenas lamento a falta de fiscalização na sua atribuição. Estou consciente do que afirmo, porque conheço pessoas com rendimentos acima de mil euros, sem terem de suportar renda de casa, que além de receberem cabazes de mercearia de instituições sociais, ainda recebem o RMG.
Serão, talvez, casos isolados, mas porque raio tive o azar de os conhecer? Estarei a ser posto à prova?
A verdade é que a ideia de criar o RBI, que nasceu  na Finlândia em 2014, vem ganhando adeptos e lastro para a discussão. Em causa está a necessidade de um novo modelo de sociedade, onde não cabe o estado social.
Todos sabemos que o modelo social de Bem Estar tem os dias contados, mas ninguém ousa avançar com o que virá aí para o substituir. Porquê? Porque todos sabem que o que aí vem  será muito mau. Acenar aos cidadãos com um RBI pode ser entusiasmante para muitos e calar vozes discordantes, mas  não diminui as desigualdades, nem dá garantias aos mais desfavorecidos de uma vida mais digna. Apenas institucionaliza a Lei da Selva.


Ó avôzinho, não quer vir jantar connosco?

Fui educado no são princípio de dar o lugar nos transportes públicos a senhoras,  idosos, grávidas e deficientes. Talvez por isso, sempre considerei aqueles cartazes nos transportes públicos sinal de que vivemos numa sociedade doente, que não respeita os mais elementares princípios do civismo.
Chegado à terceira idade, confirmo-o cada vez que ando em transportes públicos. Vejo miúdos a disputar lugares vagos com senhoras e velhotes, num desrespeito revelador de péssima formação ( Leia-se falta de educação)
Mesmo reconhecendo que diariamente sou confrontado com episódios que demonstram a falta de civismo dos mais jovens, dispensava certas  medidas legislativas que desqualificam as pessoas e as catalogam como selvagens sem princípios. O mais recente exemplo do que afirmo  é esta lei aprovada  no último conselho de ministros.
A partir de Outubro, quando entrar em vigor, vai ser um fartote de chicos espertos. Desde mulheres a usar almofadas quando vão a restaurantes, a jovens atrelados a um avozinho, quando entram numa loja,  vamos ver uma parafernália de expedientes, resultantes da fértil imaginação tuga. (Levar miúdos de colo a jantar fora, vai passar a ser moda, especialmente em período estival nas estâncias balneares). 
Este país - e o mundo ocidental na generalidade. reconheça-se- está cheio de leis estúpidas, a pretexto da igualdade e não discriminação. Mas há leis que abusam desse predicado. Esta é uma delas...