segunda-feira, 30 de maio de 2016

Os emails da minha infância





Provocavam muito mais suspense do que os actuais. 
Enquanto se procedia ao cerimonial de abertura, perguntávamo-nos quem o teria enviado. E se fosse "daquela pessoa" a anunciar que chegaria ao Porto no dia tal à tantas horas?  
Já numa fase mais evoluída, o telegrama podia ser lido previamente por telefone, se assim o pedisse quem o enviava.
E o "drama" que era contar as palavras do texto, para saber previamente quanto custava o envio?


Que grande chatice, Pedro!

A última semana correu mal à alma penada da política tuga, mas para o último dia esteve reservado o pior pedaço.
Depois de ter levado uma sova de António Costa na AR, durante o debate quinzenal, Passos Coelho jogou a cartada dos estivadores. Seria difícil a um ex- pm que durante três anos de governo contabilizou 441 dias de greve dos estivadores, convencer os tugas que a culpa da situação que se vive no porto de Lisboa era fruto da inabilidade de António Costa.
Mas os sem vergonha têm lata para tudo e Passos Coelho foi por aí.
Expliquei, durante o governo dos Pafiosos, por que razão os estivadores tinham a razão do seu lado: a legislação laboral aprovada por Passos Coelho e promulgada por Cavaco representava um regresso à escravatura e dei o exemplo do que se passava todas as madrugadas no "mercado" do Campo Grande. Foi essa legislação que desencadeou a revolta dos estivadores e o consequente surto de greves. Convencido que os estivadores vergariam, Passos Coelho deixou correr o marfim mas teve o despudor de acusar o actual governo de nada fazer para acabar com a greve.
António Costa garantiu que o problema ficaria resolvido até ao final do dia de sexta-feira. Através do diálogo e não da lei do chicote que PPC tentou instaurar durante todo o seu mandato. PPC zombou da promessa de Costa mas, ao final do dia, o acordo foi alcançado.
A reacção da canalha laranja foi inqualificável e tornou ainda mais evidente que o PSD anseia o caos e por isso comporta-se diariamente como profeta da desgraça e anseia que se concretize a aplicação de sanções a Portugal- apesar de as culpas serem todas da responsabilidade do anterior governo.