quarta-feira, 25 de maio de 2016

Tenham medo. Muito medo...





"Ainda não foi desta que um nazi conquistou o poder num país europeu, mas esteve quase a acontecer na Áustria. O candidato ecologista bateu ao sprint o xenófobo nazi, graças aos votos por correspondência. Foi uma vitória por uma unha negra.Os votos presenciais teriam garantido a vitória de um nazi. De susto em susto, até  ao dia em que se concretizará o regresso do fascismo à Europa, perante a passividade das lideranças europeias que apenas se preocupam com as ditaduras na América Latina, ou na Ásia. E mesmo assim, só se estiverem em risco interesses financeiros de uma truta europeia. Cada vez mais parece ser apenas uma questão de tempo até ao dia do pesadelo".

Escrevi este texto no FB na segunda feira mas, muito mais cedo do que esperava, surgem novos motivos de preocupação. Não me refiro ao alerta da imprensa alemã, de que os investidores estão a fugir da Europa, por causa da ascensão da extrema direita. Mais do que isso, preocupam-me estas coisas comezinhas:

Não pagamos! Não pagamos!



Prostituição do jornalismo é isto!
Só não percebo a razão de o movimento dos amarelinhos que se vão manifestar no domingo ter apenas agradecido o gesto solidário à  Carla Trafaria. 
Será porque ela tem algum filho a estudar numa das escolas que se sentem lesadas?
Ela diz que não mas, entretanto, por mera coincidência, claro, cinco jornalistas de três canais de televisão apareceram vestidos a rigor.
Pelas imagens juntas, esta deve ser a farda para os pivôs das televisões.



Olha quem vem ajudar à Missa!

Todos os dias sai à liça uma figurinha europeia a exigir que sejam aplicadas sanções a Portugal, porque o anterior governo obedeceu às ordens de Bruxelas e não conseguiu cumprir a meta do défice.
Cada um ( incluindo o fervoroso adepto das sanções, Pedro Passos Coelho)  terá as suas razões para fazer tal exigência, mas este canalha já se esqueceu que a Alemanha também está em incumprimento e ninguém fala em aplicar-lhe sanções?

O Aviso

Alguns leitores manifestaram discordância com o que escrevi sobre Marcelo um mês depois de ter chegado a Belém.
Ontem,  ao deixar cair perante os jornalistas a possibilidade de eleições antecipadas, Marcelo quis mostrar que eu tinha razão. Se quer estabilidade para o país,  o PR não pode andar por aí a dizer que depois das autárquicas logo se vê ( se há eleições antecipadas ou não).
A minha interpretação é  que o "aviso" de Marcelo tem dois destinatários: um a António Costa  para "descer à terra", porque  começa a desconfiar de tanto optimismo e outro para o  PSD em jeito de quem diz aos opositores de Passos Coelho "preparem-se para ser alternativa, porque eu quero o PSD no governo, mas não quero Coelho como PM".
Mesmo que a minha interpretação não seja a mais correcta ( é possível que também se dirija a Jerónimo e Catarina " ponham-se calmos senão eu dissolvo a AR e vão aguentar outra vez com um governo de direita") creio  que o aviso do PR confirma o que escrevi naquele post de Abril. Marcelo  quer uma reedição do Bloco Central e quanto mais cedo melhor, porque começa a acreditar que a geringonça não se aguenta até 2019.
O mundo está em ebulição, a Europa parece uma barata tonta, os mercados parecem cataventos em dia de vendaval e se a ameaça de sanções a Portugal se concretizar, a geringonça não se aguenta. ( No Eurogrupo pensam o mesmo e essa é uma boa razão para aplicar sanções a Portugal, mas  só depois das eleições em Espanha)
Acrescente-se que Marcelo não se dá bem em ambientes de incerteza. Fica nervoso o que, aliado ao seu temperamento neurótico ( foi a isso que Passos chamou catavento) pode ser uma mistura explosiva, geradora de instabilidade.
Marcelo tem afirmado repetidas vezes que não a quer, mas a sua irresistível apetência a vestir a pele de comentador enquanto PR fomenta-a. Seria bom que alguém o aconselhasse a ser mais prudente, para não agitar demasiado as ondas, porque o estado de graça não vai durar sempre.
É urgente que Marcelo perceba, quando fala com os jornalistas, que não está na TVI em amena cavaqueira com Judite de Sousa.
Felizmente para Marcelo, os jornalistas  também ainda não perceberam que estão a falar com o PR, porque ao fim de anos de massacre cavaquista, ainda não conseguiram desligar-se do registo de Boliqueime. Também eles estão, digamos, em estado de graça.  Só assim se explica que o aviso de Marcelo tenha passado sem grandes reparos. Tivesse sido Cavaco a mandar o aviso e as redes sociais hoje não se cansariam de zurzir no  homem de Boliqueime.