domingo, 22 de maio de 2016

O Dragão voltará a lançar chamas




Acreditem ou não, suspirei de alívio quando o jogo acabou. Claro que uma segunda época sem ganhar absolutamente nada custa bastante a engolir mas, desde miúdo, habituei-me a sofrer pelo meu FC do Porto e aprendi, já adulto, que valeu a pena sofrer para poder celebrar  vitórias impensáveis  a nível europeu e mundial.
Duas vitórias na maior competição europeia entre clubes, duas Taças Intercontinentais, duas supertaças europeias  e duas Taças UEFA (Liga Europa) foram fruto de um trabalho extraordinário de Pinto da Costa, mas também muita qualidade de equipas técnicas e uma mística inigualável de  jogadores. Nenhuma equipa portuguesa conseguiu ( nem conseguirá nos próximos anos) tantos títulos além fronteiras
Em Portugal, os últimos 20 anos foram de domínio avassalador do FC do Porto. Celebrei vários tricampeonatos, um tetra e um  penta, feito que também nunca foi conseguido por outra equipa portuguesa.
Mas, como costumo dizer aos meus muitos amigos benfiquistas, o FC do Porto não pode viver do passado. Se quer ser grande, tem de voltar a ganhar títulos internamente e manter o prestígio além fronteiras. É porque penso assim, que a derrota de hoje na final da Taça de Portugal não me deixou mágoa. Pelo contrário, uma vitória deixar-me-ia preocupado porque, apesar de um título ser sempre motivo de alegria, uma vitória hoje iria mascarar os erros das três últimas épocas e daria espaço à continuidade de José Peseiro como treinador.
Ora, como aqui escrevi quando Lopetegui foi despedido, Peseiro foi mais um erro de casting que em nada iria alterar a época desastrosa do FC do Porto. Se naquela altura não foi possível contratar um treinador que assegurasse um projecto com continuidade, então tinha sido melhor manter Lopetegui até final da época. É que, apesar de o basco não ter perfil para treinar o Dragão, não foi o único culpado de tudo o que de mau se passou nas duas últimas épocas. Nenhum treinador teria possibilidade de corrigir os erros de Lopetegui e da equipa dirigente dos azuis e brancos  a tempo de inverter a situação.
O mal do FC do Porto é profundo mas ainda há tempo para, na próxima época, o FC do Porto voltar a ser a equipa ganhadora que proporcionou a todos os adeptos inúmeras alegrias nas três últimas décadas.
Não é com uma equipa onde abundam mercenários e gente que não sente a camisola, que o FC do Porto  volta a ter tempos de glória. A maioria dos títulos do FC do Porto foi ganha com equipas maioritariamente constituída por jogadores portugueses que transmitiam aos estrangeiros, a mística do Dragão.
Nas últimas  épocas foi penoso ver como se desbarataram talentos "à moda do Porto" substituídos por estrelas pagas a peso de ouro, que entram em campo como se fossem "bailarinas" a dançar em pontas.
Ainda hoje se viu quem foram os jogadores que lutaram à Porto: Danilo, Ruben Neves, Sérgio Oliveira, André André e esse talentoso miúdo que tem brilhado nas selecções jovens e na equipa B, chamado André Silva (autor dos dois golos dos azuis e brancos). Dos restantes, até Helton e Maxi Pereira parecem ter perdido a garra.
A doença do FC do Porto cura-se com vitaminas de "portismo" no balneário. Jogadores e  equipa técnica têm de estar unidos por esse "estímulo" que fez dos FC do Porto uma das equipas mais prestigiadas da Europa.
José Peseiro será uma excelente pessoa, mas não é o treinador que o FC do Porto precisa. Hoje, isso terá ficado definitivamente  claro para qualquer portista. Venha quem "limpe" o balneário e o devolva aos jogadores com aquela mística azul e branca, que nos deu grandes sucessos. Que regressem ao Dragão jogadores como Josué, se mantenham outros que já lá estão mas  a quem não têm sido dadas oportunidades e se polvilhe aquilo com alguns ( poucos) estrangeiros de qualidade, mas também com perfil para integrar o plantel.
Como muitos outros adeptos, estou farto de negociatas, do provincianismo de quem só pensa em contratar vedetas e do laxismo que se instalou a nível dos órgãos dirigentes e alastrou do futebol às modalidades. O meu clube precisa de reaprender a ganhar com a prata da casa. Foram jogadores assim que nos deram tantas alegrias nos últimos 30 anos.
Foi por acreditar que o meu clube ainda sabe aprender com as derrotas, que suspirei de alívio quando o jogo terminou no Jamor.
Entretanto, parabéns ao Braga. Jogou muito pouco, mas soube aproveitar as ofertas da defesa azul e branca e, apesar de se ter deixado empatar depois de ter uma vantagem de dois golos, a equipa não se desconjuntou. Limitou-se a esperar que o FC do Porto voltasse a errar, como fez ao longo de toda a época.