segunda-feira, 16 de maio de 2016

Cinquentenário da Revolução que só agora chegou à Europa

Fez hoje 50 anos que teve início  a Grande Revolução Cultural. Período conturbado  da História da China, marcado pelos processos de reeducação e pela restrição dos direitos e liberdades.
Meio século depois, permanecem  muitas marcas daquele período na sociedade chinesa. Ainda  recentemente vários artistas chineses foram enviados para zonas rurais, onde devem aprender " o verdadeiro socialismo" ( o que parece uma contradição ao princípio  " um país dois sistemas", mas isso é outra história) e embora as telenovelas não sejam consideradas alienantes ( mas deviam...) não podem ter personagens homossexuais.
No âmbito da informação e das novas tecnologias, todas as semanas temos notícia de uma qualquer medida restritiva das liberdades, que nos fazem crer que Mao Tsé Tung ainda está vivo e exerce a sua influência sobre a sociedade chinesa.
Nesta matéria, porém, o melhor é os cidadãos europeus estarem caladinhos, porque medidas para cercear a liberdade de expressão e de informação começaram já a ser aplicadas em países da UE, sem que Bruxelas tenha equacionado a hipótese de ameaçar com sanções os  países  (Hungria e Polónia), que as aplicaram em clara violação dos Tratados europeus.

Não adianta chorar

Andamos há mais de uma década a lamentar a ascensão dos partidos de extrema-direita na Europa mas, lá no fundo,  temos esperança que isso não passe de uma moda;
Vemos  fascistas a chegar ao poder  com o apoio do voto popular;
Vemos a direita brasileira a derrubar um governo legítimo, através de uma golpada própria de países do terceiro mundo e perguntamo-nos onde está o Brasil emergente e promissor dos BRIC?;
Tememos que Trump chegue à Casa Branca e  receamos perder o eterno aliado da Europa;
Em vez de nos lamentarmos pela viragem à direita que está a varrer o mundo, devíamos  perguntar-nos qual a razão de isso estar a acontecer. Onde é que a esquerda falhou, para que o povo não confie nela e se entregue nos braços da extrema direita como se fosse a sua salvação?
(Não me venham com a estafada justificação de que o povo é ignorante e analfabeto, porque essa já não cola.)

O jornalismo tem futuro?



Foto retirada daqui


Há meia dúzia de anos escrevi um artigo para a revista "DIRIGIR"  onde vaticinava que a comunicação social generalista tinha os dias contados e o futuro do jornalismo( e dos jornalistas) estaria  reservado a  publicações especializadas, com artigos técnicos e credíveis. Fundamentava a minha opinião, no facto de os canais de televisão dedicados à informação, pela necessidade de estarem sempre em cima do acontecimento, tornarem as notícias tão efémeras, que perdem o interesse.
Ao leitor do futuro - também ele mais especializado e criterioso nas suas opções- já não interessa tanto saber   se morreram 500 refugiados num naufrágio, se as eleições em Inglaterra foram ganhas por um muçulmano ou por um judeu, se a cimeira sobre o clima foi um sucesso ou um fracasso,  se foi descoberto  um tratamento para o cancro, ou se o acordo entre Europa e EUA está a suscitar tensões políticas.
O leitor do futuro quer saber o  que é possível fazer para evitar a morte dos refugiados, qual a implicação dos acordos sobre o clima no quotidiano, mas também  na sua área de actividade específica, quais os efeitos colaterais e imediatos do tratamento que foi descoberto,  a forma como o acordo UE/EUA  irá influir na sua vida pessoal e profissional, ou os efeitos dos transgénico na saúde.
Quer respostas credíveis e  práticas para as suas perguntas e sabe que elas só podem ser dadas por especialistas, não por jornalistas.
O jornalista do futuro, por seu lado, se estiver fortemente comprometido com a sua profissão, terá de fazer um grande investimento no jornalismo de investigação. Terá de deixar as redacções onde passa o tempo a fazer copy paste de notícias da Internet e "fazer-se à estrada" para investigar um determinado tema e depois o dar a conhecer aos leitores. Não sob a forma de notícia, mas como resultado de uma pesquisa séria. O jornalismo generalista tem os dias contados, desde que apareceu a CNN e nos foi permitido ver uma guerra em directo, mas o jornalista e o jornalismo continuam a ter futuro, se ambos quiserem ser fiéis aos seus princípios.